Tesouro de Amor
4 O Restaurante
Notas iniciais
Nesse mesmo dia, após deixar a mãe em casa, Ana, no horário de saída de Thomas, chegou à universidade, para revelar que estava grávida de um filho dele. Adentou o enorme portão e caminhou em direção ao pátio de entrada. Sentou-se em um dos bancos e olhava fixamente para a porta que dava acesso aos corredores.
– A qualquer hora o Thomas deve estar saindo dali.
...
Thomas saía da sala de aula acompanhado de Thaís, como em praticamente todos os dias. Sempre depois conseguia despistá-la para se encontrar com Ana. Os dois chegaram juntos ao pátio. Thaís havia parado de andar.
– Thomas. Eu preciso falar com você.
Nesse momento, Thomas também interrompeu a caminhada e fitou Thaís, curioso.
– Sim?
– Eu... Eu te amo. Desde pequenininha, Thomas. Você é o grande amor da minha vida.
– Thaís... Eu... –
Interrompendo a fala do amado, Thaís roubava um beijo de Thomas, que, mesmo sem parecer, lutava para separar as duas bocas.
...
Ana, ao observar a cena, levantou-se, perplexa.
– O QUÊ? O Thomas não podia ter feito isso comigo! Ele estava somente me usando! E agora, que eu espero um filho dele, o que eu faço?
Chorando desesperadamente, saiu da escola e correu em direção ao ponto de ônibus. Pegou o primeiro que viu.
...
Depois de muito sacrifício, Thomas conseguiu.
– Thaís? Eu nunca ia imaginar isso. Eu sempre te vi como uma irmã. Você é como se fosse minha prima. Não pode rolar nada entre a gente!
– Por favor, Thomas, me dá uma chance. Me deixa provar pra você que estou falando sério. Você é a pessoa mais importante para mim.
– Thaís, eu sinto muito. Mas eu amo a Bia. É ela que eu desejo! É melhor que seja assim, você não pode se iludir.
...
Em uma hora, Ana chegava em casa, desesperada. Correu em direção ao quarto que dividia com a mãe e se agarrou com um travesseiro, chorando mais ainda.
– Meu Deus, o que eu faço agora? O que vai ser desse filhinho que eu espero? Eu vou criá-lo sozinha, mas como? – pensava a jovem, tentando evitar fazer barulho, pois a mãe dormia ao seu lado.
Sua cabeça estava prestes a explodir. Com uma mãe doente, grávida, sem dinheiro para pagar a faculdade. A vida da jovem estava se tornando um inferno nas mãos de Clarice e Thaís.
Após alguns minutos, Ana acordava Olívia calmamente.
– Mamãe, preciso falar com a senhora. – falava suavemente, auxiliando a mãe a se sentar na cama. A filha sentou-se ao seu lado. – Tem uma coisa que a senhora precisa saber.
– Hm, Hm? – perguntava a mãe, ainda sonolenta.
– É sério, mamãe. Eu estou... grávida! Eu estou esperando um filho do Thomas.
– Mas o quê?! Você andou a fazendo coisas indevidas, Ana Beatriz?
– A gente precisa ter uma conversa séria. A conversa mais séria em toda a minha vida. Eu amo o Thomas. E achei que ele também me amasse... A senhora está pobre e eu vou ter que trabalhar pra nos sustentar. Vou ter que parar de estudar e ainda por cima estou grávida! Céus, são muitos problemas de uma vez só.
– Olha, minha filha, se eu fosse uma avó desnaturada, eu ia pedir pra você abortar essa criança, pensando no nosso pouco dinheiro. Mas eu não vou fazer isso, do mesmo jeito que não te abortei quando tava grávida. Você foi um anjo na minha vida, um presente de Deus. E esse bebezinho também vai ser. Ele vai ser muito bem-vindo.
Ana, emocionada com as palavras da mãe, soltou uma lágrima e a abraçou.
– Sinceramente, mamãe, eu não sei o que dizer. Eu achei que sua reação seria totalmente diferente.
– Agora, sobre o dinheiro, vamos ter que dar um jeito, minha filha. Eu queria muito poder trabalhar e te ajudar, mas tô muito mal de verdade.
– Então a única saída é...
– Sim, você tem que trabalhar, pagar as contas, e ainda juntar um pouquinho pro neném quando ele nascer.
...
Seguindo o pedido da mãe, Ana caminhava de porta em porta procurando serviços de empregada doméstica. Fez também um anúncio e espalhou os panfletos por todo o bairro. Surpreendentemente, naquela mesma noite recebeu um telefonema.
– Boa noite. É da casa da Ana Beatriz? – perguntava a mulher. Ana imaginou que estava feliz.
– Sim, senhora. É ela quem está falando. – respondia Ana, um pouco aflita. Necessitava muito desse trabalho.
– Bom, meu nome é Patrícia. Preciso ter uma conversa com você. Considere como uma entrevista, ok? Amanhã à tarde, pode ser? – Ana notou de cara que a mulher era muito apressada e resolvia as coisas com rapidez.
– Claro, dona Patrícia. Obrigada pela atenção, preciso muito desse emprego.
– Que nada. Eu é que fico grata por tamanha gentileza.
A mulher passou o endereço, que foi anotado rapidamente por Ana. Não podia perder essa chance. Era perfeita.
Então tá marcado! Até amanhã. – despedia-se a mulher, rindo.
Ana desligou o telefone, vibrando de felicidade. A alegria foi semelhante quando soube que estava grávida. Quando se lembrou de que foi traída pelo amado, a alegria passou.
– Fico tão triste em ser traída por ele. A gente ia ser tão feliz junto. POR QUE O THOMAS FEZ ISSO COMIGO?
...
Logo depois de sair da escola, Thomas chegou à mansão, antes de Thaís, pois a deixou na escola quando foi embora. Não queria mais ver a jovem pelo menos durante o resto do dia.
– Que estranho. A Ana disse que ia pra escola hoje? O que será que houve?
Caminhou até seu quarto, tomou um rápido banho e discou rapidamente o número de Ana em seu celular. O telefone chamava, chamava, e ninguém atendia. Depois de muito tempo em chamada, o telefone deu sinal de ocupado, como sempre acontece nesses casos.
– Tenho a impressão de que ela está me evitando. Por que será? Bobagem minha. Amanhã ela vai aparecer na faculdade e vai tudo voltar ao normal. – decidia Thomas, terminando de vestir seu pijama. Logo após, se jogou na cama.
...
Na tarde seguinte, Ana compareceu ao encontro com Patrícia. O local marcado pela mulher era um restaurante extremamente elegante e refinado.
– Céus, ela me chamou pra cá?
Alguém a cutucou e Ana olhou para trás.
– A senhorita é a Ana Beatriz? – perguntava a mulher, sorrindo. Era extremamente simpática. Aparentava ter cerca de quarenta e poucos anos. Seus cabelos loiros cresciam até os ombros. Possuía olhos azuis e utilizava um vestido vermelho.
– Sim... Como... Dona Patrícia?
– Então já nos reconhecemos. Que ótimo. Fundamental para uma patroa e uma funcionária.
– Que isso, dona Patrícia. Assim a senhora já me deixa sem jeito.
– Humpft. Vamos entrar?
...
Se Ana achou o restaurante lindo por fora, não imaginava como era lá dentro. As duas adentraram o enorme local, o maior e mais elegante restaurante da cidade, de acordo com Patrícia. Ana não entendia o motivo de tamanha generosidade da mulher, que poderia até mesmo desaprová-la. Várias pessoas almoçavam. As duas caminhavam em direção a uma pequena mesa vazia.
– Ana, eu sabia que ia gostar de você logo de cara. Bom, conte-me por que razão deseja tanto esse trabalho?
Naquele momento, um garçom caminhava em direção à mesa onde as duas conversavam.
– O que desejam?
– Bom, garçom, deixe o cardápio conosco e daqui a pouco te chamaremos.
O jovem, que aparentava possuir a idade de Ana, assentiu, se retirando.
– Bom...?
Ana decidiu se abrir para Patrícia. Contou tudo que tinha acontecido e porque precisava tanto desse emprego. A mulher se emocionava com a história da jovem.
– Ana, pelo visto nós duas não nos encontramos por acaso. Você se parece comigo.
– Eu, me parecer com a senhora? Imagina. A senhora é linda, elegante. Supera qualquer mulher que mora por aqui.
– Não fui rica a vida inteira, minha querida. Já fui pobre, mas conheci o Henrique, e hoje sou muito feliz. Você está contratada. Agora, vamos almoçar?
Ana, um pouco nervosa, assentiu. Não sabia o que dizer. A mulher que acabara de a conhecer estava sendo extremamente gentil. Qual seria o motivo de tanta gentileza? O que Patrícia quis dizer com “não se encontrarem por acaso”?
Fale com o autor