Tesouro de Amor
11 O Barranco
Notas iniciais
Após o casamento dos dois novos casais formados e unidos graças ao destino, alguns meses se passaram e o grande momento havia chegado: o nascimento dos filhos de Ana e Thaís ocorreria exatamente no mesmo dia. Coincidentemente, na mesma hora, no exato momento.
...
Em uma das salas do hospital, jazia Ana sobre a cama, à espera do parto. O marido a acompanhava, fiel como sempre. Gabriel chorava emocionadamente e não demorou muito tempo para que o parto se iniciasse. Ana fora anestesiada de forma que se mantinha acordada.
– Vai nascer, Gabriel. Nosso filhinho vai nascer. – exclamava Ana, também chorando.
– Estou louco para saber se é menino ou menina. Nossa decisão de manter surpresa foi ótima!
Após alguns minutos de desesperados esforços, um eco causado pelo choro de um recém-nascido preenchia os corredores.
– É uma linda menina! Forte, saudável, perfeita. – dizia o médico, segurando cuidadosamente a filhinha de Ana e Thomas.
– Como a minha querida vovó. LÚCIA! – berrava Ana, explodindo em sorrisos e lágrimas, sendo abraçada emocionadamente pelo marido, que não conteve a emoção.
Pouco tempo depois, o médico chegava com a pequena Lúcia no colo, porém, a bebê já não estava suja de sangue, pois havia tomado banho e estava completamente limpa.
– Vou deixar ela ficar um pouco com vocês. Vocês merecem!
...
Foi a vez de Thaís de dar à luz. Após as dores sentidas pela esposa, Thomas, desesperado, a levou ao hospital mais próximo e o parto se iniciava rapidamente. O parto da jovem havia sido pior do que o de Ana, pois sentia cada vez mais dores, chegando a um momento em que achasse estar no fim de sua vida.
– Eu vou morrer, doutor. Não tô aguentando! – berrava Thaís, resistindo fortemente às dores do parto.
– Resiste, Thaís. Tá quase saindo... OPA! Vai nascer! – o médico estava mais nervoso e aflito que a própria mãe. Em questão de poucos segundos, o choro do filho de Thomas e Thaís ecoava pela sala e, posteriormente, pelo grande corredor, chamando a atenção de muitos médicos.
– Apesar de tudo, é um lindo, forte e saudável menino. Vocês são uns sortudos!
Thaís e Thomas se entreolharam, sorridentes, porém, curiosos. Que nome dariam ao bebezinho que acabara de nascer? Thomas ergueu os ombros e Thaís, depois de alguns minutos pensando.
– PEDRO!
...
Ana e Gabriel criaram Lúcia com todo o amor possível que um verdadeiro pai e uma verdadeira mãe poderiam dar para a criança. O mesmo ocorrera em relação aos avós Olívia, Patrícia e Henrique, que amavam a menina desde quando ainda era um feto na barriga de Ana.
Thaís e Thomas também criaram Pedro com muito carinho e amor, porém, Thomas não era feliz no casamento e fazia questão de demonstrar isso para Thaís, Clarice e o mundo inteiro quando o filhinho não se encontrava por perto. Bebia cada vez mais, tornando-se um alcóolatra completo.
Sete anos se passaram e Pedro e Lúcia cresceram. Mesmo depois de anos, Ana e Thomas não esqueceram-se completamente um do outro, porém, a distância resolvia tudo, pelo menos pela parte de Ana, que se tornava cada vez mais feliz ao lado do marido, da filha, da mãe e dos sogros. Uma família completamente unida.
A família de Thomas ia de mal a pior. Thomas, casado com Thaís, jamais havia sido feliz no casamento, causando um extremo remorso na mãe, Clarice, que arruinou o lindo amor que o jovem e Ana tinham um pelo outro, assim colocando Thaís como um empecilho entre os dois.
– Como eu me arrependo desse terrível ato cometido no passado. Eu preciso falar com a Thaís.
Clarice chamou a afilhada para uma conversa, a mais séria de toda a sua vida. Ambas foram para o quarto de Thaís.
– Thaís, eu tenho uma coisa muito séria para falar com você. É sobre uma decisão que eu tomei. E você vai ter que me escutar. – o tom na voz de Clarice era extremamente frio e nervoso ao mesmo tempo, assustando a afilhada, que jamais ouvira a madrinha falar com ela daquele jeito.
– O que houve, madrinha? Me diga o que aconteceu pra senhora falar assim, por favor. – Thaís, aflita, se aproximava da madrinha, de quem considerava muito por ajudá-la no casamento com Thomas.
– Há sete anos você e o meu filho se casaram, minha querida. Eu pensei que com o tempo ele fosse esquecer aquela garota, mas não. O amor que um sentia pelo outro realmente é duradouro e provavelmente eterno. Eu vejo que a cada dia que esse casamento prossegue, o meu filho fica cada vez mais triste, mais depressivo, e bebe cada vez mais. Thaís, por favor, eu gostaria que você se separasse do Thomas. Você vê que ele não te ama. Vai ser pro seu bem também. E eu também vou contar pro meu filho sobre tudo o que nós armamos até agora para o sofrimento e desgraça daquela pobre moça que de nada tinha culpa.
– COMO ASSIM? ATÉ A SENHORA AGORA VAI FICAR CONTRA MIM? A ÚNICA PESSOA QUE EU ACHEI QUE PODERIA CONTAR SEMPRE! – berrava Thaís, que começava a se descabelar em um surto psicótico, berrando cada vez mais alto.
– Thaís, calma, por favor. Eu te apoiei sempre, todos os dias, em todos esses anos. Me ajuda pelo menos uma vez. É pelo bem do meu filho e até mesmo pro seu bem. – Clarice tentava, inutilmente, acalmar a afilhada, que surtava cada vez mais, quebrando os quadros e abajures do seu próprio quarto.
– Você não vai fazer isso comigo. Não depois de tudo que eu fiz pra conseguir me casar com ele e arrastá-lo até o altar. – Thaís corria até sua janela, fechando-a firmemente, de modo que Clarice não conseguiria abri-la. Correu até o corredor, retirando a chave da porta, trancando a madrinha no quarto. Naquele momento, não haviam pessoas na casa, pois Thomas havia saído para passear com o filhinho e Ryan provavelmente estaria vagabundeando na rua durante aquela tarde.
Thaís correu até o telefone e ligou para Ivan, o mesmo homem que havia roubado e assustado Olívia. Em questão de segundos o homem chegara a mansão. Thaís permitia que este entrasse sem que ninguém visse. Ambos subiram as escadas e abriram a porta do quarto de Thaís, onde Clarice desesperada tentava arrombá-la.
– Tentando fugir, querida madrinha? Pois bem, tudo acaba pra você aqui! – berrava Thaís, pressionando um pano, que possuía uma substância, no rosto de Clarice, que adormeceu repentinamente.
– Leve-a daqui e dê cabo na velha. Nada nem ninguém vai me separar do Thomas. – ordenava Thaís e o homem assentia, obedecendo a ordem, carregando o corpo de Clarice para o carro da madame, deitando-a no banco de carona. O veículo tinha as janelas escuras, portanto, ninguém havia visto o corpo de Clarice.
O homem, que utilizava luvas para impedir que suas impressões digitais fossem grafadas em qualquer lugar possível, dirigia o veículo, chegando a um enorme penhasco. Após chegar ao local, Clarice repentinamente despertou, recuperando aos poucos os sentidos.
– Ei, o que pensa que está fazendo? – gritou, pulando em cima do homem, tentando tomar a posse do volante e mudar o sentido do carro, para que pudesse descer do penhasco e evitar uma tragédia. Ao reparar o que iria acontecer, Ivan repentinamente abriu sua porta, saltando para fora do veículo.
O carro caíra barranco abaixo e rolava. Depois de tanto rolar pelo barranco, escutava-se um forte baque devido à explosão do veículo.
– Missão cumprida, patroa. – afirmava Ivan, ainda aflito diante de sua quase morte.
...
Thaís, que se situava no sofá da sala de braços abertos e pernas esticadas, ao atender o telefonema, desligou-o na mesma hora ao escutar as palavras do cúmplice, sorrindo ironicamente, soltando uma alta gargalhada.
– É uma pena, tia Clarice. A senhora era uma forte aliada.
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