Notas iniciais
Demorei, mas postei. Capítulo emocionante, espero de verdade que vocês gostem da minha história.

Patrícia havia permitido que Ana passasse o resto do dia de folga e mostrou para a jovem o quarto em que iria ficar. A mansão possuía dois enormes andares e o quarto de Ana se situava no primeiro, em um corredor que dava acesso à cozinha.

– Dona Patrícia, e minha mãe, onde ficará?

– Quanto a isso fique tranquila. Dona Rita terá um quarto só para ela. E vamos esquecer esse negócio de Dona, a partir de hoje você me chama de Patrícia.

...

Patrícia subiu a escadaria e caminhou lentamente em direção a seu quarto, onde Henrique descansava, pois no dia seguinte iria ter um longo dia de trabalho.

– Mas já dormindo? – perguntava Patrícia, acordando o marido.

– É. Preciso recompor as energias, pois amanhã será longo o dia. – respondia Henrique, um tanto sonolento devido à viagem.

– Conseguimos trazer a Ana pra cá, como estou feliz, Henrique. Um passo pra frente. Em breve tudo estará melhor.

– Graças a Deus. Falando nisso, o Gabriel retorna de viagem amanhã, não é mesmo?

– Tem razão, tinha até me esquecido disso.

...

Patrícia, como todos os dias, acordava cedo, pois não achava necessidade de passar muitas horas na cama e perder parte de seu dia dormindo, e se preparava para ir ao aeroporto buscar Gabriel. Vestiu uma blusa branca, acompanhada de um casaco da mesma cor e uma calça jeans. Pôs seu melhor óculos escuro e seu mais novo sapato. Após alguns minutos, caminhou pelo jardim dos fundos em direção à garagem e adentrou seu belíssimo carro vermelho.

Em uma hora, havia chegado ao local. O respectivo avião demorou um pouco a chegar. Patrícia, ansiosa, correu até o local de espera e o aguardou. Em questão de minutos, a mulher avistou o tal Gabriel, um belo jovem da mesma idade de Ana. Possuía olhos azuis e seus eram tão louros que brilhavam. O jovem correu na direção de Patrícia, emocionado, soltando a mala que segurava entre as mãos e abraçando a mulher, que também corria em sua direção.

– Mamãe, que saudade! – exclamava o filho, segurando novamente a grande mala.

– Eu que o diga, meu filho! Como foi a grande viagem?

– Foi ótima. Eu e meus amigos nos divertimos tanto.

– Que bom que está feliz, meu filho. Raramente te vemos assim depois... daquilo.

– Não vamos nos lembrar da Susana agora, por favor. – implorava o filho, segurando a vontade de chorar.

– Certo... E temos uma surpresinha especial para você. – afirmava a mãe, piscando para o filho.

Os dois caminharam em direção ao veículo, rumo à mansão. A viagem foi feita em silêncio, que nenhum dos dois possuía a coragem de quebra-lo.

– Depois da morte da Susana, minha norinha, acho que a única pessoa capaz de fazer o meu filho voltar a ser o Gabriel que era antes é... ela. – pensava Patrícia, enquanto dirigia o veículo tranquilamente.

Gabriel morria de curiosidade, porém, não queria estragar a surpresa importunando a mãe.

...

Thomas corria para a sala onde se situavam as bebidas da casa, debulhando-se em lágrimas. Todos os dias, desde que Ana havia desaparecido, era o que ocorria, sem nenhuma das pessoas que ali habitavam saberem de algo. Caminhou em direção a um grande armário, que estava abarrotado de inúmeras garrafas com diferentes bebidas em cada. Abriu o armário e retirou uma enorme garrafa verde, colocando-a sobre uma mesa, apanhando uma taça. Tremia desesperadamente, pois não aguentava a solidão que sentia constantemente durante aqueles longos e depressivos dias. Abriu a garrafa com dificuldade e despejou a bebida na taça, preenchendo metade desta.

Durante alguns demorados minutos, sentou-se em uma poltrona no local, fitou a taça, pensando se deveria ou não beber. Depois de tanta reflexão, em um ato desesperado, correu até a mesa, agarrou a taça, e ingeriu toda a bebida aos poucos. Insatisfeito, encheu a taça novamente, mais do que na outra vez, e bebeu tudo rapidamente.

– Ela me aban... donou. Caminhava cambaleante pelo cômodo, até repentinamente cair, desacordado.

...

Thaís e Clarice chegavam depois de passarem o dia todo fora. Haviam ido à praia, ao shopping, e jantaram em um elegante restaurante.

– Precisamos comemorar o sucesso do plano! Vamos abrir uma garrafa de champanhe.

As duas caminharam em direção à sala de bebidas, onde ainda jazia caído inconsciente no chão o jovem Thomas.

– THOMAS! MEU FILHO, O QUE HOUVE? – Clarice corria na direção do corpo do filho, se ajoelhando ao lado do mesmo, que ainda estava inconsciente. Olhou para os lados e encontrou a garrafa aberta e cacos de uma taça que havia quebrado durante sua queda.

Thaís havia corrido até a cozinha e apanhado um copo de água tão rápido que Clarice não havia percebido sua ausência. Se ajoelhou ao lado da madrinha e jogou a água no rosto do amado, que acordou assustado.

– O que aconteceu?

– Você desmaiou.

...

Gabriel e Patrícia chegaram à mansão exaustos, pois haviam enfrentado um enorme engarrafamento e demorado horas para chegar ao lar.

– Filho, vá descansar, o seu dia foi muito cansativo. Amanhã eu tenho uma surpresa para você.

O filho, obedientemente, assentiu, subindo as escadas e caminhando em direção ao seu quarto. Chegando ao local, fitou dois quadros, com seus dois amores: Ana e Susana. Ana desde a infância era linda com seus grandes e cacheados cabelos e olhos azuis.

Patrícia chegou ao quarto de Ana e bateu a porta. A jovem a abriu em alguns segundos. A jovem conversava com sua mãe.

– Interrompo?

– Claro que não, dona Patrícia. A senhora nunca atrapalha.

– Ana, eu preciso conversar com você... Bem, é importantíssimo. – afirmava, fitando Olívia, que resmungou um “tá bom” e saiu do quarto, curiosa.

– O que tem de tão importante? – Ana estava começando a ficar aflita, pois a mulher estava falando muitíssimo sério.

– Tá na hora de eu te dizer o verdadeiro motivo de eu ter te trazido até aqui.

– O... verdadeiro ... motivo?

– Sim, Ana. Você não está aqui simplesmente para trabalhar. Há algo muito mais importante por trás disso. Vou lhe dizer. Eu cheguei a comentar com você que tenho um filho? – Ana balançava a cabeça, negativamente. – Como eu estava dizendo, eu tenho um filho que acabou de voltar de viagem e foi dormir. Ele é um filho de ouro, nunca me deu problema, ainda mais em relação a garotas, pois ele só amou duas em toda a sua vida. Uma delas é a minha falecida nora.

– Sinto muito, muito mesmo, dona Patrícia, mas...

– Calma, Ana. Você vai entender tudo.

– Susana, minha nora, faleceu há certo tempo, pouco depois do casamento, em um acidente de carro. Meu filho até hoje, apesar de manter as aparências para as pessoas, no fundo guarda uma profunda depressão por conta disso. Até trancou a matrícula na faculdade por não ter condições mentais. Foi aí que tive a conclusão de que seu primeiro amor, a outra pessoa que havia amado, pudesse confortá-lo neste momento tão difícil e quem sabe até mesmo ser feliz com ele. Estou correta, não estou?

– Mas é claro. Eu no seu lugar faria o mesmo pelo bem do meu filhinho.

– Pois bem, Ana. Você é o primeiro amor da vida dele.

Após ditas estas palavras, Ana estremeceu. Como ela, que morava em outra cidade e vivia em uma situação completamente diferente, podia ter sido o primeiro amor de seu filho.

– Dona Patrícia, a senhora tem certeza disso?

– Mas é claro que tenho, Ana! Quando eu te vi lá na sua cidade, eu tive certeza que era você! Lembra-se do Gabriel? Que era da sua sala na terceira série?

– Terceira série... O GABRIEL? – Ana havia relembrado que Gabriel era seu melhor amigo, e era muitíssimo pobre. Lembrou-se também de Patrícia, que na época era uma jovem completamente diferente da elegante mulher que se tornou. – Mas... vocês eram pobres?

– Foi como eu disse, querida. Lembra quando eu lhe disse que você parecia comigo? – Ana lembrou-se do primeiro encontro das duas, onde sua vida havia mudado por completo e assentiu, positivamente. – Eu quis dizer isso. Quando eu lhe disse que já fui pobre, que conheci o Henrique e estava sendo feliz até hoje? Pois bem, é isso. Henrique não é pai biológico do Gabriel, mas quando se apaixonou por mim também o amou como filho, do mesmo jeito que Gabriel também o ama como pai. É isso, Ana, essa é a verdadeira razão por você estar aqui. Muito obrigada por ser uma luz no fim do túnel que pode ajudar a melhorar a vida do meu filho.

Patrícia correu e abraçou Ana, chorando. As duas debulhavam-se em lágrimas, pois Ana faria o mesmo que a mulher teria feito, de todas as formas. Eram iguais, em todos os sentidos.


Notas finais
Reviews não matam (: