Ryan, arrependido da participação cometida na separação de Thomas e Ana, ao saber que o irmão ainda permanecia apaixonado pela amada e não tinha um casamento feliz com Thaís, decidiu chamar o irmão para uma conversa no jardim da mansão, onde ninguém os interromperia.

– Thomas, eu preciso falar com você. É sério, cara. Nunca precisei falar com você desse jeito agora.

– Me fala, Ryan. Não me deixa mais nervoso do que eu já tô ultimamente. – Thomas implorava, desesperado para saber o que o irmão tinha para lhe contar. Provavelmente algo sério.

– Lembra que você disse que a Ana te abandonou sem você saber o motivo? – Thomas assentiu e o irmão continuou a revelação. – Pois bem, irei falar o que aconteceu desde o início. Soubemos que a mãe dela, a dona... Olívia, se não me engano, tinha um problema cardíaco e não podia levar sustos muito fortes, pois poderia acabar morrendo. Pagamos um homem para simular um assalto, de modo que a mulher não pudesse trabalhar e que a pobre e indefesa menina... como me arrependo... tivesse que trabalhar para sustentar as duas e assim sair da faculdade. E Thaís, assim que viu que Ana se aproximava, o beijou. Ana viu e saiu de sua vida por todo esse tempo, sem saber que logo depois você interrompeu o beijo forçado. Pois bem, meu irmão, foi isso que aconteceu. – confessava Ryan, tristonho, de cabeça baixo.

O filho caçula de Clarice se assustou com o punho de Thomas, que vinha em sua direção, transferindo-lhe um soco.

– Por que fez isso comigo, Ryan? Por que sempre fez mal a mim? Eu nunca te fiz nada, cara. – berrava Thomas, se controlando para não espancar o irmão mais novo.

– Me arrependo profundamente disso, Thomas. E por isso tô te contando tudo. Me perdoa, irmão? A Thaís ainda consegue ser pior do que isso.

– Por falar em Thaís, eu só não acabo com você porque preciso tirar essa história a limpo com a própria. Vou lá é agora. E é melhor você não aparecer mais na minha frente.

...

Chegando ao quarto que dividia com Thaís, a jovem estava no local com Bianca, Pedro e Camila.

– Thaís, eu preciso falar sério com você. – Thomas disfarçava o tom de voz ao ver que o pequeno filho se situava no cômodo. – Camila, por favor, leve o Pedrinho.

– Pedrinho, meu amor, vamos lá pra cozinha. Tia Camila vai pedir pra Custódia fazer aquele bolo de chocolate que você gosta. Custódia era a cozinheira do sítio.

– Oba. — As duas jovens saíram na companhia do menino, que estava extremamente empolgado, pois não apreciava o belo sabor do bolo há tempos.

– Meu amor, o que você quer? Assim você me assusta! – Thaís realmente se assustava, pois não imaginaria que o cunhado desse com a língua nos dentes depois de todo aquele tempo.

– Eu só gostaria de saber como você consegue ser cínica! Você me enganou esse tempo todo, Thaís. Se fingindo de boazinha, de indefesa. Você acabou com a vida da Ana. Se ela não tivesse tido essa sorte ela estaria pobre e ferrada ainda, trabalhando como faxineira pra poder cuidar da mãe doente. Você não tem escrúpulo nenhum, Thaís. – berrava Thomas, avançando para cima da mulher, esbofeteando-a. Thaís soltou um berro.

– Não, Thomas. Por favor, não. Eu não fiz nada disso. Te juro. – desesperadamente, tentava se defender, porém, levou mais um tapa e, gritando, correu até a porta e em disparada chegou à escadaria.

Descendo pelos grandes degraus, porém, o desespero tomou conta de Thaís, fazendo com que a jovem tropeçasse em um degrau e rolasse escada abaixo. Thaís rolou por toda a grande escadaria, chegando aos pés ainda consciente, porém não conseguia se mexer.

– Não... consigo... me levantar! – e desmaiou. Camila e Bianca correram até a escada após ouvir os berros, deixando o pequeno Pedro com a cozinheira no lado de fora da mansão, próximo à piscina.

Em seguida, Thomas chegou ao topo da escadaria e, surpreso, desceu as escadas, ligando imediatamente para um médico, informando o ocorrido. Em cerca de uma hora, uma ambulância chegava e transportou a jovem para o hospital.

...

Todos foram para o hospital, com exceção de Bianca, que se responsabilizou pelo pequeno Pedro, pois sentia extrema simpatia pela criança, que era extremamente carente de atenção.

– Eu fico com ele, gente. Podem ir tranquilamente.

– Obrigada, Bianca. Você é uma amiga e tanto. – agradecia Thomas. Ele e Camila adentraram seu veículo e seguiram rumo ao hospital.

O sítio estava completamente vazio, com exceção de Bianca, Pedro e Ryan. Bianca se dirigiu à mesa de piquenique próxima à piscina, onde o filho de Thaís estava, com um pequeno quebra cabeças.

– Então você gosta desses jogos? – perguntava, sorrindo. Olhava para a criança e sonhava ter um filho daquele jeito: lindo, simpático, alegre, comportado. Um filho que toda mãe pede a Deus.

– Adoro, tia Bianca. Mas nenhum brinquedo é melhor que aquele castelo que papai comprou pra mim naquele dia.

– É, eu também adoro castelos! – respondia Bianca, rindo. – As roupas que as mulheres usavam naquela época eram fascinantes. – enquanto castelos eram a paixão de Pedrinho, a paixão de Bianca era nada mais nada menos que as roupas, claro, típico de uma estudante formada de moda, que está prestes a abrir sua revista.

Em alguns segundos depois, Ryan se encontrava com os dois.

– A casa parece que tá vazia. Aonde estão os outros? – perguntou Ryan, que imediatamente percebeu que havia perguntado algo que não devia, por causa do olhar que Bianca lhe lançou.

– Eu já volto, meu amor. Vou pegar uma água pro seu tio e já estou aqui...

– Tudo bem, tia Bianca! – respondia Pedro, ainda atento ao quebra cabeça. Bianca e Ryan adentraram a mansão pela porta dos fundos, que ligava à cozinha

– Você não tá sabendo? É, parece que você foi dar um passeio pelo sítio. Acredita que a Thaís caiu da escada e foi levada às pressas para o hospital?

– O quê?! A Thaís? E como ela tá? Tá respirando? – o desespero de Ryan era evidente, pois de certa forma sentia-se culpado devido ao fato de ter revelado todo o segredo, que culminou do desespero de Thaís, que acabou tropeçando na escadaria.

– Está sim. Ela desmaiou, mas acho que está bem. O jeito agora é esperar as notícias... Vamos lá para fora senão seu sobrinho vai desconfiar de tudo. Tente fingir que nada está acontecendo.

Os dois retornaram à grande mesa, onde Pedro havia terminado o grande quebra-cabeça.

– Meu sobrinho adora esses quebra-cabeças. Consegue montá-los com uma rapidez que só presenciando... – comentava Ryan, sorrindo, sentando-se ao lado do menino, o abraçando. – E aí cara, como tá você?

– Tô bem... – respondia o sobrinho, um tanto tímido. Era visível que o menino era extremamente tímido e quieto, que causou ainda mais a compaixão de Bianca.

...

Thomas e Camila chegaram ao hospital e correram para a sala de espera próxima ao quarto onde Thaís jazia inconsciente. O médico chegou logo em seguida.

– Vocês são os parentes da Thaís? – perguntava o médico, consultando uma ficha que estava em suas mãos.

– Sim. Eu sou Thomas, o marido e ela, Camila, a cunhada. – respondia Thomas, ansioso para saber o resultado dos exames do tombo de Thaís.

– Bom, senhor Thomas, o que eu tenho para lhe dizer não é nada agradável... A sua esposa perdeu o movimento das pernas. A queda foi muito forte. Ela está paraplégica.


Notas finais
Seria uma punição? rçrçrç