Notas iniciais
A palavra do dia é enleada

Depois de afundar na banheira, Rosa encontra-se em um lugar vagamente familiar. O cheiro de grama recém-cortada, as flores crescendo, a estranha roupa camponesa que usa no momento. Entretanto, tudo está escuro e impossível de enxergar. Que tipo de enleada de terror estaria agora?

—É um sonho. — Sussurra.

—Meu sonho era crescer feliz, agora sei que posso. — Diz uma criança, muito parecida com Rosa, suja de fumaça.

—Como?

—Sem família.

—Não faz sentido.

—Meu sonho era ter uma família. — Outra garota aparece. Uma adolescente com uma faca na mão. — Aí tive um namorado e uma amiga. Não tenho mais.

—Por que fizeram isso?

—Eu queria brincar, me divertir. Eles queriam que eu trabalhasse. Quando terminava, ia brincar. Mas nunca terminava, então não brincava. — Ela olha para trás, uma casa em chamas. — Mas eu brinquei e aconteceu aquilo.

—Meu namorado saía com minha amiga. — A adolescente fala — Eu descobri e acabei com isso. — Dois corpos aparecem atrás dela.

—Isso é errado!

—Você estava lá e não impediu! A culpa é sua! — As duas falam em uníssono.

E Rosa desperta na banheira, sentindo a queimação da água quente e saltando para fora. Perto dela, um monstro flutuando.