Notas iniciais
POV Rúbia
Meu dia começou como todos os outros, normal, mal sabia eu que quando eu voltasse do colégio, meu mundo iria pelos ares.
Mas antes de começar.
Oi, sou a Rúbia Noli Timere, tenho 15 anos, moro com a minha mãe, Sarah, em Los Angeles. Segundo ela, meu pai morreu em um acidente no trabalho, um pouco antes de eu nascer.
Acordei, me arrumei, fui para o colégio, tive as mesmas aulas chatas de todas as quarta e voltei pra casa. Encontrei minha mãe na sala.
– Olá filha, como foi o seu dia? — Somos diferentes fisicamente. Eu tenho cabelos pretos lisos, ela cabelos castanho encaracolado, meus olhos são pretos e os dela são castanho claro, sou muito branca e ela bronzeada com o sol da Califórnia. Mas apesar disso, temos o mesmo temperamento.
– Oi mãe. Foi tedioso.
– Como assim?
– É que não aconteceu nada de novo, as mesmas aulas, os mesmos alunos e professores...
– Ai querida, fique feliz com isso, pelo menos você não é atacada por monstros.
– Eu sei mã... Perai você disse monstros? Acho que você anda trabalhando demais em filmes de ficção. Está até delirando.
– Não meu amor, eu não estou.
Alguém bate na porta. Ela vai correndo atender. É o Flin, meu professor de Biologia e namorado da minha mãe. Ele sempre está de calça jeans e com suas muletas por causa da deficiência em suas pernas.
– Oi Rúb. — Disse ele se sentando no sofá.
– Oi Flin. A dona Sarah está ficando louca. Disse que eu deveria ficar feliz por não ser atacada por monstros. Hahaha.
Ele me olhou e então olhou para a minha mãe e finalmente voltou a me olhar.
– Sua mãe não está ficando louca. Ela tem razão. Rúbia, você não é uma mortal como a sua mãe, você é uma semideusa, filha de uma humana com um deus Grego. Infelizmente não sabemos qual deus é o seu pai. Mas logo ele se revelará.
–Haha muito engraçado. Vocês quase me enganaram. — Eu não estava acreditando, só podia ser uma piada.
– Não estamos tentando te enganar, é a mais pura verdade. — Disse minha mãe.
– Tanto que eu sou um sátiro. — Flin tirou seus sapatos, ao invés de pés, ele tinha cascos de bode. Tirou sua calça e sua perna era muito peluda. É ele é um sátiro.
– Ai meu deus! Então meu pai não morreu? Ele está vivo e morando no monte Olimpo lá na Grécia.
– Você está quase certa. Ele provavelmente mora em New York, em cima do Empire State. — Flin disse.
– Calma, em cima do Empire State? Mas não tem nada além do céu em cima dele.
– Claro que tem! Ele está escondido pela Névoa, ela é capaz de esconder tudo que não for do conhecimento de um mortal. Como os seres mágicos que você ira enfrentar um dia para sobreviver. Isso acontece com todo meio-sangue.
– Então, para eu continuar viva, terei que virar uma assassina de monstros gregos?
– Infelizmente sim. — Flin me fitava. Ele deve ter percebido que eu estava assustada com todas essas informações novas e malucas. — Rúb, tem um acampamento, em Manhattan, que abriga crianças como você durante o verão. Em casos mais extremos, o ano inteiro.
– Eu não quero ir pra lá... E outra, ainda falta muito para o verão.
– Nós sabemos, mas agora que você sabe que é uma semideusa os ataques de monstros vão se intensificar.
– Mas eu nunca fui atacada.
– Querida, o Flin vem te protegendo desde que nos conhecemos. — Minha mãe tinha um toque de tristeza na voz.
– Você vem me protegendo todo esse tempo?
– Sim, os sátiros são designados a proteger os semideuses na sua primeira ida ao acampamento até que estejam seguros. Você só estará totalmente protegida quando estiver lá. Já discutimos sobre você ir e chegamos à conclusão que deveríamos partir ainda hoje. Vai ser melhor pra você.
– Mas eu não quero ir! Estou no meio das aulas.
– Ah! Agora a senhorita quer ir para o colégio. Não era você que estava reclamando das aulas tediosas. Você não tem escolha. Já compramos as passagens de avião para New York e vocês saem em meia hora. — Minha mãe falou.
– Você não vai?
– Não filha, eu não posso entrar no acampamento. Os únicos que podem entrar são os sátiros, semideuses, deuses e monstros que forem convidados a entrar, mortais não.
– Ah eu não vou sem você! Tenho mais um motivo pra ficar.
– Filha, você tem que ir. Tudo que eu quero é que você esteja a salvo. E outra, eu tenho muito trabalho no estúdio. Vá e se divirta.
– Ok mãe. Então eu vou. Mas só por que eu te amo!
Fui para o meu quarto, taquei as roupas na mala, peguei alguns coturnos, meus tênis e minha nécessaire. Em 15 minutos estava tudo pronto pra ir. Comi alguma coisa, por que sabia que iria demorar pra comer de novo.
Me despedi da minha mãe, entrei na s10 de Flin e partimos para o aeroporto de Los Angeles.
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5 horas de voo até New York é pra deixar qualquer um entediado (sim, eu me entedio fácil), como Flin disse: "Graças aos deuses", eu tinha meu celular cheio de músicas.
Eu estava bem de boa ouvindo música e Flin estava dormindo ao meu lado, quando a aeromoça pediu para eu segui-la. Bom, fiz o que me pediu. Ela me levou para perto das cabines sanitárias e disse com uma voz assustadora:
– Agora você não me escapa cria dos deuses.
Como eu sou azarada, ela devia ser um dos monstros que Flin disse que poderia me atacar e eu estava desarmada. Como eu a mataria?
Ela se transformou. Agora tinha o cabelo flamejante, pele branca, olhos vermelhos, presas, uma perna protética de bronze e outra de burro.
A cabine atrás do monstro se abriu, a moça que estava dentro dela saiu. Eu empurrei a aeromoça monstruosa pra dentro da cabine e segurei a porta com força. A mulher que tinha acabado de sair me olhava confusa, devia estar se perguntando por que eu fiz aquilo.
– Por que você fez isso com ela?
– Ela não está se sentindo bem, ainda bem que você saiu a tempo do banheiro ou ela teria vomitado em mim. Obrigada. — Nossa como eu sou mentirosa. — Moça, pode chamar meu pai que está na cadeira 20 da econômica? Fale que é a Rúbia que está pedindo para ele vir.
– Claro.
O monstro estava batendo na porta da cabine com força. Quase não consegui segurá-la dentro.
Não demorou mais que um minuto. Flin chegou.
– Rúbia, a onde estava? Você sumiu da sua cadeira e uma senhora foi me cham... — Percebendo o meu esforço, ele parou de falar — O que você está fazendo?
– Tem um monstro aqui dentro.
– Como ele é? — Descrevi o mostro resumidamente.
Flin mudou sua expressão de preocupado para urgência.
– Pode deixar que eu cuido dela. — Ele tirou uma flauta de seu bolso. Tocou uma nota, muito suave, o instrumento musical se tornou uma adaga. — A deixe sair.
Fiquei surpresa, quase não reagi ao que ele falou, mas sai de perto da porta, quase que instantaneamente o monstro saiu e foi pra cima de Flin. Ele a esfaqueou. Com o minimo toque da lamina, a aeromoça monstruosa virou pó dourado.
– Que bicho era aquele? E como você transformou a flauta em uma adaga?
– Ela era uma empousai e minha flauta é mágica, como viu, ela se transforma em adaga quando eu toco aquela nota. Vamos voltar para os nossos acentos.
– Vamos. Vou dormir depois dessa.
– Vá se acostumando Rúb, acontecerão mais ataques.
– Ah que legal... — Eu estava muito cansada para tirar o sarcasmo da minha voz.
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