Terrible Love
6 Is Love That Decides The Future - Part 2
Notas iniciais
O maçante silêncio, provavelmente só ouvido nas mais importantes reuniões e momentos de crise, dominava a sala da Hokage. A surpresa que se apossara e transfigurava as belas feições do loiro, envolto nos braços de Sakura, era desoladora. Não havia a sensação boa da chegada de um grande e velho amigo, por quem se lutou durante anos, por quem se teria morrido inúmeras vezes; Naruto sentia apenas o vazio e a amargura de recepcionar o homem que poderia, e talvez sempre pudesse, em um piscar de olhos, lhe roubar a felicidade de uma vida inteira.
– Não vai me dar um abraço Dobe? – o moreno indagou com um sorriso de canto, enquanto se desencostava do batente da porta.
– Claro que vou Teme. Vem aqui! – Naruto respondeu calmamente, acordando de seu transe. Ambos caminharam um na direção do outro, fazendo assim, acontecer o tão esperado abraço.
– Você parece mais forte. – zombou Sasuke, ao se separarem.
– E ele está. – Sakura respondeu animada, colocando um braço em torno de cada um dos ninjas.
– O que faz aqui Uchiha? – inquiriu Tsunade.
– Vim para ficar. Se a senhora permitir, é claro. – ele respondeu educadamente.
– Apesar de que eu duvido que a Hokage-sama irá perder um dos melhores ninjas do mundo para outra nação. – o moreno ironizou em seguida.
– Isso é muito bom. Porém, como esse cargo não me pertence mais, eu só espero sinceramente, que o Rokudaime o aceita de volta na Vila da Folha. – a loira concluiu com um sorriso, fitando Naruto intensamente.
– Posso voltar a servir Konoha, Dobe-sama? – Sasuke debochou em um tom de voz compenetrado, que fez a rosada rir minimamente.
– Mais respeito com o seu Hokage, Uchiha. – Naruto falsamente o repreendeu.
– Seja bem vindo! – Sakura disse animadamente, depositando um beijo casto na face do moreno; o que fez com que um dor atravessasse o coração do loiro.
– Agora vamos! Que eu pretendo encher a cara de saquê essa noite. – a Godaime os apressou já saindo pela porta.
– Não só nessa, não é mesmo? – o Hokage zombou divertidamente enquanto seguiam para fora do prédio, arrancando um suspiro irritado de Tsunade, e sorrisos de Sasuke e Sakura.
O pequeno grupo seguiu pelas ruas da Vila tranquilamente; encaminhavam-se para a casa de Ino, onde seria dada uma festa de comemoração pelo novo cargo do Uzumaki. Tsunade caminhava a frente do antigo time sete, parecia apressada pelas deliciosas bebidas de que tanto gostava e para jogar os jogos que tanto a divertiam.
Naruto e Sakura andavam de mãos dadas; a kunoichi sorria abertamente, sentia-se muito feliz pela conquista do amado e pela volta de Sasuke, tudo daria certo agora. Porém, o loiro sentia-se triste; sentia todo o desespero que tanto o assolava quando criança, sentia suas entranhas se revirarem de medo; lutara as mais difíceis batalhas, vencera os piores inimigos, perdera inúmeras pessoas; mas Sakura era o seu limite, o seu sonho maior, sua vida, perde-la não era uma opção, mesmo estando isso tão perto de acontecer.
O loiro apertava forte a delicada mão da rosada; lembrava-se dos bons momentos vividos ao lado dela, dos sonhos que o assolavam mesmo estando acordado, dos planos para o futuro; eram como flashes da melhor parte de sua vida. Naruto resolvera deixar o pavor que se infiltrava em seu coração, e se focar em não deixar Sakura partir; se ela o amasse, como ele acreditava que amava, ele lutaria por ela, lutaria como lutou por todas as coisas que possuía. Mesmo que sua amizade com Sasuke fosse extremamente importante, e que fossem irmãos por opção, partes iguais de uma mesma história, o Uzumaki se oporia a qualquer tentativa do moreno de levar a kunoichi de si, nem que para isso, a amizade dos dois tivesse que ser desfeita.
Sasuke por outro lado, não sentia nada; pelo menos, era disso que ele tentava se convencer. O buraco em seu peito era gigante, todas as palavras que trocara com Sakura o atingiam novamente, e não havia nada que ele pudesse fazer a respeito, a não ser sorrir e fazer com que os outros o julgassem bem. Essa era pior parte, saber que a kunoichi escolhera Naruto ao invés dele, que em seu ventre havia um novo Uzumaki e não um novo Uchiha, que seu amor não seria nada além de uma curiosa história a se contar no futuro. Futuro esse, que o moreno pensava ser apenas um novo borrão de infelicidade e solidão, enquanto olhava atentamente, cada traço da indiscutível beleza da mulher amada. O que ele, Uchiha Sasuke não daria para ter a mão dela entre as dele daquele jeito tão seguro? A ironia é que o moreno sabia; daria tudo apenas pela felicidade completa e irrefutável da rosada, que no caso, não era ao seu lado.
Ao chegarem ao local; as inúmeras saudações a Naruto encheram o ambiente. Todos pareciam alegres ao terem o herói de Konoha como novo líder, e silenciaram-se apenas por um instante, ao verem Sasuke acompanhando o casal apaixonado. Dispersaram-se todos em seguida, Sakura foi até Ino e Hinata, ele e Naruto para o bar improvisado junto dos outros homens; para surpresa da dupla, o Kazegake se encontrava sentado bebendo, e logo que os viu, os cumprimentou, comentando a maravilha que seria agora com o loiro ao seu lado nas reuniões insuportáveis dos Kages.
– Então Sasuke? Por que decidiu voltar para nós agora? – inquiriu Kiba, entregando lhe uma bebida.
– Ah! Você sabe; tédio principalmente! Destruí todos os inimigos que tinha. E, aliás, com o Dobe-Sama aqui, como eu poderia servir a outra aldeia que não a nossa?! – o moreno respondeu casualmente com a melhor mentira que lhe veio à mente, tomando um dos bancos ao lado de Naruto que soube de imediato que aquilo estava longe da verdade.
– Só isso? Não acredito! – comentou Chouji de boca cheia.
– Você se esquece Chouji de que o Sasuke não é como o resto de nós, meros mortais; ele não possui motivos românticos por trás de cada gesto ou decisão. Eu gostaria de ser assim as vezes, só Kami-Sama sabe o quanto Temari não me dá descanso! – rebateu Shikamaru com certa graça.
A pequena e intima comemoração para o novo Hokage prolongou-se até o escurecer; quando lanternas foram acessas no maravilhoso jardim dos Yamanaka, e a música transformou o entorno de uma das árvores em pista de dança. Os homens, que haviam passado a tarde toda entre conversas, competições e bebidas, agora se dividiam, indo uns em direção a suas noivas, outros à comida, e outros, como era o caso do Kazekage, estavam sendo obrigados a dançar; apenas Naruto e Sasuke sobraram sentados ao bar, copos na mão e olhos na kunoichi de cabelos rosa.
– Então você finalmente veio roubá-la de mim, não foi? – o loiro questionou olhando firme o ex-companheiro de time.
– Sim, eu vim. – o Uchiha respondeu com total honestidade, baixando o olhar até o saquê entre as mãos, escondendo a melancolia que o álcool poderia trazer.
– Bom, não espere que eu a entregue sem lutar Teme! Porque se em algum momento você pensou que seria fácil, está enganado! Usarei todos os meus golpes e jutsus se preciso! – o Uzumaki afirmou decididamente; as íris azuis fuzilando o amigo que se quer aparentava lhe dar atenção.
– Eu sei. Sempre esperei uma luta por ela ao final. O que eu não esperava era tamanha burrice Naruto! – Sasuke rebateu a ameaça, colericamente controlado; encarava o novo líder da aldeia da folha com um interesse que jamais demonstrara.
– Como?! – o loiro exclamou surpreso com a ofensa.
– É exatamente isso que você ouviu Dobe! Três anos, e vocês dois se quer estão noivos! Isso é muita incompetência e burrice sua; ainda mais sabendo que eu poderia voltar a qualquer momento disposto a ficar com ela! Sakura nunca percebeu, ninguém jamais percebeu, só você de todas as pessoas sabia que eu a amava, que eu me casaria com ela no momento em que pudesse! – discursou o moreno com irritação. Sentia-se furioso com a despreocupação do amigo; afinal, a rosada estava grávida e sem marido.
– Então é isso?! Sua volta é baseada em apenas casar-se com a Sakura?! – ambos encaravam-se.
– Claro que não e você sabe disso também! É esperto o suficiente pra saber que ela é a maior razão para o meu retorno, mas não o único. Você é o meu melhor amigo, meu irmão, como eu poderia levar uma vida feliz sem isso?! Sem as duas pessoas mais importantes pra mim?! – Sasuke confessou com certo orgulho, o que sua honra o fazia esconder; e Naruto sorriu por ver tal mudança diante de seus olhos.
– Você deveria ter se casado com ela o mais rápido possível, ter comprado uma linda casa e juntado dinheiro. Você está a três anos esperando o que?! Minha benção, uma confirmação?! É estupidez Naruto ter esperado até agora, até isso ter acontecido! – ele continuou frustrado. Sakura merecia mais do que um casamento às pressas para esconder a barriga; merecia uma cerimonia planejada e esplendorosa; era o que ele teria dado a ela se pudesse, mas no fim, ela teria que se contentar com o que quer que desse tempo de fazer.
– Do que você está falando? O que aconteceu pra que o meu casamento com a Sakura seja tão primordial assim? – inquiriu o loiro em confusão, fazendo o Uchiha rir debochado.
– Vamos! Olhe pra ela! Você tem os olhos da raposa, assim como eu, vai conseguir enxergar. Vamos! Alí! O ponto verde azulado. – Sasuke instruiu, a mão direita pousada no ombro esquerdo do Uzumaki. Uma excitação crescente no peito de ambos.
– O que é aquilo? – Naruto questionou assustado com o chakra independente que se encontrava no ventre de Sakura.
– Aquilo, é o seu filho! – Sasuke revelou com bondade olhando nos olhos do amigo; ônix e safira em um total entendimento.
Agora as coisas faziam sentido, e Naruto sabia o porquê do moreno recuar, quando seu feitio era muito mais atacar; ele sabia o porquê daquela conversa. E conforme todas as certezas chegavam ao seu coração, um sorriso surgiu em seus lábios ao mesmo tempo em que seus ossos chacoalhavam de emoção. E encarando seu melhor amigo, sem nenhuma rivalidade ou mágoa, a felicidade que se apossara do Hokage refletiu-se no Uchiha, que sorriu em retribuição um sorriso que qualquer um jamais pensou ser possível ver naquele rosto.
– Agora vá lá Dobe-Sama, e pelo amor de Kami peça a em casamento, porque se o meu afilhado nascer nessa bagunça, eu mato você! – Sasuke rosnou em um misto de alegria e arrogância, vendo o loiro se levantar e partir até Sakura.
*10 meses depois*
O alvoroço da vila era surpreendente, os habitantes de Konoha faziam fila e formavam imensos grupos para a abertura dos portões; Sakura, que se encontrava do lado de dentro da casa principal com o seu pequeno embrulho de cabelos loiros nos braços mal podia acreditar que seu sonho estava se realizando. A propriedade do Clã Uchiha estava totalmente restaurada, o museu do Kekkei genkai estava completo, a estatua de Itachi pronta, e Sasuke decia as escadas com um meio sorriso em sua direção.
– Você acha que pode me ajudar aqui? Essa camisa do clã não parece servir direito. – o moreno reclamou irritado.
– O problema não é a camisa, e você sabe. Toma, segura o Minato que eu arrumo você. – a kunoichi rebateu com divertimento entregando o filho ao amigo e começando a ajeitar o tecido por dentro da calça do mesmo.
– Você parece nervosa. – Sasuke observou segurando delicadamente uma das mãos da rosada.
– E você muito confiante, e bonito devo acrescentar. Aliás, quem não ficaria segurando esse pacotinho. – a Haruno respondeu afagando com ternura a nuca do Uchiha e dando lhe um beijo na face.
– Assim, Yumi vai acabar ficando com ciúmes.
– Que ela fique então, me afastar de você sempre estará fora de cogitação. – Sakura devolveu à brincadeira mostrando lhe a língua.
– Que horas Naruto chega pra inauguração? – questionou Sasuke enquanto eles calmamente cruzavam a porta e dirigiam-se à entrada.
– Estou aqui Teme! Sem nenhum tipo de atraso como a Sakura-Chan exigiu. – o Hokage esclareceu piscando um olho ao pousar ao lado da esposa e do amigo.
Agora os três andavam lado a lado, Sasuke ainda com o pequeno Minato, Sakura e Naruto abraçados. Se todos eles pudessem adivinhar que aquele seria o futuro, mesmo o homem que não fora escolhido, não teriam feito nada diferente. Talvez tivessem evitado algumas lutas entre si, e se poupado de palavras duras e não verdadeiras, de atos de guerra e da morte de bons amigos; porém, aquele momento era mágico; o time sete andando junto novamente, sorrisos em seus rostos, convicção em seus corações, esperança em seus passos. A foto tirada minutos antes da reinauguração do Distrito, com os três abraçados enquanto Kakashi-sensei segurava o bebê Uzumaki ao fundo, era a prova viva de que felicidade e amor podiam sim existir simultaneamente entre três pessoas.
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