Notas iniciais
Oláááá!
A fanfict se passa semanas após Alice ir para o País das Maravilhas e pouco tempo depois do Capitão Gancho ter chegado à sua Terra do Nunca. ♥
Espero que gostem.
Só um aviso: A Fanfict provavelmente terá dois capítulos, pois não consegui por tudo num só.

Peter Pan jamais tivera uma memória ampla, cheia de visões do passado. E, levando em consideração que um dia na Terra do Nunca valia por horas no 'mundo real', o tempo que demorava para esquecer de algo ou alguém era curto.

Mas isso jamais ocorreu com a garotinha loira que vira correr desesperada. Fugia de algo que ele próprio não conseguia ver. 'Ela é louca?', aquela foi a primeira coisa que o garoto pensou ao parar para analisar a cena.

Seu vestido azul e avental branco davam-na um visual delicado e inocente. Provavelmente, se Peter tivesse visto todos os Soldados em forma de Cartas correndo atrás da menina, ele não teria dúvidas que ela era uma menina doce.

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A Pequena Alice murmurava para si mesma todos os acontecimentos que haviam ocorrido alguns dias atrás. Cair num buraco, conhecer um gato que pode desaparecer, ter fugido de inúmeros guardas no comando da Rainha que, a propósito, queria sua cabeça fora. Cada momento que viveu no que chamavam de País das Maravilhas saía de seus lábios como uma história à ser ouvida.

Todos os dias durante semanas, Alice não conseguia parar de pensar apenas naquela 'Terra Misteriosa'. Seus pais, cheios de preocupação, a levaram num terapeuta da época. O mesmo acreditava que a garota estava completamente fora de si.

Tantas vezes que ouviu as mesmas juras dos pais! Eles diziam acreditar, mas por que ainda tinha de contar mais e mais vezes aquela mesma história? Nos olhos adultos, ela era o que acreditavam de louca.

– Ah, papai, eu não sou louca! – Resmungava a garota que, se ao menos tivesse uma única pessoa para ouvir toda a história, teria a própria certeza que seria compreendida. – Por que você nunca quer ouvir o que realmente aconteceu?!

– Alice, eu juro-lhe que acredito em cada palavra que diz. Obviamente existe um gato como esse tal de Cheshire e um Chapeleiro que não para de tomar chá e comemora 'Desaniversários'. Agora, por favor, vá para o quarto. O Doutor subirá em breve.

Suspirou, sentindo o sangue fervê-la pela raiva da incompreensão. Talvez todas as crianças um dia tivessem passado por esse ódio, mas aquilo tinha acontecido! Por quê?! Por que seus pais simplesmente não ouviam verdade em suas palavras?

Subiu às pressas e correu abrir a janela. O céu era marcado por duas grandes estrelas e, em volta, toda a escuridão rotineira que tinha de aguentar. Ajoelhou-se, como se estivesse para fazer uma oração. Apesar disso, começou a murmurar.

– Já faz um mês, mas fui para um lugar chamado País das Maravilhas. Era bem confuso, só que bonito. Haviam animais que não sei dizer a espécie e pessoas mais malucas do que falam que sou agora. A maior delas era uma Rainha Gorda que queria que arrancassem minha cabeça! Ah, mas eu fugi, e no caminho, quase esbarrei com um menino de cabelo laranja. Ele parecia normal, mas, bom... Não é muito fácil encontrar alguém de cabelo laranja.

Alice tinha o costume de, primeiramente, resumir toda uma história para depois detalhá-la desde o princípio. Não era como se tivesse alguém para ouvi-la, ficar curioso com os detalhes e esperar um final surpreendente, mas aquilo fazia-a se sentir livre.

Só que desta vez existia alguém para ouvir.

- X —

Reza à lena que, em troca de uma história, Peter Pan pode lhe mostrar seu pertence mais precioso; O Mapa da Terra do Nunca. E, por um sorriso, ele lhe levará para seu lar verdadeiro.

Já ouvira incontáveis vezes alguns trechos da história de Alice, mas só poderia escutar atentamente quando a Segunda Estrela voltasse a aparecer. Da última vez que sumira foi quando os Piratas surgiram pelo mar e, para a própria segurança da Ilha, o portal mais acessível foi fechado. Talvez ele não tivesse noção de onde foi que Alice entrou.

Voou até Londres. Algo no local o atraia com frequência, como se estivesse destinado à ir lá em algum momento de sua eterna vida. Em seguida, seguiu o caminho do murmurar de uma menina. Alice.

Ao se aproximar da Janela, pousou no telhado, de onde ouvia cada palavra baixa sobre o incidente do País das Maravilhas. 'Mas... Que lugar é este?', pensou. Em todo o tempo que esteve naquela Ilha, chamou-a de Terra do Nunca. Descobrir que, de repente, outros habitantes de lá a chamavam de outro modo fora novidade.

Em algum momento da história, Alice chegou no julgamento que a Rainha de Copas ordenou que fizessem para ela. Peter segurou os risos, pois para ele, era um momento engraçado da vida da garota. Ah, e também adorava de todo o coração ver adultos se dando mal. Poucos minutos depois, relatou a perseguição.

– Eles me seguiram por um enorme Labirinto! Por mais que eu corresse, em uma curva ou outra, havia milhares deles querendo minha cabeça fora! Eu apenas corri para longe, para onde não me alcançassem. Claro que não me alcançaram, afinal sou muito veloz! – Peter sorriu nesta parte da história – Oh, e bem no meio de toda aquela correria... Eu vi um garoto que não me queria morta. Ele era estranho. Tinha cabelo laranja e chapéu. Mas que tipo de pessoa tem cabelo laranja?! Achar loiros já se tornou raridade...

– Ei! Qual seu problema com cabelo laranja? – Peter flutuou até a janela, ficando cara à cara com Alice. A menina, por sua voz, demonstrou-se chocada. Mas não ao ponto de não desejar ouvir a explicação para aquele garoto voar... Milhares de psicólogos dizem que sua maior aventura foi um sonho, aquele também seria um? – Não me ignore! Garotas são sempre assim?!

– Você é o garoto que encontrei no País das Maravilhas? – Dentre tantas perguntar que pretendia fazer, esta foi a primeira que saiu de sua boca. Peter fez que sim com a cabeça. – Então viu aquele baralho correndo atrás de mim, certo?

– Não vi, mas acredito no que aconteceu! Você corria e tanto! Acho que os despistou. – Peter pronunciava cada palavra com um grande sorriso no rosto – mas eu ainda corro bem mais rápido que você!

– Para alguém que está voando atualmente, eu duvido! Qual o seu nome?

– Peter Pan... Pela história, seu nome é, hm... Alicia?

– Quase lá.

– Alicimia?

– Errou feio.

– Ali... Ce...? É. Alice?

– Isso mesmo. – Abriu um sorriso de canto, que logo desapareceu quando ouviu passos subindo as escadas do quarto. O Doutor, pensou, já se desesperando. – Rápido! Peter, por favor, leve-me para algum lugar distante. Você voa, certo? Me leve para qualquer lugar longe daqui!

– Que tal minha Terra do Nunca?

– Qualquer lugar. Mas, oh, espere! Essa é a primeira vez que falo contigo, não posso andar com estranhos! – Lamentou, já se encolhendo e aproximando-se da porta.

– E se for só por uma noite? – Peter estendeu a mão para Alice, ainda fora da casa. – Não serei mais um estranho quando chegarmos lá.

Alice visualizou a maçaneta de seu quarto sendo virada e, sem pensar duas vezes, correu novamente até a Janela e segurou a mão de Peter. Fez um impulso para saltar para longe, mas não caiu. Os braços do garoto seguraram-na com firmeza.

– Você só precisa de fé, confiança, e... Isso. – Peter balançou a cabeça na direção do rosto de Alice, fazendo um pó dourado brilhante cair sobre seu corpo. Naquele instante, sentiu seu peso mais leve do que o ar e levitou.

– Onde é essa 'Terra do Nunca'?

– Segunda estrela e sempre em frente, até de manhã!

Dos braços de Peter a menina voou para longe, encarando uma das estrelas que surgira naquela noite. Só por algumas horas, pensou. Só até aquele doutor ir embora.

E ambas as crianças voaram entre as estrelas daquela bela escuridão.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.