Terra Das Sombras
3 Você vai me ajudar? De verdade?
Notas iniciais
– Você me acha lindo, Sakura?
~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x~x
Pov's Sakura ~s2~
Gelei.
Como ele havia chegado aqui?
Quero dizer, ele é um fantasma, pode estar em qualquer lugar, eu sei, mas ele é novo!
Como conseguiu me achar aqui?
E mais... Como ele se lembrava de mim? Aquele sonho foi real?
Meu Deus, a minha cabeça vai explodir!
– Sakura, você está bem? — ele se pronunciou mais uma vez, obviamente estranhando meu silêncio. Coloquei uma mão próximo ao coração para acalmar meus nervos e notei que meus batimentos estavam acelerados pelo susto.
– Ah... é... estou — obriguei-me a dizer. Ainda estava de costas pra ele, por isso não pude ver a sua expressão. Abaixei-me para pegar o bisturi que havia caído com o susto e levantei novamente. Ficamos em silêncio por alguns segundos até ele se manifestar.
– Você não respondeu a minha pergunta.
– Respondi sim. — eu disse ainda de costas. Não queria que ele visse o meu embaraço ou o meu nervosismo.
– Eu estou me referindo à primeira pergunta — ele falou para o meu desespero. Estava na cara que ele não desistiria até eu responder.
Então respirei fundo e pensei: O que Shikamaru diria?
Ah, isso é problemático!
Shikamaru é um gênio, mas se tratando de situações embaraçosas ele é pior que eu. Então falei a primeira besteira que me veio à cabeça.
– Er... Eu falei aquilo porque seu corpo está bem conservado, sem fungos, sabe? Nem parece que você... Morreu — terminei e o silêncio chegou com uma pausa mais que dramática. Legal Sakura, agora que você não tem assunto mesmo! Sou muito burra!
Decidi olhar para trás, para ver ele pela "primeira" vez, mas acabei surpreendida ao ver que ele não estava mais lá. Melhor assim, pensei, pelo menos eu vou conseguir terminar meu trabalho em paz.
Peguei meu bisturi novamente e comecei a análise do cadáver. Olhando as áreas que não estava cobertas do corpo, notei que estava sem marcas de estrangulamento, sem cortes ou arranhões. Como eu já tinha verificado seus braços, mãos e pescoço, decidi que já era a hora de tirar a bata*.
Comecei pelos botões superiores e, a medida que fui descendo, pude comprovar aos poucos o quão perfeito era aquele corpo.
Seus músculos eram rígidos e bem definidos, e seu peitoral era o que nós garotas chamamos de "tanquinho". Resumindo: aquele ser que estava a minha frente era perfeito. Uma pena que estava morto.
Saí de meu breve devaneio e voltei a me concentrar em meu trabalho, que era no momento,terminar de desabotoar aquela bendita bata.
Tinha terminado de examinar seu abdômen e vi que nenhum vestígio de violência havia ali.
Qual era o motivo de sua morte afinal de contas? Decidi pegar uma amostra de sua saliva e mandar para a análise. Talvez ele tivesse sido envenenado ou sei lá houvesse tomado remédios errados e sofrido uma overdose, tinha que pensar em todas as possibilidades.
Como não tinha achado nada aceitável até a altura de sua cintura, tive que abrir a sua bata por inteira; então continuei de onde havia parado, abrindo um por um dos botões que se tornavam cada vez menores em quantidade, até finalmente restar apenas um.
E assim permaneceu por um bom tempo pois quando ia abri-lo, ouvi uma voz firme, mas que não conseguia esconder por completo todo o nervosismo e o constrangimento que estava sentindo.
–Não faça isso! É pessoal! — Sasuke falou (gritou) ao pé do meu ouvido. Ele tinha voltado, ou melhor, nem havia ido embora, já que, evidentemente estava apenas desmaterializado. Virei-me um pouco irritada com ele, primeiro por ter dado-me um susto dos infernos, e segundo por ter deixado-me quase surda. — E como você acha que eu vou descobrir a causa da sua morte se não te examinar por inteiro, heim gênio? — perguntei olhando-o nos olhos; e pude comprovar que ele estava realmente envergonhado. Acho que pelo fato de estar tão...vulnerável, e por não poder fazer nada para mudar isso. Pelo menos não mais.
Ele me encarou com um rosto sem expressão, mas que mantinham olhos que denunciavam seu desespero.
–Por favor, peça para outra pessoa fazer isso, de preferência um homem — ele falou chegando mais perto de mim, fazendo que com essa aproximação eu só percebesse mais o quanto ele estava desesperado.
– Não tem como, Sasuke. Eles me deram o seu corpo justamente para ver a minha habilidade, para ver se eu sirvo para isso. Desculpe-me, mas não dá — falei cabisbaixa. Dava para perceber pelo ar a tensão que ele, e eu, estávamos sentindo. Mas uma dúvida surgiu e eu não aguentei, tive que perguntar — Mas por que você não quer que eu analise? Quero dizer, não tem nada que eu não vá fazer que os outros não façam — olhei de novo, procurando seus olhos para ver sua expressão. Porém ele não me olhava de volta, ficava apenas fitando o chão.
– É porque eu vou ter que conviver com você por um bom tempo ainda, e se você me ver nesta situação — disse apontando para o seu corpo imóvel na maca — Eu não vou conseguir sequer olhar na sua cara — ele disse finalmente me olhando nos olhos. Como assim ele ainda vai conviver comigo por um bom tempo? Tô boiando aqui!
–Ainda vamos conviver por um bom tempo? Como assim? — perguntei firmando meu olhar no seu. Seus olhos ônix me analisaram minuciosamente antes de ele me responder.
– Foi por isso que eu vim atrás de você. Disseram-me que você me ajudaria a resolver o que quer que esteja me segurando aqui neste mundo — ele terminou direcionando o seu olhar para o seu corpo. Acho que ele tinha alguma ideia do que quer que estivesse o mantendo aqui, e eu tinha certeza de que isso envolvia a causa de sua morte. Decidi então ajudar. Ele parecia não gostar do lugar onde ele estava e, por Deus, eu também não gostaria, aquele lugar dá medo! Senti um pouco de pena dele.
–Hn...Você quer mesmo a minha ajuda? Porque veja bem, uma vez que você descobre o que está te segurando nesse mundo, uma vez que você vai, não tem mais volta. Você vai embora pra sempre. — falei para alertá-lo. Por um momento eu pensei que ele fosse dizer não e que queria continuar aqui, mas quando vi a determinação nos seus olhos eu não precisei de nenhuma resposta vinda dele. Eu logo soube que ele queria ir embora, que não queria mais ficar aqui por mais tempo; e, vendo a determinação dele, a vontade dele, eu me senti confiante também. Dei um sorriso acolhedor a ele..
–Eu quero muito isso. Eu já morri e ficar vendo as pessoas que eu amo sofrendo por mim não vai ajudar-me. Eu simplesmente quero saber o que é que está me segurando e quero ir embora daqui — forçou um sorriso, mas dava pra ver apenas por olhar em seus olhos que ele não estava feliz como queria aparentar. Ele estava triste, por ter morrido e permanecido aqui para ver o sofrimento de seus entes queridos. Involuntariamente eu me senti triste por ele, por isso me convenci a fazer o melhor de mim para livrá-lo dessa condição o mais rápido possível.
–Então estamos esperando o que? Comece a me contar as últimas coisas que você se lembra antes de morrer — eu disse lhe dando o meu melhor sorriso. Ele não conseguiu esconder o espanto em seus olhos quando me olhou.
–Você vai me ajudar? De verdade? — seu rosto iluminou-se como eu nunca imaginei possível e só pude encantar-me ainda mais com a beleza daqueles traços.
–Claro que vou. Além do mais, você não pode mais trocar de mediadora mesmo. — disse com um sorriso. Queria que ele se sentisse a vontade para se abrir comigo.
– Falaram-me isso. E foi justamente por esse motivo que eu escolhi você — falou encarando a parede, despreocupado, obviamente não prevendo os efeitos que essas palavras fariam em mim. Ele me escolheu?
–E por quê? — perguntei suspresa – Por que eu? – olhei pra ele. Queria que ele explicasse isso me olhando nos olhos.
– Eu não sei. Você parece aturável e, quando me mandaram escolher alguém, eu não hesitei em dizer que queria você – ele disse me olhando com um leve sorriso de canto. Mas ao notar o meu total embaraço, o sorriso logo se desfez e ele decidiu mudar de assunto — Então... Você quer que eu lhe diga das últimas coisas que eu lembro antes de morrer, certo? – falou interrogativo.Acenei, tentando ao máximo esconder meu rubor repentino.
– Doo que você se lembra? — Sasuke analisou-me minuciosamente, depois começou a olhar para o chão, tentando se lembrar. Mas percebi pela sua expressão frustrada que não estava tendo sucesso – Olha. Não precisa forçar tanto a sua memória, você... — mas eu não pude terminar, pois fui interrompida por um Sasuke muito furioso.
–Eu vou conseguir! Só espere um pouco. As minhas lembranças estão todas bagunçadas e eu estou tentando organizá-las – sua raiva era evidente em suas palavras e olhos, e todo o bom humor de ainda a pouco se transformou em uma chama de raiva.
–Tudo bem — eu disse sentando-me no chão — Eu ainda tenho um bom tempo pra te esperar – ele levantou os olhos para mim, ainda raivosos, e sentou a contragosto em meu lado. Pensei que não fosse falar nada, mas surpreendi-me quando, mesmo que rudemente, ele começou a contar do que se lembrava. E com isso, ele tentando se lembrar e eu o esperando e o ouvindo quando algo lhe vinha à memória, ficamos naquela sala o resto da manhã. Mas mesmo com todo esse tempo, o nosso progresso foi mínimo.
Ele levantou do chão novamente um pouco frustrado.
–Desculpa, mas não consigo me lembrar de mais nada.- ele falou com os punhos cerrados. Ele tinha se esforçado demais e se lembrado de menos — Não consigo me lembra de nada a não ser de ter um encontro pra ir naquela noite- ele falou com as mãos na testa – E isso ajuda em nada! — fechou os olhos e encostou a cabeça na parede.
–Olha, você não quer um tempo para se lembrar? É melhor quando você está sozinho, isso eu garanto — eu disse me levantando do chão e percebendo que eu nem terminei de analisar seu corpo. Teria mais trabalho amanhã e ainda levaria uma bronca.
– Acho que é melhor mesmo — ele me olhou — Então eu já vou indo. Mais tarde nos vemos — e assim, sem dizer mais nada, ele sumiu, me deixando sozinha numa ala cheia de gente ( mas gente morta). Olhei no relógio somente para ver que, para meu desespero, eu estava atrasada para chegar na faculdade. Tirei meu jaleco, tomei um banho super-rápido e liguei para Ino, minha motorista particular, torcendo fervorosamente que ela fosse caridosa e me levasse.
Mas nem em um milhão de anos eu esperava que ela estivesse tão estressada.
Fale com o autor