Terra Das Sombras
12 Vampiro, demônio ou fantasma?/Sorrisos
Notas iniciais
Gente, desculpem-nos pela demora, mesmo!
É que a Tia Tatah (que é a dona do capítulo) tava me enrolando pra terminá-lo! ¬¬ (depois eu que sou a enrolona u.u)
Mas, sem mais delongas, vamos ao capítulo, que, modéstia a parte, está muito bom *u*
Boa leitura'
By: AkireBell ;*
É que a Tia Tatah (que é a dona do capítulo) tava me enrolando pra terminá-lo! ¬¬ (depois eu que sou a enrolona u.u)
Mas, sem mais delongas, vamos ao capítulo, que, modéstia a parte, está muito bom *u*
Boa leitura'
By: AkireBell ;*
- Você tem aí alguma cruz? Mas sabe, eu não quero uma cruz qualquer, eu quero a maior cruz que você tiver! Aliás, me dá todas as cruzes que você tem, vai ver que o santo dele é forte... Mas se eu pensar bem, ele não tem santo nenhum, senão não estaria preso no purgatório. É, então me dá só uma cruz mesmo, mas eu quero uma bem grande de madeira. – uma grande adaga de pinho fora colocada em cima do balcão vermelho – Perfeito! – Olhei minha lista e marquei o primeiro item. – E giz, você tem?
— Giz? Não, mas deve haver na papelaria aqui do lado. – respondia-me a senhora que atendia na loja. — Hum, e velas? Eu preciso de seis pretas e uma amarela. – ela pôs alguns produtos no balcão — Você quer que tipo de vela amarela: a mais fina ou a mais grossa? – Dê-me a mais grossa que tiver, porque o poder de descarrego nela deve ser maior. – Respondi. Marquei mais dois itens na minha lista. – Preciso de duas penas e um litro de sangue de galinha preta. A mulher ergueu uma sobrancelha, mas pegou os produtos e os colocou no balcão junto com os outros antes de se pronunciar: — Minha filha, desculpe perguntar, mas já perguntando, o que você pensa em fazer com tudo isso? — Ah, Dona Fulana – como não sabia seu nome, ficou Fulana mesmo. -, preciso fazer um exorcismo e rápido! É que tem um espírito rondando a minha vida, e ele é do pior tipo de alma penada, sabe? É daqueles que parecem bonzinhos e parecem que têm boas intenções, vão te seduzindo com aqueles olhos e mechas ruivas aos poucos pra, quando você estiver distraída, eles darem o bote. Mas eu vou fazer esse despacho, senão não me chamarei mais Ino Yamanaka. Eu com certeza mandarei esse espírito pra bem longe! — É, minha filha, mas cuidado porque se o despacho não der certo, a alma fica ainda mais irritada e os ataques podem dobrar de nível. Com o sobrenatural não se brinca! – ela me alertou. — E eu sei muito bem disso, lido com almas desde muito pequena, mas elas que deviam ter medo de mim porque a minha raiva também é sobrenatural. – dei um sorriso diabólico, na minha mente dava até para ouvir a Bruxa do 71 (Chaves) gritando para mim “Satanás? É você, Satanás?” – Vamos continuar? Ainda preciso das cinzas de um sapo, um amuleto de Oxum, um graveto, umas ervas, mel, alho, incensos, quatro topázios e duas ametista, cebola, doze búzios... — Algum tempo depois, eu já havia me associado à lojinha de artigos de macumba, ganhado um bom desconto e uma nova parceira de loucura. Dona Fulana é uma pessoa muito esperta quando se trata de rituais, sinto que tenho mais coisas em comum com ela do que com a Sakura, mas isso não vem ao caso agora. — Bom, agora só faltam quarenta e três itens, mas a gente pode fazer uns acréscimos, não faz mal ter umas dez ou vinte coisas a mais, não é? Ela riu e me despedi. Saí de lá com sete sacolas abarrotadas de produtos, mas ainda precisava comprar muitos itens da minha lista. Daí passei numa livraria, no supermercado, na perfumaria e na costureira. Aquilo me custou cerca de sessenta por cento do meu salário suado do estágio, o que significa que eu teria de abrir mão das escapulidas ao shopping e idas ao cinema durante um mês inteiro, mas era por uma boa causa. Chico Xavier teria orgulho de mim. Cheguei ao meu apartamento que, por incrível que pareça, estava limpo e arrumado, empurrei o sofá para um canto, deixando um grande espaço no centro da sala, joguei as sacolas com os artigos especiais em um canto e fui me preparar para o evento. Vesti uma bata preta, feita sob medida pela minha costureira, prendi o cabelo em uma trança embutida, assim as mechas não me atrapalhariam, pus uns brincos em formato de cruzes, o amuleto no pescoço e descalcei o salto vermelho que usava na rua. Peguei um frasco de água verde e despejei sobre mim, era um tipo de banho de ervas. Tinha que estar protegida. Lavei as mãos e comecei a folhear o livro “Magias, feitiços e mandingas” que tinha comprado na livraria e segui suas instruções: Um grande círculo de giz foi feito no chão e dentro dele, uma estrela de seis pontas com uma vela preta e uma das pedras em cada uma; cobri as linhas de giz com o sangue da galinha preta; dentro da estrela, uma pequena bacia dourada com algumas ervas secas misturadas às cinzas do sapo, aos búzios e ao mel. Fiquei ao centro do desenho, de joelhos com o livro aberto ao meu lado, a vela amarela em uma mão, a bacia a minha frente e a grande cruz de madeira na outra mão. Foi neste momento que parei e observei o que tinha ao redor. Precisava mesmo de tudo isso? O que eu estava fazendo? Depois da discursão com Gaara na casa da rosada eu nunca mais o vira. O que me faz lembrar que ainda estava em clima de guerra com ela, mas isso é para o outro capítulo. Já haviam cinco dias, só cinco. Foram cento e vinte e poucas horas sem falar com o senhor imperador gostosão, o que normalmente me deixaria com um sorriso de orelha a orelha, mas naquele caso, foram momentos tensos e cheios de paranoia, já que minha vida tinha sido ameaçada. Quase pirei. Ele não tinha me procurado faziam cinco dias (sim, eu sei que já disse isso, mas é para enfatizar mesmo), o que para mim parecia mais que uma eternidade.
A questão era que eu não tinha medo de que ele cumprisse sua promessa de acabar com a minha vida, eu estava incomodada de alguma forma e não sabia ao certo o porquê disso. Não era apenas um sentimento de dever não cumprido, havia outra coisa se adicionando ali que eu não conseguia distinguir, aumentando meu desespero a um nível extremo. Mas como já havia começado toda aquela bagunça, iria terminar. Apaguei as luzes e acendi as velas, uma por uma, voltei ao meu lugar e comecei a queimar com a vela grossa em minha mão as penas de galinha, deixando as cinzas caírem lentamente na bacia. Li algumas frases contidas no livro, pinguei três gotas do sangue espalhado pelo chão na bacia, novamente recitei as frases do livro e fechei os olhos. Ouvi um barulho atrás de mim, sentindo um movimento forte do vento que adentrava pela janela que abrira sozinha. Tornei a abrir os olhos e estranhei as chamas ainda acesas ao meu redor. Ouvi uma voz. Então havia mesmo conseguido chamar sua atenção depois de tantas tentativas falhas de me comunicar com ele ? Perifericamente, pude vê-lo à minha direita. Senti meu corpo reagir de tal forma que cada pelo se arrepiou. Engoli seco e me virei lentamente para fitar o fantasma. — Me chamou? – Ele disse. Não sei qual a melhor palavra para me descrever naquele momento. Raiva, ódio, frustração, tristeza, aflição, fome, ira. — SHINO?! O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI?!– Gritei com aquele projeto malfeito de ectoplasma. — Eu estava passeando por aí e, de repente, apareci aqui. – indiferente como sempre. — Mas eu não te chamei! Não gastei uma fortuna em material de macumba para gastar com você! Sai daqui A-GO-RA! – disse nervosa. — Mas eu quero saber o que você está fazendo. – respondeu-me deitando a cabeça em um dos ombros como uma criança pedindo doce para a mãe. — Estou fazendo um exorcismo, sabe? É uma espécie de ritual para fazer os fantasmas irem para bem longe. Mas esse exorcismo não é para você, então, por favor, SUMA DA MINHA FRENTE! – expliquei rápido, já estava estressada com toda essa estória maluca. Mas não colocava a culpa nele, eu já estava frustrada pelos acontecimentos recentes que pareciam ficar cada vez mais difíceis de suportar. — Hai, hai. – e, inexpressivamente (como em todas as vezes que falo com ele), desapareceu da minha frente. Quer dizer que não havia mesmo conseguido nenhum progresso? Eu não sabia se ficava ou não decepcionada. O fato era que eu tinha minha alma devastada. O cansaço que me abatia não era físico, mas mental. Senti as lágrimas chegarem, mas não permiti que saíssem. Não! Eu seria forte. Mas por que eu tinha de ser forte se não estava sofrendo? E por que diabos eu me importava tanto com uma alma penada que havia conhecido há alguns dias apenas? Eram tantas perguntas sem respostas que me sentia até um pouco zonza. Ainda de joelhos no chão, fitava o nada até notar que as chamas das velas se moviam de forma estranha. Não ventava, muito menos havia alguém as soprando. Ou havia? Percebi que a luminosidade do cômodo estava bem maior do que quando iniciei o ritual. Ele estava mesmo ali? Não acreditei. Meus olhos seguiram a luz e, definitivamente, era ele. Sabaku no Gaara encontrava-se em pé, bem atrás de mim com os braços cruzados e semblante entediado: — Enfim me notastes. – disse-me em tom sádico. — Você está aí desde quando? – respondi confusa, agradecendo a mim mesma por ter segurado o choro. — Desde o instante em me convocastes. Não se recorda? – disse-me provocativo. – Aliás, que forma encafifa de convite, não? — Só um momento. – saí do meu círculo ensanguentado no chão para pegar meu dicionário. Procurei por alguns minutos até encontra-lo no banheiro. É, sei que é estranho, mas eu não sei como foi parar lá. Voltei ao encontro do fantasma. – Qual é mesmo a palavra? — Qual é o termo que desconhece desta vez? — Aquele lá do futebol. – Ele ergueu uma sobrancelha. – Aquele estranho, alguma coisa fifa. — Encafifa? — Isso, isso. – demorei algum tempo, mas achei o significado. Encarei-o de forma séria novamente. – Não tive outra escolha, você não quis dar as caras durante a semana inteira, então tive que apelar para outros métodos. – olha só, de tanto andar com ele já estava falando estranho também. Pai Eterno deve ser contagioso. — Sinceramente, não tens feições de feiticeira, mas é como ouvi proferirem noutro momento: as aparências enganam. – me lançara o mesmo olhar superior de sempre. Aquilo me irritava profundamente. — Não pense que só porque você sabe enrolar a língua e falar umas paracutacas diferentes eu vou me submeter aos seus caprichos. –Pronto, desceu o espírito de barraqueira em mim. – Onde você se meteu durante todo esse tempo? — “Todo esse tempo”? Fazes parecer como uma eternidade. Foram duas luas apenas. — Duas luas? Duas luas? Como assim duas luas? Você não sabe contar, não?! Foram cinco dias, sabe? CINCO LUAS! – abri a mão e praticamente esfreguei na cara do indivíduo. — E? – perguntou dando pouco interesse. — “E”?! Como assim : “e”?! Você ameaça as pessoas de morte e simplesmente vai embora sem dizer mais nada? Por que não me mata logo de uma vez? É para me deixar agonizando, não é?! – minha histeria como sempre, fazia questão de estar presente. — Ameacei quem de morte? – Assim como Shino fez momentos antes, deitou a cabeça em um dos ombros, se fazendo de desentendido. Mas pensando bem, acho que ele não estava mesmo entendendo patavinas do que eu estava falando. — Está de brincadeira comigo, não é? Não se lembra da conversa na despensa na casa da rosada? Flashback on – Gaara, cadê você? Aparece logo que eu não tenho o dia todo. — O que se passa? – ele apareceu ajudando a iluminar o cubículo. — Ah, está aí, agora me faça o favor de explicar o que fez com a Sakura, eu sei que foi você! — Não precisas armar todo esse circo, sua amiga é que é uma pessoa imatura e talvez tenha irregularidades em seu problema cardíaco. Assusta-se com tão pouco. – com o olhar distante, parecia que a afirmação fosse algo para si mesmo, até me encarar novamente. – Ela é diferente das outras que estavam ali. Ergui uma das sobrancelhas incrédula e comecei a rir da situação e do homem a minha frente. — Por que ri? Estais a caçoar de minha pessoa? – ele me perguntara um tanto descrente e confuso, o que atiçava o gênio forte marcado pela fúria já aparente em seus olhos. — Não acha que já é muito tarde para isso?! Você já esteve vivo uma vez, então já deveria se dar por satisfeito e se desprender desses assuntos mundanos. – sorri com escárnio. — Ainda não entendi onde quer chegar com tudo isso. O que estas a insinuar? – ele não deixava transpassar a vontade que tinha em saber sobre o que eu falava. — Você afim da Sakura é meio curioso. – afirmei com uma das mãos sob o queixo e me recostando em uma prateleira fixada na parede atrás de mim. — Afim? O que quer dizer? – estava tão intrigado que inclinara de leve a cabeça para a esquerda. — Quero dizer que você gosta da Sakura. – expliquei impaciente após um rápido suspiro – Sabe, considerando a idade que tem isso poderia ser avaliado como ato de pedofilia. – comentava comigo mesma imaginando o rapaz ao meu frente vestido em trajes listrados atrás de grades de ferro. Talvez eu tenha soltado um sorriso. — Do que estás a falar? – ele gritou surpreso e com cara de ofendido. – Sempre soube que vós tendes ligação com adultério, mas falar isto sobre mim é um completo ultraje! – estava clara a indignação pelo tom de voz lançado e pela expressão mantida na face. — Para sua informação, eu já sei o que é uma adultera e não vou permitir que falasse assim comigo, ouviu? Idiota, arrogante e burro, é isso que você é. Onde já se viu um fantasma de araque gostar de uma humana ainda viva? Depois eu que saio mal falada... Grosso burro. – ele havia me atiçado e por isso lhe lancei todos os insultos que me apareceram à cabeça. — gostaria de saber como foi que conseguira tal absurda ideia, mas não lhe culpo por completo, não sei onde estava com a cabeça ao vos selecionar para servirdes de minha mediadora! – lastimava-se pelo dia em que me escolhera para libertá-lo da Terra das Sombras, coisa que eu também não tinha entendido ainda. — É, mas estou me esforçando o máximo que posso para te ajudar e é assim que me agradece, matando minha melhor amiga de medo! – a indignação estava estampada em mim. — Não fizestes nada até este momento e ainda te fazes de vítima? Sinceramente, creio que sofres de distúrbios na massa cefálica! – já partira para os insultos, coisa que eu nunca iria aceitar de bico fechado.
— Olha, eu não sei do que você me chamou, mas não vou deixar que fique falando mal de mim. Quem pensa que é? Você é que deve ser insultado, pois eu sou a sua – parei para contar nos dedos – vigésima sétima mediadora e fazem apenas três dias que te conheço, mas mesmo assim, já não te suporto. São seus problemas, então não os descarregue para cima de mim e daqueles que me cercam. — O problemático agora sou eu? Não fui eu que estive lá fora me debulhando em lágrimas por conta de uma minúscula arranhadura num veículo de cor assustadora! Também não podes ficar a falar de mim assim, de difamar minha imagem sem ao menos conhecer minha história. – a raiva transpassava e ambos estávamos com os nervos à flor da pele, superenvolvidos numa discursão totalmente desnecessária. — Pare de me julgar, quem decide se eu me debulho ou não sou eu! E que diabos é debulhar? – a essa altura, eu esperneava. – Você que tem problemas, não eu. Aliás, VOCÊ É O MEU PROBLEMA! De agora em diante não te ajudarei em mais nada, absolutamente nada. Pode esquecer-se de mim porque, por mais que eu fique presa na espera do purgatório tendo você como assunto pendente, eu não vou lhe ajudar, não vou lhe mediar. Eu juro! E como já disse antes, pretendo viver por muitos e muitos anos. – terminei meu discurso triunfante, certa de que tinha abafado com o fantasminha arrogante. É uma pena eu estar enganada. — Pretendia, porque se for assim, eu não vou deixar que vivas nem mais um minuto. – um sorriso lateral se formou em seus lábios, o que me deixou mais espantada do que nunca, mas não perdi a pose de orgulhosa, apenas o encarei o mais séria que pude enquanto a luz do cubículo abaixava progressivamente e a beldade em minha frente desaparecia. Flashback off — Ah, fala disto? Era imêmore para mim. — Ele nem liga para mim, pensei. Era como se eu fosse um pequeno curativo para ele, que depois que o machucado cicatriza, é só puxar de uma só vez. Já tinha sido arrancada sem dó e esquecida em alguma lata de lixo hospitalar pronta para se incinerada. Será que eu nunca conheceria uma seringa para me casar? E por que eu estava pensando nisso e associando a Gaara? O que ele tinha haver com a minha vida amorosa? Dei um leve suspiro e apertei os olhos na tentativa de não chorar, continuar com aquilo era mais do que insuportável. — De qualquer forma – ele começou a andar pelo local observando os objetos espalhados enquanto eu falava. — , sabe que eu não vou mais te ajudar, não é? — O que há nesta tigela? – ignorou-me apontando para a bacia dourada. — Umas folhas secas, sangue, mel e cinzas de um sapo. – respondi sem dar muita importância. Era incrível como as nossas conversas mudavam de rumo tão rápido. — E esta cruz? Isto faz parte da mesma religião destas outras coisas? – ele estava mesmo curioso. — Sei lá – dei de ombros — , acho que não, mas eu comprei assim mesmo, e de madeira por precaução? — O material influi em quê? – perguntava intrigado. — A madeira? Ah, eu queria estar bem protegida, no caso de você pular em cima de mim, para chupar o meu sangue. Nesse caso eu já teria uma estaca de madeira para cravar no seu coração. – respondi séria. Gaara ouviu minha declaração e não se conteve. Pela primeira vez eu o vi rindo, mas rindo por ter achado algo engraçado e não por escárnio ao que eu disse (o que viria acontecer na sua próxima frase). Confesso que ri também, não me segurei ao ver aquele sorriso. Ele ficava incrivelmente mais belo ao mostrar os dentes daquela forma. — Chupar seu sangue? Cravar em meu coração? Yamanaka, você é realmente desprovida de sanidade. Que tipo de mediadora és que não sabe distinguir um fantasma de um vampiro? – me olhou irônico (não disse?) — És tão alienada, Ino... Ouvir meu primeiro nome saindo dos seus lábios era quase que insano, e sim, eu sabia o que era alienada, mas o modo como fora pronunciada esta última frase me balançou. Senti meu rosto corar de forma rápida e inesperada, rapidamente fiquei nervosa e, sem saber bem o que fazer, peguei o livro, a cruz, a bacia e a vela amarela e os virei para frente do imperador morto. Sem pensar muito, recomecei o ritual erguendo a vela e a cruz, recitando as palavras do livro. — Başka bir yere gidelim mi? Hangi yol daha kisa? Hangi yol daha kolay? – Li tudo em alto e bom som três vezes como mandavam os escritos. O chão começou a tremer e Gaara me olhava incrédulo. Quando dei por mim, uma enorme ventania adentrou o quarto, mas era realmente muito forte, a ponto de ter quebrado minha janela, espalhando-se em pedaços para todos os lados. O som do vidro se rompendo era agudo e alto, a sensação era como se uma nuvem de besouros entrasse em meus ouvidos para morder meu cérebro. Aquela sensação era a mais incômoda de todas as que já tinham se passado. Até aquele momento. E assim, em instantes, um pequeno furacão se formou ali, bem na minha sala de estar. Vi os objetos sendo levados com o percurso do vento, fazendo-os girar como em uma grande descarga. As ervas e cinzas, antes contidas na bacia, agora faziam com que o ciclone se tornasse mais escuro e denso. Algumas mechas se desprendiam do penteado e brincavam feito enguias enquanto minha bata voava descobrindo partes que não deveriam estar à mostra. O sangue da ave preta desprendeu-se do chão e as gotas vermelhas e gosmentas também se reuniram a grande dança aérea. Os pedacinhos de vidro giravam sem parar acompanhados das páginas do livro que se rasgavam para se revolver ao vento. E, céus, eu estava levitando?! Revolvi em desespero no ar por mais ou menos um minuto até a luz que envolvia Gaara começar a falhar e ele desaparecer por completo do meu campo de visão (que não era muito vasto). Em um instante, a ventania parou e a senhora gravidade voltou a governar. Minha queda foi brusca, mas felizmente (ou não) a cruz amorteceu minha queda. Senti estilhaços de vidro romperem minha pele, extraindo um único gemido de meus lábios. Levantei-me aos poucos tentando absorver tudo o que havia acontecido e em meu horizonte só conseguia ver pedaços de cera e meleca vermelha no chão. Meu sofá e cama estavam em um estado deplorável, já que não havia uma parede para separar sala e quarto. Apartamento de merda. Fiquei desesperada. Por que eu fui tão estúpida a ponto de fazer uma coisa tão ridícula? E o pior de tudo era que tinha mesmo dado certo. Mas eu estava feliz com aquilo? Definitivamente não. — Pelo menos pude vê-lo sorrir uma vez. – pensei alto e sorri. — Uau, incidiu mesmo um furacão por aqui, não foi? – o Sabaku ressurgiu em minha frente. — V-vo-você não foi? – perguntei surpresa. — Está claro que não. Creu mesmo que isto iria ser efetivado com sucesso? Continuamente soube que não produziria no resultado desejado. Eu ansiava apenas observar no que terminaria tudo isso. — Você já sabia? — Naturalmente. Exorcismos são para demônios e eu sou um fantasma. – senti o ar de gozação. – Ah, a propósito, sua roupa íntima tem uma cor exótica. Olhei para baixo e percebi que minha bata se rasgara de um jeito que só os meus seios ficavam cobertos, sem uma das mangas e deixando minha calcinha verde-limão à mostra. Corei e tentei cobrir a área com algumas folhas do livro que haviam sido rasgadas. Ele saiu de minha visão, se teletransportando para trás de mim, podendo sussurrar em meu ouvido: — E antes que eu deslembre, também adorei observar-te sorrir. – dito isso, se foi.
Notas finais
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