Notas iniciais
Bem, capítulo dois saindo do forno. Espero que gostem =D poor: AkireBell

– Obrigado, Sakura... – e foi quando o clarão a engoliu e ela acordou assustada, pra variar.

Não era a primeira vez, e nem a ultima, que ela tinha esse pesadelo.

Ofegante, Sakura passou as mãos pelos cabelos em um gesto de nervosismo e tentou acertar a respiração novamente.

– De novo esse sonho estranho – disse, sentando-se em sua cama e olhando em seu relógio. Já eram 07:30 e ela tinha que chegar ao estágio às 08:30 – Ainda tenho tempo para um cochilo – murmurou enquanto se espreguiçava para se jogar na cama logo depois.

Tentou afastar todas as lembranças do sonho que a atormentava desde sempre, obtendo êxito apenas quando forçou sua mente a pesar em coisas boas. Quando finalmente encontrara uma posição confortável, algo irritantemente irritante aconteceu, fazendo-a praguejar baixinho com o rosto pressionado no travesseiro: uma chamada no telefone. E de quem? Palmas pra quem disse Yamanaka Ino.

– Você nunca ouviu falar nos cinco minutos de preguiça, não? – perguntou com uma rispidez evidente na voz. Estava realmente irritada com a loira no outro lado da linha.

– Depois eu que sou a histérica, sua bicho preguiça! Acorda logo testuda! – ela gritava mais histericamente no telefone. Sakura sentiu sua cabeça latejar pelos gritos.

– Não precisa gritar tão alto sua porca! Diz logo o que você quer que eu quero ver se posso dormir pelo menos uns cinco minutos antes de ir pro necrotério! – dizia passando as mãos pelos cabelos em um gesto cansado. Ino era a sua melhor amiga, mas as vezes ela a tirava do sério.

– Creedo! Sabia que essa combinação de palavras não ficou muito boa? Parece uma profeta falando que vai morrer daqui a cinco minutos! – uma pausa foi feita – Se isso acontecer mesmo, deixa eu ficar com aquele seu vestido preto com rendinha na bainha?

– Pelamordedeus porquinha! Que tipo de amiga você é? Tem a mesma concentração de um passarinho comendo alpiste! Foco! Agora responda logo o que quer comigo para eu ver se valeu a pena interferir meu merecido cochilo – falou desistindo de tentar conservar o sono. A Yamanaka tinha conseguido fazer ela se espertar.

– Ah, sim! Eh... você fez o trabalho de Biologia? Não tive tempo de fazer, tinha que preencher umas fichas no laboratório e esqueci – falou com um sorriso cínico, mas logo o desfez se dando conta que a outra não podia vê-la.

– Esqueceu é? Sei o “esqueceu”. Tenho quase certeza de que sei o nome e o sobrenome dessa “ficha” – falou a rosada com um pequeno sorriso de canto – Mas, por hora, vou "esquecer" isso — Sakura apressou-se em falar — Voltando ao que realmente interessa, eu empresto sim, mas só se você me emprestar o de matemática – falou com um grande sorriso adornando os lábios. Tinha esquecido completamente deste outro trabalho pelo simples fato de estar muito ocupada mediando o espírito de uma garotinha que havia morrido num acidente de carro.

– Eu tava mesmo ocupada e esqueci, sua pervertida!! Tá bom, chantagista barata! Agora tenho que desligar, meu cabelo ta o maior ninho de rato e você não sabe como é cuidar desse cabelão de Rapunzel... — Ino deu uma pausa; Provavelmente para passar as mãos pelos cabelos, Sakura pensou — Ah, sim! Você não me respondeu se vai me dar o vestido! E aí, rola ou não rola? – um enorme sorriso se formou naquela face, mas mesmo assim, havia seriedade em sua fala.

– tu... tu... tu... tu... tu... tu... tu... – a rosada desligou, deixando uma Yamanaka meio histérica procurando um pente para dar um jeito na sua “juba”.

Sakura enfim se levantou, já que o sono a muito já havia lhe deixado. Olhou mais uma vez no relógio e viu que eram 07:35, não resistindo por sorrir com a ironia: Ino havia lhe tomado exatamente os cinco minutos que ela queria para descansar mais um pouco.

Decidiu então tomar um banho. Queria chegar cedo no estágio hoje.

Já no banheiro, despiu-se e ligou o banheiro para fazer sua higiene. Quando a água quente começou a escorrer pelo seu corpo, não teve como ela não se sentir mais relaxada. Com toda essa calma, lembrou-se do agonizante sonho da noite passada, o que, involuntariamente, lhe deixou arrepiada. Mas desta vez o motivo não era o mesmo das outras vezes. Não... dessa vez o motivo era outro: Ele. Por que ele apareceu? Quer dizer, depois de tanto tempo sonhando com a mesma coisa, como dessa vez esse sonho mudou? E principalmente, como poderia ser possível tal encontro, tal toque (sim, porque eles se tocaram) se os fantasmas só conseguem tocar a matéria terrestre depois de anos e anos no mundo dos mortos? Bem, ela não sabia explicar, não sabia nem sequer o que pensar, porque, o que quer que fosse que tivesse acontecido, tinha mudado completamente a sua concepção sobre aquele lugar. Mas não era somente esse o motivo de seu desconforto; outra pergunta que lhe estava consumindo era a seguinte: por que ele disse que ELA havia chamado-o? Isso era o mais estranho de tudo! Como, se ela nem o conhecia? Se ela nem falou, a não ser quando ele chegou? Com essas perguntas ela saiu de seu banho, mais relaxada (o máximo que podia naquele momento) e limpa. Chegou em seu quarto, vestiu sua roupa e claro, seu inseparável jaleco, penteou os cabelos desgrenhados, pegou sua bolsa de estimação e partiu em direção ao necrotério onde fazia estágio. Pelo menos lá ela teria algo com que se distrair, ou pelo menos era isso o que ela pensava até chegar lá e se deparar com a coisa que iria, sem sombra de dúvidas, mudar sua vida pra sempre.

– Como assim eu vou ter que examinar um corpo fresco? Eu nunca tinha feito isso, pelo menos não sem a ajuda de alguém mais experiente! – dizia ela ainda nervosa pelo choque que a notícia que ela recebeu ainda a pouco havia lhe causado. Ela não estava conseguindo acreditar naquilo. Será que ela já estaria pronta para pular de fase em seu estágio?

– Foi o que você ouviu senhorita Haruno. Eu estou lhe dando esse corpo porque eu confio no seu trabalho. Você já está comigo durante cinco meses e se mostrou uma garota de uma competência singular. Então, pegue suas luvas e se encaminhe àquela sala. Tenho certeza que fará um ótimo trabalho – disse o Doutor Hirama (seu chefe) com um pequeno, mas sincero, sorriso no rosto. Ela deu um último sorriso à ele e seguiu o corredor para pegar a sua luva com uma das outras estagiárias. Ainda não conseguia acreditar que estaria examinando um corpo sozinha.

– Aqui estão suas luvas senhorita Haruno. Boa sorte – disse Hinata com um sorriso envergonhado. Ela achou fofo da parte dela lhe desejar boa sorte.

– Obrigada Hinata – disse a outra lhe retribuindo o sorriso. Já estava pronta para abrir a porta quando Hinata falou:

– É... desculpa lhe interromper, mas... é... – ela estava parada próximo a porta batendo os dedinhos. Parecia querer falar algo, mas a vergonha não deixava – deixa pra lá. Sei que você não tem medo – ela disse lhe dando outro sorriso envergonhado e entrando na sala ao lado da qual a rosada estava. Ela ficou penas um instante parada com a porta entreaberta. O que será que ela queria lhe falar?

Bem, o que quer que fosse ela descobriria depois, ou melhor dizendo, assim que ela abrisse por completo aquela porta.

Mas nada do que Hinata pudesse avisar teria sido capaz de preparar Sakura para o que aconteceu a seguir.

O choque foi tão grande que ela teria gritado se não tivesse colocado suas mãos rapidamente em sua boca para abafar o grito.

Será possível que ela tinha tanto azar assim?

Por que justamente na sua primeira autópsia sozinha tinha de ser desse jeito?

Ela fechou a porta e se encaminhou até onde o corpo que ela examinaria estava, na tentativa de ver se não estava enganada com relação a quem era a pessoa. E acabou gemendo de frustração quando viu que era exatamente quem ela tinha imaginado:

Uchiha Sasuke.

O fantasma que a tinha assombrado (e lhe encantado) no seu último pesadelo.

– Como isso é possível? – ela disse com a voz esganiçada. Ainda não lhe entrava à cabeça que ele estava ali, e que ela o examinaria. Será possível que aquele sonho fora mesmo real? Será que ela realmente tinha conhecido Uchiha Sasuke? Como aquele ser perfeito que estava deitado, e morto a sua frente, tinha ido parar ali, e mais... Por que ela? Sim, ela, porque não era possível que ela sonhasse com ele em uma noite e no dia posterior ela tivesse de examinar o seu corpo, e sozinha ainda! Não era coincidência. Disso ela sabia perfeitamente. Já estava tão absorta em pensamentos que tinha esquecido completamente do seu propósito ali: descobrir a causa da morte dele. Mas como era possível se concentrar em seu trabalho se ela não conseguia parar de olhar para aquele rosto tão pálido, sem vida e perfeitamente magnífico? Isso ela tinha de confessar, ele era muito lindo. – Um pecado alguém tão lindo morrer assim – disse tocando naquele rosto que parecia esculpido pelos deuses – Um pecado – disse afastando sua mão e a levando até a mesinha para pegar o bisturi. Bisturi este que com o susto que ela recebeu voou longe, assim como o coração da rosada.

– Você me acha lindo, Sakura?

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Continua

Notas finais
Taa aii gentee :) Espero ansiosamente o review de alguém.. Se estiverem lendo, por favor, comentem *--* Bjs e até o próximo capítuloo ;*