Termino de relacionamento
1 Vende-se alianças de namoro. Pouco uso.
Notas iniciais
Terminei com ela. Agora é até engraçado pensar que fizemos juras e planos para o futuro. Odeio admitir, mas minha mãe estava certa. E quando ela está certa provavelmente eu estou errado. Minha mãe não ligava quanto tínhamos apenas uma relação casual, sem cobranças nem comprometimentos. Desde aquela época eu tinha uma certa fixação por ela, devo admitir. Então, me lembro como se fosse ontem, no dia 4 de novembro de 2012 resolvemos dar mais um passo na nossa relação. Quase dois anos e sabe como tudo acabou? Por telefone, o jeito mais baixo e vil de terminar um relacionamento.
Sentia que ela não queria que isso continuasse. Inventava desculpas para seus atrasos e se recusava a ir em casa, não importando o motivo. Furava encontros marcados com extrema antecedência e dias depois, sempre quando eu estava ocupado, aparecia com a maior cara lavada do mundo como se tudo estivesse bem. Mas não estava.
Liguei inúmeras vezes perguntando se estava tudo bem com ela, pois não era comum ela se atrasar daquela forma. Ela respondia que sim, haviam acontecido algumas coisas mas da próxima vez estaria tudo certo. Durante um tempo as coisas realmente voltavam ao normal, mas depois o problema voltava como antes. As mesmas respostas para as mesmas perguntas. O que antes era um acontecimento esporádico passou a ser rotineiro. Atrasos e as mesmas velhas desculpas. Ela começou a mostrar um comportamento bipolar. Se eu ligasse antes para confirmar um encontro ou saber como ela estava, ela me culpava por ser grudento demais. Se ligava depois da data que deveríamos nos encontrar e que ela não apareceu, eu era logo acusado de descaso. Não digo que sou a pessoa mais equilibrada e confiável do mundo mas aquelas desculpas e acusações estavam ficando patéticas.
Não me olhe como se eu não tivesse feito nada para contornar a situação. Não sou tão fútil a ponto de meter o pé na bunda de algum só por causa de uma burrada. O caso é que ela tinha, e continua tendo, um problema e eu estava disposto a ajuda-la no que fosse necessário. Mas para isso, ela devia admitir que tinha alguma coisa errada. Você não consegue curar um alcolatra se ele não admitir que é um pé d'água. Para ela, a culpa de tudo era minha. Sabe-se lá porque.
Enfim, se nosso lance não deu certo não foi por falta de tentativa. Ela continua tão cabeça dura quanto antes. Acho que tenho até pena do próximo da fila.
Você me pergunta se é ruim ter uma vida solitária? Nem tanto. Agora posso dispor de várias a hora e no lugar que quiser. Na sala, no quarto e até no banheiro. As vezes, mais de uma ao mesmo tempo. Sem reclamações de nenhuma das partes. Lance rápido, pague e desfrute. Sim, é exatamente isso que você está pensando.
Fale com o autor