Tequilas
3 Terceira tequila
1
– Eu não consigo mais te reconhecer, Pi.
Pi, por sua vez, não reconheceu aquele tom de voz. Tegoshi estava sério e cansado e isso não combinava com ele. Ambos se estranhavam há algum tempo e, sentados na frente um do outro naquele sofá, realmente pareciam dois desconhecidos, mas ele admitia que Tego estava certo. No fim, era ele quem mais tinha mudado.
Quando e porque mudou? Não sabia. De repente, tudo havia se tornado cinza e ele não conseguia mais sorrir. Mais do que o que seria considerado normal para ele, Yamashita Tomohisa. Tudo bem ele não sorrir em certas entrevistas, tudo bem ele ter um comportamento mais retraído diante dos senpai, mas entre seus amigos, com Tegoshi, com o NEWS, ele costumava ser animado e divertido.
E foi como se algo tivesse sugado a sua alegria. E qual a razão? O que estava errado?
– Você talvez... Não me ame mais?
A voz de Tegoshi soou hesitante. Isso também não era do feitio do caçula. O que ele estava fazendo com Yuya, afinal? Ele estava se aprofundando em um breu e estava sugando Tegoshi com ele. Não tinha esse direito. Devia deixá-lo a salvo. Tomou as mãos do namorado e fez uma única pergunta. Aquela que definiria o destino dos dois de uma vez.
– Ryo te ama?
E ele viu os olhos de Tegoshi se encherem de lágrimas.
– Pi... O que aconteceu foi apenas porque eu me senti muito sozinho. O Ryo... Não foi nada premeditado. Não o culpe... Fui eu quem errou. Eu só estava mal, bebi muito e...
– Eu não o estou culpando, Tegoshi. Foi apenas uma pergunta simples. Ele te ama? Porque se ele te ama, talvez seja melhor vocês dois ficarem juntos.
Ele se levantou enquanto Tegoshi ainda repetia as suas palavras dentro de sua cabeça. Yamapi caminhou até a porta e vestiu seu casaco. O primeiro mês de 2011 começou com um inverno muito rigoroso. Enrolou o cachecol em seu pescoço e saiu, ouvindo vagamente Tego lhe chamar, mas não tinha mais disposição para aquela conversa.
Andou tranquilamente pela calçada que os funcionários da prefeitura já tinham limpado a neve. Sabia que Tegoshi não viria atrás dele. Se fosse antes, certeza de que viria, mas não agora. Embora não quisesse ou não gostasse de admitir uma derrota, Tegoshi estava consciente de que não havia mais nada a se fazer naquele relacionamento.
Eles se apaixonaram, se amaram, foram felizes, perderam o interesse, Tegoshi foi o primeiro a trair, mas Pi não sentia raiva por isso. Mesmo que tenha sido com um de seus melhores amigos. E isso significava que aquele namoro já tinha terminado há muito tempo, apenas que nenhum dos dois teve a coragem de terminar e, por terem sido medrosos, agora estavam se machucando muito mais do que deveria ter sido necessário.
Yamapi várias vezes imaginou como seria uma vida sem Tegoshi e nenhuma das hipóteses deixou de lhe arrancar algumas lágrimas. Sentia-se estranho por agora, que era um fato real, ele não conseguir sequer lagrimejar. Era doloroso, mas, ao mesmo tempo, não era. Ele não sentia nada e isso era incômodo. Não sentia tristeza, não sentia raiva, não sentia arrependimento, não sentia alívio.
Esse era o reflexo de seu espírito. E não era apenas com Tegoshi. Há algum tempo havia perdido o interesse em muitas coisas. Trabalho, amor e até mesmo família. Estava sem dar notícias à sua mãe e irmã por um tempo considerável.
Quando seu celular tocou e ele viu que era Ryo ligando, não atendeu. Sabia o discurso do amigo. Seria muito parecido com o de Tegoshi. Não havia sido intencional, ele só estava consolando o rapaz e acabou acontecendo e, assim como Tego, ele defenderia o outro. Assumiria a culpa e diria para perdoar Yuya. Yamapi preferiu evitar um desgaste ainda maior entre eles e cortou a ligação.
Chegou até seu automóvel e entrou, mas não o ligou, estava em dúvida para onde ir. O celular tocou de novo e Yamapi pensou se não seria melhor mantê-lo desligado. Teve essa intenção quando o pegou e viu aquele nome no visor. Atendeu.
– Yo! O que foi Jin?
– Pi...
Uma única sílaba bastou para que ele soubesse quem era a outra pessoa de fato do outro lado da linha.
– Ryo. Usando de artifícios pra falar comigo?
– Pi, nós precisamos conversar sobre o que aconteceu aquele dia. Isso é um fato. Mas não hoje, eu ainda vou te pegar pessoalmente pra esclarecermos as coisas.
– Eu acho isso desnecessário e...
– Não quero saber o que você acha. Não agora.
– Então pra que porra me ligou??
– Pra me impedir de chutar o traseiro do Jin!
– Eh?? O que ele fez?
– Merda.
– O que ele tem?
– Está bêbado. De novo. E já sei a sua próxima pergunta. É ainda pelo Kamenashi. Vamos, aquele imbecil vomitou na minha calça! Pegue seu carro e venha nos buscar!
– Ok, estou indo.
2
Se Jin não conseguiu se matar fazendo tantas idiotices ao longo de sua vida, Yamapi estava certo de que faria isso por ele. O que ele estava pensando quando decidiu ir beber em outra cidade? Saitama ficava algumas horas de carro de Tóquio. Não era tão longe assim, mas estava muito fora de seus planos sair da cidade naquela noite e muito menos ter que dormir em um hotel com ele por conta de uma nevasca que os pegou no meio do caminho de volta.
Quando chegou à boate, Ryo já tinha ajeitado tudo. Pelo que Yamapi entendeu, Jin havia arranjado briga com algum militar americano, mas não chegaram a agressão física realmente. Bateram boca e o dono do estabelecimento tendo reconhecido Akanishi rapidamente interferiu.
Johnny-san não era um homem descuidado, ele tinha seus contatos e a sorte de Jin era que Kawashima-san era um deles. Ele acalmou os ânimos dos americanos, ele os conhecia bem, eram freqüentadores assíduos, sabia do que eles gostavam: dinheiro, mulheres e bebidas. Ele satisfez suas vontades – e depois cobraria de Johnny-san – e quando Yamapi chegou o último problema a ser resolvido era convencer o teimoso e bêbado Akanishi Jin de que o garçom não queria ouvir pela quinta vez a sua triste história de amor.
Depois de um trajeto tumultuado com Jin cantando com todas as suas forças – o que fez Pi se questionar se Jin querer acabar com sua garganta poderia ser algum tipo de vingança contra a agência – eles seguiram para o hotel. Ryo estava em seu próprio carro e em sua própria velocidade. Yamapi diminuiu a sua propositalmente, mas não soube explicar o motivo, ele sabia apenas que não queria ver Ryo na sua frente e que não faria diferença se ficasse para trás.
Por conta disso, quando começou a nevar, os dois carros estavam bem distantes um do outro. Yamapi avisou por celular que ficaria em um hotel e Ryo avisou que tentaria avançar até onde fosse possível, a neve ainda não tinha começado a cair onde ele estava.
A bebedeira de Jin já tinha diminuído um pouco e ele já tinha um nível maior de resistência, ainda assim, ele foi levado por seu amigo e um funcionário entre tropeções até o único quarto disponível que eles teriam que dividir.
Aquele definitivamente não era um bom dia, Yamapi constatou, já no quarto, encostado à porta com os braços cruzados e observando Jin deitado na cama. E sabia que tudo pioraria porque seu amigo logo começaria a choramingar por Kamenashi e só de imaginar Pi sentiu vontade de jogá-lo pela janela. Ao mesmo tempo em que sentia pena de Jin, o irritava como o espírito dele se enfraquecia por qualquer coisa que Kamenashi lhe fizesse.
– Vai tomar um banho, Jin! – Yamapi sugeriu – Toma um banho e dorme pra ver se vem logo uma puta ressaca pra você calar essa sua maldita boca!
– Pi, porque o Kamenashi não me compreende? – ele ainda falava enrolado e movimentando muito suas mãos. – Será que é tão difícil assim? Eu só quis ficar com ele, eu abro mão da banda e do que quer que seja por ele! Isso não é o suficiente?
Yamapi cruzou os braços, manteve-se encostado à porta e suspirou. Pronto, Jin começou a ficar deprimido de novo.
– Tudo o que eu faço é errar! Sempre, desde que eu nasci! Eu já nasci errado! Minha mãe disse que ela errou no cálculo da tabelinha e aí engravidou aos catorze anos!
Agora Pi esboçou alguma reação. Franziu a testa. Não queria saber dos motivos pelos quais a senhora Akanishi, a mulher que ele respeitava como sua segunda mãe, havia engravidado. Não mesmo.
– O que o Kamenashi lhe fez desta vez? – era melhor que Jin permanecesse falando sobre seu eterno amor.
Yamapi não prestou atenção no começo da história, já conhecia ela de cor afinal, foi até mesa que havia no canto do quarto e pegou o maço de cigarro que Jin deixou ali antes e acendeu um, não se importando em fumar em um ambiente fechado.
– E aí ele me disse que nunca mais queria falar comigo. Nunca mais. Você não acha que ele dramatiza as coisas?
Pi pensou que era seu amigo, e não Kamenashi, quem estava fazendo um verdadeiro drama. As pessoas se conhecem, se apaixonam, namoram e terminam. A última fase não precisa ser assim tão prolongada. Ele achava que era melhor encerrar de uma vez do que ir e voltar num relacionamento cheio de brigas como era a relação Akame.
Tegoshi e ele nunca terminaram antes e tiveram um relacionamento muito divertido por dois anos e meio. Agora, o fim. Acabou-se o tempo deles e insistir em algo que começava a desmoronar só traria mais sofrimento.
A voz de Jin se afastou de novo e Pi se concentrou em si mesmo. Não conseguia entender como seus sentimentos haviam congelado dessa forma. Ele não sentia absolutamente nada em relação ao término. Era melhor assim, mas assim era normal? O que isso significava? O tempo com Tegoshi havia sido importante e divertido, não havia?
Yamapi sentiu uma grande dor em sua nuca, depois o som seco de algo caindo no chão e se virou na direção da cama. Viu Jin ainda com o braço erguido, na posição em que tinha jogado o tênis em sua cabeça. O integrante do News demorou a reagir diante daquela atitude incoerente, pensando vagamente que isso não teria acontecido se eles estivessem em um hotel japonês. Lambeu os lábios, tentando não se irritar. Piscou e massageou a sua nuca.
– O que foi Jin? – perguntou, sem olhá-lo, enquanto esmagava o final do cigarro no cinzeiro.
– Não me ignora! – ele fez cara de bravo. – Por que você também não presta atenção em mim? Está de complô com o Kame, não é?
Dentre todas as suas amizades, a que mantinha com Jin era a mais estranha. Não sabia porque conseguia agüentar as birras de Jin durante tantos anos. Ele era um desleixado e vivia se metendo em encrenca e era ele, Pi, quem tinha que consertar tudo depois. Às vezes ele pensava se não agia como um pai a Jin e que seu amigo havia se acostumado com essa proteção. Estava cada vez mais mimado e Yamapi estava farto disso. Estava preste a dizer tudo o que pensava quando a expressão de Jin se suavizou, ele chegou mesmo a sorrir, e disse:
– Ah, gomen, gomen! Acho que exagerei um pouco na bebida! – disse, com mão atrás da cabeça e rindo – Joguei com muita força? Está doendo?
Ele se levantou e tentou ver a cabeça de Yamapi, que resmungou qualquer coisa e o empurrou. Porque Jin tinha que ser desse jeito? Ele o deixava completamente irritado e depois pedia desculpas com aquele sorriso que era impossível ignorar. Ele nunca conseguia manter o mau humor quando o amigo lhe sorria daquela forma, por mais que tentasse.
– Eu vou preparar seu banho. – Yamapi disse contra a vontade – Trate de ficar sóbrio!
– Haiiiiiiiii!
Deixou-o no quarto e entrou no banheiro. Ligou a banheira e suspirou, sentindo o cansaço chegar. Estava emocionalmente cansado e uma viagem a Saitama, e ainda sob aquelas condições, apenas havia piorado o seu humor. Sentou-se na beirada da banheira e teve a impressão de ter ouvido a campainha, mas não prestou muita atenção nisso. Quando a água atingiu um nível razoável, Pi fechou a torneira e voltou para o quarto, não acreditando no que estava vendo.
A campainha havia sido o serviço de quarto para trazer uma garrafa de tequila, sal e pedaços de limão para Jin, que virava mais um copo quando Yamapi lhe gritou:
– O que diabos você está fazendo?
– Love Juice, Pi!
– Você não está num show, imbecil! – ele se aproximou e tentou arrancar o copo das mãos de Jin, que segurou com mais força.
– Pi, me deixa!
– Se era pra te deixar em algum lugar, eu devia ter te largado naquela boate pra apanhar daquele americano e depois servir de mulherzinha pra ele! Vamos, pare de me dar trabalho e dor de cabeça nesta noite!!!
Yamapi notou que Jin parou de oferecer resistência e o olhava atentamente.
– Pi está triste. – ele disse, sua voz saindo mais rouca que normal.
Ele não estava triste. Estava irritado e o imbecil do seu melhor amigo não estava ajudando em nada. Na verdade, ele estava intrigado e preocupado por não estar triste com o fim do seu namoro e queria muito estar sozinho para pensar sobre isso.
– Toma...
Jin enfiou a garrafa em seus lábios.
– Você também está precisando disso!
– Eu não estou precisando de nada! – ele afirmou e se afastou.
De repente, com uma velocidade e força maior do que deveria possuir em seu nível de embriaguez, Jin o puxou pela gola, derrubando-o sobre suas pernas cruzadas. Yamapi gritou em protesto por apenas alguns segundos, pois depois se calou com o líquido preenchendo sua boca e escorrendo por seu rosto.
Jin pretendia matá-lo, ele percebeu, apavorado. Ele o afogaria daquele jeito. E que morte estúpida essa, afogamento por tequila. Indignado com uma morte sem um pingo de honra, Yamapi conseguiu alguma brecha para afastar a garrafa e o braço de Jin e, tossindo, disse:
– Ok, eu bebo sozinho!
Ele se endireitou na cama e Jin o ajudou a tirar os tênis. Depois ele fitou a garrafa por algum tempo. Dane-se. O que ele perdia afinal? Aliás, era pior manter-se sóbrio com Jin naquele estado. Virou a garrafa. Precisava preservar a sua saúde mental.
Beberam em silêncio e, embora agradecesse por esses raros momentos de quietude na companhia de Jin, Yamapi sabia que não era um bom sinal. E teve essa confirmação quando se virou para aquele rosto abatido fitando o lençol da cama e soube de imediato que seu amigo pensava em Kamenashi. Odiava aquela cena. Odiava profundamente como Kamenashi machucava seu amigo.
Por alguns anos, esse era o motivo pelo qual não conseguia se dar bem com a inicial do KAT-TUN, julgava-o exigente em suas cobranças sobre Jin e inaceitável a imposição de Kame de que Jin deveria continuar na banda acima de tudo. Achava que o caçula era egoísta demais em querer que todos os integrantes do KAT-TUN enxergassem a banda da mesma forma que ele: o grupo era mais importante que o individuo. Yamapi entendia em partes a importância que Kame dava ao grupo, mas não conseguia entender como ele podia não perceber como essa sua obsessão pela banda estava sugando e acabando com a pessoa Akanishi Jin.
E, no entanto, por mais que odiasse Kamenashi, por mais que sentisse raiva por ele deixar seu amigo nesse estado, Yamapi, se pudesse, ele traria a tartaruga arrastada à força para aquele quarto apenas para expulsar aquela tristeza dentro de Jin.
Porque aquela dor que aquele rosto entristecido lhe trazia era insuportável.
Como essa hipótese estava fora de cogitação, Yamapi apenas o socou no ombro de leve. Jin ergueu o rosto e Yamapi lhe sorriu, querendo confortá-lo. Jin lhe estendeu a garrafa e Yamapi tomou mais um longo gole antes de devolvê-la.
– Porque tudo tem que ficar tão complicado? – Jin disse subitamente. – Porque não tenho que sair da banda para ficar com o Kazu? E porque não posso ficar com o Kazu se eu sair da banda? O que uma coisa tem a ver com a outra? Porque o Kazu tem que gostar menos de mim se eu estiver em um trabalho solo?
– Não podemos ter tudo o que queremos, Jin. – Yamapi declarou, embora ele próprio não entendesse a razão disso.
– E porque não? Porque só podemos ter sucesso em uma coisa ao mesmo tempo?
– Eu não sei, Jin... Equilíbrio da vida?
– O equilíbrio não seria quando tudo estivesse bem? No mesmo nível? – Jin tomou um gole da bebida e ofereceu a Pi, que aceitou.
– Nesse caso, se você estivesse na merda, seu equilíbrio seria apenas merda...
– Hum... Faz sentido.
Entregou a garrafa de volta a Jin e o viu rindo. Yamapi não conseguiu segurar o seu riso também. Começaram a rir sem qualquer motivo, talvez fosse aquela estranha situação deles bêbados em outra cidade ou talvez rissem das figuras apáticas e depressivas que, cada um com seu motivo, ambos eram naquela noite, mas Pi observou a si mesmo que todos os momentos na companhia de Jin eram assim. Inexplicáveis.
O amigo lhe fazia sentir um turbilhão de sentimentos que ele não conseguia definir e, normalmente, ele ficaria irritado e frustrado com isso se estivesse com outra pessoa. Pi gostava de ter o domínio sobre seus sentimentos, mas, quando estava com Jin, isso era diferente. Parecia não ter importância perder um pouco do controle.
Ele se sentiu bem com isso. Pode vislumbrar um pouco do seu passado. O seu “eu” anterior ao mundo cinza no qual se encontrava há algum tempo. Mesmo por alguns instantes, Jin lhe trouxe cores novas. Ele sempre trazia, mesmo Jin não sendo nenhuma novidade em sua vida.
Riu, como há muito tempo não ria e sua barriga começou a doer. Deitou-se na cama e sentiu o teto girar. Estava embriagado.
Pararam de rir quando se cansaram. Jin se deitou com o rosto ao seu lado, muito próximo e sorriu, estreitando seus olhos e despertando uma vontade em Yamapi. Quando os olhos de Jin tornaram a se abrir por completo foi capturado pela contemplação dos olhos de Pi.
Jin arfava, seu corpo tentando diminuir o ritmo do riso descontrolado de momentos antes, e Yamapi não conteve sua mão e a deixou tocar o pescoço de Jin, sentindo seu batimento e a pele úmida pela temperatura quente. Akanishi não ofereceu resistência, não conseguia compreender o real significado do que acontecia, mas era bom. O toque de Yamapi sempre foi bom, sempre carregado de carinho e conforto. Era um sentimento tão real, tão seguro, que nunca se desintegraria como o amor que Kame um dia lhe ofereceu.
Estava cansado das brigas com Kame. Estava cansado da pressão dentro do grupo, das barreiras que tinha que destruir para criar a sua carreira sola. Não tinha mais forças, precisava e queria apenas descansar.
Yamapi por sua vez queria aquela luz que via ao redor de seu melhor amigo. E ambos encontraram o que buscavam nos lábios um do outro quando Yamapi se inclinou por cima de Jin. Sentiu-se mais aquecido enquanto provava o gosto do amigo pela primeira vez, seu coração pulsou com mais força, parecia ter mais vontade de repente. E finalmente foi capaz entender porque não conseguia lamentar o final do namoro com Tegoshi.
Envolvido pelo beijo, Jin largou a garrafa de tequila, que rolou pela cama e caiu no chão, derrubando o resto de seu conteúdo.
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