Tenten Mitsashi - Uma Detetive De Arrasar
2 Uma Detetive Temperamental
Notas iniciais
—Deixa eu ver se eu entendi -disse Tenten enquanto estava no carro com Lee e Sakura-, esses Hyuga são duas famílias?
—Não -respondeu Lee.- É apenas uma, mas dividida em dois ramos. A família principal e a secundária. A principal, como o nome já diz, comanda tudo e a secundária é subordinada à ela.
—E o que se faz para fazer parte dessa tal família principal?
—Se nasce -disse Sakura.
—Nasce? -perguntou Tenten sem entender.
—Não é questão de mérito. O mais velho fica na família principal e o caçula automaticamente na secundária.
—Não me parece uma divisão muito justa.
—Isso não é nada -interrompeu Lee.- A família secundária é tratada literalmente como escrava, fazendo com que seus membros terem de dar a vida para proteger os da casa principal.
—O quê? -disse Tenten em um grito surpresa.- Mas que coisa mais ridícula! Como é que eu não sabia disso? E o presidente sabe e não faz nada?
—Os Hyuga são uma família muito influente no país, o presidente não arriscaria perder o apoio deles. Nunca ouviu falar do caso Hyuga? -indagou Lee à Tenten.
—Não. O que é?
—Há alguns anos, a mansão dos Hyuga foi invadida e o líder do clã, Hiashi, matou o invasor. Acontece que esse invasor era de um país estrangeiro e seus líderes pediram a morte de Hiashi ou começariam uma guerra com nosso país.
—Sério, aonde eu estava que não sabia disso?
—Enfim, os Hyuga nunca matariam seu líder.
—Mas a guerra não aconteceu, então como foi a negociação?
—Bom, eles entregaram o corpo, mas não do líder e sim de alguém bem parecido com ele.
—Não entendi.
—Ele tinha um irmão gêmeo, que por causa de segundos, nasceu mais novo, então foi parar na casa secundária, portanto, obrigado a dar sua vida para proteger a casa principal.
—O quê? Não brinca? O covarde mata e ainda faz o irmão inocente assumir o crime em seu lugar?
—Pois é, as coisas são o que são -concluiu Sakura.- E ainda acredita que a ideia de trocar um pelo outro foi do próprio pai deles?
—Mas não foi justo... -disse Tenten decepcionada olhando o carro desacelerar ao chegar na mansão.
—Bom dia -disse Lee, ao descer do carro, à uma mulher na porta.
—Bom dia -respondeu a moça.- O senhor Hiashi está esperando por vocês na sala.
—Obrigada -disse Sakura entrando com Lee.
—Que casa grande -disse Tenten baixinho observando o tamanho da mansão.
—Vem Tenten -disse Sakura voltando para chamar a parceira.
Ao chegar na sala, Tenten se deparou com o líder do clã e seu velho pai, ambos sentados na cadeira.
—Ah, então esses são os covardes? -disse Tenten para a surpresa de todos.
—O que você disse, mocinha? -indagou o velho Hyuga.
—Mocinha não, detetive Mitsashi.
—Ela não disse nada não -falou Sakura sorrindo, tentando amenizar a situação.
—Exijo saber quem foi o responsável pela morte do membro de minha família -continuou o velho.
—Só para esclarecer as coisas -falou Tenten enquanto bisbilhotava a sala-, esse cara que morreu, era da família principal?
—Sim -respondeu Hiashi.
—Só por curiosidade, se tivesse sido alguém da família secundária, vocês estariam tendo o mesmo esforço para descobrirem o culpado?
—Tenten -reclamou Lee.
—Não vejo o que isso tem haver com a situação -comentou Hiashi.
—Não tem nada, era só uma curiosidade, mas você já me respondeu.
—Olha, eu entendo o que as pessoas pensam sobre os ramos do nosso clã -disse Hiashi-, mas você, senhorita Mitsashi, deveria entender que às vezes o líder tem que ser severo com os demais. Você não é a chefe da sua unidade? Deveria entender a minha posição. Somo iguais.
—Não, não somos. É verdade, eu tenho uma alta posição no lugar onde trabalho, mas consegui isso com o meu esforço e com o meu suor, já você, só precisou nascer e isso, meu caro, não me parece esforço. Um líder de verdade está no comando por merecimento e não por nascimento.
—Já chega -disse o velho Hyuga.- Irei solicitar outra equipe para o caso. E a senhorita -falou olhando para Tenten, saiba que eu e meu filho somos muito respeitados neste país e neste clã.
—Mas não o seu filho morto, não é mesmo?
—Tenten, já chega -disse Lee.
—Não respeitaram o direito dele à vida quando o condenaram à morte por algo que ele sequer havia feito -continuou Tenten encarando os olhos furiosos do velho.
—Saia!
—Com todo o prazer -disse Tenten se dirigindo à porta.- Só mais uma coisinha antes de sair -falou encarando o velho.- Não confunda medo com respeito. Seus subordinados não o respeitam, eles o temem e, apesar de serem parecidos, medo e respeito estão longe de serem a mesma coisa -falou se virando e indo embora.
—O diretor Guy irá nos matar e a culpa é toda sua -reclamou Sakura enquanto saiam da mansão.
—Eu achei bem feito -disse Lee sorrindo.
—O quê? Como você gostou disso? -indagou Sakura indignada.
—O máximo que o diretor irá fazer é nos dar uma bronca, até porque, a delegacia está com o número de gente reduzido e nós somos os melhores no trabalho, então ele não irá nos demitir. E mais, esse seria nosso último caso antes das férias, agora que não estamos mais trabalhando nele, vamos à praia!
—É, eu não tinha pensado por esse lado -falou Sakura sorridente.
Os três detetives seguiram de volta à delegacia. Chegando lá, encontraram o diretor com um olhar de fúria.
—Para a minha sala, os três, agora!
—Lá vem bronca -constatou Lee.
—O que diabos vocês fizeram? -perguntou Guy.- Tenten? Por que cargas d'água você foi falar aquilo para os Hyuga? Era apenas para terem feito o trabalho de vocês!
—Desculpe, mas eu tenho opinião.
—Você não é paga para dar opinião. Não importa como eles tratam os membros secundários da família deles, isso não é da nossa conta.
—Tratar uma pessoa feito escrava não define família.
—Não importa! Você é uma detetive e não uma abolicionista.
—Então o senhor concorda que o que eles fazem é escravidão?
—Não importa o que eu acho. Já acionei outra equipe para o caso. Como isso nunca havia ocorrido antes, vou lhes dá apenas uma advertência, mas da próxima vez, será suspensão ou até pior. Agora saiam da minha sala!
—Ele não parece muito contente -disse Shizune aos três detetives na saída da sala do diretor.- Já viram o jornal de hoje?
—Não, por quê? -indagou Lee.
—Aqui -disse Shizune mostrando a capa de uma matéria do jornal com a foto de Tenten.
—Por que a minha foto está estampada em um jornal? -disse a garota arrancando as folhas da mão de Shizune.
—D.I ataca de novo -falou Sakura rindo da parceira, que parecia furiosa com a matéria.
—Quando eu descobrir quem é esse D.I, ele estará muito encrencado! Eu não dei permissão para escreverem uma matéria sobre mim. Olha só o título: "Mulher ou detetive? O que se passa com a detetive Mitsashi?"
—Me dá que eu vou ler -disse Lee pegando o jornal das mãos da garota.
—Nada disso -disse Tenten.- Me dá essa porcaria aqui de volta -disse amassando e jogando o jornal no lixo.- Eu vou para a minha sala pegar a minha bolsa e vejo vocês só no próximo mês -falou enquanto saía furiosa.
—Aonde vocês vão? -indagou Shizune quando notou que Lee e Sakura estavam de saída.
—Na banca de jornal comprar um -disse Sakura rindo.
—Vocês não tomam jeito, não é mesmo?
Na sala da detetive Mitsashi, a garota de coques arrumava sua bolsa com ódio nos olhos.
—Palhaçada! Quem esse jornalista pensa que é?
—Tenten? -chamou Shizune.
—O quê?
—Não fica assim, basta não ligar para o que esse idiota diz de você. Já vai embora?
—Sim.
—Te vejo amanhã, então?
—Só se olhar para a minha foto no corredor. Estou saindo de férias.
—Sério? Já não era sem tempo. Boas férias então -falou saindo da sala, passando pelo diretor.
—Tenten -disse Guy.
—Senhor?
—Mudança de planos. A equipe que eu convoquei para assumir o caso dos Hyuga teve um imprevisto e não poderá vir.
—Espera por eles então.
—O assassino está à solta, pode ser que mate novamente, não podemos ficar esperando pela próxima vítima. Volte com sua equipe na casa dos Hyuga e termine esse caso!
—O quê? Tá brincando?
—Eu não brinco em serviço. Vá, agora!
Sakura, Lee e Tenten voltavam à mansão dos Hyuga de carro.
—Sério? Trabalhando nas férias? -disse Sakura enquanto dirigia.
—Nós recebemos por trabalhar nas férias? -indagou Lee.
—Só prestígio -respondeu Tenten.
—Prestígio não enche barriga e nem paga as contas da minha casa.
Chegando na mansão, avistaram um enorme carro.
—É o carro do diretor ali? -indagou Sakura.
—É sim -respondeu Lee.
—Mas o que diabos ele veio fazer aqui? -perguntou Tenten.
—Deve ter vindo para garantir que não façamos o mesmo de hoje cedo.
—Mero engano achar que eu me calo na presença dele. Podia estar lá o presidente que eu não estou nem aí em dizer o que acho.
—Vamos tentar ser amigáveis dessa vez -pediu Lee ao entrarem na mansão.
Ao entrarem, se depararam com Guy conversando com Hiashi e seu pai.
—Detetives -cumprimentou Guy quando avistou os três na sala.- Quero que vão até a cena do crime e depois falem com as testemunhas, entenderam?
—Sim, senhor -responderam, ao mesmo tempo, Sakura e Lee.
—Tenten? insistiu o diretor.
—É, eu ouvi.
—Eu não sei se eu gosto dessa garota cuidando do caso -resmungou o velho Hyuga.
—Então sai na rua e faça um protesto -respondeu Tenten calmamente.
—Tenten -repreendeu Guy.- Senhor, garanto, que ela é a melhor no que faz.
—Precisamos falar com todos que estiveram na casa na hora do crime -disse Tenten.- Mesmo os que acham que não sabem de nada, podem ter visto ou ouvido algo estranho e não deram a devida importância. Quero falar primeiro com a pessoa que encontrou o corpo. Quem foi?
—O nome dele é... -disse o velho, mas foi interrompido.
—Não te perguntei nada, perguntei ao Hiashi -falou Tenten ríspida.
—Essa sua grosseria é de nascimento ou você a adquiriu? -indagou o velho.
—É de nascimento mesmo, embora ao longo dos anos, eu venha aperfeiçoado esta habilidade.
—Tenten -disse Sakura baixinho, dando uma cotovelada na colega.
—Então, quem foi que encontrou o corpo? -perguntou Tenten impaciente.
—Foi o meu sobrinho -respondeu Hiashi.- Eu já mandei chamá-lo.
—Ótimo.
—Ali está ele -disse Hiashi apontando para a porta atrás dos três detetives.
—Que bom, o quanto antes terminamos isso... -disse, mas parou quando olhou para detrás de si.- Você?
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