Tentações
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Uma coisa em que Lee sensei e eu concordamos é que nessa vida quando você tem um objetivo e esse objetivo é ir além do seu limite para ser um bom ninja, não podia desistir. Para isso, era necessário treino e com certeza demoraria um bom tempo para os resultados que desejava.
Eu treinava todos os dias fazendo qualquer coisa ao meu alcance que poderia ajudar com meu desenvolvimento como ninja. Contudo, na minha idade onde as pessoas acabavam de sair das fraudas para a idade de “eu posso tudo”, coisas aconteciam.
O que quase sempre era contra a minha vontade.
Hoje algumas amigas foram ao campo de treino em que eu estava treinando meu taijutsu e minha resistência com Lee sensei. Ele era louco! Mas loucuras são necessárias às vezes. E parece que as meninas pensavam a mesma coisa... De maneira diferente.
Arisu e Shizuka convenceram Lee de que a Sakura-san estava em Konoha e que precisava de minha ajuda no hospital com algum trabalho que agora não lembro o que “somente a Yukari é capaz de fazer”. E quando se colocava o nome da rosada, Lee não pensava duas vezes. Ele nem me ouviu quando disse “mentira”!
O problema de tudo é: Sakura não estava em Konoha.
E isso com certeza ia acabar em confusão. Fui obrigada a ir à casa de Arisu perguntando a cada segundo o que estava acontecendo e ninguém me dizia nada, apenas para “relaxar”. Essa é a ultima coisa que posso fazer quando as duas se reuniam! E deus, não quero nem imaginar quando Hana conhece-las. Estarei completamente ferrada!
— Nyahh, Yukari-chan! Você está linda! — Disse Arisu quando me viu saindo de seu quarto.
Toda aquela mentira tinha sido armada para sair em uma ‘noite das meninas’, e, conhecendo bem a Arisu, seria em um bar. Infelizmente, elas escolheram o Paradise Bar que só ao ver o nome me assustava.
Paradise Bar é bem visitado por nossos conhecidos. E não por apenas nossos amigos, mas sim, por nossos senseis. Se eu encontrasse Lee? Oh Deus, isso foi a única sorte que batia comigo nesse dia. Lee raramente ia a um bar. Ele ficava louco quando estava bêbado.
— Sem querer ofender suas roupas, Arisu-chan, mas estou parecendo uma puta! — Exclamei nervosa e agoniada. Sentia-me nua!
Arisu assim como Shizuka, é uma mulher sedutora e seu guarda roupa não combinava com meu estilo. Ela me dera um vestido curto e vermelho que ficava colado ao meu corpo, tinha um decote em formato de coração que para mim, dizia “olhem meus peitos”. Por sorte, ele era de mangas longas e soltas. A única parte do vestido que é comportado se comparado aos outros. Pergunto-me como o Ibiki não reclamava de sua filha vestida assim. Ou sequer ele soubesse disso.
— Pode ficar nua se quiser. — Shizuka começou. — Mas no bar, por favor. E não na frente de quem estiver comigo. Sou eu que chamo as atenções.
A noite foi assim. Perturbadora, porém normal ou “normal” para elas. Tivemos que deixar Arisu em casa que como sempre estava bêbada demais e pronta para mais garrafas de sakê. Não era copos ou “uma dose”. Garrafas. Arisu tinha uma resistência gigante quando envolvia bebidas no jogo e isso me aliviava de certa forma. Assim, não corria risco de algum cara se aproveitar da bebedeira e violar seu corpo. Só de pensar naquilo, me aperreava!
Durante todo o caminho da volta, Shizuka começava a vangloriar de todos os caras que olharam para ela e de como o cara que ela escolheu era perfeito. Ruivo de olhos vermelhos, peitoral definido que dava para perceber pela camisa aberta, dançava com ela de maneira provocante.
Tudo bem que Shizuka é sua amiga, mas começava a se questionar as amizades que estava tendo. O ruivo tinha dançado colado a sua amiga de cabelo prateado. Lembrava bem como a mão dele apertava sua cintura e a puxava para que bunda dela esbarrasse em sua calça apertada.
Agora estava ali. Tentando segurar Shizuka ainda bêbada perto da casa dela. Onde estava o irmão dela para ajudar?!
— Mas você não se deu bem porque não quis, Yukari-chan! — Disse a mulher de olhos felinos. — Eu até coloquei uma bala em sua bebida para te deixar... Menos chata.
Por um momento, deixei Shizuka escapar de minhas mãos surpresa e ela teria caído no chão ou batido com o rosto na porta se Shin, a versão masculina de Shizuka, não tivesse aberto a porta e ela caído em seus braços.
— Uma bala?! — Meus olhos se arregalaram. Eu estava drogada?!
— Olá, Yuka... Shizuka, você está bêbada?
Respirei profundamente. Eu já tinha acostumado com o fato de começar a beber e nem bebia o suficiente para perder a consciência e agora tinha sido drogada?! Tudo bem que Shizuka é uma pessoa perigosa, mas ferrar com uma amiga já era demais!
— Não só bêbada, como colocou uma bala em minha bebida! — Gritei meio tonta. Por isso que estava ‘solta’ demais naquele bar! Oh Deus!
Shin suspirou pesadamente. E pediu para que eu esperasse um momento enquanto ele deixava a irmã no quarto dela. Logo sentei, uma vez que nem estava cansada demais para contrariar a gentileza dele.
Em alguns minutos vi com meus olhos semi-serrados quando ele voltou calmamente com uma seringa. Lembrava bem que ele sabia de tudo quanto era toxina e o pouco que escutei antes de apagar no sofá, era que na seringa continha algo que iria limpar o meu sistema da droga, mas tinha alguns efeitos colaterais.
Nem sei quais eram, pois aí em diante só vi sua boca mexer de maneira sensual em um sorriso calmo falando alguma coisa. Por um momento, pensei até como deveria ser o sabor de seus lábios e se era tão bom quanto olhar para ele.
Mas esperai... Eu pensei nisso????
Itai. Itai. Itaii! Como minha cabeça explodia! Tentei sentar rápido na cama como fazia todas as manhãs e hesitei caindo de volta derrotada pela dor. É claro que já tinha ficado bêbada antes – fato curioso de si –, mas dessa vez tinha muitas outras coisas em meu sangue. Então, por que só a minha cabeça estava sendo afetada?
Peguei o cobertor da cama e me cobri até a cabeça tentando me aconchegar no colchão macio e espaçoso... ONDE EU ESTAVA?!
— AAA! — gritei quando alguém bateu na porta.
Por impulso olhei se estava de roupa e dei graças a Deus que sim. Suspirei aliviada enquanto Shin entrava no quarto.
— Bom dia! — Sorriu e acabou rindo quando viu que eu tinha corado violentamente ao ver que ele estava sem camisa. Não sabia que ele tinha um corpo tão bem feito... Oh céus, eu tenho que sair daqui! — Desculpe. Acabei dormindo na sala e como lá não é muito arejado, tirei a camisa.
— B-bom d-dia. — Tentei disfarçar. O que estava bem difícil a meu ver. Shin estava de cabelo solto que mesmo curto ainda tocava de maneira magistral seus ombros, ele também possuía o olhar felino de sua irmã com aqueles olhos dourados e aquele sorriso que era um misto de perigo e de inocência que atraia uma mulher ao bote.
Eu preciso sair daqui!!
— Beba esse chá. Vai melhorar a sua dor de cabeça. — Disse ele sentando perto de mim e logo senti seu cheiro. “AAH não! Nem vem! Não chegue perto!”, pensei atordoada.
Tomei o chá o mais rápido que a dor permitia e com a ajuda dele me levantei. Ele desceu a escada na minha frente e no estranho momento que se passou peguei-me no flagra reparando em como a bunda de Shin movia-se enquanto ele descia os degraus.
— C-como está a Shizuka? — Disse, mas tenho quase certeza que devo ter falado alto demais. Ele parou de andar e quase bruscamente esbarrei no peitoral nu dele, o que por minha sorte não ocorreu; mas para o meu azar, cai no degrau anterior.
Ótimo! Mais uma dor!
— Você está bem? — Perguntou ele estendendo a mão como um perfeito cavaleiro seminu.
— Não me toca! — Gritei. — Posso me levantar sozinha! — Disse de maneira estranha e praguejei quando isso fez minha cabeça latejar. — Desculpe.
— Não tem problema. — Ele sorriu mais uma vez e poderia parar de fazer isso, por favor.
Pelo meu bem, até a porta fiquei calada. Shin quebrou o silencio na porta dizendo que Shizuka estava dormindo feito um anjo e pediu mais uma vez desculpas pelo pequeno ‘batizado’ que ela tinha feito em minha bebida noite passada. Ele também me perguntou se queria que me acompanhasse até em casa, mas lembrei de que tinha que treinar com Itachi.
MEU DEUS! ITACHI!
Tinha me esquecido completamente! Itai! Minha cabeça doía. Praguejei nervosamente. Já estava atrasada! Corri e xinguei minhas próprias pernas até que a dor amenizasse quando cheguei no dojo do clã Uchiha.
Estava ficando nervosa e tentava ser o mais discreta possível, mesmo que fosse difícil eu não reparar o quanto os Uchihas ali eram lindos. Mas hein? Por que estou pensando nisso? Suspirei e meu corpo reclamou. Voltei a andar por entre as sombras para que ninguém visse a roupa da Arisu ainda colada no meu corpo. Como eu iria explicar isso?!
— Yukari-chan? Você está bem? — Disse Itachi aparecendo na porta do dojo.
E mais uma vez gritei surpresa e acho que fiquei vermelha! Isso só poderia ser tortura! Não sabia bem o porquê de está pensando feito uma pervertida, mas por que Itachi estava treinando sem camisa?! Ele sabia que eu estava vindo aqui, então, POR QUE... ELE... ESTÁ... SEM... CAMISA?!
— E-eu estou bem! — Tentei disfarçar. — Só com um pouco de dor de cabeça, mas bem.
— Quer deixar o treino para amanhã? Por mim, não tem problema. — Disse estranhando minha vestimenta da cabeça aos pés e seu olhar por um momento me fez esquecer tudo que passava ao meu redor. Eu queria aquele olhar para mim.
Bati minha cabeça para tirar aquele pensamento. Itai! Isso doeu.
— N-não. Podemos treinar. — Falei entrando rapidamente no dojo para não olhar o quanto o suor que deslizava rapidamente no peito de Itachi me seduzia. E logo parei ali impregnada pelo cheiro que aquele ambiente possuía.
Tinha outros cheiros de algumas pessoas. Raiden era uma delas, mas com certeza o cheiro mais presente era o de Itachi. O suor misturado com o cheiro dos meus lírios preferidos. Pensei rapidamente em como seria essa mistura direto em seu pescoço e isso me excitava... NANIII?!
— AAA. — Gritei quando me vi cair no chão. Ele tinha me atacado – Iriamos treinar defesa hoje – e eu estava tão distraída que nem percebi quando sua pele tocava a minha e me fazia cair no chão. Droga, perdi isso!... Quer dizer... Droga! Devia ter desviado como no último treino. Deslizes assim iriam me afetar em uma luta.
— Tudo bem, Yukari-chan? — Disse ele enquanto seu cabelo caia de maneira sedutora sobre mim. Por instinto tentei me aproximar para sentir seu cheiro mais de perto, mesmo que suas mãos prendiam as minhas, por um momento, nem percebi isso.
— S-sim. — Falei quase gemendo. Ele Corou.
Itachi se levantou e tive uma bela visão que se seguiu. Cada centímetro era captado por meus olhos. Até o espaço entre suas pernas que era protegido por uma calça estava sendo tentador olhar. AAAAA. Livrei-me olhando para o chão para tentar esquecer aquilo.
O que estava acontecendo? Só podia ter sido a bala! Ou o que diabos Shin tinha me dado. Tinha que ser! Eu nunca tinha pensado dessa maneira. Tudo bem que Itachi era o centro das atenções das mulheres de Konoha e afinal, tinha motivo por que ele é lindo e...
Calma, Yukari. Calma!
— Acho melhor você ir descansar, Yukari-chan. Você não parece bem. — Ele me observava e devo confessar que não me importava se ele quisesse ficar assim sempre.
— É-é acho melhor.
Então, como se fosse em câmera lenta, Itachi estendeu uma mão para mim e eu aceitei mesmo estando um pouco constrangida. Em um rápido tempo, ele me puxou para ficar de pé e distraída, eu quase cai em cima dele. Ainda bem que consegui ficar de pé apoiando minhas mãos em seu peitoral.
Isso me paralisou.
Minhas mãos desceram traçando cada linha do seu peito e quando quase cheguei perto do quadril, algo me fez parar.
— O que você está fazendo? — A voz dele. Ele disse em um sorriso que eu não sabia se ele estava gostando ou rindo do jeito em que me encontrava.
— NADA! — Gritei. — Nada. — Disfarcei a voz de maneira mais calma possível. Não sei se consegui. Acho que não. — Hm, bem... — Passei minha mão por meu cabelo e pensei em alguma desculpa. Nenhuma parecia boa o suficiente. — Então, vou indo. Depois treinamos.
Ele sorriu como um anjo – suado e quase me convidando ao toque de seu corpo mais uma vez – e me desejou um bom descanso comentando finalmente a estranha roupa que eu vestia. Rapidamente disse que a roupa é da Arisu e acelerando para sair dali, disse para ele:
— Tchau!
E sai correndo de salto alto do dojo. Sim, eu estava de salto. Sim, meus pés doíam. Oh Deus, Shizuka ia me pagar por isso. Espero que esse ‘efeito tarada’ passe logo!
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