Tentação
4 - Capítulo 4
Meus olhos pareciam tão pesados. Me levantei e fui ao banheiro fazer minhas necessidades. Meu cabelo parecia um ninho de pássaro e parecia que eu tinha levado uma porrada, meus olhos estavam pretos da maquiagem de ontem. Era sábado, não tinha aula. Me arrumei e desci.
Mamãe estava na cozinha preparando ovos e bacons. Kane estava no quintal de trás lavando o carro. Eram exatamente dez da manhã e com o calor que estava, mamãe podia fritar os ovos no chão do quintal.
– Até que enfim acordou, — Mamãe começou. – te chamei mais cedo e você nem atendeu, não entrei porque a porta estava trancada e vamos conversar sobre isso, quero ela aberta.
– Fala sério. – Falei com a voz mais preguiçosa do mundo.
– Recebi uma ligação hoje. – Falou pondo os pratos na mesa. – Era uma proposta. – Pegou a frigideira e serviu o café da manhã.
– Que proposta? – Perguntei abrindo a geladeira.
– Ser secretária em uma empresa nova.
– Hm.. e você aceitou? – Peguei um copo de suco e me sentei.
– Ainda não.
– Qualquer lugar paga mais que aquele hotel lixoso que você trabalha, mãe. Porque não aceitar essa oferta?
– É cansativo, esse trabalho. – Parou e pensou. – Mas o dinheiro é muito bom.
– Sim, vale a pena. – Falei de boca cheia.
– Mas o problema é que vou ter que viajar muito, e não quero deixar vocês dois sozinhos.
– Sem problemas, a gente sabe se virar. – Kane gritou do lado de fora.
– Incrível, — mamãe abaixou os óculos. – quando disse pra você pegar seus sapatos na sala você não escutou. – Kane riu.
– Ué, ele tá certo.
– Hm.. – Fez cara de desconfiada. – Vou pensar mais um pouco.
Fazia um calor tremendo, fui ajudar Kane a lavar o carro e acabou que me molhei toda. Ele lavava o carro toda semana, e em troca ganhava uma gorjetinha.
Mais tarde recebi uma ligação do Rock’s, era a antipática avisando que teria que ir trabalhar mais cedo.
Me arrumei e fui pro primeiro dia de trabalho. A mulher antipática estava encostada no balcão mascando chiclete, observando o movimento da lanchonete. Quando me avistou, se abaixou e puxou um avental preto com o logo do estabelecimento e jogou nos meus braços.
– Coloque isso. – Então pegou uma caderneta e uma caneta vermelha. – Como pode ver, está lotado hoje, marque os pedidos e entregue na cozinha.
– Ok.
Atendi algumas mesas e fui pra cozinha deixar os pedidos, enquanto preparavam a remeça anterior eu atendia mais mesas. Aquelas pessoas eram exageradas. Eu estava exausta, meus braços estavam doendo, uma outra garota me ajudava, mas ela era pior que a Sra. Antipática do balcão, andava como uma tartaruga. Enquanto eu atendia 5 mesas ela ainda estava na segunda.
Eram onze horas e meia da noite, a lanchonete já tinha fechado as portas mas o bar continuava aberto, aqueles velhotes barbudos me davam medo, precisava pegar um taxi porque andar naquelas ruas a essas horas da noite é pedir pra ser roubada. Mas nenhum maldito taxi aparecia, e alguns velhos me encaravam de dentro do bar. Decidi ir pra casa andando. Meu celular estava sem bateria e não tinha nenhum telefone público por perto.
Tudo estava calmo, nem os cachorros latiam, eu só conseguia escutar meus próprios passos. De repente senti uma sensação estranha, parecia que estava sendo seguida. “Droga” pensei, olhei pra trás e não havia ninguém. Mas ainda sim a sensação de estar sendo seguida continuou, até eu chegar em um beco sem saída. Minha casa estava a dois quarteirões então pensei em sair correndo.
Quando me preparei pra começar a correr ouvi um barulho, que veio de trás de um latão de lixo lá no fim da rua sem saída, aquela sensação tinha sumido, mais ainda sim estava morrendo de medo, não pensei duas vezes e comecei a correr o mais rápido possível. Chegando em casa abri a bolsa e procurei as chaves, quando encaixei-as na fechadura e empurrei, um estranho passou correndo pela calçada, com um moletom preto e estava olhando pra mim. Me assustei, entrei em casa e tranquei a porta.
Não era só uma impressão, eu realmente estava sendo seguida, talvez ele estava afim de me roubar, ou até mesmo... tentar algo extremamente horrível, como me matar... ok, estou exagerando, mas nunca se sabe.
Mamãe e Kanne já estavam dormindo, vesti uma roupa leve e fui me deitar. Estava exausta e ainda assustada.
No dia seguinte, acordei com batidas irritantes na porta, era mamãe.
– Vai se atrasar pra escola. – Ela gritou.
Levantei e me arrumei, peguei minha bolsa e desci. Mamãe estava arrumada.
– Vou visitar a empresa que te falei. – Ela disse.
– Isso é ótimo. – Falei exausta.
– Se eu gostar do ambiente, talvez aceite o emprego.
– Isso é ótimo. – Bocejei. – Vou nessa.
Saí de casa ainda pensando na noite anterior. Meu celular vibrou.
O dia está magnifico hoje, não? – Era uma mensagem do Louis.
O que você vai aprontar? -.-‘ – Respondi. Ele é tão previsível.
Dois minutos depois ele respondeu:
Quero te levar ao seu lugar favorito.
Matar aula é seu hobbie, né?!! – Eu Já sabia a resposta.
Atravessando a rua fui surpreendida por uma buzina barulhenta vindo de uma caminhonete que não era lavada a “anos”, e aposto que foi roubada. Era o Louis.
– Seu pai ainda não te deu uma surra por pegar o carro dele sem ele saber, mais de uma vez?! – Falei entrando na lata velha.
– Sua mãe sabe que você é uma péssima aluna? – Sorriu.
– E os meninos?
– Eddie está depressivo, sabia? – sorriu – Uma garota feriu seu coraçãozinho.
– Tadinho.
– E Ramon está se matando nos estudos.
– Imaginei. – Acelerou a caminhonete e fomos ao nosso destino.
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