Tentação
14 - Capítulo 14
Jess havia me deixado em casa exatamente as onze da noite, antes disso passamos no Rock’s para comprar algo pra comer e receber alguns olhares estranhos, como o da Abgail por exemplo.
O carro parou na frente de casa, as luzes da cozinha estavam acesas, isso significava que Lucia ainda estava em casa. Jess desligou o motor do carro e continuou com sua postura máscula e sexy me encarando, seu olhar transparecia desejo e maldade, seu sorriso era malandro.
– Sua cama deve ser confortável. – Sua voz era de um grave que me deixava com arrepios.
– Ela é. – Sorri, corada. – Mas você não vai experimentá-la.
– Mas você pode experimentar a minha. – Ele se aproximou e beijou meus lábios. – Quando quiser. – Se eu fosse uma safada tipo a Haily, já estaria experimentando o banco de trás do carro com ele, mas eu era direita, não muito, mas tinha juízo o suficiente para não fazer essa loucura.
– Preciso ir. – Minha voz saiu baixa, seus lábios ainda tocavam os meus e sentia sua respiração em meu rosto. – Lucia deve estar querendo me matar.
– Tudo bem. – Murmurou, pressionando nossas bocas em um beijo e puxando levemente meu lábio inferior.
Lucia estava sentada no sofá assistindo um programa de culinária, sua concentração era grande. O gato estava dormindo em seus pés. Quando fechei a porta Lucia olhou-me de um modo curioso.
– Olá menina. – Disse.
– Imaginei que estaria aqui ainda.
– Sim. – Ela se agachou e pegou a bola de pelo preta que roncava. – Já que chegou, vou para minha casa, qualquer coisa avise.
Minha cama me chamava, eu estava um pouco cansada mas adorara o encontro com Jess, meus olhos se prenderam na cama imaginando Jess ali deitado, talvez sem camisa.
Me joguei no colchão macio e nem passou pela minha cabeça tirar minha roupa ou meus sapatos, apenas caí e meus olhos se fecharam automaticamente.
***
“Domingo, tédio, lição de casa”, lá estava eu jogada no sofá da sala pensando no dia, estava calor, Lucia estava na cozinha arrumando os potes que ela havia trazido de sua casa. Subi para o meu quarto e antes de criar coragem pra fazer a lição que Novah tinha dado para a próxima aula, me deitei na cama por uns dez minutos.
Quando acabei a pesquisa, fui tomar banho, o calor me deixava exausta sem fazer nada, eu odiava isso. Em meu celular haviam duas chamadas perdidas do Louis, então decidi retornar.
– O que foi? – Perguntei logo depois do seu “Alô”.
– Piscina? – Ele perguntou.
– O que? – Eu não tinha capitado.
– Festa na piscina, casa do Gordon. – Sua voz estava alegre.
– Gordon, o nerd? – Gordon era estranho demais, a última coisa que eu imaginaria era uma festa dele.
– Ele é o único que porta uma piscina na casa, tirando a Haily.
– Eu topo.
O carro do Louis parou na frente da casa do Gordon, era uma casa mediana em tamanho, o gramado estava um tanto mal cuidado e as cercas estavam tombadas para trás, era possível enxergar alguns copos coloridos nos fundos da casa. Edie não havia topado o convite e Ramon estava ocupado demais com seus estudos.
– Vamos lá. – Louis falou abrindo a porta do carro.
– Ei. – Disse. – Minha porta não quer abrir. – Resmunguei forçando meus braços contra a porta para que ela se movesse, mas foi em vão.
– Sai por aqui. – Ele puxou a porta do lado do motorista. – Ás vezes meu bebê emperra. – Ele sorriu.
– Que droga. – Ergui meus joelhos e apoiei-os no banco andando de quatro até chegar na saída, segurei no teto do carro e pulei para fora.
– Prefere um Porsche? – Seu olhar era divertido e ao mesmo tempo insatisfeito. Eu apenas ignorei o que ele tinha dito e continuei o caminho para os fundos da casa.
A piscina estava cheia de estudantes, no canto um grupo de meninos gritavam algo pro Gordon, ele estava com uma garrafa de vodca para cima e da garrafa um líquido transparente era despejado em sua boca, tadinho... Mais tarde ele sentiria o resultado disso tudo.
Haily não tinha dado as caras, isso já deixava a festa divertida, “Sem ela = sem estresse”. Louis cumprimentava alguns colegas dele enquanto eu pensava seriamente em tirar minhas roupas, eu não era gorda, nada disso, eu era até bonitinha mas não era com isso que me importava. Eu não me sentia à vontade em ficar seminua no meio da galera da escola. Tirei minha camiseta e minha parte de cima do biquíni ficou a mostra, ele era da cor azul marinho.
– Tome. – Louis aproximou um copo de cerveja.
– Valeu. – Falei dando um gole e fazendo careta.
– Normalmente a parte de baixo também fica a mostra. – Louis apontou para o meu short olhando por cima do copo que estava em sua boca.
– No meu caso, não. – Sorri sem humor.
– Tudo bem. – Louis tirou o copo da minha mão, me pegou no colo e ameaçou a me jogar na piscina.
– Tá maluco? – Eu gritei batendo nas suas costas tentando me soltar.
– JOGA. – Um menino gritou do outro lado a piscina, a atenção de todo mundo se focou em mim e quando menos esperei Louis me soltou na água.
Esse dia teria sido melhor se o Louis não tivesse ficado bêbado, e pra piorar o carro dele não queria sair do lugar, ele não sabia se chorava ou se ria, tudo acontecia ao mesmo tempo pra ele, estava pirado. Como nenhum infeliz havia sobrado para nos levar pra casa, Louis e eu teríamos de ir andando. Fechei o carro e pus as chaves no bolso do meu short, Louis estava com a camisa amarrada na cabeça e com sua bermuda encharcada, seu braço estava escorado em meus ombros.
– Vão roubar meu carro. – Ele falava como um bebê chorão. – Qual é o seu problema, você me dá azar, você dá azar ao meu bebê.
– Se você não calar essa sua boca eu vou deixar você aqui nessa porcaria de calçada. – Falei impaciente. Pouco tempo depois o som de um motor conhecido se aproximou, era o Porsche do Jess.
– O que está havendo aí? – Jess falou curvando-se para nos ver melhor.
– Esse idiota bebeu demais. – Eu estava totalmente envergonhada.
– Entrem. – Jess ordenou.
Joguei o Louis no banco de trás e abri a porta da frente me sentando ao lado de Jess.
– Aonde você estava? – Jess perguntou com sua atenção para as ruas.
– Festa na piscina. – Respondi. Jess usava uma camisa branca e jeans escuros, seus cabelos estavam meio bagunçados.
– Seu amigo está molhando meu banco. – Ele olhou pelo retrovisor de dentro. – Isso será cobrado de você.
– Ótimo.
Jess deixou Louis em casa, eu tive que leva-lo pra dentro com a ajuda da sua mãe, ela estava furiosa. Além de Gordon, Louis também sofreria as consequências no outro dia, só que as dele seriam mais dolorosas. Depois de ajudar a mãe de Louis eu voltei pro carro.
– Ela ficou furiosa. – Falei me referindo a mãe de Louis. – Amanhã ele não estará vivo para contar história.
– Só eu estou gostando disso. – Jess sorriu dando partida e arrancando o carro.
No meio do caminho paramos em um semáforo, a cor estava amarela, Jess não parecia ser desses que parava o carro no sinal amarelo, mas ele parou. Seu olhar estava paralisado, segui seus olhos, na esquina dois meninos conversavam, um deles me chamou a atenção, ele usava um gorro preto e seus cabelos estavam jogados para frente e também usava uma camisa parecida com a de Kane, e então percebi que eu estava olhando pro meu irmão. Ele estava com uma coisa branca na boca, parecia um cigarro de longe.
– Jess. – Chamei. – É o meu irmão. – Ameacei abrir a porta, mas Jess me impediu.
– Deixe ele. – Jess estava estranho, seu olhar estava sério e ainda focado no mesmo lugar.
– Deixe ele? – Repeti com um pingo de indignação. – É meu irmão, aposto que aquilo é baseado. – Abri a porta e empurrei-a para sair, Jess veio logo atrás. – Kane? – Gritei indo em direção a ele. – O que é isso? – Falei puxando o objeto de sua boca. – Você está maluco? – Joguei aquilo longe. – Vamos embora agora.
– Qual é o seu problema? – Kane falou irritado. – Me deixe em paz.
– Não. – Gritei furiosa. – Essas suas companhias... – Falei olhando pro garoto que estava junto com ele. – Você o ajuda com isso? – Falei empurrando o garoto. Seu corpo não se mexeu, ele apenas me encarou e seus olhos me fuzilaram, senti um calafrio.
– Mag. – Jess me chamou e eu continuei ali de frente pro garoto, ele tinha uma feição diabólica. Os olhos dele se moveram para observar o Jess e em questão de segundos Jess me puxou pelo braço me fazendo cair. Meus cotovelos se chocaram com o chão duro e eu senti uma dor intensa, Kane estava do meu lado de olhos arregalados, quando pude me mexer para também poder olhar, vi Jess socando o queixo do menino que parecia ser um pouco mais novo. Jess o jogou no chão e tentou enforcar o garoto, mas ele desviou das mãos de Jess e conseguiu escapar, em seguida a mão do garoto voou e acertou Jess na barriga, o soco pareceu forte demais para um garoto da idade dele.
Jess perdeu o fôlego por alguns segundos, eu estava em choque, tentei me levantar para tentar acabar com aquilo, mas obviamente não daria certo, era mais fácil eu levar um soco também e morrer ali mesmo, mas mesmo assim eu me levantei.
– Parem. – Minha voz estava trêmula.
O garoto desviou sua atenção para mim e seus olhos colaram nos meus, eram tão escuros quanto a noite. Seus passos começaram a vir em minha direção, minha respiração ficou mais rápida, Kane levantou para impedir que o garoto tentasse me machucar.
– Qual é o seu problema, cara? – Kane parou o menino com as mãos, sem sucesso. O garoto o empurrou apenas com uma mão fazendo ele se chocar contra a porta de ferro de um bar velho que não abria a anos. O garoto me pegou pela gola da minha blusa.
– Então é você... – Então era eu. Talvez eu saberia o final da frase se Jess não tivesse puxado o menino por trás.
Jess o jogou novamente no chão, minha blusa quase rasgou com o puxão de Jess para soltar o menino de mim. Sem rodeios, Jess pegou um pau que estava jogado na guia da calçada e o enfincou no coração do garoto.
Seus olhos estavam negros, negros por inteiro, não havia a parte branca, eram totalmente pretos. Suas mãos estavam apoiadas no pedaço de pau que estava cravado no corpo do garoto, seu rosto se virou para mim, ele estava ofegante, ainda transparecia fúria mas ao mesmo tempo preocupação. Eu estava totalmente paralisada, meu coração estava disparado, minha boca havia secado rapidamente, eu estava com muito medo, o que estava acontecendo com Jess, quem ele realmente era ou o que ele realmente era?
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