Aquela noite tinha sido aquém de tudo o que ela pudesse imaginar.

Nunca, em nenhum momento de sua vida lhe passara pela cabeça agir daquela maneira. Ela considerou um ato de desespero, ficou confusa e uma vontade de se entregar as lágrimas se apossou dela.

Mas tinha que ser firme e continuar sustentando aquele sorriso no rosto.

Simon parecia feliz, enquanto deslizava os dedos suavemente pelas pernas dela.

_Você tem as pernas mais lindas que eu já vi.

_Obrigada, Simon.

_Você é linda, tem noção disso ?

Ela sorriu timidamente.

_Você também é.

Ela ficou imaginando se no meio de todas aquelas mulheres que costumam cercar um hospital, haveria alguém que fosse encantada por ele.

_Já namorou uma enfermeira. Simon ?

_Não ! Por que ?

_Curiosidade.

Ele sorriu.

_Depois que sai da faculdade, tive poucas mulheres em minha vida.

_Hum … interessante.

_E você … já teve algum relacionamento com alguém do trabalho ?

_Não !

_Como alguém pode não tentar alguma coisa com você ? Não entendo …

_Você me perguntou sobre relacionamentos ou tentativas ?

_Ahaaa te peguei mocinha. Então eu tenho com o que me preocupar ?

_Acredite, não corre este risco.

_Fico aliviado. Quando você disse que será a festa de vocês ?

_A semana que vem … acha que conseguiria me acompanhar ?

_Vou tentar … tenho alguns arranjos a fazer. Estou fazendo algumas entrevistas, acho que estou perto de conseguir uma auxiliar.

_Fico feliz que tenha seguido meu conselho.

_Não sei se vou conseguir aceitar isso com facilidade. Sou muito metódico e chato !

Ela sorriu mais uma vez.

_Não parece !

_Mas sou ! Excesso de responsabilidade.

Ele não era diferente dela, sabia do que ele estava falando.

_Você se importa de irmos, querida ?

_Não .. sei que você viaja bem cedo … amanhã !

Ele olhou para o relógio.

_Hoje … você quer dizer !

….......

Em seu apartamento, ela saía do chuveiro, tentando entender o que tinha lhe acontecido. Um conflito interior, muitas dúvidas e um desespero prestes a se transformar em arrependimento.

Se culpava por usar um artifício tão baixo. Sua consciência martelava em sua cabeça e a madrugada foi uma vilã implacável que a fez se sentar no banco dos réus e ser condenada por unanimidade.

Sentiu pena de Simon e raiva de si mesma por não conseguir esquecer Grissom. Aquele homem estava lhe tirando a razão, roubava suas emoções e não lhe permitia ser feliz !

Sua mente girava feito um carrossel Suas tentativas estavam sendo em vão, ela não conseguia tirar aquele homem do seu coração. Como amar tanto um homem que nem se importava com ela ?

Tomou dois analgésicos e se sentou na cama, por cima das cobertas.

Segundos depois, deitada de bruços, ela chorava como uma mulher adulta jamais deveria chorar, tinha que tomar uma decisão.

Talvez pudesse pensar na possibilidade de ir embora.

Talvez pudesse viver em paz não o vendo todos os dias, não sentindo seu cheiro.

Mas e o seu trabalho que tanto amava ?

Se bem que por algumas vezes teve vontade de sumir.

Casos com crianças, mães ausentes e pais abusivos. Tudo isso lhe tirava a serenidade.

Era frustrante !

Depois de muito tempo ela conseguiu adormecer.