Tentativas !
28 Cama fria
Enquanto isso …
Sofia havia insistido para irem embora, depois quase implorou para que ele subisse.
Apenas um café, ela dissera.
_Não Sofia, melhor não !
_O que foi, Grissom ? O que aconteceu, fiz alguma coisa errada ?
_Não ... de forma alguma, não é você ! Sou eu !
Ela deu de ombros.
_Todos dizem isso.
Ele não sabia que "todos" diziam isso, não estava interessado em saber. Pelo menos ele, estava dizendo a verdade.
_Não entendo ... tive a impressão que queria também.
_Não me lembro de ter te dado essa impressão ! Sinto muito, Sofia.
_Você tem outra pessoa ... vocês brigaram e ... agora não precisa mais me usar.
_Não ! Jamais diga isso ... como pode dizer que eu te usei ? Nunca tivemos nada !
Ela simplesmente abaixou a cabeça e uma lágrima passeou pelo seu rosto, o deixando amargurado. Não poderia corrigir um erro cometendo outro.
_Me diga a verdade, Grissom, e corra o risco de eu entender.
_Não posso, eu simplesmente não consigo !
_Ficar comigo ou dizer a verdade ?
_Os dois.
_Então você tem outra pessoa, mesmo ?
_Não é bem assim !
_Então … acho que entendi … você não gosta de .. mulher, é isso ?
Ela se arrependeu imediatamente quando notou a expressão horrorizada dele. Estava chateada, frustrada e no fundo, queria magoá – lo.
Muito sério ele se virou para ela.
_Só posso dizer que sinto muito, você foi infeliz em seu comentário ridículo. Não preciso provar nada, pense o que quiser ! Por mim, pouco me importa.
_Me desculpe, Grissom … eu não quis dizer isso !
Ele não respondeu, deu a volta e abriu a porta para ela.
_Tenha uma boa noite !
Ela saiu e antes de entrar murmurou.
_Poque não resolve seu problema, seja “ela” quem for.
_Será que devo "ouvir" seus conselhos ? Suas opiniões não costumam ter nenhum bom senso !
Naquele momento ela percebeu que o tinha ofendido de verdade ! Havia perdido o respeito dele.
Ele entrou novamente no carro e partiu.
Seus pensamentos não o deixavam em paz e sua cabeça latejava.
Talvez as coisas fossem diferentes se tivesse tido coragem. Pela milésima vez quis estar em outro lugar.
Mas agora estava ali, o coração machucado, a cabeça girando em mil pensamentos.
Cath havia lhe dito … mas não podia ser … ela estava delirando, e eram apenas suposições.
Não era um amor comum, era muito além do que pudesse imaginar.
Ele tinha seu castigo, agora ela tinha alguém, por culpa única e exclusiva dele.
Ás vezes, a dor rasgava seu peito e ele queria gritar para que ela cuidasse dele, que ela o embalasse em seu colo e lhe desse o amor de volta.
Tolo !
Não queria vê – la nos braços de outro alguém que não fosse ele.
Estúpido !
Assim que chegou em casa, tirou o paletó e jogou sobre o sofá, deixou os sapatos na sala, despiu o resto de suas roupas e se enfiou debaixo das cobertas.
Uma cama fria, vazia, e ela lá se aquecendo nos braços de alguém que não sabia amá- la, não como ele. Ninguém a amaria como ele. Ninguém a queria tanto quanto ele. Ninguém a tocaria como ele.
Se ela lhe desse mais uma chance, se ela pelo menos, estivesse sozinha, quem sabe, pudesse se aproximar e corrigir o maior erro da sua vida.
Ele se virou dezenas de vezes, o travesseiro incomodava, depois ficou quente demais, momentos depois frio demais. E ele queria chorar. Gritar. Estava ficando louco, caindo num abismo sem fim, a ausência dela estava o matando aos poucos, e tudo porque ele dissera não !
Não ! Não !
Ah .. Sara se você pudesse me ouvir, ah … se você pudesse …
E se Cath tivesse razão ? Mas e se não tivesse ?
De repente tomou uma decisão ! E que se danasse todo o resto.
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