Enquanto isso …

Sofia havia insistido para irem embora, depois quase implorou para que ele subisse.

Apenas um café, ela dissera.

_Não Sofia, melhor não !

_O que foi, Grissom ? O que aconteceu, fiz alguma coisa errada ?

_Não ... de forma alguma, não é você ! Sou eu !

Ela deu de ombros.

_Todos dizem isso.

Ele não sabia que "todos" diziam isso, não estava interessado em saber. Pelo menos ele, estava dizendo a verdade.

_Não entendo ... tive a impressão que queria também.

_Não me lembro de ter te dado essa impressão ! Sinto muito, Sofia.

_Você tem outra pessoa ... vocês brigaram e ... agora não precisa mais me usar.

_Não ! Jamais diga isso ... como pode dizer que eu te usei ? Nunca tivemos nada !

Ela simplesmente abaixou a cabeça e uma lágrima passeou pelo seu rosto, o deixando amargurado. Não poderia corrigir um erro cometendo outro.

_Me diga a verdade, Grissom, e corra o risco de eu entender.

_Não posso, eu simplesmente não consigo !

_Ficar comigo ou dizer a verdade ?

_Os dois.

_Então você tem outra pessoa, mesmo ?

_Não é bem assim !

_Então … acho que entendi … você não gosta de .. mulher, é isso ?

Ela se arrependeu imediatamente quando notou a expressão horrorizada dele. Estava chateada, frustrada e no fundo, queria magoá – lo.

Muito sério ele se virou para ela.

_Só posso dizer que sinto muito, você foi infeliz em seu comentário ridículo. Não preciso provar nada, pense o que quiser ! Por mim, pouco me importa.

_Me desculpe, Grissom … eu não quis dizer isso !

Ele não respondeu, deu a volta e abriu a porta para ela.

_Tenha uma boa noite !

Ela saiu e antes de entrar murmurou.

_Poque não resolve seu problema, seja “ela” quem for.

_Será que devo "ouvir" seus conselhos ? Suas opiniões não costumam ter nenhum bom senso !

Naquele momento ela percebeu que o tinha ofendido de verdade ! Havia perdido o respeito dele.

Ele entrou novamente no carro e partiu.

Seus pensamentos não o deixavam em paz e sua cabeça latejava.

Talvez as coisas fossem diferentes se tivesse tido coragem. Pela milésima vez quis estar em outro lugar.

Mas agora estava ali, o coração machucado, a cabeça girando em mil pensamentos.

Cath havia lhe dito … mas não podia ser … ela estava delirando, e eram apenas suposições.

Não era um amor comum, era muito além do que pudesse imaginar.

Ele tinha seu castigo, agora ela tinha alguém, por culpa única e exclusiva dele.

Ás vezes, a dor rasgava seu peito e ele queria gritar para que ela cuidasse dele, que ela o embalasse em seu colo e lhe desse o amor de volta.

Tolo !

Não queria vê – la nos braços de outro alguém que não fosse ele.

Estúpido !

Assim que chegou em casa, tirou o paletó e jogou sobre o sofá, deixou os sapatos na sala, despiu o resto de suas roupas e se enfiou debaixo das cobertas.

Uma cama fria, vazia, e ela lá se aquecendo nos braços de alguém que não sabia amá- la, não como ele. Ninguém a amaria como ele. Ninguém a queria tanto quanto ele. Ninguém a tocaria como ele.

Se ela lhe desse mais uma chance, se ela pelo menos, estivesse sozinha, quem sabe, pudesse se aproximar e corrigir o maior erro da sua vida.

Ele se virou dezenas de vezes, o travesseiro incomodava, depois ficou quente demais, momentos depois frio demais. E ele queria chorar. Gritar. Estava ficando louco, caindo num abismo sem fim, a ausência dela estava o matando aos poucos, e tudo porque ele dissera não !

Não ! Não !

Ah .. Sara se você pudesse me ouvir, ah … se você pudesse …

E se Cath tivesse razão ? Mas e se não tivesse ?

De repente tomou uma decisão ! E que se danasse todo o resto.