Em uma suave manhã de outono em Bogotá, chega à Ecomoda, uma das maiores empresas do ramo da moda da Colômbia, uma linda e elegante jovem. Fora chamada a fazer testes e entrevistas para o cargo de Gerente Geral Administrativo.

Uma semana depois, ela volta para a entrevista final e é atendida pessoalmente pelo Presidente, Dr. Roberto Mendoza. Ele está muito impressionado, não só com o resultado dos testes, mas, principalmente, com a invejável formação acadêmica dela. Formada, aos vinte e um anos, em Administração de Empresas pela mais conceituada universidade da Colômbia e com especialização em Harvard! A famosa, caríssima e elitista Universidade de Harvard, onde ela conseguiu uma bolsa de estudos e concluiu, com mérito, o seu MBA (Master Business Administration).

Em princípio, Dr. Roberto Mendoza estranha, é claro, do fato dela estar se candidatando a um cargo considerado relativamente modesto para a sua brilhante formação acadêmica. Mas ela, muito segura de si, explica, entre outras coisas, que acaba de retornar dos Estados Unidos, onde viveu por três anos, e ainda está se readaptando ao próprio país, que ainda não tem tanta experiência assim na sua área e está muito satisfeita por trabalhar em uma empresa sólida como a Ecomoda, cuja trajetória no mercado ela conhece bastante bem.

Betty está na Ecomoda há três meses apenas, mas ninguém lá consegue esconder o espanto e a admiração pela capacidade e competência daquela Gerente Administrativa, tão brilhante e tão linda. O Presidente da Ecomoda, Dr. Roberto Mendoza, se mostra cada dia mais satisfeito com as idéias inovadoras e as técnicas revolucionárias de administração que ela propõe implantar na empresa.

Cinco meses se passaram e a empresa parece ir muito bem. Roberto Mendoza, já velho e cansado, decide que chegou a hora de alguém assumir a Presidência. O seu desejo sempre foi que o seu único filho, Armando Mendoza, assumisse os negócios da família. Mas Armando, formado em Economia, nunca se interessou muito pela empresa dos pais e há dois anos vive na Europa, onde fez pós-graduação, mas nunca se preocupou muito com o trabalho. Ganha algum dinheiro especulando no mercado de ações da Bolsa de Paris, o que lhe garante um bom padrão de vida sem precisar depender muito dos pais. Mas agora, o pai está exigindo que ele volte e assuma a Ecomoda, ou um patrimônio de mais de trinta anos irá por água abaixo. Armando resolve aceitar o desafio.

Um mês depois Armando retorna à Colômbia. Vai visitar a Ecomoda e é apresentado à nova gerente: Beatriz Pinzón Solano. De cara ele fica muito impressionado com a beleza exótica dela, a voz um tanto grave e aveludada, uns olhos escuros enormes, o sorriso perfeito...

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Duas semanas depois, toda a Diretoria da EM está reunida para eleger o novo Presidente. Após uma disputa acirrada, Armando é eleito e se torna o dirigente máximo daquela poderosa empresa. E convida para ser o Vice-Presidente Comercial o seu inseparável amigo desde a adolescência, cúmplice de todas as farras e tão ou mais mulherengo que ele, Mario Calderon ...

Pouco tempo depois Armando propõe a Betty ser a assistente direta da Presidência. Ela aceita, desde que com um salário maior. Armando concorda de imediato, pois pretende deixar todo o trabalho pesado para ela, é claro.

Desde logo Betty percebe que Armando dirige mal a empresa. Nota-se que ele até tem alguma capacidade, mas é ambicioso em excesso e quer sempre “encurtar” caminhos para chegar ao lucro fácil. Betty com toda a sua visão de brilhante administradora, alerta o jovem Presidente sobre a inviabilidade de atingir as metas por ele traçadas. Mas Armando, em princípio, não a leva muito a sério. Além do mais, ele parece mesmo interessado em aproveitar a vida com as inúmeras “modelitos” e tantas outras que praticamente se oferecem a ele de bandeja. Ninguém ignora a sua fama de mulherengo.

Um dia regressa da Europa Marcela Valência, considerada a “oficial” na vida de Armando. Quando ele lhe apresenta Betty, ela a mede de cima a baixo, já vendo nela uma rival em potencial e das mais perigosas...

Impossível não notar os olhares que Armando e Mário lançam sobre Betty. Juntos ou separados eles parece despi-la com os olhos. Ela se sente profundamente incomodada, mas jamais o demonstra e não se deixa intimidar. Ao contrário, ela os encara séria e desafiadora, sem nunca dar margem a qualquer avanço ou insinuação por parte de nenhum dos dois. Mas não seria difícil, para qualquer mulher, imaginar o tipo de comentários que eles deviam fazer sobre ela quando estavam a sós.

No trabalho ela é cada vez mais dedicada e eficiente. Pouco a pouco Betty vai assumindo praticamente todo o trabalho de Armando, que não se importa nem um pouco com isso, desde que ele continue sendo o Presidente e dando as ordens, já que ele gosta mesmo é de mandar.

Não demora muito e Marcela resolve ir “trabalhar” na Ecomoda, para vigiar Armando mais de perto. Ela tem certeza que Armando está muito interessado em Betty.

A vida de Betty se torna um inferno, mas ela não se deixa derrotar. Cada dia mais ela prova a todos que é indispensável naquela empresa. A cada tentativa de Marcela ou de qualquer um para derrubá-la, ela responde com uma nova e brilhante maneira de tornar a empresa ainda mais produtiva e rentável. Para Armando, isso é tudo o que ele sonhava, a empresa é um sucesso e seus pais pensam que o único responsável por isso é ele. Como conseqüência, ele passa a apoiar defender Betty contra tudo e contra todos, despertando ainda mais as desconfianças de Marcela e a inveja de muitos.