Tentação

40 - Capítulo 40


Philip me jogou no porta-malas do seu carro, fechando a porta em seguida resmungando algo que eu não consegui ouvir direito. Eu não gritei, não tentei atacar, pensei que seria ainda pior se tentasse algo desse tipo. Philip não era subestimado, qualquer cena que eu fizesse ele não pensaria em me matar ali mesmo.

O carro andou por vários quilômetros em uma velocidade média, a cada lombada meu corpo chacoalhava. A velocidade diminuiu um pouco e notei que ele estava estacionando o carro. Ouvi a porta do motorista abrir e bater em seguida. Eu estava soando, não consegui decifrar muito bem, estava em dúvida se estava soando de medo ou do calor que eu senti presa no porta-malas durante a viagem.

– Confortável, não? – Philip disse, erguendo a porta para me puxar para fora do veículo. Estávamos em um bairro, algo que eu não imaginava. Philip havia me levado para a casa dele. – Vamos entrar e esperar que o demônio apareça. – Com uma mão apertada em meu braço ele usou a outra para fechar o porta-malas e me puxou para a entrada da casa, bem cara por sinal. – Espero que ele esteja preparado psicologicamente, porque ver você morrer vai ser devastador. Não acha? – Ele me encarou.

– Vai pro inferno. – Retruquei.

– Eu já estive lá. – Ele sorriu malignamente para mim. – Acredite, eu não quero voltar tão cedo.

Philip me levou para dentro e me jogou contra a parede, me prendendo com seu corpo.

– Sabe, — Ele começou. – é uma pena ter que fazer isso. – Seu indicador contornou meus lábios. – Sinceramente, vai ser difícil cortar você aos poucos, eu gosto de fazer isso, é excitante. – Ele sorriu. – Mas com você talvez eu sinta pena. – Sentia a respiração dele, sua bochecha estava colada com a minha. – Estranho, muito estranho. – Seu maxilar se contraiu. – Bom, isso é muito bom. Se para mim vai ser desse jeito, imagine para o Jess.

– Você é tão nojento. – Eu não tinha xingamentos para usar, estava extremamente chocada. E a coisa piorou quando imaginei ver Jess assistindo tudo, ou até mesmo eu ver o Jess sendo torturado. Eu precisava agir, não podia deixar isso acontecer.

– Não é isso que as garotas dizem. – Seus dentes apareceram em um sorriso fatal. Philip me apertou mais, colando sua boca na minha, eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Me bati várias vezes tentando me soltar, mas não adiantava, ele era mais forte. Suas mãos estavam prendendo meus braços e suas pernas travando as minhas. Com uma mão ele conseguiu prender meus braços atrás do meu corpo e com a outra ele segurava meu rosto. Philip correu sua mão para o meu casaco o puxando para baixo e depois ele passou-as pelos meus seios. Minhas batidas cardíacas se aceleraram de desespero. – Jess não vai gostar disso. – Philip falou entre risos.

Eu não iria deixar que acontecesse o que estava por vir. Philip me apertava contra a parede, não tinha como eu escapar, qualquer golpe seria como nada para ele. Ele era tão forte que seria esforço em vão. Soltei meu corpo em uma hora de distração que ele teve olhando para meu decote e levei o seu corpo junto com o meu ao chão. Suas pernas e mãos se soltaram de mim me fazendo ficar livre por no máximo três segundos, tudo parecia estar em câmera lenta. Em três segundos eu pensei em várias formas de escapar ou acertá-lo com algo, mas não havia nada por perto e o pouco tempo livre que tive não foi o suficiente para correr do ser maligno.

Em um movimento mais brusco, Philip me agarrou pela cintura, me levantando com ele. Suas mãos me apertaram fortemente, isso era um aviso do quão furioso ele estava.

– Era pra ser uma boa menina. – Ele disse mostrando os dentes em um sorriso maligno e sem um pingo de emoção boa. – Talvez eu a mate antes do planejado. – Meus olhos encheram de água, eu queria gritar e chorar como uma criança no escuro. Philip tinha ganhado, eu estaria morta em poucas horas e Jess seria o próximo. Em meio aos meus pensamentos eu viajei em uma total nostalgia. Tudo estaria acabado, não tinha sido forte o suficiente.

Philip me puxou para trás, eu não conseguia detê-lo, seus braços estavam dobrados ao redor da minha cintura, meus pés se arrastavam no piso brilhante de madeira luxuosa, minhas unhas arranhavam as paredes como uma forma de tentar me parar e meus olhos encharcados observavam a porta se distanciar esperando que alguém abrisse ela e me tirasse dali, esperando que Jess passasse por ela e me tirasse dali... Um barulho ensurdecedor entrou em meus ouvidos e em seguida o corpo do Philip caiu em cima do meu. Me assustei imediatamente e ao mesmo tempo me senti aliviada, após me contorcer tentando tirar Philip de cima de mim, me levantei e vi Tomas segurando um taco de beisebol, suas mãos estavam tremendo, em seus pulsos fitas adesivas coladas e vestígios de que ela havia sido cortada. Os olhos de Tomas estavam arregalados, seus cabelos colados no rosto com o suor e sua camisa social branca rasgada e manchada de terra.

– Você está bem? – Tomas correu ao meu encontro. Eu me afastei, Tomas era o pai de Philip, por que ele havia feito aquilo?

– Não dê mais nenhum passo. – Ordenei.

– Eu estava preso no porão. – Ele disse, imaginando o porquê da minha atitude. – Philip me atacou quando cheguei do trabalho, eu estava lá embaixo há horas... – Ele abaixou o taco, soltando uma respiração forte. – Nesse tempo preso, ele me contou tudo e no final da história que ele contara, eu estaria morto... inclusive você. – Ele me encarou.

– Porque ele fez isso com você? – Eu questionei. – Você é pai dele, você é como ele. – Limpei minhas lágrimas.

– Philip não é meu filho. – Ele falou, algo que me deixou em choque. – Conheci a mãe dele quando ele ainda era um bebê, ela disse que ele estava amaldiçoado, que ele era uma criança do mal. – Ele sorriu ironicamente. – Então eu pensei, como uma mãe pode falar isso do próprio filho? – Ele olhou pro corpo de Philip. – Ela estava desesperada, queria jogá-lo em qualquer lugar, mas eu a impedi e cuidei dele. Quando recebi uma boa proposta de emprego, nos mudamos para essa cidade e tudo correu bem. Mas ele chegou a adolescência e ficou um tanto estranho, já não falava mais comigo como de costume. – Ele deu uma pausa. – E agora eu sei que aquela mulher estava certa, ele é fruto dela com um outro demônio. – Meu estomago se revirou.

– Ah meu Deus. – Eu só pude dizer isso. Se Philip não era filho do Tomas, quem poderia ser o Pai dele?

– Precisamos sair daqui, ele vai acordar. – Tomas disse apertando o taco.

– Tenho que falar com Jess. – Falei com dificuldade. – Nos separamos na festa, preciso saber se ele está bem.