Tentação

30 - Capítulo 30


Já estava um pouco tarde depois que Jess e eu acabamos de comer, a cozinha estava totalmente revirada, Jess era um bom cozinheiro, mas ele não conseguia manter o lugar limpo enquanto preparava algo. Eu havia me divertido com Jess, mesmo tendo que ajudar a lavar a louça. Quando acabamos de limpar a cozinha, Jess me agarrou e me beijou.

– Mais um motivo para estar comigo. – Ele disse.

– Hm... – Sorri. – Deixe-me adivinhar o que quis dizer com isso. – Ainda sendo laçada pelos seus braços. – Além de um galanteador sexy, bonito e protetor... Sabe cozinhar. – Ergui uma sobrancelha. – Acertei?

– Na mosca. – Falou entre o sorriso, me dando mais um beijo.

E em questão de segundos, Jess mudou completamente sua feição, de carinhoso ele passou para um ar preocupado. Seus braços me soltaram vagarosamente, seus olhos rodearam cada canto da casa.

– O que foi? – Perguntei, assustada.

– Tem algo errado aqui. – Ele segurou minha mão. – Você vai pegar o carro e vai direto para casa, não pare, apenas vá. – Ele me puxou até a porta, seus olhos estavam em direção ao forro da casa. – Tome. – Ele falou, tirando as chaves do bolso e colocando-a em minha mão.

– O que está havendo? – Eu ficava mais assustava ainda. – Tem alguém aqui?

– Me prometa que vai direto para a casa. – Ele me encarou e eu não dei resposta. – Me prometa, Mag. – Ele insistiu.

– Prometo.

– Não saia de lá. – Ele beijou minha testa. – Como eu disse, você sempre vai estar segura em sua casa.

– Tudo bem. – Corri para o porsche e dei partida. Não sabia o que estava acontecendo, mas eu não ia ficar com essa curiosidade, uma curiosidade boa, se era tão perigoso assim, eu queria estar com Jess. Levei o carro até a entrada da estrada de terra, já estava escurecendo, parei a máquina e tirei as chaves, os faróis se apagaram lentamente. Eu iria voltar.

Nas janelas não era possível ver qualquer sinal de luz. Andei até os fundos da casa, sem fazer qualquer barulho, e tentando me esconder ao máximo. Uma janela baixa me deixava ver o interior da casa, e era possível ver uma parte da sala mais pra longe. Tentei achar outra janela de um tamanho amigável para mim. Dei a volta e vi uma janela do mesmo estilo da anterior, olhei pros lados e segurei na parte de cimento que me deixava apoiar as mãos. De repente ouvi um barulho que veio de dentro, Jess apareceu, ele havia sido empurrado contra a parede. Suas costas bateram com força e ele gemeu de dor, pude ouvir, estava perto. O escuro do céu me deixava bem escondida do lado de fora.

Um homem com capuz apontava o indicador para Jess, e um outro estava do seu lado com a cabeça inclinada. Jess parecia estar machucado, mas ele não desistiu. Ele se afastou da parede rapidamente e com um soco ele atingiu a garganta do homem de capuz que logo caiu para trás, o outro veio para cima com um taco de baseball, suas mãos seguravam o objeto com força, antes que ele soltasse aquilo contra Jess, o próprio foi mais rápido e tirou o taco de sua mão, segurando-o pelo pescoço e o pondo contra a parede.

– Boa tentativa. – Ouvi a voz de Jess, abafada, mas bem audível.

Jess segurou o homem enquanto pode, em pouco tempo apareceram mais três homens e seguraram Jess por trás. Ele estava calmo, não tentou lutar.

– Onde ela está? – Um homem de jaqueta preta e cabelo castanho, perguntou ao Jess.

– Que pergunta idiota. – Jess retrucou, sério. O homem deu um soco em seu queixo.

– Onde ela está? – Ele perguntou novamente, e Jess decidiu ignorar.

Eu estava do outro lado tremendo com toda a situação, Jess estava sendo atacado por supostamente seres do mesmo tipo dele, eram demônios e “Ela” era eu, eles estavam procurando a mim. Senti meu celular vibrar e tentei evitar que o celular tocasse após a vibração, algo que acontecia sempre, com um olhar rápido eu li “Mãe” na tela, mas não teve jeito, um toque ensurdecedor saiu do alto falante e foi possível ouvir de lá de dentro. O homem de capuz, já de pé, olhou pela janela e me encarou. Eu paralisei, meu coração acelerou. Jess seguiu o olhar do homem e seus olhos se encontraram com os meus, vi uma tremenda decepção em sua face.

Tudo se passou em câmera lenta, toda a cena, Jess estava querendo me proteger, mas eu não podia deixar que ele sofresse por minha causa. Porém eu não podia fazer nada, eram cinco caras fortes, e eu não daria conta. Logo tudo voltou ao normal, nada estava mais em câmera lenta, o homem olhou para a porta e antes que ele pensasse em correr para ela eu saí em disparada para a estrada de terra em busca do carro que havia deixado na entrada, ouvi a porta abrir e passos atrás de mim, não olhei para trás em nenhum momento. Apenas corri, corri e corri. Mas não tive sucesso, um braço laçou meu pescoço e me jogou no chão.

– Peguei você gatinha. – O homem de capuz estava em cima de mim. – Isso vai doer um pouco. – Antes de tentar escapar, ele me deu um soco e eu apaguei.

Acordei com uma dor de cabeça horrível, estava tudo escuro, imaginei estar no meu quarto durante três segundos e quando me mexi, senti minhas mãos e meus pés amarrados por uma corda grossa. Não havia nenhuma luz, uma fita adesiva tampava minha boca, e meus cabelos estavam grudados na minha pele com meu suor. Tentei gritar, mas era em vão, não iria conseguir emitir qualquer barulho amordaçada.

Ouvi algo bater, pareciam botas batendo no chão, e era atrás de mim. Eu me desesperei por dentro, e me paralisei por fora, poderia ser qualquer um daqueles homens que havia visto na casa de Jess, eles poderiam estar vindo em minha direção. Fechei meus olhos por um instante e o abri logo após ouvir outro barulho. Luzes começaram a se acender, uma por uma, até chegar a mim. O lugar era grande, um depósito, era um depósito de peças velhas de automóveis. Na frente, um grupo vestido de preto vinha em minha direção. Atrás de mim o mesmo barulho de botas começava novamente, quando virei meu pescoço, pude ver Abgail no mesmo estado que o meu. Ela estava desesperada, e pude perceber que ela havia chorado várias vezes.

– Huum. – Ela fez um barulho com a boca e arregalou os olhos.

Íamos morrer, só conseguia pensar nessa frase. “Estávamos prestes a conhecer a morte pessoalmente”.