Sentia o vento forte bater nos meus cabelos e jogá-los longe, minha blusa colava na pele e minha mão segurava forte na grade de ferro. Cá estava eu, em uma ponte de quase cem metros criando coragem para pular na água. É, eu adoro uma aventura.

- Contagem regressiva para a garota problema, mais conhecida como Mag. – Falou Louis. — Tem certeza? – Perguntou baixinho no meu ouvido.

- Não é necessário ter certeza. – Me joguei.

Era como se eu estivesse voando, senti-me tão bem enquanto caía, queria que não acabasse mais, meus olhos se abriram lentamente e a cada segundo eu me aproximava mais da grande quantidade de água que eu teria de enfrentar. Era noite, eu podia ver apenas o movimento brusco que as águas faziam... Afundei.

Depois de lutar com a força da água eu consegui subir e gritar. – Não foi um grito de socorro, foi um grito de vitória. — Nadei até a parte seca onde meus amigos esperavam e me sentei ofegante.

- O QUE FOI AQUILO? – Gritou Ramon.

- EU AMO ESSA GAROTA. – Gritou Edie, também. – Eu realmente achei que você ia amarelar. – Sentou do meu lado. – Olha, se fosse eu teria morrido só de bater na água.

- Provei que sou mais forte quanto pareço. – Falei.

- Não, não venha com essa ideia. – Ramon se aproximou. – Você tem sorte, eu não sei nadar, mas se eu soubesse acabaria com esse seu momento “Sou foda”.

- Ah, claro. – Gargalhei.

Em poucos minutos avistamos a caminhonete do Louis (na verdade do pai dele, pegamos “emprestada”) eu estava encharcada e teria que voltar pra casa na traseira do automóvel. Ramon me fez companhia até chegarmos, e como sempre, discutimos o caminho todo.

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Me apresentando direito, meu nome é Magda e eu tenho 17 anos, estou cursando o último ano do ensino médio e pretendo fazer faculdade de Design, porém, ainda não tenho condições de pagar. Ando fazendo bicos por ae e economizo uma parte da grana que ganho para poder pagar a faculdade e com a outra metade ajudo em casa. Minha mãe, Analiese, trabalha como recepcionista no Hotel’s Walt e meu irmão, Kane, é empacotador em um mercadinho perto de casa. Perdi meu pai quando tinha apenas cinco anos de idade, ele morreu em um acidente de carro e eu odeio falar sobre isso. Minha vida não é ótima, e eu não sou uma garota tão social assim, mas não pense que eu sou daquelas que ficam sempre em um canto querendo morrer e dizendo o quanto a vida é injusta e chata, com os cabelos jogados na cara e frágil que vive sonhando ser a bonitinha popular da escola... Me poupe.

Ramon, Edie, Louis e eu somos amigos desde a infância. Somos praticamente vizinhos uns dos outros. Vou descrever um pouco de cada um:

Ramon é o mais irritante, o forte dele é inteligência, tem as melhores notas e adora HQ’s. Edie é o mais quieto, ele sempre fica na dele e odeia que falem mal de suas bandas favoritas, ele é meio fanático com as coisas e adora fazer um discurso quando alguém está errado. Louis é o garanhão marrento e é o mais cobiçado na escola, ele adora velocidade, tem uma paixão louca por carros e desenha muito bem.

Bom, esses são meus melhores amigos. E não, eu não tenho uma melhor amiga. Não que eu seja uma macho fêmea, nada disso, eu só prefiro meninos, eles não se importam se meu esmalte está borrado, se eu ganhei gordurinhas a mais, se meu cabelo está despenteado e não fazem fofocas...isso é desnecessário, porém, eu tenho algumas coleguinhas, mas não passa disso.

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Quando cheguei em casa pude ver a Honda do meu tio estacionada na frente de casa, me despedi dos meninos e entrei.

Tio Augusto foi um dos motoqueiros da On Fire, um grupo aqui da cidade, até que ele se meteu em uma briga e quase perdeu o nariz. Ele é legal mas quando quer ser chato, meu Deus, não há quem aguente. Com seus quase 40 anos de idade, ele ainda tem o comportamento de um adolescente, isso é trágico.

- Não tem cerveja. — Avisei passando pela cozinha e indo até a escada.

- Hm – Logo parou de revirar a geladeira. – Sua mãe precisa incluir mais itens na lista de compras, como por exemplo a cerveja. Como vocês sobrevivem sem? – Ele ergueu a uma das sobrancelhas.

- Não costumamos beber, não perto da mamãe.

- Tenho que falar com você. – Falou pegando um pedaço de torta da geladeira. – Tem uma vaga no Rock’s – Comeu um pedaço de torta. – e é de garçonete.

- Não estou afim de equilibrar copos e pratos em uma bandeja.

- A grana é boa, se eu fosse você colava lá. E nem é tão longe.

- Vou pensar. – Subi pro meu quarto e escutei ele gritar “Aparece lá amanhã ou vai perder a vaga!”. Tirei a roupa molhada e fui direto pro banho. Mamãe e Kane estavam trabalhando ainda. Já era um pouco tarde, peguei papel, canetas e comecei a desenhar. Eu tenho uma mania, tudo que eu vejo de interessante no dia eu passo no papel em forma de desenhos, isso me faz refrescar a mente.

Acordei no outro dia com papéis e canetas espalhados na cama, me espreguicei e peguei meu celular para ver as horas, eu estava atrasada pra aula. Corri me arrumar, peguei a bolsa e desci correndo calçando meus tênis.

- Já é a terceira vez essa semana, — Mamãe estava na cozinha tomando café da manhã. – você tem que começar a dormir cedo.

- Tchau mãe, fique bem, e se preocupe mais com o Kane, ele não apareceu na escola esses dias, talvez ele esteja matando aula para ir agarrar garotas. – Nem precisava olhar, já imaginava a expressão que ela acabara de fazer. Quando ela fica “puta da vida”, ela abaixa os óculos até a ponta do nariz, põe a mão no queixo e pensa em assassinar alguém que no caso seria meu irmão. – Beijão. – Sorri e corri para tentar ao menos pegar o ônibus.