Tenshikiuu
1 Capítulo 1 - A Dama
Notas iniciais
Em passos calmos, suavizados pela brisa macia que tocava a pele clara, radiando-se pela lua cheia brilhando ao céu sem estrelas. Os cortes verticais do quimono vermelho deixavam que a sensualidade predominasse o corpo dela, revelando as pernas macias e delineadas; nos pés botas que iam a pouco antes do joelho, com fivelas, esta, também vermelha, porém mais escura. A cintura marcada por uma fita negra, que às costas formava um tope, o qual esvoaçava-se, juntamente com os cabelos tão negros quanto as sombras pelas costas desta, suas pontas radiavam o brilho vermelho sangue, mas o modo infantil o qual estava preso não deixava-o parecer sério, marias-chiquinhas.
A boca avermelhada contraída em uma melancolia mórbida, iluminada também pelas luzes da grande cidade, tão movimentada quando ao dia, aos becos os rapazes que distraiam-se em um intenso pecado com as garotas. Poucos pássaros ainda estavam pelo céu, portas batiam-se, carros a passar rapidamente pelas rodovias, grupinhos de pessoas caminhando e sorrindo pelas ruas, restaurantes abrindo-se, baladas movimentadas. Ainda que fora dia de semana, os mais responsáveis já estavam em suas casas, tantos outros recém saindo de seu trabalho.
O seios médios marcavam-se com delicadeza pelo quimono levemente justo, a curta golinha deixava visível o pescoço ligeiramente longo, mangas largas e compridas, movimentando-se lentamente com o doce vento a soprar, observando a cidade, sobre aquele velho prédio. A orbe tão verde, tão esmeralda e profundamente triste, decidida, a frieza que predominava o olhar oriental, somente visível ao seu lado esquerdo do semblante, pois seu direito estava coberto por uma longa franja, também com as pontas vermelhas.
Suspira, calma e profunda, olhando de modo indiferente a tantas pessoas que pela madrugada ainda estavam a caminhar. O rosto oval, pele macia e de tom claro, olhos em um contorno naturalmente escuro; os cabelos que cobriam o outro lado dessa bela face, eram macios, brilhantes como um vestido feito de seda. Mãos medianas postas na cintura, os dedos pouco longos, acompanhados de unhas negras bem cuidadas.
Fintando o horizonte silencioso, uma noite pouco morna para meses de verão. O ritmo de pessoas na rua diminuía, madrugada que ficava aos poucos mais silente. A mente daquela mulher aparentando ter entre 20 e 25 anos, distraia-se com pensamentos visivelmente incapazes de se adivinhar. O que, uma mulher tão bela faria sobre um prédio? Observando quieta a cidade, analisando as vidas fúteis, concluindo... Humanos e seus costumes materiais inúteis.
- É hoje... – é o que uma voz dizia, na sombra projetada devido ao prédio vizinho, entonação grave, sombria, causando arrepios em quem nunca havia escutado. A mulher permanecia em silêncio, de cabeça erguida, fintando a região.
- Confio em você – continuava oculto o dono daquela voz estranha – hahaha, por que se faz assim? Sempre três meses... Por quê? – Sarcástico.
- Importante é que faça. – Finalmente responde, de modo determinado como sempre fora, um pouco doce, mas indiferente, tom sátiro e baixo, numa voz melódica que massageava os ouvidos daquele que escutara, realmente, tentadora.
- Huhuhu, não seja durona.
- SUMA DAQUI – aumentando bruscamente o tom.
- Como queira... lady... – sarcástico, parecendo sua presença não conter mais ali.
- hum... – apenas o procura com o olhar — .. adeus – salta do prédio de 11 andares, com janelas espelhadas num vidro escuro, estrutura firme e pesada, “caindo” feito pena ao chegar no chão.
Caminhando tranquilo, retornando do longo dia de trabalho, o homem de terno acinzentado, calças sociais da mesma cor, segurando entre os dedos longos e rudes seu cigarro Black, cabelos negros e curtos arrepiados em sua parte da frente, passos lentos, segurando na mão direita sua pasta marrom; coluna pouco torta devido ao tempo que passa sentado assinando papéis, sapatos pretos com bico quadrado. Assusta-se, dando um breve pulo ao sentir uma mão fria tocar-lhe o ombro direito.
- Ah! – vira-se para a tal pessoa, esboçando um largo sorriso fechando levemente os olhos.
- Boa noite David – dizia com um pequeno sorriso cínico de canto.
- Boa noite, e já falei para me chamar apenas de Davi. – faz breve reverência com a cabeça – Está linda vestida assim... – olha para a cintura fina e depois para o rosto – Vai a alguma festa?
- Não... – para a frente do rapaz que era pouco mais alto que ela, com as mãos na cintura e o observando detalhadamente.
- Hum... Sei, então, o que está fazendo aqui? – olhando á volta.
- Me acompanhe, quero conversar – o olha séria se aproximando de forma sutil.
- Claro! – sorri largamente com o pedido daquela mulher linda.
- Ótimo. – tira o cigarro da boca dele de modo ligeiro; tocando-o no chão e pisando em cima logo após. Sai caminhando e ela a segure, dizendo alegremente como foi o dia de trabalho.
Se aproximam de um beco escuro, ela o encantando cada vez mais com uns gestos sedutores, fazendo-o perder um pouco da noção de tempo e espaço, encostando-o na parede escura, rostos próximos, lábios se tocando, respiração mescladas.
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