Tennensi Reformatory

15 Pequeno furto


Notas iniciais
Nem demorei né? ok, talvez um pouco...
Como sempre o capitulo foi betado pela linda da "GabsBoo-JujubaVerde-Bear...
Espero que gostem.

Esse é um capitulo que julgo como o mais "dramático" até agora, porem fofo. Espero que gostem, explicações sobre o que vai acontecer ai em baixo apenas no próximo capitulo.

Pov. Adam.

Lembra aquela parte do "nada é pior que a minha casa"? Pois é, ignorem. A da ruiva ainda é mil vezes pior.

Ela saiu com os olhos marejados de dentro da casa. Aquele cara que carregava o mesmo sangue que ela ainda era pior que minha família inteira junto. Parecia esbanjar arrogância. A sinaleira saiu como um raio de dentro da casa, e por pouco não perdi ela de vista em meio a tantos corredores, ela havia saído pela porta dos fundos. Abri a porta e a vi na margem de uma enorme piscina me aproximei.

- Se pular vai ter uma hipotermia. — Ela riu fraco, percebi lágrimas em seu rosto. Sem motivo algum senti meu rosto esquentar de vergonha. O que eu deveria fazer? Socar a cara do pai dela era o que eu deveria, mais isso não me parece uma boa ideia.

-Águas aquecidas. — Ela diz sem emoção alguma.

- Se você tivesse me explicado o motivo pelo qual não queria que eu viesse talvez eu tivesse ficado. — Ela se sentou no chão.

- Não, você não teria ficado. — Agora foi minha vez de soltar uma risada.

- Tem razão, mais eu ainda posso ir embora. — Ela só balançou a cabeça negativamente. Ficamos em silêncio.

Um trovão, uma brisa, pingos calmos, pingos gelados, pingos rápidos, pingos incontroláveis e...

- Você não vai entrar? Vamos ficar doentes — Ela gritou um não. — Já vi tentativas mais eficazes de suicídio. — Disse e ela revirou os olhos.

- Pode entrar se quiser. — Já estávamos completamente molhados, e a chuva era quase como pedra. — Chame Madalena e ela te dará uma toalha, tem um banheiro no meu quarto.

- Eu não vou entrar sozinho. — Reclamei. Ela se levantou. — Vamos. — Disse dando alguns passos em direção a casa, achando que ela me seguia. Então aquele barulho tchibun. Foi mais alto que o barulho da chuva. Virei-me de costas e a ruiva tinha se jogado na piscina. Louca definitivamente louca. — O que você tem na cabeça garota? Quer pegar uma pneumonia? — Ela falou alguma coisa na qual eu não entendi. Revirei os olhos e sem acreditar no que eu mesmo estava fazendo mergulhei na piscina.

[...]

- Idiota! — Ela gritou pra mim no quarto.

- Maluca. — Ela usava o secador para tirar a umidade dos fios ruivos. Após entrar na piscina peguei a ruiva no colo e a tirei da de lá colocando-a em cima dos ombros, a governanta da casa nos viu e foi sacando a trilha de água que deixamos pela casa. Coloquei a sinaleira no primeiro banheiro que vi, e depois entrei em outro. Obviamente a governanta não nos deixou entrar molhados no quarto por causa do carpete aveludado.

- Eu deveria ter te afogado. — Ela disse.

- Se você conseguisse talvez. — a governanta provavelmente levou roupas limpas para ela, e eu vergonhosamente tive que andar pela casa com uma toalha enrolada pela cintura. Havia me vestido só com a cueca e uma calça de moletom qualquer quando ela entrou no quarto já vestida com um short e um moletom enorme.

- Não duvide Calliel, não duvide. — Ela falou desligando o secador e arrumando os fios ruivos. Percebi quando seus olhos se congelaram em mim, pelo reflexo do espelho.

- Admirando? — Falei erguendo uma das sobrancelhas e ela piscou algumas vezes.

- Você tem uma cicatriz.

- Ah é? E o que mais descobriu? A América? — Perguntei irônico. E ela apenas revirou os olhos.

-Não, mas nos relatos pessoais das garotas que ficaram com você e depois levaram um fora, eu nunca ouvi a parte do "eu odeio aquela cicatriz sexy".

- Você ouve relatos pessoais sobre mim? — Perguntei divertido sentando na ponta da cama. — O que elas dizem. — Pensei um pouco e depois caiu a fixa. — Opa, cicatriz sexy? Natascha McSider dizendo isso? — Ela revirou os olhos.

- Calliel entenda, isso para mim só faz você se parecer ainda mais com uma almofada de patchwork. Mas se te interessa tanto as pobres desiludidas que você cria, fazem uma lista sobre como odeiam aquela tal coisa sexy... Já descobri muita coisa com isso sabia? — Arqueei uma sobrancelha. — Sei que você não tem nem uma tatuagem, que o seu segundo dedo do pé esquerdo é menor que o terceiro, tem a mania de estralar os dedos, e sei outras mil coisas que pagaria para não saber. — Eu ri.

- Elas falam isso? Então existe Marketing sobre mim? — Ela revira os olhos.

- Sempre ouvi dizer que quando o produto não atinge as expectativas, propagandas são necessárias. — Ela respondeu irônica sentando na mesa da escrivaninha e mexendo em algumas coisas. Parecia querer ver se tudo no quarto estava no lugar.

- Então é por isso que a tantos rapazes comentando sobre você na Tennensi. — Disse respondendo-a. Instantaneamente ela fechou a gaveta e me olhou.

- Não é verdade.

- Não? Pergunte para o Mason, para o Michael... Já sei, fala com o Brandon. Ele tá louco para experimentar o produto.

- Vocês são malucos. — Ela disse. — Não teriam nada para falar de mim, não me conhecem.

- Sinaleira, não seja ridícula. — falei olhando pra ela. — Você já parou pra pensar que por onde passa você passa causando? — Ela me olhou confusa. — Um soco na cara do Michael, me ameaçou no seu primeiro dia naquele lugar, foi pra noite do desafio e ficou pelos cantos com o Mason, enfrentou o Brandon e... — E o reformatório inteiro acha que fiquei com você porque te viu saindo e entrando no meu dormitório. Não tive coragem de dizer.

- E? — Ela insistiu.

- E você perdeu a nossa aposta, você ficou bem conhecida nos últimos tempos, "a ruivinha sexy", "a garota do Mason", "Ruivinha estressada" — A nova preferida do Calliel — E blá, blá, blá.

- Deveriam cuidar mais da própria vida. — Dou de ombros.

- Como você mesmo disse, são propagandas de produtos que não atingem as expectativas. — Ela me lança o dedo do meio e alguém bate na porta.

- Entra! — Ela grita.

- Zoe? — Uma figurinha de olhos castanhos assim como o cabelo enrolado aparece na porta e corre na direção dela, dando um abraço e sorrindo. — Eu pensei que você não viria.

- Eu disse que voltava pirralho. O que seria da sua vida sem a melhor irmã do mundo, hein? — Ela fala rindo.

- Quem é? — Ele perguntou me olhando.

- Adam, um amigo da sua irmã. Ela me falou de você. — Ele sorriu.

- O que ela disse?

- Eu prefiro ficar quieto e não correr o risco de ela me matar depois moleque. — Respondi e ele riu. — A mãe tá chamando pra jantar.

- Já vou. — Ela respondeu soltando o menino que voltou para porta e a fechou.

[...]

Tenso. Uma palavra que descreve perfeitamente o jantar. Silencioso, seria a segunda.

Natascha havia feito uma cama para mim no chão — o que eu achei injusto sendo que a cama dela cabia mais o menos umas quatro pessoas — e o irmão dela já ressonava na cama da ruiva que havia ido ao banheiro. Vi a maçaneta da porta girar e assim que notei o homem robusto por volta dos seus quarenta e oito anos entrar no quarto, fechei os olhos. Pra que encarar se posso evitar? Covarde, sim ou claro?

- Pai? — Ouço a ruiva sair do banheiro.

- Vim pegar o Connor. — Ele disse ríspido.

- Ele quer dormir aqui hoje.

- Eu não quero que vocês passem muito tempo juntos, já é desgosto o suficiente ter perdido uma filha, não posso pô-lo em risco também — Silêncio. Abri uma brecha dos olhos para poder ver.

- Você me trata como se estivesse morta.

- E está. Para mim você morreu no dia em que foi para aquele reformatório.

- Então você é meu assassino. Você me pôs naquele lugar.

- Você sabe que não tive opções.

- Claro que não. Porque quando teve jogou-as fora. Já passou em algum momento pela sua cabeça que eu só sou quem sou porque você me fez assim? Porque tenho motivos para ser assim?

- O que? Então agora além de delinquente você é dependente química?

- E se eu for? Você vai fingir que se importa? Ah é claro que não, estou morta pra você. — Foi rápido de mais o que aconteceu. Tive certeza que se eu soubesse que aquilo aconteceria teria impedido. Mas quando vi a ruiva já estava caída no chão encarando com raiva o pai, a pele branca da garota agora com um vermelho intenso e o quarto grande parecia ecoar o barulho do tapa.

- Não ouse me faltar com respeito. Nunca. — Ele pegou o garoto no colo e saiu do quarto batendo a porta. Eu que havia me sentado de olhos bem arregalados assim que ouvi o barulho do tapa, me levantei e fui até ela.

- Você está bem? — Perguntei, levando a mão no lado de seu rosto onde estava vermelho. O mesmo lado aonde tinha o traço solitário de uma lágrima. Senti-me no direito de secá-la e fiz com que a ruiva levantasse o olhar para mim. — Natascha você tá bem? — Ela balançou a cabeça de forma negativa e muitas lágrimas começaram a sair, não sabia o que fazer. Apenas abracei-a fazendo com que ela se levantasse. Ela retribuiu o abraço depois de alguns segundos o que confesso me fez sentir muito menos idiota.

Foi nesse momento que eu percebi, a Natascha durona foi a forma que ela viu para fugir dos problemas. A ruiva do reformatório no fundo é tão indefesa quanto qualquer outra pessoa. Ela tem sentimentos bons. Ela se magoa. Foi nesse momento que eu percebi, não foi pela vontade de torturá-la que fiz tanta questão de ganhar a maldita aposta, foi apenas a vontade de me aproximar de alguém que me entendesse.

- Você... você quer alguma coisa? Uma água? — disse afastando-me um pouco olhando pra ela que ainda tinha os olhos úmidos.

- Se ele voltar diz que eu não quero falar com ele. — Ela disse.

- Ele é seu pai. — Ela suspirou.

- Pai de uma garota morta. — Percebi que tinha um corte perto da sobrancelha, que talvez tivesse sido aberto quando ela caiu.

- Você se machucou. — Mudei o assunto. — Senta ai, eu arranjo alguma coisa pra você e já volto.

Desci as escadas. Álcool, onde vou encontrar isso em uma casa de mil cômodos? Peguei um pano na cozinha, um copo de água e... vodca. Sim — Um pequeno furto. — Ninguém notaria que sumiu uma garrafa de Jack Daniel's em meios a um estoque inteiro.

Voltei pro quarto e ao ver o que tinha nas mãos, a ruiva que estava no mesmo lugar onde eu a deixei sorriu.

- Não é pra beber. — Disse fazendo o sorriso dela diminuir. — É pra limpar esses dois litros de sangue na sua testa. Aproximei-me dela dando o copo de água e abrindo a garrafa para molhar o pano e passar no corte.

- Isso é gay Adam. Homens não fazem isso. — Ela falou e eu ri.

- Homens também não gostam dar um tapa na cara da filha e deixá-las jogadas no quarto. — Ela deu um sorriso triste. — Foi mal eu não quis...

- Esquece você tem razão. — Ela disse desviando o olhar e eu passei o pano molhado na vodca pelo corte fazendo-a soltar um gritinho fino, que me fez rir. — Não vejo graça. — Ela falou.

- Se você reclamasse menos não doeria tanto. — Ela revirou os olhos e mais uma vez tudo aconteceu muito rápido para ser narrado.

Ela me empurrou, e a garrafa em minha mão ameaçou cair, agi rápido para não deixa-la virar na cama mais o único resultado foi eu caindo junto com ela, o problema foi estar muito na beirada da cama e rolar para o chão, fazendo de forma estranha que a ruiva fosse comigo. Novamente lá estou eu amortecendo uma de suas quedas. Mas em vez de trocarmos apelidos nada carinhosos começamos a rir. Estranho, né? Eu sei. Porém mais estranho foi depois que o silêncio constrangedor que se instalou entre nós, e ela me beijou.

Notas finais
Espero que tenham gostado, já sabem sobre o lance dos 15 comentários né? E da recomendação também certo?

Então ta suave...
XxXx~B