Tennensi Reformatory
24 Partida
Notas iniciais
Apartir desse capitulo eu volto divamente a responder os comentários, certo? Então eu peço que pro pessoal que mandou perguntas importantes e não foram respondidos que as mande de novo e dessa vez elas serão respondidas sem falta certo?
Espero que gostem ;D
– Como assim, embora? — Gritei.
Há pouco menos de meia hora Mason encontrou a mim e todos os outros no refeitório, depois de uma série de agradecimentos ao Michael, um abraço bem apertado nas garotas, e um cumprimento amigável a Ethan, começamos com o Blá, Blá, Blá. Ele começou a contar como tinha sido emocionante passar quatro dias sendo atendido por uma enfermeira loira sexy e como foi decepcionante saber que seu irmão ficou com ela em meio a uma das suas fugas para tomar café. Assim como os outros, ri abusivamente da sua cara. Mas então ele soltou a notícia. Mason havia sido liberado do reformatório.
– Não é como se eu não fosse voltar – todos o ouviam atentamente — ou como se eu tivesse terminado de cumprir a minha pena. Mas parece que o responsável pelo registro de delinquentes — Ele falava a palavra com certa magoa — andou dando uma checada no arquivo de todos, e como eu já estou há mais de dois anos nesse inferno e a minha ficha permanece limpa, eu ganhei uma liberação.
– Isso é ótimo. — Michael disse sorrindo. Eu não via nada de tão maravilhoso naquilo.
– Quando você vai? — Perguntei indiferente, sem deixar transparecer o desapontamento.
– Amanhã cedo.
Ele tirou um envelope amassado do bolso e me entregou para que eu pudesse ler.
– Espera esse envelope... — Michael começou. — Era isso que você tirou da gaveta na hora do incêndio? — Mason concordou.
Comecei a ler a carta.
E a relê-la.
Caro senhor Mason Laptev,
Há alguns dias fiscais que acompanham diariamente a situação dos internos do reformatório Tennensi, andaram pesquisando em seus arquivos. Nota-se que o mesmo não cometeu nem uma infração ou quebra de regras em um período de tempo notável. Conversamos com seu advogado na primeira semana deste mês, e com ele decidimos que devido ao bom comportamento o senhor ganhou uma bonificação.
Estará liberado do reformatório nos dias semanais, porém com regras a seguir:
*Terá que ter moradia fixa – sujeito a visitas judiciais sem aviso-prévio.
*Deverá se matricular em uma escola no prazo exato de um mês.
* Não deverá sair do país.
* Será obrigatório o comparecimento no reformatório durante os finais de semana, para avaliação de conduta psicológica.
Para mais informações procure o senhor Cipriano — Advogado do caso Laptev.
Atenciosamente Juiz e Bacharel de justiça Carlos Eduardo Edmundo.
Sem dizer nada apenas sorri e voltei a lhe entregar o envelope amassado. Ele me fitou por alguns segundos e sorriu de volta.
A tarde passou rápida, estávamos entretidos demais nas conversas paralelas que por fim o relógio já não se parecia com algo do nosso mundo. Só nos demos conta do horário que era, quando a movimentação dos alunos para o jantar sempre servido as sete e meia, começou a se formar dentro do refeitório.
Eu sendo a morta de fome que sempre fui, me dispus a levantar primeiro da mesa e ir para a fila com uma bandeja, pratos e talheres plásticos e sem ponta. — Sim, patético. — Só reparei que estava sendo seguida, quando a senhora que pôs o bolo de carne murcho e sem graça em meu prato, falou algo sobre que bom vê-lo de volta querido. Instantaneamente olhei pra trás, me deparando com as orbitas azuis de Mason pouco acima de mim.
Sai da fila indiana quando chegou na parte das saladas, mas esperei por Mason que sempre enche o prato daquelas coisas saudáveis. Talvez se eu comesse uma coisa daquelas, não correria o risco de morrer de uma intoxicação alimentar com o bolinho de carne. Porém, era mais tragável arriscar a vida, do que me por a comer mato. Mason saiu da fila e veio em minha direção, que já caminhava rumo à mesa dos outros.
– Náh? — Ele me chamou um pouco mais para trás. Virei-me em sua direção. — Eu... queria falar com você. Porque não vamos para outra mesa. — Dou de ombros enquanto ele assume o caminho para uma das mesas no canto.
Sento-me de frente para ele, mais meus olhos estão voltados para uma ervilha estranha no meio do meu arroz. Ou será que era uma azeitona? Decido deixá-la de canto e dou a primeira garfada. Depois da primeira semana nesse lugar, a comida deixou de ser tão horrível, o lugar deixou de ser tão fúnebre, e até mesmo os professores passaram a ser menos cansativos. Talvez no final meu pai estivesse certo, e eu acabei me adaptando aos delinquentes.
– Náh? — Eu duvidava que fosse a primeira vez que ele me chamava naquele momento, pela cara que fazia. Sai rápido dos meus pensamentos chegando a conclusão que talvez eu não precisei me adaptar, eu apenas continuei sendo quem eu era, no meio de pessoas iguais a mim. — Você está bem? — Ele perguntou me olhando com aquele vinco entre as sobrancelhas, demonstrando preocupação.
– Sim, só estava... pensando. — Disse sorrindo.
– Creio que em algo relacionado à bolota verde misteriosa em seu prato, você estava encarando ela tão séria, que eu não me surpreenderia se ela criasse vida e saísse correndo. — Ri com o comentário totalmente desnecessário. Porém, meu sorriso logo se deformou quando um moreno alto cruzou pela porta.
Como se existisse algum poder sobrenatural entre nossos olhos, no mesmo momento em que eu olhei na sua direção ele me olhou e logo abriu seu sorriso despojado e cínico. Mason estava de costas para ele, porém provavelmente notou o pavor em meus olhos e se virou na direção dos meus olhos.
Lá estava ele. Brandon, com seu nariz torto e o olho direito inchado. Por segundos desviou o olhar de mim e olhou em direção a outra mesa, fazendo o sorriso estranho se transformar em uma cara de raiva automaticamente. Segui seu olhar e notei que era Adam a nova vítima dos olhos escuros e frios, tremi ao reparar que Adam devolvia o olhar com a mesma intensidade. Brandon logo dispersou-se da sua tropa — ou grupo de maníacos, tanto faz — e veio caminhando em minha direção.
Ele não aprontaria na frente de todos, certo?
Comecei a achar que estava errada quando ele puxou uma das duas cadeiras livres na mesa em que eu e Mason ocupávamos e me lançou um sorriso quase ameaçador. Me perguntei se o diretor, ou talvez outra pessoa havia falado para Mason sobre os recentes acontecimentos. Duvidei que tivessem feito isso.
– Ruivinha temos assuntos pendentes. — Ele disse movendo sua mão para segurar a minha, mas eu recuei antes que ele pudesse encostar. — Será que seu amiguinho vai nos dar licença ou eu vou ter mais um problema em relação a esses seus guarda-costas? — Ele lançou um olhar sugestivo a Mason, que por sua vez o ignorou por completo e olhou para mim para saber se eu desejava que ele saísse, apenas balancei a cabeça leve de forma negativa e o Mason se dispôs a continuar sentado. — Então é assim, você vai mesmo querer complicar as coisas? O seu queridinho loiro tinha os dois braços e as duas pernas. E esse... — Ele deu um riso de desdém. — Posso dizer que foi uma péssima troca pra você.
– Vai embora Brandon, eu não tenho nada pra falar com você. — Disse entre dentes, tentando demonstrar uma coragem que eu já não tinha mais.
– Cedo ou tarde eu vou voltar ruivinha. — Ele falou roubando a coisa verde do meu prato e botando na boca, logo depois fazendo uma careta. Eu teria rido da situação se ela não fosse tão grave. — E você já ouviu aquele ditado? "Não deixe para a manhã o que se pode faze hoje"? — Cerrei os olhos. — Nós ainda temos muitas coisas para fazer hoje.
– Sai. — Disse com a voz vacilante. — Nós estamos na frente de muitas pessoas, você não ai gostar se eu fizer um escândalo agora.
– Você a ouviu, cara, sai. — Mason disse e Brandon olhou em sua direção surpreso.
– Oh, então ele tem boca? — Riu. — Use ela para mastigar essa coisa imunda e não me interrompa... — Ele continuaria, mas outra pessoa sentou do outro lado da mesa ficando de frente para Brandon, tremi imaginado quem poderia ser e me virei de leve, tendo minhas suspeitas confirmadas. Adam estava lá. — Nunca ouviu falar que não deve se meter onde não é convidado Calliel? — Brandon perguntou ríspido.
– Eu creio que nem Mason e muito menos Natascha chamou você até aqui, estou errado? — Adam perguntou olhando para mim e para Mason, eu comecei a ficar nervosa com uma provável discussão no refeitório. Uma briga que caso acontecesse levaria Adam a ser literalmente preso a uma tornozeleira, como qualquer outro interno do lugar.
Por algum motivo eu não queria ter relações com o motivo que levasse Adam a ser preso.
– Qual é a sua Calliel, achei que hoje à tarde tudo tinha ficado bem explicado entre a gente.
– E ficou. — Ele falou com o mesmo tom, e eu me perguntava se ele realmente não estava sentindo medo, ou apenas não demonstrava para não parecer mais fraco que o moreno. — Você vai se afastar dela e não teremos mais problemas. — Ele deu uma gargalhada estranha.
– Quando as coisas complicarem para o seu lado. — Apontou na minha cara — Não diga que eu não avisei. — Falou e saiu sorrindo. Por mais que eu dissesse que não, aquela ameaça era tão sólida que provavelmente seria justificável eu ter pesadelos durante a noite. Sem dizer nada, apenas dando dois soquinhos leves na mesa, Adam se levantou e saiu. Não em direção a sua mesa, mas sim a porta de saída.
Percebi tarde de mais que o refeitório todo tinha apenas olhos para a porta e para minha mesa. Naquele momento senti a grande necessidade de cavar um buraco e me enfiar dentro dele.
– Eu tenho direito de pedir uma explicação sobre isso tudo? — Mason me perguntou confuso e eu disse para que terminássemos de comer e logo eu explicava.
Não demorei a contar toda a história. Claro que detalhes do tipo "eu beijei o Adam" não foram citados. Estávamos os dois no quarto do diretor dentro do prédio principal, era o quarto que ele usava para os dias que ficava aqui tomando conta de arquivos e trabalhando nos negócios. Porém, hoje ele havia cedido aos irmãos.
– Onde está seu irmão? — Perguntei e ele riu.
– Archie? — Ele riu malicioso. — Me diga onde está a Becca e então eu te direi onde está meu irmão. — Só então caiu a fixa, Rebecca era apenas sorrisos ao lado de Archie, e ela sumiu pouco antes do jantar. Provavelmente estaria em algum lugar com ele.
– Eu não acredito. — Disse rindo.
– Pois acredite. O par perfeito não? — Rimos.
Então veio o silêncio.
E o tic-tac dos ponteiros do relógio.
E até mesmo as vozes oito andares abaixo da gente, no lado de fora do prédio.
– E-Eu ainda não acredito que estou livre... ou quase... desse lugar. — Ele disse com um sorriso de canto, quebrando completamente o silêncio.
– Estou morrendo de inveja. — Brinquei.
– Eu sei que você vai chorar de saudade. — Rimos e eu dei um tapa leve no seu ombro livre da tipoia. — Mas nos veremos no final de semana. — Sorri.
– E quem vai me acordar durante as aulas e colocar meu nome nos trabalhos? — Ele riu.
– As garotas, Mitch, Adam... — Ri.
– Fala sério Mason. — Falei rindo. — Seria gastar tinta da caneta atoa, você é o único com notas regulares entre a gente.
– Adam tem boas notas. — Ele disse por fim. — O tio dele o obriga a ter.
– Hello, é de Adam que estamos falando. — Disse estralando o dedo na sua frente. — Ele nunca faria uma boa ação por mim. — Mason me olhou de forma duvidosa.
–Nunca? Pelo que eu entendi ele andou defendendo você duas vezes em apenas um dia. — Revirei os olhos.
– Não foi porque ele quis me fazer uma boa ação. Ele apenas não suporta o Brandon. — Mason riu.
– Será? Até onde eu sei, Adam era um cachorrinho adestrado por Brandon, tudo o que aquele cara mandava o Adam fazia, com medo das consequências se o ignorasse. Pode ter certeza, Adam não enfrentaria Brandon por qualquer um.
– Você está me empurrando pra cima do Adam, é isso mesmo? — Mason riu.
– Nada disso. — Ele disse me abraçando de lado. — Não posso correr o risco de ser trocado.
Em meio aos risos e brincadeiras, minha barriga já doía devido às gargalhadas. Não sei qual foi o momento exato, mais certa hora a única coisa que vi era o rosto de Mason se aproximando do meu e depositando um beijo em meu rosto, logo o escuro consumiu todo o meu capo de visão.
– Natascha? — Meu corpo se balançou com o empurrão que o dono da voz havia me dado. — Eu não tenho o dia todo pra você, pelo amor de Deus será que da pra acordar rápido? — Abri os olhos praguejando mentalmente quando vi o ser loiro com uma blusa azul, casaco cinza de moletom, um jeans qualquer e uma toca touca presa à cabeça.
– O que você está fazendo aqui? — Perguntei, me sentando na cama e me perguntando em que momento da noite passada eu troquei minhas roupas por uma calça de moletom do Mason e uma camiseta enorme.
– Acredite, eu não estaria aqui se tivesse opções. — Opa, alguém levantou da cama com o pé esquerdo. — Mas já são três horas da tarde e meu tio pediu para você desocupar o quarto, já que logo a empregada irá chegar para a arrumação. — Vendo que eu não responderia e o recado já estava entregue ele deu as costas, mas não prosseguiu a caminhada até a porta sem antes comentar sobre a minha pequena falta de palavras. — A propósito Natascha, quando resolver quebrar um trato novamente tente avisar antes, não posso deixar a porta da cabine aberta a noite inteira. — Se ele queria soar irritado, conseguiu. Intimidador, também. E por um curto período de segundos senti falta do meu patético apelido, substituindo a presença do meu nome nas frases ditas.
Não deixei que ele me abatesse e abri a boca quando ele passava pela porta.
– Adam? — Ele parou. — Onde está o Mason? — Um... Três... cinco.. sete.. segundos para que ele abrisse a boca e me respondesse. Com a demora achei que ele me deixaria mesmo sem resposta.
– Ele saiu antes do almoço. Deixou isso pra você. — Levou a mão ao bolso do casaco e ainda de costas para mim largou uma folha de papel sobre a cômoda que ficava junto à parede da porta.
Sem falar mais nada ele deu as costas e se retirou.
Notas finais
Ok, ok sem spolliers.
15 comentários ( pra chegar nos 500 õ/) e temos o próximo capitulo, ou uma recomendação, sei lá....
XxXx
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