Tennensi Reformatory
44 Epilogo
Notas iniciais
– Eu ainda não entendi Natascha... – Ouvi Rebecca falar do alto da escada que eu estava ajudando a equilibrar. Antes de continuar a falar pediu uma aprovação minha para indicar se a faixa com os dizeres: festa de comemoração aos 16 anos do reformatório estava centralizada. Balancei os polegares e ela continuou enquanto descia a escada. – Por que você e o Adam não podem simplesmente dar as mãos e vir ao baile como um casal feliz?
– Porque não. – Eu disse indo junto com ela para a mesa onde Amber tentava mostrar para Ethan e Michael como se dar nó em balões. – Estamos brigados. Uma semana completa sem trocar uma palavra. Porque diabos você acha que iríamos ao baile juntos? – Tirei o balão cheio da mão de Michael e fiz o favor de terminar o serviço dele. – E além do mais teríamos que trocar palavras para haver um convite. Não estou afim. – Todos na mesa riram. Era fácil saber do que estávamos falando.
– Então vocês vão ao baile sozinhos? – Amber pareceu um tanto chocada. Eu ri. Era engraçado como apesar do nome “reformatório” todo o lugar tinha um ar de colegial encantado da Disney. Só que sem encanto. E com delinquentes por todas as partes.
– Não. – Falei pegando outro balão que Michael havia acabado de encher. Ethan olhava para Rebecca e Amber esperançoso de que alguma delas o ajudasse também. – Mason vai comigo. Ele chega em duas horas pelo que o diretor me informou.
– E o Adam? – Michael se intrometeu. Dei de ombros.
– Não sei. Acho que ouvi alguma coisa sobre ele ir com a Spencer. – Disse sem dar muita importância, eu sabia que ele odiava aquela garota. – Ela parece estar bem felizinha.
– E você se mordendo de ciúmes. – Rebecca cantarolou e eu a encarei. Era óbvio que eu não estava com ciúmes. Não do Adam. Que palhaçada. – E antes que você negue, deixe que o Michael aprenda a amarrar os balões dele sozinho e vá falar com Hunter D'lorense. – Eu franzi o cenho.
– Eu não tenho nada pra falar com ele. – Rebecca riu.
– Presta atenção, ruiva. – Ela suspirou e me segurou pelos ombros. – Adam sabe que o Mason não tocaria um dedo em você. E o Mason provavelmente vai largar você no começo do baile por uma qualquer, então vá até o Hunter e o convide. Pague o Adam com a mesma moeda. – Eu ri. Não poderia negar, tinha lógica. Uma lógica do tipo Rebecca, mas ainda assim ela existia.
– E se ele já estiver acompanhado? – Era uma possibilidade a ser considerada.
– Ele não está. Ele me convidou há umas duas horas e eu o dispensei. O baile é hoje à noite, duvido que ele tenha achado alguma garota assim tão rápido.
– Ok, mas com quem você vai? – Ela sorriu maliciosa.
– Um baile é muito melhor aproveitado quando não se há um acompanhante. Aprenda ruiva. Aprenda. – Eu gargalhei e ela me empurrou na direção de Hunter D'lorense.
Hunter era mediano, tinha o cabelo raspado bem rente à cabeça, um físico forte de quem frequenta a academia, era jogador de basquete. Ele era bonitinho.
Ele estava mexendo em uma das caixas de som no palco que havia sido recém-montado dentro do nosso ex-refeitório e atual salão de festas. Subi os degraus improvisados por madeira e me aproximei. Tinha um grande movimento lá em cima, os garotos caminhavam de um lado para o outro com equipamentos e ferramentas. Adam estava lá.
De repente meus olhos eram apenas voltados para o loiro sem camisa em cima do palco. Ele gargalhava sobre algum assunto com outro rapaz da equipe de natação. Ele não era o único sem camisa, a maior parte deles estava sem, mas Adam era o único com uma cicatriz muito atraente entre as costelas. Pude ouvir o grito de um dos garotos que estava instalando os jogos de luz sobre o palco pedindo que Adam levasse uma chave de fenda até ele.
Por ironia do destino eu estava em cima da chave.
No primeiro momento Adam me encarou sério com uma expressão de duvida como se estivesse se perguntando o que eu estava fazendo ali. Depois ele relaxou como se aquilo realmente não importasse. Como se eu não soubesse que ele se contorcia por dentro enquanto eu desviei meus olhos dele e sorri para Hunter.
Adam parou na minha frente como se esperasse que eu lesse seus pensamentos. Eu não precisava fazer isso, sabia que tudo o que ele queria é que eu fosse para o lado e ele pudesse pegar a maldita chave. Mas eu era Natascha McSider, não perderia a oportunidade de ver Adam dando o braço a torcer.
– Hunter se eu fosse você colocaria a caixa na ponta esquerda do palco. Vão precisar desse espaço para a máquina de fumaça. – Falei alto o suficiente para que o moreno me escutasse e Adam se sentisse ignorado.
– Valeu gata. – Meu estômago se embrulhou um pouquinho, gata, que coisa ridícula.
Adam respirou fundo e limpou a garganta eu permaneci imóvel com o pé pregado por cima da chave. Ele a queria? Que bom. Ele que pedisse por ela. Ergui uma das sobrancelhas encarando Adam como se ele fosse um estranho qualquer e não o cara que dormia na mesma cama que eu — mesmo que há uma semana façamos isso de costas um para o outro.
– Ok. Você ganhou. – Ele bufou pra mim e levantou os braços como se estivesse se rendendo. – Também não me importo se você quer ou não ir ao maldito enterro. Vá em frente, derrame lágrimas por aquele monstro. – Eu engoli em seco. Ok eu não esperava por isso. Não esperava que nossas primeiras palavras em uma semana fosse o motivo da nossa briga. O enterro de Brandon. – Mas pode me fazer um favor de sair de cima da maldita chave? Estou tentando ajudar a organizar a droga de um baile se você não percebeu.
Eu continuei sem me mexer. Não era intencional, eu estava com tanta raiva que desejava tirar aquela maldita chave de fenda de baixo do meu pé e acertá-la na cabeça de Adam. Mas eu não consegui. Eu permaneci imóvel reprisando as palavras do loiro. Nós provavelmente não víamos aquilo da mesma maneira. Digo, o funeral.
Adam respirou fundo da mesma forma que sempre fazia quando estava super-indignado e se abaixou. Eu tive quase certeza que ele arrancaria chave do lugar onde estava a força. Mas fui surpreendida quando ele não o fez. Adam me ergueu sob um dos ombros da mesma maneira como se carrega um saco de batatas.
Eu gritei.
Podia ver que ele estava resmungando algo quando finalmente pegou a chave, mas se negou a me por no chão. Todos os olhos estavam em nós dois. A não ser Hunter. Ele estava olhando para a minha bunda. Tarado dos infernos.
– Para de gritar, droga. – Adam resmungou. – Tá todo mundo olhando. – Eu comecei a estapear as costas nuas dele. Como alguém poderia suar tanto em um clima frio como esse?
– Me coloca no chão Calliel. Agora! – Ele havia descido do palco e atravessava o salão de festas improvisado como se nada fosse nada. As pessoas continuavam a me olhar e Rebecca piscou um dos olhos rindo quando me viu. Vadia.
Quando chegamos do lado de fora uma brisa fria nos pegou e os braços de Adam logo se arrepiaram com o contato do vento gelado em seu corpo quente. Bem quente. Ele fez questão de não me largar até chegarmos ao banquinho fúnebre onde sempre nos sentávamos quando algo muito sério estava acontecendo.
– Você tá satisfeita? – Ele perguntou, ou melhor, gritou para mim.
– Como o que exatamente? Você ter me feito passar vergonha ou a dor que eu estou sentido nas costelas por causa do seu ombro? – Ele revirou os olhos e eu me sentei emburrada no banco. Ele continuou de pé me encarando com aquele maldito ar superior.
– Satisfeita por tudo Natascha. Tudo. – Ele disse me dando as costas. – Você reparou que estamos tentando dar certo há um ano? Sempre tem um problema, sempre tem uma briga. Droga. – Ele deu um soco no tronco da árvore e minha mão pareceu latejar apenas com a visão. Minha respiração se tornou mais pesada. Eu queria gritar com ele, eu queria esmurrá-lo.
– Nunca esperamos que fosse dar certo, não é mesmo? – Eu disse tão alto quanto ele. – Sinta-se a vontade para desistir agora mesmo. Faça isso se não estiver satisfeito.
– Eu não estou satisfeito. – Ele disse como se talvez aquilo fosse a coisa mais óbvia. Eu senti uma pontada minúscula de mágoa me sufocando. Eu sabia que não ia dar certo, mas isso não quer dizer que eu queria desistir. – Eu não estou nem perto disso. Você está me deixando louco, ok? A cada um passo para frente que damos juntos parece que retrocedemos vinte no dia seguinte. Era para eu estar satisfeito com isso?
– Eu nunca obriguei você a continuar tentando. – Falei dessa vez mais baixo. Tão baixo que ele se virou em minha direção para ter certeza de que estava escutando.
– Mas eu não posso desistir. – A voz dele havia abaixado seu volume igualmente a minha. – Eu sei que não posso porque eu morro cinco vezes a cada momento em que você me olha como está fazendo agora. – Ele se aproximou de mim e se ajoelhou entre as minhas pernas. Eu não achava saudável aquela aproximação – Como se eu fosse tão... desprezível quanto qualquer outro estranho. E morro outras cinco quando você se deita na mesma cama que eu e finge que eu não estou lá. É uma droga acordar mais cedo que você e ficar te olhando como se você fosse acordar e resolver que estamos numa boa novamente. É uma droga porque eu sei que se eu não fizer isso você não vai fazer.
– Eu não sei o que você quer Calliel. – Disse enfim. – Isso somos nós e até onde posso ver não estamos dispostos a mudar. Se eu estou fazendo mal a você então desista. Nós dois somos cara de pau o suficiente para superar isso e estarmos juntos zoando o Michael amanhã. – Ele se aproximou. Eu não queria beijá-lo, mas ao mesmo tempo era tudo o que eu mais desejava nesse momento.
– Eu não posso, sinaleira. – Ele sussurrou. – Eu não consigo. Eu preciso de você, não importa como for. Eu não quero superar você, mesmo que você me faça mal. Mesmo que façamos mal um para o outro. É inevitável e você sabe disso. Você me odeia, eu odeio você e não sei o que fazer com isso. Mas desistir não vai mudar as coisas. Não vai me fazer te amar menos ou odiar mais. Eu não tenho certeza se um dia vou ter certeza do que é maior, meu ódio ou meu amor. Mas até lá eu quero continuar tentando, ok? – Ele me encarava nos olhos e eu quase me sentia intimidada na presença de tanto verde. – Foi mal por ter gritado com você aquele dia. Quer dizer estamos sempre gritando um com o outro, mas é que cogitar a possibilidade de ver você e o Brandon próximos um do outro novamente me embrulha o estômago. Eu jurei pra mim mesmo, jurei pro seu pai que nunca deixaria você passar por aquilo novamente. Quando você me disse que ia ao enterro dele eu fiquei quebrado ruiva. Não apenas a minha promessa. Foi eu. Eu estava quebrado.
– Adam, – Segurei o rosto dele com as duas mãos. – Talvez você não saiba, mas o enterro do Brandon foi um dia depois da nossa briga. Eu não queria ir para chorar por aquele monstro. Eu posso ter superado tudo o que ele me fez passar, quer dizer, eu tenho certeza que superei, e foi por sua causa, ok? Mas isso não quer dizer que eu tenha perdoado aquele cara. Não por ele ter me feito apanhar mais do que já apanhei em toda a minha infância quando aprontava alguma coisa, eu só não consigo perdoá-lo pelo que ele fez com você. Eu só queria estar presente no enterro dele pra ter certeza que ele não ia poder mais ferrar com a vida de ninguém. Nós passamos um ano vivendo as sombras dele. Todos os dias eu acordava e tentava espantar o pressentimento de "o que vai ser de nós se Brandon também tiver acordado?" Agora eu sei que estou livre disso. Que ele não pode mais acordar. Pode ser errado estar feliz porque uma pessoa teve que ter os aparelhos desligados após um ano sem mudanças no quadro, mas eu estou feliz. Eu estou absurdamente feliz. – Ele sorriu e então tentou alcançar meus lábios, mas eu o impedi. – É melhor dizer a vadia loira da Spencer que você arranjou outra pessoa para ir ao baile. – Ele gargalhou e eu o empurrei para poder me levantar e caminhar de volta para onde todos estavam. – E faça isso logo. – Gritei. – Você ainda tem uma festa para organizar.
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– Vocês deviam fechar a porta antes de partir pro amasso. – Ouvi uma voz conhecida. Eu e Adam já havíamos nos arrumado. Ele estava simplesmente irresistível de jeans e smoking. E quando eu digo irresistível, eu quero dizer que realmente era demais para eu resistir. Adam nos permitiu um espaço curto apenas para girarmos o pescoço o suficiente para vermos quem estava na porta.
Mason.
Eu sorri o máximo que podia e empurrei Adam que ainda me mantinha contra a parede. Agradeci mentalmente por não usar batom e não ter escolhido um vestido longo nem algo que pudesse amassar. Eu não teria tempo de me trocar caso isso acontecesse.
– Eu estava começando a achar que você não viria. – Sorri abraçando o moreno que retribuiu. – E... Uau, qual a mágica que vocês fazem quando colocam esses smokings? Se o Adam não estivesse olhando eu podia agarrar você nesse exato momento. – Brinquei e Mason riu. Claro que o Adam não achou tanta graça quando passou o braço pela minha cintura e cumprimentou Mason.
– Já pode parar de babar pela minha garota Don Juan. – Eu sorri. Aquilo não era uma coisa que eu ouvia muito nesse um ano.
– Mas até algumas horas atrás sua garota me queria de acompanhante pro baile enquanto xingava você e uma das líderes de torcida. – Adam me olhou com um sorriso convencido como se gostasse de saber disso.
– E você ainda é meu acompanhante. – Disse saindo dos braços do Adam que agora me observava com um vinco entre as sobrancelhas. – É falta de educação dispensar alguém no dia do baile.
– Sinaleira você não está fazendo isso. – Adam estava em uma mistura de choque e incredulidade. – Natascha eu sou seu acompanhante, lembra? – Ele usava aquele tom incrédulo que sempre me fazia gargalhar internamente. – Você me fez dizer para a Spencer que eu ia com você no baile. Eu não vou deixar você me largar agora. – Eu gargalhei.
– Eu disse para você dizer a vadia loira que achou alguém melhor para ir com você, eu não me lembro de citar que esse alguém era eu. – Tanto ele quanto Mason estavam boquiabertos. – Aliás, você que foi o idiota de me ouvir e dispensá-la.
Antes que Adam dissesse alguma coisa ou Mason saísse de fininho eu puxei o moreno e obriguei-o a me acompanhar.
– Você sabe que o Adam nunca vai me perdoar se eu sair dessa cabine com você, não sabe? – Ele sussurrou e eu ri.
– Eu quem não deveria perdoá-lo por convidar aquela garota. – Resmunguei.
O nosso mais novo salão de festas nem parecia o mesmo lugar onde sempre serviam aqueles projetos de comida que não davam certo. Estava deslumbrante. As luzes eram lançadas pelo salão que já estava cheio. Roland Willians era quem cuidava do som e parecia tão entediado quanto eu com aquela música lenta. Mason estava dançando comigo ainda se lamentando por saber que mais cedo ou mais tarde Adam armaria uma confusão. O loiro até a poucos minutos estava em minhas vistas, mas então desapareceu. Agora na mesa que ele ocupava estava uma Rebecca sorridente sentada.
A música lenta acabou e uma mais animada começou a tocar, eu me separei de Mason.
– Hora de deixar você se divertir. – Gritei pra ele me escutar. – Tente não engravidar ninguém. – Ele riu e eu dei as costas me juntando a Rebecca.
– Vestido bonito. Faz o seu cabelo parecer mais vermelho. – Eu ri. Meu vestido era simples se comparado ao dela. E apesar de vir só até o meio das coxas o meu também era bem decente se comparado ao dela. Eu vestia azul e ela vermelho. O meu vestido era tomara que caia e um pouco rodado de mais para o meu gosto. O dela tinha mangas e se tratava de um tubinho com um profundo decote em V.
– É o seu também é bem... notável. – Nós duas gargalhamos e eu me sentei ao lado dela. Ela tinha um copo de bebida e o cheiro forte indicava ser álcool, eu não fazia ideia de onde ela podia ter arranjado aquilo e estava pronta para perguntar quando ela interveio.
– Ele tá muito puto. – No início achei que ela pudesse já estar bêbada e falando sozinha. Mas então olhei para onde ela apontava com seu copo plástico e vi. Adam estava bancando a gazela enquanto dançava com a Spencer.
– Eu também estaria se fosse eu no lugar dele. – Ri. – Mas ao que me parece ele só está se divertindo. – Rebecca concordou.
– Eu não disse que não estava. Alias é a bunda da Spencer que está se esfregando nele. Adam seria gay se não estivesse se divertindo. – Eu revirei os olhos dando um gole na bebida de Rebecca. Droga aquilo era realmente forte.
Estávamos rindo de alguma coisa junto com Amber, Ethan e Michael que haviam se juntado a mim e Rebecca quando pude ver Adam lá da pista de dança acenando para mim sem perder o ritmo, fiz o meu melhor sorriso antes de acenar pra ele e lhe apontar o dedo médio. Eu quase pude ouvir a gargalhada dele.
– Vocês se amam. – Michael declarou. – E eu acabei de virar o fã número um de vocês. Podiam ensinar Ethan e Amber a serem iguais. É muito mais divertido esse tipo de amor.
– Eu estou muito bem assim, obrigado. – Amber pestanejou. – Alias, eu não sei se aguentaria um Ethan tão insuportável quanto o Adam. Fala sério ele tá há mais de uma hora com aquela garota na pista e a Nath não fez absolutamente nada.
– Pensem comigo... – Comecei rindo. – Ele não faria isso se não quisesse me ver fazendo alguma coisa. Quer dizer, se ele quisesse mesmo alguma coisa com a Spencer ele não estaria se esfregando com ela na minha frente ao invés de levá-la pro quarto. Eu podia escolher qualquer cara desse lugar e fazer o mesmo. Mas Adam não merece tanta atenção, uma hora ele vai desistir vai vir até mim e pronto. É assim que funciona. – Eles me olharam como se toda aquela lógica não fizesse sentido para eles. Mas essa era a lógica que funcionava para nós dois. Era a forma de equilibrar nossos sentimentos.
– Falando de mim? – Ouvi a voz atrás de mim e me arrepiei. Adam.
– Só estava elogiando o cabelo da Spencer. – Falei adicionando uma nota de sarcasmo a minha voz sabendo que ela estava junto com ele. Me virei na direção de Adam que sorria como se estivesse gostando daquilo. Spencer sorriu pra mim.
– É, eu também gosto dele. – Spencer gralhou convencida e eu sorri.
– Por que não nos sentamos, Pensy? – Adam a convidou e os dois se juntaram a mesa.
Eu estava indo muito bem no quesito: ‘continue tentando Adam, eu não me importo’. Descobri que eram os garotos da equipe de natação que estavam contrabandeando bebidas e sai para buscar junto com Rebecca. Claro que no meio do percurso ela teve que me abandonar para dar uma escapadinha com o professor de história.
Quando eu voltei pra mesa os únicos que restavam lá era Adam e a garota. Eu sorri me sentando lá novamente.
– Spencer você já deixou seu nome para ser a rainha do baile? – Ela arregalou os olhos de forma que eu quase me afastei com medo de que eles caíssem em cima de mim
– Rainha do baile? – ela franziu o cenho — Não me avisaram que ia ter uma eleição.
– Não é oficial, é só entre as lideres de torcida. Eu não acredito que não avisaram você! – Disse no meu melhor teatro. – Melhor abrir os olhos com as suas amigas. – E por alguns segundos o rosto dela foi tomado pela fúria e ela saiu de lá a passos largos. Eu olhei para o Adam que me encarava com uma das sobrancelhas erguidas e balancei meu copo para ele em um cumprimento, ele repetiu o gesto.
– Fala de uma vez, eu sei que não existe eleição nenhuma de rainha do baile. – Eu ri.
– É claro que não. Caso sua garota não saiba, isso não é um filme da Disney – Ele riu contornando a mesa e se sentando na cadeira ao meu lado.
– A minha garota está disponível para dançar, ou será que eu vou ter que esperar ela por muito mais tempo? – Ele sussurrou.
– Pergunte para a Spencer. – Ele gargalhou e mais uma vez eu me arrepiei ao sentir seus dentes na minha orelha.
– É impressão minha ou você está morrendo de ciúmes? – Dei de ombros.
– Posso superar. – Ele riu. Então se levantou e me puxou pelo braço.
– Às vezes eu esqueço que eu tenho a namorada mais difícil do mundo. – Eu gargalhei.
– Achei que tínhamos terminado o nosso namoro dois meses depois que ele começou. – Adam riu.
– Mas você não me pediu em namoro no mês passado? – Balancei a cabeça positivamente.
– Mas eu terminei ele com a nossa briga.
– Qual delas? – Dei de ombros ele riu e de repente seus olhos verdes eram a única coisa que eu podia ver. – Namora comigo de novo então? Quantas vezes for preciso, até tomarmos vergonha na cara? – Eu ri.
– Preciso pensar para poder considerar a possibilidade. – Adam gargalhou e aquele som foi tudo o que preencheu meus ouvidos. Como se tudo tivesse se silenciado. A música. As conversas. As respirações. Adam era tudo o que eu podia ouvir. – Pronto. Eu quero. Quero começar a namorar com você até criarmos vergonha na cara, não importe quanto tempo isso leve. – Adam se aproximou mais eliminando o curto espaço da distância entre nós.
Eu não fazia ideia de quanto tempo nos restava entre o agora e o dia em que criássemos vergonha na cara, nem o que aconteceria quando isso acontecesse. Mas eu sabia que enquanto esse dia não chegasse, era assim que eu queria estar. Com ele. Tanto faz em como estivéssemos indo, se nos amassemos ou odiássemos contanto que estivéssemos juntos.
– Eu amo você, sinaleira.
–Eu também, Calliel. –Eu amo você.
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