Tenerife Sea - So in love.
1 You're all that I'll ever need.
Notas iniciais
Um pouquinho de felicidade entre Jeller, antes do tombo que será a segunda temporada, hahhaha.
− Pensei que você não fosse vir. — diz Kurt Weller se aproximando da mulher que está parada à beira do mirante, admirando o pôr-do-sol.
Ela estava linda. Ainda mais linda do que ele se lembrava.. Usava um vestido longo, tomara-que-caia, branco, um tecido leve mas que marcava suas curvas e revelava parte de sua perna, por uma fenda discreta. Usava saltos altos e finos. Onde a pele ficava a mostra, as tatuagens estavam cobertas. Ela havia deixado apenas o pássaro e as torres que ficavam em suas costas, acima do nome de Kurt Weller, que aparecia apenas parcialmente. Ela estava irresistível.
− E eu não iria. — responde ela se virando para ele. − Mas Sawyer me ligou ontem, exigindo minha presença e ameaçando nunca mais falar comigo se eu não viesse. — diz Jane sorrindo e fazendo Kurt sorrir também. Típico de Sawyer.
− Ele está ficando cada vez mais teimoso. — Kurt se aproxima, encostando no parapeito do mirante, ao lado dela.
− Exatamente como o tio dele. — Jane diz abaixando a cabeça e escondendo um sorriso.
− Não me lembro ao certo, mas acho que alguém já me disse isso antes. — diz ele também sorrindo, se lembrando de quando Jane o chamou de teimoso no vestiário do SIOC. Parecia tão longe de onde estavam agora..
− Essa pessoa te conhecia muito bem.. — Jane diz mordendo o lábio e sorrindo discretamente.
− Essa pessoa me conhece muito bem. — corrige ele a encarando fixamente.
Jane sorri olhando para o horizonte, evitando o olhar dele, que sempre a fez estremecer e sentir borboletas no estômago.
− O discurso do Sawyer foi lindo. — diz após uns instantes de silêncio. − Ele te admira muito.
− Eu amo muito aquele carinha. — Kurt sorri demonstrando o enorme carinho que tem pelo sobrinho. − Ajudei Sarah a cuidar dele quando bebê, então ele é como um filho para mim.
− Ele está tão crescido desde a última vez em que o vi com Sarah.. Já é praticamente um homenzinho. — diz Jane olhando ao longe para o menino que estava com os colegas no meio do jardim onde estava sendo a festa.
− Disso ele já tem certeza. — Kurt ri. − Reade está tendo que enfrentar o ciúme que agora ele tem da Sarah.
− Oh, pobre Reade. — Jane diz fazendo uma careta.
− Mas ele tem conseguido lidar com isso. Sawyer é teimoso, mas Reade já o conquistou. Quase todo final de semana, saímos para ver algum jogo.
− Isso é ótimo. — Jane sorri ao imaginar os 4 em um estádio, sorrindo e se divertindo; e mesmo tentando negar a si mesma, desejando fazer parte disso.
− Sawyer sempre pergunta de você pra todo mundo. — Kurt diz rindo levemente. − Não tem uma vez em que ele me vê, que não pergunte: “Cadê a tia Jane?”— ele ri imitando a vozinha de criança do sobrinho. Jane sorri abaixando a cabeça mas não consegue deixar de rir também.
− Ele me ligou algumas vezes dizendo que sentia a minha falta e perguntando quando eu iria vê-lo..
− Não foi só ele que sentiu a sua falta. — diz Kurt olhando fixamente para Jane. − Eu senti a sua falta. Muito.
O coração de Jane salta uma batida quando seus olhares se encontram.
Desde que ela havia pedido para se desligar do FBI, foram poucas as vezes em que eles se viram, apenas em reuniões que ligavam o FBI e a NSA e algumas poucas vezes que se encontraram na cafeteria preferida dos dois, no centro da cidade. Na ocasião, ambos preferiram evitar contato e assunto, mas em nenhum momento, deixaram de pensar um no outro. Ambos sempre habitaram os sonhos e os pensamentos um do outro o tempo todo.
Os intensos olhos azuis de Kurt prendem o olhar dela ao seu. O azul dos olhos dele conseguiam ficar ainda mais intensos na luz do pôr-do-sol e ao encontrar com o verde dos olhos dela, refletiam um tom que estava além da descrição. Era como o mar de Tenerife.
− Kurt, nós-- — Jane começa a falar, mas Kurt a interrompe.
− Eu sinto a sua falta em todos os lugares, Jane. — diz ele. −Em campo, no escritório, na minha vida. — ele se vira, se aproximando dela. − Eu nunca quis que você tivesse se afastado.
− Eu também não, mas.. -- ele a interrompe novamente.
− Eu estava cego pelo orgulho, eu só conseguia pensar em tudo o que havia acontecido e não sabia como lidar com o que eu sentia por você.. — Kurt se aproxima dela, olhando-a no fundo de seus olhos verdes e coloca a mão em seu rosto. − Mas nem nos meus piores dias eu consegui te odiar. — ele faz uma pausa, momentaneamente perdido no verde dos olhos dela, que sempre transmitiram tanta calma e que ele tanto amava. − .. porque quando amamos uma pessoa, não é possível odiá-la.
O toque inesperado faz Jane arrepiar e as borboletas inundarem seu estômago novamente.
− Eu não sou ela, Kurt. — diz Jane após algum tempo.
− Eu sei. — responde Kurt.
− Então você sabe que o que você sentia, era por el--
− Você está errada. — diz ele a interrompendo. − Eu demorei para perceber isso, mas.. Não era a Taylor que eu amava. Era você. Sempre foi você.
Sempre foi você.
Jane fica sem palavras, completamente sem reação. Sempre foi você. Um sorriso se abre em seus lábios e ela vira a cabeça pro lado para escondê-lo.
− Eu andei conversando com Dr. Borden. — Kurt ri levemente. − Agora ele diz que eu sou seu novo paciente favorito, depois de você, claro.
Jane não consegue deixar de ri também. Kurt não se consultava com o Dr. Borden a menos que fosse obrigado, mas havia feito isso por livre e espontânea vontade. Para se entender e entender o que sentia por ela. Por eles. Por ela.
− Eu não acredito que você teve sessões com o Dr. Borden.
− Sim, eu tive. — Jane tenta disfarçar mas não consegue conter o sorriso e o riso bobo que insiste em permanecer em seus lábios.
− Eu preciso de você na minha vida, Jane. — Kurt da um passo na direção dela e pega sua mão. − Eu acho que estou apaixonado por você. — diz ele com um sorriso no canto dos lábios.
− Você acha? — brinca Jane.
− Acho que eu sempre fui apaixonado por você, Jane Doe. — diz Kurt a puxando para seus braços e a beijando.
Sentir os lábios deles depois de tanto tempo, era como entrar em uma banheira aquecida em pleno inverno. Quente e delicioso. Parecia que os lábios de Kurt haviam sido feitos para beijar os dela, tamanha a perfeição como se encaixavam. Sua língua invadia a boca dela com uma ferocidade e destreza, reconhecendo o espaço que já estivera. Esse beijo, diferente dos outros, carrega um sentimento diferente. Um sentimento de retorno, de recomeço. Um sentimento de volta para casa. É como se tudo o que tivessem passado, tudo o que sofreram, fosse deixado de lado para que os dois pudessem voltar a ser plural, a ser “nós” novamente. O beijo é calmo, lento, mas repleto de sentimentos e de declarações ainda não verbalizadas.
Ele para de beijá-la e a encara à luz do pôr-do-sol.
− O que foi? — pergunta Jane a medida que um sorriso se abre no rosto de Kurt.
− Você fica tão linda sob essa luz. — diz ele capturando a boca dela novamente com a sua, enquanto ela sorri abertamente. Kurt a encara, seu sorriso refletindo o dela.
− E eu amei o seu cabelo desse jeito. — continua ele, pegando uma mecha do cabelo dela e enrolando no dedo.
Ela havia deixado o cabelo crescer um pouco, de modo que agora ele caia em suaves ondas ao lado de seu pescoço e sobre seus ombros e costas. Jane sorri automaticamente e inclina a cabeça na mão dele, dando um beijo na palma.
Por um momento os dois apenas se encaram, olhos azuis fitando os verdes, ambos mergulhados na imensidão um do outro. Era como se o mundo não existisse, como se nada além dos dois, ali, naquele instante e naquele mirante, importasse. E de fato não importava, porque todas as mentiras e decepções foram deixadas para trás. O olhar nos olhos deles, deixava claro que o que os dois sentiam, era mais forte do que tudo e era apenas deles.
Após alguns tempo que poderiam ter durado horas, os dois sorriem e Kurt desvia olhar para o corpo de Jane.
− Você está maravilhosa nesse vestido, sabia? — diz ele sorrindo.
− Kurt, se você não parar de me elogiar eu vou começar a ficar envergonhada. — Jane ri levemente, corando pelo elogio e pelo olhar dele, enquanto Kurt ri e a abraça pela cintura, colando sua boca na dela novamente. Ele havia ficado tanto tempo sem sentir os lábios dela contra os seus, que tê-la era quase como se fosse uma necessidade.
− De novo, tio Kurt? — diz Sawyer com os braços cruzados, parado a alguns metros dos dois.
Ambos riem e interrompem o beijo, relembrando do primeiro beijo em frente à casa de Kurt, que foi interrompido exatamente da mesma maneira.
− Oi Sawyer! — diz Jane sorrindo para o garoto.
− Ei carinha, o que você está fazendo aqui? — diz Kurt mantendo o braço na cintura de Jane e rindo para o sobrinho.
− Já é a segunda vez que pego vocês dois se beijando e pelo visto vou pegar mais vezes.. — diz o menino revirando os olhos e balançando a cabeça. − Está na hora do brinde, vamos! — diz ele impaciente, já correndo de volta para a multidão no meio do jardim.
− Vamos? — diz Kurt sorrindo e estendendo a mão para Jane.
− Vamos.
Jane coloca a mão na dele e os dois sorriem um para o outro, entrelaçando seus dedos e seguem para a festa, com a certeza de que o que ambos precisavam para ser feliz, era apenas um ao outro. E isso eles sabiam que já tinham e teriam para sempre.
Essa oneshot foi escrita inspirada na música Tenerife Sea, do Ed Sheeran.
Notas finais
Comentem, me digam o que acharam. ❤
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