Tenebris - Interativa
1 Vindicta
Notas iniciais

O som dos passos pesados de Connor ecoavam pelo corredor, as botas de montaria realmente não eram uma boa opção para aquele tipo de piso, visto que eram muito barulhentas, mas ele não se importava. A extensa porta de madeira que se situava ao fim do tapete vermelho estava fechada. Ela nunca estava fechada. Percebeu que a situação era grave quando Edward, um dos criados da casa subiu a escadaria rapidamente e se pôs a sua frente.
— O que está a acontecer? Por que a porta do quarto está fechada? Vi minha mãe correr para dentro após receber a guarda nos jardins. — Questiona o jovem, afastando alguns fios teimosos dos seus longos cabelos ruivos de seu rosto.
— Ninguém sabe exatamente o que está a acontecer, Senhor. Temo que seja algo sobre a senhorita sua irmã. — Responde o criado um tanto embaraçado, gesticulando bastante com as mãos.
— Charlotte? O que aconteceu?
— Ela saiu para dar uma volta na vila no fim da tarde de ontem e não voltou mais para a vossa residência.
Connor faz menção que vai falar algo, mas não consegue. Parece estar analisando a situação. Todos da região sabiam o quão era perigoso sair durante a noite, boatos sobre criaturas noturnas que se alimentavam de sangue eram frequentes por ali. Ninguém queria ser a próxima vítima, mas havia um pequeno detalhe que o intrigava: após se alimentarem as criaturas costumavam deixar o corpo morto, mutilado em algum local visível da cidade. Como um aviso para os cidadãos e, em nenhum momento Edward mencionara um corpo.
Connor se virou, deixando o moço para trás e caminhou firmemente até os aposentos de sua mãe, cuja porta estava fechada. Abriu-a delicadamente, não tinha como intenção assustar uma das pessoas que mais amava. Elisabeth Patel estava sentada sobre a cama, seu rosto estava afundado em suas mãos, provavelmente chorava. Os longos cabelos ruivos estavam presos em um alto coque trançado, deixando a vista suas costas vestidas por um pesado vestido de mangas longas, de tom vinho. Alguns fios de ouro também o enfeitavam, mostrando apenas uma pequena porcentagem do quão a família era rica e influente.
— Mãe? — Chamou-lhe a atenção ao ouvir um de seus soluços doloridos.
— Connor? Oh, Connor! — Lamentou a mulher e se levantou, indo de encontro ao seu primogênito. Abraçou-lhe, acariciando os seus cabelos. O jovem nem pestanejou, apenas retribuiu o abraço, acolhendo sua mãe em seus braços.
— O que aconteceu? — Perguntou afastando um pouco para poder estabelecer um contato visual.
Elisabeth é uma mulher bonita, e possui seus quarenta e poucos anos. O rosto salpicado por sardas tem suas marcas, mostrando que é mulher vivida. Os olhos castanhos, sempre tão receptivos, com as rugas em seu canto, estão inchados e avermelhados devido ao choro.
— Charlotte desapareceu, a guarda teme que tenha sido aquelas criaturas da noite. — Explicou a senhora.
— As criaturas da noite agora estão a sequestrar pessoas? O que a guarda vai fazer?
— A guarda não pode fazer nada. Preferiram considerar Lotte como morta, já que em breve servirá de alimento para eles. — Comentou e foi cortada por um profundo soluço de tristeza, logo as lágrimas voltaram a correr-lhe pelas bochechas. — Eles não querem arriscar membros da guarda para procurarem por ela. Basta que apenas uma pessoa seja sacrificada nessa história toda.
— Isso não pode ficar assim... — Connor pensa em voz alta, se afastando da mãe.
— Pode e vai.
— Não, eu não vou deixar.
— O que vai fazer Connor? — Pergunta sua mãe e o jovem se vira de costas, já saindo do quarto. — Connor!
E assim, o jovem Connor Patel partiu, deixando Elisabeth e Edward para trás. Deixando sua família e lar. Não tinha esperanças de encontrar Charlotte viva, mas não suportava a ideia de que a guarda local a deixara para morrer. Tinha esperanças de encontrar vingança em seu trajeto, iria matar cada criatura da noite em seu caminho, até se sentir completamente saciado.
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