Tempus Fugit
1 Tempus Fugit
Caracterizo o tempo como o ser mais implacável da existência. Pois é irrefreável, insensível e incontrolável. É exatamente por tal motivo que seu desperdício preocupa-me. Afinal, não se pode voltar atrás do que foi feito, nem resgatar o que já se perdeu. A humanidade divaga, perde o que possui de precioso com futilidades, com inconstâncias, com o insignificante. Porém, no fim a – boa ou má – índole das pessoas não refreará o julgamento do tempo, todos por ele serão tragados, sem dó ou piedade. Pensamentos, memórias, riquezas, vidas inteiras aniquiladas por ele. Nunca acreditei que a força motriz do fim fosse a morte, mas sim o tempo.
O mundo é movido por vidas sem rumo, sem direção, sem importar-se que a cada segundo se aproximam cada vez mais do vazio, do vácuo da inexistência. E assim, legados se perdem no tempo, sem destino, sem significado, vagando em momentos que parecem eternos ao olhar do observador. Mas tudo é pária, tudo se perde. A vida é traçada a cada dia, e a cada dia é também apagada. Homens nascem e homens morrem. E durante esse intervalo – entre o nascimento e a morte – é que toda a maravilha da existência ocorre, como um piscar de olhos que dura o infinito, a existência firma-se para então tornar-se inexistente, deixando para trás apenas eventos, momentos, legados.
Assim vou também caminhando. Não julgo quem o tempo desperdiça, pois tal atrocidade também cometo. O desperdiço passando longos períodos repousando, vivenciando eventos de adversos de uma futilidade inaceitável, fazendo das horas, minutos, e dos anos meros dias, amando quem a mim não ama e escrevendo textos com os quais sete bilhões de pessoas não se importam.
Notas finais
Ou senão vou descobrir onde vocês moram e numa linda manhã acordarão sem suas genitálias. :)
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