Tempos de Guerra

11 Spa? Caça aos ratos?


Notas iniciais
Guardian: ahhh, desculpem-nos pela demora >/////< Mas... Mas... Sou eu quem está postando e estava sem internet e... Prometo que vou responder aos reviews, okay? ó.ò

— Preparamos um spa especialmente para alemães em território Aliado – Beyond e mais alguns soldados conduziram Mello para exatamente a mesma casa para onde Matt havia sido levado há 12 horas atrás – Primeira etapa: hidratação – o coronel indicou uma enorme tina de metal, preenchida de água até quase a borda.

Mello foi deixado no chão, com os brutamontes Geller e Green um de cada lado do seu. Beyond abaixou-se para olhá-lo direto nos olhos, e novamente o sargento teve a impressão de ver um lampejo vermelho nos escuros olhos.

— Cicatriz interessante – comentou com a mão no queixo do loiro, fazendo-o erguer mais o rosto para o coronel poder ver melhor a pele marcada – Alguma história heróica por trás dela?

Lampejos de flashbacks dolorosos passaram pela mente de Mello, mas ele logo tratou de bloqueá-los e concentrar sua atenção no homem à sua frente.

— Hum? – um vago esclarecimento passou por Beyond, como se reconhecesse aquele rosto de algum lugar. Algum lugar distante – Qual o seu nome?

Mello não respondeu.

Podia estar temeroso, mas sendo quem era, faria de tudo para não demonstrar isso. Continuava mantendo o olhar de desafio, por mais infundado que este fosse.

— Acho que você não ouviu a pergunta. Se você tivesse ouvido, teria respondido, não teria? Porque você não á tão idiota a esse ponto, certo? – um sorriso tomou conta do rosto naturalmente pálido de Beyond. Um sorriso perigoso. Sua mão ainda segurava o queixo do loiro, e cada vez mais puxava a cabeça deste para cima, fazendo uma irritante dor se iniciar no pescoço alvo – Então eu vou repetir: qual o seu nome?

-... Mihael Keehl – saíram da boca de Mello, totalmente mortas.

O sorriso macabro de Beyond se alargou de um jeito peculiar o suficiente para fazer com que finalmente Mello fraquejasse. As pupilas do alemão se contraíram e ele sentiu seu estômago se retrair contra as paredes de seu corpo.

— Keehl... – repetiu o coronel, deliciando-se com o significado que aquele sobrenome tinha para a Tríplice Entente. Então ainda havia um vivo... Interessante – Acho que é uma boa hora para retomar contato com Jean – falou consigo mesmo.

Mello empalideceu à menção daquele nome. Não lembrava aonda ouvira “Jean” antes, mas sua simples menção provocou um misto de sensações que ele não entendia de onde vinham. Raiva, medo, triste nostalgia, não sabia dizer. Não parecia ser nenhuma em particular, e sim uma mistura de todas. Mas ainda vindas de algum lugar obscuro do interior de Mihael.

— Então, Mihael – Beyond fez Mello mudar de posição, deixando-o ajoelhado defronte à grande tina d’água – Que tal falar um pouco sobre o ataque à Inglaterra?

Mello sabia o que aconteceria se não respondesse, e se, o que era o mais provável, respondesse de maneira grosseira. Sabia. Mas saber não o impediu de falar:

— Que tal falarmos um pouco sobre a sua mãe?

Mas ao contrário do que ele esperava, o coronel não se mostrou insultado nem nervoso com aquela resposta. Não, muito pelo contrário. Ele sorriu.

— Claro. Ela era um típica senhora rica inglesa. Esbanjadora, bonita, e de certa forma, líder se de seu próprio círculo social. E eu a matei aos nove anos de idade.

Mello chocou-se com aquilo. Pela naturalidade com que ele falou e por ele ter falado. Mas nem teve tempo para assimilar aquele choque, porque no momento seguinte ele só pôde ver Beyond prender o cabelo negro com um elástico e sentir a mão forte na parte de trás de sua cabeça empurrá-la para frente.

Tentou a todo custo manter a boca fechada e resistir ao impulso de inspirar enquanto a mão do inglês mantinha sua cabeça totalmente imersa na água. Começava a sufocar, e o pânico de pré-afogamento tomava seu peito, que abrigava o par de pulmõespedintes, desesperados por oxigênio. Mas por mais que tentasse, chegou um momento que não conseguiu mais manter boca e nariz bloqueados, em uma ação involuntária e desesperada. E assim que as primeiras bolhas de ar subiram para a superfície e estouraram, Beyond puxou Mello para fora.

O cabelo loiro pingava, ele mal conseguia abrir os olhos, e tossia engasgado no doloroso processo de trocar a água que conseguiu ocupar sua garganta pelo tão necessitado oxigênio.

— Que tal uma resposta de verdade agora? – Beyond perguntou ainda com a mão na cabeça do loiro. Claro que no momento Mihael estava ocupado demais redescobrindo a maravilha do sistema respiratório humano para falar qualquer coisa, mas assim o coronel continuou – Sabe, eu gosto bastante do meu país. Não chega a ser um nacionalismo doentio como o de vocês, mas eu aprecio bastante a Inglaterra. Principalmente Londres. É uma cidade bonita, boa para se viver. Ou pelo menos costumava ser; faz tempo que eu não volto para lá. Mas vocês alemães a bombardearam, e eu quero saber seus próximos planejamentos quanto a isso.

Mello finalmente conseguia respirar decentemente.

— Então saboreie a decepção. Eu não vou dizer nada.

É, ele realmente deveria aprender a calar a boca. Não faria mal nenhum. É tão simples!

Logo sua cabeça voltou para a água, e ao retirá-la de lá, Beyond repetiu a ordem.

— Diga quando reiniciam-se os bombardeios à Londres – segurando fortemente os cabelos da nuca de Mello, Beyond aproximou seus rostos o suficiente para molhar o próprio. A voz calma e suave do inglês soava inúmeras vezes mais ameaçadora que os gritos de Light; a paciência nos olhos do coronel era muito mais intimidadora do que a incisão nos do americano.

Para evitar que qualquer palavras saísse involuntariamente de sua boca, Mello tratou de contrair forte seus lábios e não falou mais nada pelo resto do tempo. Foi devolvido à água mais algumas vezes, e Beyond, ao perceber aquilo não estava tendo o efeito que esperava, tirou pela última vez o tão teimoso prisioneiro da água e o deixou cair para trás no chão, ofegante.

— Chega – o coronel falou, levantando-se e afastando-se de Mihael – Rapazes, hora da massagem.

Geller e Green aproximaram-se com um estalar de dedos.

~x~

Mello estava sendo levado de volta para sua “prisão”, carregado de qualquer jeito pelos brutamontes americanos. Mantinha seus olhos fechados, como se estivesse inconsciente, mesmo sem o estar de fato. Apenas julgou que aquela era a maneira mais fácil de evitar ver os cacos de seu orgulho refletidos nos olhos debochados e irritantes dos ingleses e americanos que o escoltavam.

Dizer que seu corpo estava dolorido seria uma total fuga da realidade. Tudo parecia muito vago em sua mente, mas estranhamente, estava conseguindo ouvir os sons ao seu redor muito claramente. Inclusive a voz do Tenente-Coronel Light.

Infelizmente ou não.

Supôs que havia passado bem ao lado dele, pela clareza de sua voz, e a raiva e o ódio que borbulharam dentro de Mello ao imaginar a expressão do homem ao ver o estado em que o alemão se encontrava foram sobrejulgados pelas palavras que saíram da boca do americano.

Talvez o tenente-coronel estivesse conversando com outro alguém, mas a questão era que Mello ouviu. E Light não considerou isso, afinal, ao que tudo indicava aquele nazista estava mais do que apagado. Continuou falando.

E Mello mal pôde acreditar no que ouviu.

~x~

Matt passou o dia inteiro tremendo levemente no chão, sentindo cada vez mais a falta de seu tão necessitado vício. E claro, o sol não estava ajudando nem um pouco a superar isso. Mello, porém, dependeu do calor para secar-se, e condiserando que estava jogado no chão, a água nem de longe serviu como um substituto do banho que tanto precisava.

— Matt... – Mello chamou baixinho, se arrastando até Mail. Sentia-se levemente mais recuperado – Matt, tá me ouvindo? – dizia em alemão.

— Tô... – falou com certa dificuldade, disperso.

— Temos que fugir. Rápido...

Mail riria se tivesse ânimo para isso.

— Como? – na verdade, ele queria era dizer “Ah, claro, gênio! E qual é o seu plano brilhante?”, mas eram palavras para pronunciar.

— Eu não sei, mas tem que ser rápido. Eu ouvi o americano falando sobre...

— Nazistas! – uma voz grossa os chamou do portão com dobradiças rangentes, levando a atenção deles para lá – Água. E agradeçam, seus “homens” não tiveram a mesma sorte.

Co... O que...

— Não foram informados? – o soldado ergueu as sombrancelhas, fingindo espanto – Os demais soldados capturados foram todos... Bom, digamos apenas que eles não aguentaram nosso nível de hospitalidade.

— Seus merdas! – de repente uma energia surgida de lugar nenhum carregou Mello o suficiente para fazê-lo levantar e correr até o maldito soldado americano. Este que fechou a porta antes e manteve seu corpo separado da surra que Mello o daria apenas pelas grades em fomra de losango, que agora sofriam a pressão dos dedos vermelhos do loiro – Aliados filhos de uma puta mal paga! Você não têm um pingo de honra nessas bandeiras escrotas! Seus homens não têm culhões! – e escarrou no rosto do soldado.

Sem hesitar, o homem sacou a pistola do coldre, engatilhou-a e apontou para Mihael antes mesmo de todo o líquido do alemão atingí-lo na face.

— Olha como fala, prisioneiro – o homem realmente pensou em apertar o gatilho, mas uma mão pálida segurou o cano e o abaixou, autoritário, antes que pudesse.

— Ainda não é hora – Coronel Beyond falou e o soldado não teve qualquer outra escolha a não ser recolher o armamento – E você – tornou o olhar indecifrável para Mello, que continuava a segurar a grade de forma raivosa – Fique quieto aí se não quiser voltar mais cedo ao nosso spa.

— MERDA! – a grade vibrou levemente com a força com que os punhos de Mello a acertaram. Beyond já havia se retirado do local.

“Merda”. Era a palavra perfeita para descrever a situação como um todo.

~x~

— Mello, você não acha que está um pouco... Vazio? – Mail perguntou em voz baixa, olhando confuso ao redor.

Anoitecia, e sem explicação alguma, todos os soldados que há dias cercavam a “prisão” e vigiavam os dois, simplesmente... Não estavam mais lá.

“O que aconteceu?” Mello olhou ao redor também, não conseguindo enxergar ninguém mais além deles próprios lá.

E então um barulho. Um sonoro e estranho rangido.

A porta estava aberta.

“E o que isso significa?!” Mihael perguntou-se atônito, mas a resposta, realmente não lhe importava. Podia ser um truque, uma armadilha, ou até mesmo uma brincadeira, mas nada disso lhe era importante. Mesmo correndo o risco de ser novamente alvo da mais pura humilhação, não podia e não iria deixar aquela chance passar.

A passagem para a liberdade deles estava aberta, e por mais remota que fosse a possibilidade, eles iriam tentar reconsquitá-la. Poderia morrer tentando, mas não morreria naquele lugar em que seu orgulho não valia merda nenhuma.

— Mail, é agora.

— “Agora”, o quê? – Matt não havia percebido o barulho. Ou melhor, não deu atenção à ele.

— Não pergunte nada, apenas corra quando eu der o sinal – Mihael manteve-se agachado defronte ao ruivo e disse com toda a certeza que pôde reunir – Nós vamos sair daqui.

Um “como?” sarcástico perdeu-se na garganta de Mail ao identificar o que o loiro indicava com o olhar urgente. A porta, a única forma de acesso ao “lado de fora”, estava escancarada, como se gritando o convite para ser transpassada.

...

Mas não seria uma armadilha?

Ao perceber a indecisão e receio de Matt, Mello o segurou pelos ombros e o balançou.

— Mail, ou nós vamos ou nós morremos, você sabe disso! – e então finalizou com chave de ouro – E além do mais, lá fora têm cigarros.

A resposta foi imediata.

— Vamos – Matt falou, levantando-se e colocando o corpo dolorido em segundo plano em sua mente. Mello o imitou.

Os dois andaram cautelosos e sorrateiros até a porta aberta, olhando para os lados a cada passo. Alcançaram a porta e encostaram no metal — que com o cair da noite começava a perder um pouco do calro acumulado durante o dia.

Um leve farfalhar de folhas causado pelo vento alternante foi o suficiente para fazê-los iniciar a corrida da noite. Mesmo efeito que teria um tiro de festim.

Suas pernas criaram vida com um único impulso. Bendito seja o treinamento militar!... E a adrenalina. Suas coxas tonificadas mal sentiam o impacto entre os pés e o chão, ambos nus. O coração acelerou-se também, frenético, insano; as batidas reverbraram em seus peitos fazendo a vibração ser sentida na pele e na garganta. Era aquela hora e somente aquela.

Houve um nanossegundo de balanço na corda bamba que era o caminho deles em direção à Liberdade. Aquele tão íntimo barulho de explosão proveniente de uma arma de fogo se espalhou até atingir os tímpanos dos sargentos, quase ao mesmo tempo em que o projétil deslizou, retilínio, perigosamente perto da coxa esquerda de Mello, abrindo um horrível e ardente rasgo na pele alva de fios loiros, logo tingida de escarlate.

— MELLO! – gritou Mail ao ver a mancada única que Mihael deu. Ninguém parou de correr e aquele maldito som não voltou a repetir-se.

— Estou bem, não para!

*************


A uma certa distância do ponto de fuga...

— Eu mandei não atirar! – Beyond ralhou nervoso com o soldado que tentara acertar Mello. Contrariado e sem fazer ideia do que significava aquilo tudo, o homem travou sua arma e a devolveu à cintura.

— O que significa isso?! – Light transformou em palavras audíveis, confusas e revoltadas, as indagações de todos os presentes.

— Eu os deixei ir – Beyond respondeu de forma simples e óbvia.

Mais óbvio ainda era Light não aceitar um resposta dessas.

— O quê?! Como você pôde... Por quê?! – Light gesticulava os braços furiosamente.

— Deixar os ratos fugirem para depois caçá-los. Não acha interessante? – Beyond perguntou com um sorriso um tanto... Sádico.

Desde o momento que ouviu o nome de Mihael, pensara em fazer isso. Se lhes fosse dada a chance, eles conseguiriam escapar? Eles teriam capacidade para tal? A ideia de testá-los para descobrir era absolutamente fascinante aos olhos de Beyond.

Mas a satisfação do coronel pouco importava à Light.

— Vocês – o homem de cabelos castanhos indicou três de seus soldados – Vão atrás deles agora e os tragam de volta até o amanhecer!

Os homens estavam prestes a obedecer, mas o coronel deu um passo à frente, imobilizando-os.

— Fiquem onde estão que eu não permiti isso – qualquer vestígio de divertimento e satisfação havia abandonado sua feição, agora totalmente séria e detentora de um olhar gélido e ameaçador. Olhar este dirigido exlcusivamente à Light – Lembre do seu lugar, tenente-coronel. Podemos ser de nações diferentes mas eu continuo possuindo uma patente superior à sua, e principalmente, eu continuo no comando aqui.

Light usou de todo o auto-controle que podia impor sobre seu corpo para evitar suas pernas de darem um passo para trás, e toda a arrogância que lhe restava frente ao olhar de Beyond, para falar:

— Deixar prisioneiros fugirem pode lhe render uma pesada punição, coronel.

— Digo o mesmo à você, caro americano. Eu apenas segui o seu jogo – Beyond soltou um riso ácido – Os seus métodos de “cuidar” dos prisioneiros de guerra violam totalmente os direitos humanos estabelecidos após a última guerra. Quem se daria pior, eu ou você? Um coronel ou um tenente?

Mudo. Foi assim que Light ficou. Mudo.

“Eles podem ter alguns dias de dianteira” Beyond pensou consigo mesmo, desprendendo o olhar de Light e o voltando para o local, agora deserto, onde pouco tempo antes os dois alemães corriam.

Notas finais
Guardian: Eh... Eles fugiram ._. (tenho até medo da reação da Kalhens... Eu gosto do Mello, tá? ó.ò Só... Judiamos um pouquinho dele) E eu sei que hidratação não é com água, mas ficaria estranho o Beyond falando hidroterapia.