Temporada de Caça
1 Prólogo
Notas iniciais
Ele odiava Merle com todas as suas forças. Aquele merda do seu irmão conseguia ser um grande filho da puta quando queria. Ainda mais quando era relacionado a ele e para ser mais especifica, sobre a vida amorosa de Daryl.
Havia três tipos de companheiros: os alphas, que eram os protetores. Os ômegas, que eram protegidos e os betas, que podiam alternar entre alpha e ômega dependendo do seu parceiro. Tanto homens quanto mulheres podiam ser qualquer uma das categorias. Mulheres alphas eram menos comuns, mas homens ômegas eram mais raros ainda.
Tão valiosos quanto um diamante.
E Daryl era a porra de um ômega.
Todo mundo pressupõe que ômegas deviam ser tímidos, quietos e delicados. Tudo o que ele não era. Ele era rebelde, ágil, caçador.
"Você seria um ótimo alpha, Darylinda" Merle o e soltava vez ou outra, tentando provoca-lo. E conseguia.
Já não bastava o tanto de alphas que tinham aos seus pés — ou melhor, enchendo o saco — Ainda tinha que aguentar os amigos engraçadinhos do seu irmão. Até sei pai pedia que ele se comportasse mais adequadamente e o sonho da sua mãe era que ele arranjasse um alpha tão especial quanto ele. Era um saco.
Ele não queria casar com ninguém, fazer família, ou algo do tipo. Ele só queria subir na sua moto, sair por ai com seus cabelos ao vento.
Mas, continuando, Merle era um filho da puta. Parece que eu estava devendo algo para um cara, e o que o paspalho tinha pedido em troca era a porcaria de um encontro.
Era claro que o Dixon mais jovem não ira aceitar tão facilmente.
"Se você não for, eu conto para a mãe que você sai escondido a noite para caçar".
Não havia nenhum problema em caçar. Muito menos a noite, que era quando todos iam. O problema era um ômega fazer. Esta sociedade era tão injusta que lhe dava enjoo. E também ele sabia qual era o tipo de amigo que Merle tinha. Ia querer marca-lo como seu no momento que eles o vissem.
E ninguém o marcava. Daryl Dixon era impossível se de possuir.
Então, com todo mal grado que ele tinha, entrou no restaurante que simulava os anos 70 e sentou a mesa. Daryl não conhecia o cara, então sentou em qualquer mesa e folheou o cardápio. O babaca que o procurasse. Na verdade, estava torcendo para que esse idiota não o achasse ou por algum motivo desistisse de ir naquela merda de encontro.
Ele sentia os olhares sobre si. Cara, ele era o único homem ômega no estado, todos os alphas queriam experimentar ele. Mas Daryl não estava a fim de nada disso.
Ele ignorou os olhares e procurou alguma bebida no cardápio.
Um homem entrou no restaurante. Ele era da sua altura, olhos claros e um nariz que era bem... Era grande, mas de alguma forma se encaixa na sua aparência. E ele era bonito.
Daryl se mexeu desconfortavelmente no banco. Era bem difícil ele se sentir atraído por alguém.
E o cara sentou se na sua frente.
Ele era o amigo de Merle.
— Você deve ser o Daryl.
O cara estendeu a mão, em saudação amigável. Ao perceber que o Dixon não ia cumprimenta-lo, completou:
— Eu sou Rick Grimes.
— O xerife?
— Hoje não, na minha folga é só Rick.
Daryl avaliou o cara. Merda, ele era gostoso. Além disso, era o xerife também... Mas isso não quer dizer que seria fácil.
— Não sabia que Merle era amigo do xerife.
— E não é.
Daryl colocou o cardápio sobre a mesa.
— E o que Merle te deve?
— Deve? Nada. Ele disse que você poderia me ajudar com um problema, e marcou o encontro para eu falar com você.
Puta merda. Merle ia lhe pagar.
O que ele ganharia tentando encontrar alguém para ele...
Ele pensou em levantar, sair da mesa e ir quebrar a cara do seu irmão, onde quer que ele esteja vadiando. Mas... O xerife era tão bonito. Ele ficou excitado só de olhar para ele. E isso não tinha acontecido antes. Ele nunca desejou alguém como agora.
Seus dedos foram suficientes, ele nunca esteve muito interessado nos alphas. Mas este...
— Eu não sou um ômega qualquer. — Daryl disse seriamente.
— Eu sei... Homens ômegas são mais raros que ruivos de olhos azuis.
— O que? Não, não estou me referindo ao fato de ser homem... Eu não me comporto como um ômega. E nunca vou. Ninguém vai me domar xerife.
Rick pareceu entender o significado das palavras do outro. Depois, refletiu um pouco e perguntou:
— Que tipo de coisa você faz que não é apropriado para um ômega?
Daryl fez uma careta. Em que planeta aquele babaca vivia?
— Você não entende.
— Me explique.
O olhar de Rick parecia sincero. Então o Dixon se propôs a explicar.
-Eu sou visto como um pedaço de carne, um objeto. É feio se eu não for dependente, se eu andar sozinho e se não for delicado. Eu não sou nada disto. É reprovável se eu não quiser me relacionar, eu preciso de um alpha e toda esta bosta que a sociedade faz questão de me lembrar diariamente.
— Compreendo.
O silêncio na mesa foi incômodo por uns minutos.
— Bem, quero dizer que eu realmente me interessei por você. Sabe por que Merle "armou" um encontro?
— Porque ele é um babaca.
— Não, porque eu também não concordo como os ômegas são vistos e tratados. Essa fragilidade, essa dependência... Não está mais... Convencendo-me. Não tem porque ser assim.
Daryl ergueu uma das suas ralas sobrancelhas.
— Dizendo isso acha que eu vou transar com você? Não vou.
— Você sempre fica na defensiva, Daryl? Eu nem vim aqui por isto.
E o silêncio recaiu sobre a mesa. Fizeram seus pedidos e comeram tranquilamente. Foi o Dixon que puxou assunto desta vez:
— Você tem um filho não é?
— Sim.
— E ele é o que? Alpha, beta...?
— Ele é um ômega também.
Daryl quase engasgou com os sanduiche.
— Pensei que era só eu no estado.
— Não mais. Eu entendo como você se sente, mas... Quero que Carl cresça como você, sem ter medo ou receio de fazer coisas por que ele é um ômega. E quero que ele encontre alguém que não queria ele para ser um troféu, e sim por amar o que ele é.
— Foi por isso que você marcou um encontro comigo... Não foi por interesse sexual.
— Apesar de você ser muito bonito, não, não foi. – Rick riu. – Eu queria que você conversasse com o meu filho, se pudesse, é claro. Ele está muito chateado agora que está crescendo e está mais ciente de como as coisas funcionam. Não aguento ver ele desse jeito.
— Talvez eu tenha um tempo para falar com ele.
O sorriso do xerife era magnífico. Os lábios rosados se esticavam e mostravam uma fileira de dentes brancos e perfeitamente alinhados.
Bem, isso ia ser bem interessante.
Muito interessante.
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