Notas iniciais
Boa madrugada S2. kkkkk. Tudo bem com vocês?

Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porem é o amor. 1cor 13-13

Lorena soltou um longo suspiro enquanto olhava as fotos do seu celular relembrando todos os momentos que passaram juntos.

Desde que saiu da lanchonete, não conseguia parar de pensar sobre o assunto. Abraçou o próprio corpo notando o brilho da aliança em seu dedo anelar e foi impossível refrear as memórias do dia anterior.

— Lorena, eu quero me casar com você. A voz dele soou em seus ouvidos e ela chorou.

— É linda. Nunca vi algo assim. Sua própria voz soou e ela chorou ainda mais.

— “O amor é paciente e bondoso. Tudo suporta.” Você que escreveu?

— Guarde com você, não esquece, esta bem?

— Vou guarda-las aqui e aqui. Apontou a própria cabeça e o coração.

Alcançando a caixinha em forma de coração na gaveta da cômoda ela abriu o papel relendo cada palavra, repetidas vezes.

— Nosso amor pode suportar isto? Perguntou ao vazio.

Eu te amo. A mensagem brilhou na tela do celular e ela tocou a tela como se o gesto pudesse dissipar toda confusão e ansiedade que sentia.

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— Você chegou. Finalmente. O que aconteceu com seu celular? Estou tentando te ligar há horas. Carmem falou assim que eu ele entrou em casa.

— Devo ter esquecido no modo silencioso. Disse olhando o toque do celular. _ O que houve?

— Por acaso você se esqueceu de contar algo para a sua família? Carmem perguntou em tom de censura e Rafael a olhou sem entender.

— Esqueci o que mãe? Perguntou confuso. Carmem se aproximou o encarando e segurou em sua mão a erguendo na altura dos olhos. _ Isso. Falou apontando a aliança em seu dedo. Rafael olhou para a sua mãe, finalmente se dando conta de que não havia contado sobre o noivado a sua família, muito menos havia feito o pedido oficial à mãe dela.

— Mãe... Começou a explicar, sendo interrompido por Carmem, indignada.

— Como você fica noivo e sou a ultima a ficar sabendo?

— Pouca gente sabe mãe. Tentou explicar. _ Ainda nem fiz o pedido a família dela.

— Como não? Rafael, não foi isso que seu pai e eu te ensinamos. Repreendeu. _ Charlie, você precisa ouvir isso. Ela falou aumentando o tom de voz para que seu marido pudesse ouvir do outro cômodo.

— Mãe não precisa envolver meu pai nisso, eu vou resolver isso. Falou sentindo-se uma criança de oito anos sendo censurado pela mãe.

— Resolver o que? Seu pai entrou na sala perguntando e Rafael que de alguma forma alguém o tirasse da sala.

— Seu filho ficou noivo, não nos contou e pior ainda, não se deu a importância de ir falar com a família dela. Sua mãe começou a listar usando os dedos. _ Onde já se viu uma coisa dessas?

— Eu sei mãe, mas é que estou com muita coisa na cabeça no momento. Falou e o olhar de sua mãe o analisou por completo. Sua expressão mudou assim que ela notou seu olhar abatido.

— O que esta havendo Rafael? Seu pai perguntou com a voz calma e ele ficou a ponderar se deveria contar ou não.

— Qual é filho, eu te conheço muito bem para saber que algo esta errado. A voz de sua mãe tornara-se suave.

— Você não confia em nós? Seu pai voltou a perguntar e Rafael o olhou.

— É complicado pai. Disse apenas.

— É mesmo? O que sempre te ensinamos quando as coisas ficam difíceis? Perguntou.

— Dividir é parte da solução. Falou repetindo a frase decorada que eles costumavam usar.

— Isso mesmo. Seu pai falou sentando-se no sofá.

Dando-se por vencido, Rafael também sentou-se e começou a contar tudo o que acontecera nos dias anteriores enquanto seus pais ouviam atentamente e vez ou outra se entreolhavam, se comunicando pelo olhar.

— E o que você pretende fazer filho? Charlie perguntou depois que Rafael parou de falar. _ É uma boa oportunidade Rafael, do tipo que não se tem a qualquer momento.

— Charlie. Carmem interrompeu.

— É a verdade Carmem.

— E quanto a Lorena? Carmem perguntou olhando do marido para Rafael que permaneceu calado.

— Eles podem esperar. Um ano e meio não é tanto tempo assim. Rafael olhou suas mãos.

Em vários aspectos ele era muito parecido com seu pai, em especial nesta questão, eles pensavam de maneira parecida. O único problema, era que em seu interior, algo o alertara que não seria tão simples assim. Ele precisava convencer Lorena antes de qualquer coisa.

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Rafael discou o numero dela nos favoritos levando o celular ao ouvido. Seu coração batia pesado no peito. Desde a manha do dia anterior onde ele havia contado sobre a Pós Graduação, eles não haviam se falado mais, exceto por uma única mensagem sem resposta no meio da noite.

— Alô. Ela atendeu com a voz baixa.

— Oi, sou eu. Falou.

— Sim, eu sei. Lorena respondeu apertando o celular no ouvido.

— Acordei você? Perguntou.

— Não. Já estava acordada. Falou escondendo a parte que quase não dormira a noite toda.

_ Minha mãe está convidando vocês para almoçar aqui em casa hoje. Falou. _ Seus tios também. Na verdade, ela praticamente exigiu este almoço depois que descobriu nosso noivado. Completou quando ela não respondeu nada. _ Lorena, está me ouvindo? Tentou novamente.

— Contou a ela? Lorena perguntou franzindo o cenho, embora ele não pudesse vê-la fazer isso.

— Ela descobriu. E então? Vocês vem?

— Nós precisamos conversar Rafael. Eu não sei se é uma boa ideia almoçar com sua família neste momento...

— E vamos conversar. Por favor, amor. Isto é importante para ela.

— Está bem. Vou falar com minha mãe e os meus tios. Concordou.

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Lorena soltou um grande suspiro quando seu tio estacionou o carro em frente à casa de Rafael.

— O que foi? Está ansiosa com o almoço? Sua mãe perguntou e ela acenou concordando.

— Um pouco. Falou. Em parte estava ansiosa com o almoço, mas sua maior ansiedade, era a conversa que, inevitavelmente, eles teriam.

— Vamos entrar. Já estamos atrasados. Seu tio Augusto falou e elas o seguiram.

Apenas alguns segundos após tocar a campainha e Rafael surgiu na porta, seu olhar encontrou o dela, e por um segundo Lorena quis esquecer a ultima conversa dos dois e apenas abraça-lo.

— Boa tarde Rafael. Desculpa, acabamos nos atrasando um pouco. Rute falou e Rafael a olhou, despertando.

— Não tem problema Dona Rute. Minha mãe resolveu fazer este almoço de ultima hora, que bom que puderam vir. Ele disse cumprimentando Marli e seu esposo e os fazendo entrar. _ Minha mãe esta na cozinha, podem ir ate la. Lorena foi a ultima a passar pela porta e ele tocou em seu braço levemente a fazendo olha-lo. _ Ainda esta brava comigo? Perguntou baixo.

— Não estou brava Rafael. Falou seria e ele balançou a cabeça concordando. _ Vou falar com seus pais. Disse e se afastou se juntando aos outros na cozinha.

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— Eu estou muito feliz por termos este almoço juntos hoje. Carmem falou.

_ É sempre muito bom tê-los aqui. Charlie completou.

— Obrigada. Rute agradeceu e seus tios fizeram o mesmo. Eles passaram grande parte do almoço rindo e conversando e Lorena tentava acompanhar a conversa sentindo o olhar de Rafael sobre si.

— Lorena, você quase não comeu. A comida não esta boa? Carmem perguntou gentil.

— A comida esta ótima dona Carmem. Falou levando uma garfada a boca para demonstrar que estava comendo.

Rafael que ate então permaneceu quieto ao seu lado, coçou a garganta se colocando de pé e chamando a atenção para ele.

— Eu queria aproveitar que estamos todos juntos aqui. Começou e Charlie e Carmem se entreolharam cientes da atitude do filho enquanto os outros o olhavam atentos sem ter ideia do assunto. _ Dona Rute, eu gostaria de pedir a mão de sua filha em casamento. Falou e Lorena o olhou surpresa. _ E é claro que a vocês também. Falou voltando-se a Augusto e Marli.

— O que esta fazendo? Lorena perguntou e Rafael a olhou.

— Pedindo sua mão. Falou simplesmente ignorando propositalmente o olhar raivoso sobre ele. _ Posso ter a benção de vocês?

— É claro que sim Rafael. Nós estamos muitos felizes que tomaram esta decisão não é? Rute falou e Marli e Augusto concordaram.

— Vai ser bom ter outro homem nesta família para me ajudar com estas três. Falou e todos riram, com exceção de Lorena que o olhava sem acreditar no que ele estava fazendo.

— Obrigado Sr. Augusto.

— Não é um percurso fácil manter uma união feliz, mas é extremamente valioso. Tenho certeza que vocês vão ser muito felizes juntos. Carmem falou emocionada se demorando com o olhar sobre Lorena que permaneceu em silencio.

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— Você esta de brincadeira comigo? Como fala aquilo para os nossos pais tão tranquilamente? Lorena falou nervosa assim que ficaram a sós do lado de fora de casa.

— Nós podemos dar um jeito.

— Você fala como se fossem dias, semanas talvez. Serão 18 meses longe Rafael. Um ano e meio separados. Tem noção do que é isso? Falou nervosa.

— Sim, e vou sentir sua falta em cada dia em que eu estiver em Londres, assim como sei que vai sentir a minha. Falou se aproximando colocando um braço em sua cintura. _ Mas tenho certeza que podemos fazer dar certo.

— Desculpe, mas eu não tenho tanta certeza assim. Falou se afastando.

— Isso é por que nunca confiou no meu amor de verdade não é? Rafael falou assim que ela começou a andar, a fazendo voltar-se para ele.

— Do que é que você esta falando?

— É isso mesmo. Falou serio. _ Eu sinto que preciso provar o meu amor a você a todo momento e quando eu penso que finalmente estamos firmes, voltamos dois passos atrás por que você não consegue acreditar em mim.

— E onde foi parar a parte que combinamos de conversar?

— É o que eu estou tentando fazer. Mas a única coisa que você sabe fazer é gritar e brigar comigo. Pensei que se eu falasse com a nossa família você ia perceber que eu levo o nosso relacionamento a serio tanto quanto você. Ele parou de falar, o peito subia e descia pelo esforço enquanto os dois notavam o quão alto estavam falando.

— Só por que eu não concordo com um relacionamento a distancia não significa que eu seja o problema. Ela falou tentando controlar o tom de voz.

— Então por que não concorda? Me diz. Por que você acha que não vamos conseguir? Por que eu preciso escolher? Perguntou voltando a se exaltar.

— Por que na vida Rafael, não se pode ter tudo. Respondeu o olhando firmemente.

— Eu não vou escolher. Não quero ter que escolher. Falou frustrado. _ Você não entende Lorena. Não posso simplesmente abrir mão desta oportunidade, como se não fosse nada para mim.

— Tudo bem, então me deixa facilitar as coisas para você. Falou tirando a aliança com força maior que a necessária e estendendo para ele. _ Eu me recuso a ser um empecilho em sua vida. Falou se afastando a passos rápidos.

Atordoado, Rafael assistiu sua partida, sem reação.

— Lorena, o que houve? Rute perguntou se colocando de pé assim que viu sua filha entrar apressada na sala.

— Estou indo. Vamos. Chamou. _ Dona Carmem, obrigada pelo almoço.

— Já vão tão cedo? O Rafael não vai levar vocês? Augusto e Marli já haviam partido, pois tinham outro compromisso.

— O Rafael tem coisas a resolver.

Notas finais
Será que é fim?