Tempo Perdido

1 Capítulo 1


A data era 15 de agosto de 2001. Eu não fazia ideia do motivo de estar tão nervoso. Afinal, ela era só uma garota da faculdade que eu queria chamar para um encontro. Aquela dúvida sobre se eu deveria ir ou não me matava. Eu queria desistir, deixar para lá.

Eu me decidi. Eu iria.

Terminei de me arrumar, desci as escadas em direção à porta e ao tocar a maçaneta senti uma pancada forte na cabeça. Apaguei.

Acordei depois de algumas horas. Um rosto estranhamente familiar me encarava.

– Quem é você? Como entrou na minha casa? – Perguntei ainda meio atordoado por causa da pancada.

– Por enquanto isso não é importante. Você apenas não pode falar mais com ela.

.....

Aquele sonho foi bem esquisito e também muito real. Aliás, real até demais. Não é possível que minha cabeça esteja doendo tanto por causa de um sonho.

– Parece que a princesinha acordou. – Era a mesma voz do meu sonho.

Olhei para o lado assustado e lá estava ele.

– Então não foi um sonho?

– Parece que você está sonhando? Isso aqui é bem real, amigo.

Eu ainda não entendia muito bem o que estava acontecendo, então arrisquei perguntar:

– Por que você me impediu de ir até a casa da Júlia?

– É uma longa história. Coloca uma roupa decente e vamos dar uma volta

.....

Fomos até uma padaria perto de casa onde aquela figura estranha comprou uns sanduíches para nós.

– Ok. Pode me explicar agora o que está acontecendo?

– Digamos que eu sei das coisas que vão acontecer e sair com ela não vai acabar bem.

– Você é algum tipo de vidente? Qual seu nome?

– Olha, eu não posso revelar muita coisa. Futuramente tudo vai fazer sentido, mas por enquanto eu só preciso que você me escute e faça as coisas que eu te pedir.

Fiquei meio inseguro, mas acabei concordando.

– Coma isso. – Ele disse me dando uma pedra esquisita.

– O que é isso?

– É uma pedra de Pramópsia. Ela fará efeito na hora que você realmente precisar.

– E qual seria o efeito?

– Ele varia de pessoa pra pessoa. Não tenho como te dar um certeza.

Coloquei a pedra na boca e engoli. Senti minha garganta rasgando.

– O que é Pramópsia? – Perguntei ao finalmente perceber o que ele havia dito.

– Um planeta um pouco distante.

– E como você conseguiu essa pedra?

– Da única maneira possível. Indo até lá.

Alguém que sabe o que vai acontecer e pedras de outro planeta. Era muita coisa esquisita para muito pouco tempo. Eu precisava me acalmar um pouco e processar a informação.

– Bem, acho que vou para casa. Não estou com uma sensação boa. – Disse tentando sair de perto daquele sujeito. – Você deveria ir também. Aonde você mora?

– Eu moro na sua casa. Sempre morei.

– Como assim? Eu nunca te vi por lá.

– É claro que já viu. Você só não sabe disso. Vamos então?

Estávamos nos levantando para ir e de repente o outro sujeito me jogou no chão.

– Você está louco? O que houve?

– É a Júlia. Ela não pode te ver aqui.

– E por que não?

– Eu já te falei. Você não pode mais falar com ela. Aliás, você não pode ter mais nenhum tipo de contato com ela.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.