Tempo Perdido
3 Encontrão
Não!
Minha vida inteira fui enganada por minha mãe, que me fez acreditar que meu pai havia morrido em um acidente de carro.
Pode não ser verdade.
Mas... e se for?
Saí correndo porta afora e saí do dormitório. O vento frio balançava meus cabelos e minha roupa. Chorando, tudo estava cada vez mais confuso.
*GLOMP*
– OUCH!
Bati em algo. Ou melhor, em alguém.
– ... Pai?
– Pelo jeito alguém está com saudades de casa....
Era um rapaz alto, loiro, olhos castanhos e um sorriso gentil. Sua voz era grave e ao mesmo tempo doce. Ele esticou a mão para que pudesse levantar. Apoiei-me em seu peitoral e encarei-o.
– Não, pelo contrário — respondi de maneira ríspida.
– Um abraço ajudaria?
– Não. Agora me larga!
– Ai, desculpa! O que faz aqui?
– Não te interessa, mas devolvo a pergunta.
Antes que ele respondesse, uma voz grossa ecoou.
– O que fazem aqui?
Era a monitora do dormitório feminino. Ela era gorda e baixa, caminhando a passos largos até mim.
– Desculpe Sam — ele disse — Ela estava sonâmbula, próximo ao dormitório. Vim ajudá-la e devolve-la para cá.
– Ah, sim, obrigada — ela sorriu, e ele devolveu. — Cada um pros seus dormitórios!
– De nada — ele sibilou enquanto dava meia volta.
Apesar de ele parecer confiável, precisava de alguém pra contar. Alguém que me conhecesse, e saberia me apoiar, mesmo me achando doida.
Celine, é claro. Minha melhor e única amiga.
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