Tempo Perdido

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Feito as pressas, mas se você leu, por favor comente ok :)

Passado dois meses desde que o time mais forte da FairyTail havia voltado da Ilha Tenrou, e o burburinho da notícia por toda a Fiore já havia se espalhado. Eram dias de calmaria, ou pelo menos de menos confusões na guilda mais barulhenta de Magnólia, essa que voltou a se barulhenta e alegre depois de longos e tristes setes anos.

Muitas coisas haviam mudado nesses sete anos e coisas preciosas haviam se perdido, mas ninguém ali estava com vontade de desistir ou desanimar e aos poucos sabiam que iriam conseguir recuperar o tempo perdido.

O tempo perdido...

Frase essa que ecoava há algum tempo na mente de certa maga take over de cabelos curtos. Foi tudo tão rápido que ela nem teve tempo para poder refletir sobre o que aconteceu nesses últimos tempos desde que ela voltou de Edolas.

E em um dia qualquer ela resolveu refletir sobre tudo! Era um dia corriqueiro na guilda, algumas bagunças aqui, discussões acolá, Kana bebendo... Mas aquilo tudo era agradável aos olhos de Lisanna, ela realmente se sentia bem vendo seus amigos, sua família ali e perto dela novamente. Ela melhor do que ninguém sabia como era o sentimento de ter seus entes queridos longes, e nunca mais queria se separar deles novamente.

Natsu passava brigando com Gray pela guilda como um furacão.

–Natsu! Gray! Não destruam mais o pouco do que sobrou da guilda! – gritou Macao, ao vê-los passando e derrubando as mesas do bar da guilda.

– Esses dois não mudam mesmo... – disse Wakaba, depois de eles terem passado e ignorado totalmente o aviso.

Lisanna estava sentada em uma das mesas um pouco longe de onde a confusão acontecia e observava tudo com um sorriso compassivo. Parecia que tudo na guilda estava de volta ao normal, mas porque ela ainda assim se sentia um pouco deslocada?

Quando esse pensamento veio em sua mente, sentiu um leve aperto no coração. Levantou-se da mesa e caminhou para fora da guilda. Talvez ela quisesse um lugar mais tranquilo para continuar a sua reflexão. Nesse instante, Natsu ainda estava entretido com a briga com Gray, mas percebeu a saída de Lisanna, porém nada fez.

A maga caminhava devagar enquanto via o céu alaranjado pintado pelo sol que estava se despedindo de mais um dia quente de verão. Lisanna caminhava aleatoriamente esperando ver até onde seus pés a levariam. E então se deparou com o local onde Natsu e Happy costumavam visitar com frequência, o túmulo simbólico de Lisanna. Mas ali não havia mais a lápide, havia somente a marca deixada no chão batido de terra.

Isso significava que ela não importava mais para eles ou que não era mais necessário rezar por sua alma, já que ela estava viva?

Ali ela parou por alguns instantes, mas nada fez ou demonstrou. Logo em seguida, caminhou em direção a uma árvore que era próxima ao local da lápide, a árvore onde Natsu achou o ovo do Happy. A árvore era grande e vigorosa, cheia de folhas e galhos. O vento soprava levemente sobre ela com aquele ar morno de uma noite de verão que fazia seus galhos dançar. Lisanna parou em frente à árvore e fechou os olhos, como se quiserem apreciar aquele ventinho, junto com o som do balançar da árvore. Como aquilo era bom... Estava tão hipnotizada com aquele momento que nem percebeu que alguém estava se aproximando.

– Lisanna – Natsu a chamou com voz branda, quase como um sussurro para não assustá-la.

– Na... Natsu! O que faz aqui? – disse quando saiu de seu transe num pulo, e um pouco surpresa também.

– Estavam todos perguntando onde você estava Lisanna, você sumiu a tarde toda então eu resolvi te procurar e daqui a pouco começa o evento Noite Estrelada na guilda, você não vai participar?

–Ahh... É mesmo... A Noite Estrelada, eu tinha me esquecido completamente dela. – disse dando um leve riso, e colocando a mão sobre a cabeça. – Bom, agora que você me achou e viu que está tudo bem, pode voltar pra guilda se quiser.

– Haaaah? Como assim? Você não vai ao evento? – arregalando os olhos e não entendo nada.

–Hmm... Bem... digamos que eu não estou a fim de participar, sabe. A Noite Estrelada é um evento pra se passar acompanhado e se você não tiver ninguém pra passá-lo com você é meio chato, então... – dizia enquanto balançava o corpo alternando entre as pontas dos pés e os calcanhares.

– Ora, se você não queria participar não tem problema, mas podia ter avisado alguém antes. Senão você vai deixar todos da guilda preocupados, ninguém quer que você desapareça de novo. – interrompeu, ignorando o argumento dela e sorriu.

A maga ouviu as palavras do dragon slayer com surpresa, mas logo mostrou um leve sorriso.

– Yoshi, tá decidido! – disse Natsu, se sentando ao lado da maga que ainda estava em pé, em baixo da árvore ao qual ela estava observando.

– O quê? – indagou sem entender o que ele pretendia.

– Se você quer ficar aqui tudo bem, mas não vou te deixar aqui sozinha, não é.

A maga tentou esboçar algumas palavras, mas desistiu antes que elas chegassem aos lábios. E também se sentou na grama, ao lado do dragon slayer. O vento morno ainda soprava levemente e agora trazia com ele o leve aroma do perfume de Natsu.

Quanto tempo eles não ficavam assim juntos? Que nostalgia...

– Essa brisa de verão é tão boa. – disse Natsu, se espreguiçando.

– É verdade, eu estava justamente apreciando a brisa quando você chegou.

– É mesmo, porque você veio pra cá Lisanna? Sabe, é raro ver outra pessoa que não seja eu ou o Happy por aqui.

– Bom, eu estava pensando sobre tudo que aconteceu com a guilda, desde que eu cheguei tanta coisa aconteceu e mudou, sabe... talvez eu esteja um pouco por fora da guilda. – dizia com um fraco sorriso no rosto. Mas se arrependendo rapidamente do que acabara de dizer mudou de assunto. – E o Happy? Por que não está com você?

– O Happy está na guilda com todos os outros esperando a Noite Estrelada começar, eu disse a ele que só voltaria quando te encontrasse. – disse normalmente.

– Então não seria melhor você voltar?

– Ele está bem, provavelmente deve estar se empanturrando de comida agora.

Lisanna riu e concordou com Natsu.

– Mas tem uma coisa que está me incomodando. – disse Natsu em tom de voz um pouco receoso.

– E o que seria?

– Sabe, você está com um olhar triste. E não é de hoje eu vejo você assim. Por acaso você está doente? Alguém te fez algum mal? Se tiver alguém te perturbando pode falar quem é que eu vou espancar a cara desse sujeito agora. – disse essa última frase já com uma bola de fogo nos punhos cerrados.

– Não é nada de mais Natsu, você não precisa surrar ninguém. – disse balançando as mãos como se quisesse acalmar os ânimos do dragon slayer que apagou as chamas dos punhos. – Eu não estou doente nem nada, só estava um pouco pensativa. – Natsu ouvia a maga com atenção.– Pensando em como deve ter sido difícil para o pessoal da guilda esses sete anos que ficamos presos na ilha Tenrou. Com certeza eles devem ter sofrido muito.

– Hmm... – suspirou o dragon slayer – Mas isso é passado, já ficou para trás, e nós estamos aqui e agora vivos e juntos novamente. Eu sei muito bem que é doloroso perder um ente querido, quando eu perdi o Igneel , eu também me senti só. Mas aí você me apoiou e me ajudou a superar essa dor. – Lisanna corou levemente quando Natsu disse isso. – Porque você foi a única que deu crédito na existência do Igneel . E sabe de uma coisa? Hoje eu tenho esperança de que posso encontrá-lo graças a você. – terminou a frase e então sorriu.

Uma lágrima singela escorregou no rosto de Lisanna, e então ela sorriu, mas desta vez era um sorriso verdadeiro. – Obrigada, Natsu.

– E...ei! Por que está me agradecendo? – perguntou corando levemente o rosto enquanto LIsanna ria. – Bom pelo menos agora você voltou ao normal. – concluiu cruzando os braços enquanto disfarçava o rubor do rosto.

–Você tem toda razão Natsu, o que importa é que estamos aqui hoje e agora, vivendo o presente.

A brisa morna de verão ainda soprava leve, quando na extensão escura do céu as estrelas começaram a dançar criando uma chuva de luzes prateadas que iluminava o lugar onde eles estavam.

– Woouuhh!! Esse negócio de Noite Estrelada é bonito mesmo! – dizia Natsu, se levantando e correndo em direção a margem do lago que havia ali perto, parecia uma criança fascinada pelo brilho do céu. Lisanna o seguiu até a margem do lago onde havia vaga-lumes por toda a parte que também dançavam junto com as luzes do céu. Além do reflexo das estrelas na face das águas do lago. Parecia um grande festival de luzes por qualquer lado que você olhasse.

–Realmente é lindo...

Dizem que quando você vê uma estrela cadente você pode pedir um desejo à ela. Dizem que quando os casais olham para a Noite Estrelada eles se tornam amantes eternos. E que quando você encontra muito vaga-lumes de uma vez só você terá sorte.

Mas quem faz o destino, são as pessoas e aqueles que estão presentes com você.

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