Tempo.
1 Tempo.
XXXVII-Tempo
Tempo,
Deveria ele ser um saber,
Uma dor a se olhar?
Quem pudera demonstrar
O tempo que já não pode ser.
Tempo é poder criticar
Tudo o que não podemos viver.
É amar e tentar reformar,
É tudo que se tem pra passar,
Reformar aquilo que bem queremos estar.
É ir e destruir,
Profundamente além.
É ver como machuca o coração de alguém.
Eis aquele que guia
A noite e o nascer do dia.
Esbanja terna sabedoria,
Evoca, na maioria,
O sofrer e morrer de agonia.
Tempo é cansar de errar,
E talvez amanhã, poder consertar.
Ele vai e vem, a voar,
Na certeza de jamais parar.
É quem vibra na luz do céu azul,
E não dorme com as ondas do mar.
Crer e saber que a tristeza
Jamais ficará ilesa
Dentro do coração.
É na vida, contar histórias,
Surpreender-se nas memórias,
Olhar o tempo em suas mãos.
Tempo, eis que tempo é,
Quem faz o mundo correr.
Aquele que nada espera
E desespera
Todo o nosso sofrer.
Se temes perder a fé,
O senhor do mundo, no fundo
Sabe que nada ele é.
Pensa que manda e desmanda na gente,
Um grande impetuoso imprudente,
Não sabemos o que ele quer.
O dono das palavras certas
De ações erradas
E de vidas enterradas.
As linhas traçadas tortas
Regularão felicidades
Antes desperdiçadas.
O tempo é a verdade
Que se tem a realidade
Da rubra face da maldade.
Porém um dia deve ele parar,
Estou aqui a esperar,
Pois não dá mais pra acompanhar
A minha triste realidade.
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