Tempestuoso
16 Um Convidado Inesperado
Notas iniciais
— Quer ficar mais bêbado? – Sam me propôs com uma sobrancelha arqueada.
— Eu estou bêbado? – Perguntei sorrindo.
— Não, imagina. – Foi irônica, revirando os olhos.
— Eu não deveria beber. – Suspirei com um resquício de remorso nascendo dentro de mim.
— Deveria sim, fica bem melhor alterado. Por isso, vamos aproveitar esse seu estado ao máximo. – Ela levantou, me puxando em seguida.
Passamos pelo meu quarto, desta vez vazio, Sam certificou de trancá-lo e seguimos para o andar inferior. A música parecia mais alta e a casa mais cheia, fomos para cozinha onde Cami e Vick conversavam acaloradamente, eu não notava a presença de outros conhecidos. Sam falou alguma coisa e foi procurar uma bebida, porém não prestei muita atenção no que ela dizia, pois focara nas outras duas.
— Eu vi! – Vick insistia em algo.
— Impossível! – Cami negava tal fato.
— Duvida de mim?
— Você está bêbada, e ele é muito homem para fazer isso com outro, nós duas já tivemos prova disso.
— Não estou, muito, bêbada. Já estive pior...
— Eu sei, mas uma bebedeira não é igual a outra. Por ter brigado com ele, sua mente deve ter criado essa ilusão ou algum tipo jogo de imagens, para lhe fazer vê-lo beijando um garoto.
Mesmo que estivesse longe da sã consciência, sabia exatamente ao que se referiam. Deveriam estar falando de Marc e do nosso beijo, consequentemente Vick deveria ter sido a única pessoa a nos ter visto. Minha culpabilidade me traía, decorrente disso, não consegui parar de encará-las como se chamasse-as para mim. Quando finalmente notaram minha presença, meu coração palpitava com muita força e meu estomago revirava. Me analisaram com indiferença e voltaram a conversar.
— Se ficar desse jeito, ai sim que elas vão perceber que você está escondendo algo delas. – Sam sussurrou no meu ouvido, causando-me um susto.
Trazia consigo dois pequenos copos completos em seu volume de um liquido transparente como água, dois limões cortados e o saleiro.
— Eu sei, mas elas, ou melhor, Vick nos viu se beijando.
— Eu escutei também, Vick falou que viu alguém, provavelmente um menino, aos beijos com Marc. O que implica no anonimato do mesmo, se não, já teria atacado ele. – Me entregou um dos copos, seu odor evidenciava seu grande teor alcoólico.
— Eu vou acabar me entregando.
— Relaxa e bebe a tequila. – Ela passou as mãos em meus ombros.
— Então, esse é o nome disso?
— Sim, mas antes morde o limão, come um pouco de sal e aí bebe.
Segui suas instruções, fazendo careta pelo azedo da fruta e depois tossindo com a ardência decorrente da tequila. Seu gosto era muito forte, de modo que rasgava a garganta. A bebida me afetou quase que imediatamente, se tudo parecia difuso antes, agora o mundo parecia girar.
— Blake. – Escutei ser chamado pela minha irmã, só após conseguir localizá-la que fui até ela.
— Você bebeu?
Me deu vontade de girar, então comecei a girar. Elas me observaram enquanto realizava a ação, completamente desengonçado.
— PARA! – Ela gritou, deveria ter ficado zonza após me observar.
— Me deixa! – Gritei de volta, dando somente meio giro antes de ser impedido de completá-lo.
— Presta atenção! Estou falando com você, para de agir como um bêbado idiota! – Gritou ranzinza.
— O que?! – Gritei de volta.
— Eu sei o que você fez. – Seu olhar mortífero arrepiou-me toda espinha.
— Do que você está falando? – Um raio de sanidade me atingiu pelo medo.
— Marc. – Sussurrou, seus olhos tremiam de raiva e os meus de medo.
Antes que pudesse bolar qualquer defesa, Sam me puxou para longe e me arrastou para sala, onde mais de vinte pessoas dançavam. Ela foi tão rápida que acabei esbarrando em um rapaz loiro cheio de tatuagens, muito bonito e vagamente familiar. Esbocei um pedido de desculpa nos lábios, porém não tive tempo de dize-lo porque continuei sendo arrastado.
Sam dançou comigo, perdemos a noção de quanto tempo ficamos embalados pela música até que alguém puxou ela de mim. Eu estava tão entretido no ritmo que nem reparei de imediata, minha atenção só foi despertada ao ouvi-la xingá-lo.
— O que foi? — Perguntei enquanto ela voltava até mim.
— Um idiota me puxou a força, achando que poderia ficar comigo à força.
— Você não vai ficar com mais ninguém?
— Acho que não. – Ela sorriu. – Estou gostando da Beth.
Lhe retribui o sorriso, dancei mais um pouco, ao ficar cansado me sentei no sofá em meio aos casais que se pegavam despudorados. Tive um leve apagão, que poderia ter sido de segundos ou horas, só retornei com o soar da campainha. Ela soava repetidamente e isso fazia despontar uma leve dor de cabeça em mim, portanto logo fui abrir a porta. Quem chegava deveria ser educado, pois eram os primeiros depois de Steve e Peter a anunciar a sua chegada, na realidade eu não lembrava e nem vira Sam ou Vick receber metade dos atuais presentes.
Eram Maggie e Alex, ela parecia animada e ele indiferente até encarar-me, sua feição mudou para algo mais indicativo a estranheza.
— Até que enfim atendeu, estava quase invadindo. – Maggie quebrou nossa troca de olhares ao passar por mim e entrar em casa sem muitas cerimonias ou ser realmente convidada.
— Você está bem? – Ele perguntou sério, qualquer traço de emoção tinha abandonado seus olhos acinzentado. – Desculpe o mau jeito dela.
— Estou, por que pergunta? – Abri um grande sorriso. – E não tem problema, ela já é mais educada que praticamente todo mundo só por ter tocado a campainha.
— Fui eu que toquei.
— Então você é o educado. – Sorri.
— Andou bebendo? – Carregava um olhar julgador.
— Talvez... – Tentei soar misterioso como Alex sempre soava, tendo até cerrado os olhos para dar mais autenticidade a atuação.
Ficamos em silêncio até eu quebrá-lo.
— Por que está parado na frente da minha casa?
— Estou esperando ser convidado.
— Por acaso não é nenhum vampiro, não é?
— Não, por que?
— Por que está esperando isso? Só vampiros fazem isso, sua acompanhante já entrou.
— Sou um pouco mais educado do que ela. – Ele piscou.
— Já que é assim, por favor, queira entrar. – Lhe fiz um cumprimento, indicando a passagem cheio de pompa.
— Obrigado. – Passou a mão no meu ombro ao entrar.
Fui para cozinha, agora livre de Vick e Camille e comi o restante dos meus cookies de uma vez. Não demorou muito tempo e comecei a ver coisas bisonhas, foi um efeito quase psicodélico e colorido, quase da mesma rapidez que veio foi embora. Uma repentina vontade de beber ou comer algo gelado me acometeu, olhei para os lados a procura de quem pudesse me ajudar com isso e a única que eu vi foi Alex, já saindo do cômodo. Corri em sua direção.
— Alex? – O chamei, cutucando no ombro.
Imediatamente ele se virou e me encarou. Como sempre, era inexpressivo, não conseguia identificar se estava gostando da festa ou não, porém pelo pouco que o conhecia não deveria estar gostando muito. Ele era uma pessoa centrada e tranquila, aquele tipo de festa não era compatível à sua personalidade, na realidade, nenhum tipo de festa era.
— Oi Blake. – Chamou minha atenção, pois eu tinha me perdido nesses pensamentos.
Tive que piscar várias vezes até recobrar a atenção.
— Queria te pedir algo. – Falei.
— O que? – Enrugou a testa.
— Um milk-shake. – Soei animado como uma criança.
Alex não sorriu, exibiu uma careta de estranheza.
— O quê? – As palavras soaram contidas.
— Milk-shake. – Só repeti a última parte. – Eu quero e estou te pedindo.
— Pensei que estivesse entendido errado. – Passou a mão no cabelo, o jogando para trás. – Você não está bem, não é?
— Não, realmente não estou. Preciso de um milk-shake. – Sorri sem dentes.
— Meu deus. – Ele olhou para os lados como se buscasse alguém. – Você usou o quê?
— Nada em sã consciência, mas já perdido talvez bebi um pouco.
— Não deveria fazer isso. – Ele tocou no meu pulso, preocupado e olhando profundamente nos meus olhos.
Os olhos cinzas de Alex eram bem bonitos.
— Seus olhos são tão bonitos. – Falei para ele, descontruindo toda a sua postura. Rapidamente, uma vermelhidão espalhou pelo rosto dele. Eu ri.
— Eu vou ir fazer o seu milk-shake. — Murmurou desconcertado.
— Eu te acompanho. – O segui, enquanto ele caminhava até a cozinha.
Naquela altura da festa, a cozinha estava um completo caos de sujeira.
— Por que estou fazendo isso? – Alex perguntou.
— Porque você é meu amigo, eu não me encontro em condições de mexer com um liquidificador e é potencialmente desastroso me deixar com qualquer utensílio doméstico neste estado.
— Justo. – Concordou. – Mas aonde acho as coisas para fazer um milk-shake, tudo está tão nojento. – Fez cara de nojo após a visão periférica da cozinha.
— Eu ajudo, se não mexeram em nada.
Busquei tudo o que ele precisaria e lhe entreguei, só tinha sorvete de creme e uma calda de chocolate, por isso peguei um pouco de achocolatado em pó para complementar. Alex fazia tudo com calma, uma vez o outra, alguém aparecia na cozinha para pegar uma bebida ou perguntar o que fazíamos. Quando o segundo acontecia eu era curto e grosso e respondia que não interessava.
— Você é uma pessoa completamente diferente quando alterado. – Alex teve que falar alto devido ao barulho que o liquidificador fazia.
— Isso é ruim? – Eu olhava atentamente ao redemoinho que a mistura formava no aparelho.
— Pode ser possivelmente ruim depois.
— O que? – Ele conseguiu atrair a minha atenção, apesar do meu dedo indicador seguir em direção a mistura.
— Tira o dedo daí. – Puxou meu braço antes que se quer tocasse. – Você vai acabar se culpando depois, o que está fazendo agora é errado.
A minha expressão que era de pura alegria se desmanchou.
— O que quer dizer com tudo isso?
— Que você está tendo um comportamento inadequado, que não corresponde ao seu habitual. – Desligou o aparelho.
— Eu já percebi isso.
— Então, acho mais prudente você beber o seu milk-shake. – Colocou o sorvete no copo. – E ir para o seu quarto dormir. – Estendeu o copo para mim.
— Obrigado, mas eu acho que não.
— Vai ter que se confessar depois sobre essa sua conduta.
— Por favor, Alex. – Peguei um canudinho e coloquei no copo. – Não fale sobre conduta agora, sei que terei que pagar depois, mas agora não quero pensar nisso.
Meu amigo entortou a boca ao ser contrariado daquela maneira.
— Faça como quiser. – Senti sua fala mais pesada. – Só estou querendo o seu bem.
— Eu sei que sim. – Lhe dei um meio sorriso, uma piscadela e suguei meu milk-shake.
— Como eu já fiz o que pediu, eu vou indo. – Se virou e me deu as costas.
— Obrigado, mas já vai embora? – Perguntei com o canudo nos lábios.
— Não, ainda tenho que acompanhar Maggie. – Respondeu sem me olhar.
— Posso te fazer outras duas perguntas?
Ele parou de andar, deduzi que isso indicasse um consentimento.
— Por que namora a Maggie?
— Porque... – Ele respondeu rouco. – Ela é uma boa garota e poderá ser uma boa esposa.
— Nem todo mundo acha ela legal, a acham metida.
— Ela é, mas também tem suas qualidades.
— A outra pergunta, é o que esconde?
Notei que seu corpo endureceu-se, sua postura mudou completamente. Estava pronto para que não respondesse, porém ele respondeu.
— Você não precisa saber.
Antes que eu pudesse falar alguma coisa, ele desapareceu ao passar pela porta. Suspirei frustrado, um dia saberia o seu segredo. Me sentei no balcão e fiquei admirando a bagunça.
— Blake. – Maggie me chamou ao abrir a porta da cozinha.
Eu acenei para ela.
— Onde tem bebida? – Ela perguntou, estava com o corpo e a voz meio mole, deveria já estar um pouco bêbada.
— Na geladeira. – Apontei para ela.
— Ótimo. – Ela foi até a geladeira e pegou uma garrafa inteira e entornou até consumir um quarto do conteúdo.
— Cuidado. – A alertei.
— Já estou acostumada.
— Não, só digo isso para não passar mal e sujar a casa.
— Gentil da sua parte. – Arqueou uma sobrancelha.
— Igualmente da sua. – Ergui o meu milk-shake na direção dela e voltei a bebê-lo.
— O que bebe? – Ela me perguntou se aproximando de mim.
— Milk-shake. – Lhe ofereci e ela negou com a cabeça. – Seu namorado que fez.
Maggie não me respondeu, saiu da cozinha sem se despedir, dei de ombros e continuei a beber o meu doce. O tempo que demorei para terminá-lo foi o que levou a alguém começar a cantar e o pessoal gritar enlouquecidamente, rapidamente, guiado pela curiosidade da ovação fui para a sala e vi a cena.
I used to hold my freak back
Now I'm letting go
I make my own choice
Bitch, I run the show
So leave the lights on
No, you can't make me behave
Maggie cantava sozinha, todo mundo gritava porque ela se despia. Imediatamente tentei localizar Alex na sala, ele estava em um canto oposto ao dela com uma expressão fria, reparei também que estalava os dedos. Ela olhava diretamente para ele, como se o tivesse pirraçando.
(Oh oh, oh) So you say I'm complicated
That I must be out my mind
But you've had me underrated
Rated, rated, rated
(Ah ha) What's wrong with being, what's wrong with being
What's wrong with being confident? (Ah ha)
What's wrong with being, what's wrong with being
What's wrong with being confident? (Ah ha)
It's time to get the chains out
Is your tongue tied up?
Cause this is my ground
And I'm dangerous
And you can get off
But it's all about me tonight (tonight, ha)
(Oh oh, oh) So you say I'm complicated
That I must be outta my mind
But you've had me underrated
Rated, rated, rated
What's wrong with being, what's wrong with being
What's wrong with being confident? (Ah ha)
What's wrong with being, what's wrong with being
What's wrong with being confident? (Ah ha)
What's wrong with being, what's wrong with being
What's wrong with being confident? (Ah ha)
What's wrong with being, what's wrong with being
What's wrong with being confident? (Ah ha)
Nesse instante, ela se virou, só com as roupas intimas, abriu o fecho do sutiã e se livrou dele. Antes que pudesse virar e mostrar a sua nudez, Alex saiu do outro canto da sala, atravessando muitas pessoas em velocidade impressionante e a abraçou, impedindo-a de se expor ainda mais.
Maggie estava bem bêbada e fazendo vexame, durante todo o seu show pude ver que muitos garotos a filmava pelo celular, seu namorado teve que arrastá-la para fora de casa e assim poder cuidar de ti. Durante o trajeto ela esperneava e arrancava doses de bebida das pessoas acessíveis à sua mão.
O murmurinho da cena perdurou por um tempo até que todos voltaram a dançar e a música a tocar.
— O que está achando da festa? – Yerik se aproximou por trás de mim sorrateiramente.
— Ótima, se não fosse por você.
— Ainda não me acostumei com você nesse jeito.
— Eu nunca com o seu.
— Você me ama que eu sei.
— Igual Jesus ama o capeta.
Ele riu.
— Já que está assim, duvido fazer uma performance mais memorável que a da Maggie.
— Por que eu faria isso?
— Por que não faria? Está em sua casa, aposto que tem medo.
— Não tente me manipular.
— Tudo bem, só cante então, ainda nem foi.
— Está certo, farei isso e farei com estilo.
Corri até Peter e Steve que cuidavam do som, tendo dificuldade em ultrapassar toda multidão e sussurrei nos seus ouvidos que música cantaria, eles sorriram e acenaram um para outro. Eu não sabia exatamente o que iria fazer, mas seria memorável.
— Atenção de todos! – Steve gritou, conseguindo o que pedira.
— O nosso anfitrião irá fazer a sua apresentação agora.
Party girls don't get hurt
Can't feel anything, when will I learn
I push it down, push it down
Não tive medo de tentar imitar a coreografia do clipe, tentar apenas, porque não conseguia executá-la adequadamente. Pelo canto do olho vi que os mesmos que filmaram Maggie antes começavam a me filmar.
I'm the one "for a good time call"
Phone's blowin' up, they're ringin' my doorbell
I feel the love, feel the love
1, 2, 3 1, 2, 3 drink
1, 2, 3 1, 2, 3 drink
1, 2, 3 1, 2, 3 drink
Throw em back, till I lose count
I'm gonna swing from the chandelier, from the chandelier
I'm gonna live like tomorrow doesn't exist
Like it doesn't exist
I'm gonna fly like a bird through the night
Feel my tears as they dry
I'm gonna swing from the chandelier, from the chandelier
And I'm holding on for dear life
Won't look down, won't open my eyes
Keep my glass full until morning light
'Cause I'm just holding on for tonight
Help me, I'm holding on for dear life
Won't look down won't open my eyes
Keep my glass full until morning light
'Cause I'm just holding on for tonight
On for tonight
Sun is up, I'm a mess
Gotta get out now, gotta run from this
Here comes the shame, here comes the shame
1, 2, 3 1, 2, 3 drink
1, 2, 3 1, 2, 3 drink
1, 2, 3 1, 2, 3 drink
Throw em back till I lose count
Olhei para cima e vi o lustre, uma estúpida ideia passou pela minha cabeça e eu a abracei, em um impulso utilizando-me da mesinha de centro pulei em direção a ele, o agarrando e o fazendo balançar.
I'm gonna swing from the chandelier, from the chandelier
I'm gonna live like tomorrow doesn't exist
Like it doesn't exist
I'm gonna fly like a bird through the night
Estava com a boca aberta, em plena canção quando o lustre deu uma abrupta descida, indicando que iria despencar. Tamanho tinha sido o supetão que eu não consegui me equilibrar e cai no chão, sendo seguido pelo próprio lustre. Caí de costas, imediatamente a música parou e todos ficaram em silêncio me observando. Minha cabeça doía, eu a tinha batido e com o resto do corpo não era diferente, eu não me mexia e isso deveria deixar meus observadores ainda mais nervosos como meu estado.
— Blake? – Alguém me chamou.
Rangi os dentes e só foi necessário isso para fazer todos rirem. Era de praxe, qualquer um riria de uma queda se ela não gerasse uma morte ou alguma lesão muito séria, por isso quando não demonstrei nenhum desses fatos, todos começaram a rir.
Abri os olhos lentamente e a minha primeira visão não foi das mais agradáveis. Aos poucos, os que tinham parado para ver o meu show voltavam a fazer o que faziam antes enquanto a música retornava a tocar.
— Yerik? — Olhei atentamente para o meu salvador, ou melhor, a pessoa que me ajudava a levantar. – Não tinha alguém pior para me socorrer não?
As expressão do búlgaro passou de preocupada para ranzinza.
— Deveria ser mais agradecido com quem te ajuda.
— Não pedi sua ajuda.
Imediatamente ele me desamparou e se não fosse meu rápido reflexo de segurar no braço de uma pessoa qualquer e retomar a postura teria caído no chão novamente.
— Você bêbado é bem grosseiro. – Comentou, agora nos encarávamos. Ele parecia levemente alterado, bem menos do que eu é claro.
— Na verdade, sem muitas frescuras.
— Vamos, Ivan. Blake não está bem, é melhor ficar longe, antes que cometa alguma bobagem. – Jesse falou atraindo minha atenção, até então não o tinha notado ao lado de Yerik.
— Ivan? Peraí, você está chamando ele pelo nome do meio? Como um namorado? Se diferenciando dos reles mortais? – Falei tudo de uma vez.
Yerik parecia confuso com o que tinha acabado de ouvir, mesmo com sua fluência não me compreendeu, qualquer não nativo também não compreenderia, dada a velocidade. Jesse, ao contrário do companheiro tinha entendido muito bem, evidente na vermelhidão do seu constrangimento.
— Não, estou chamando ele de Ivan, como um amigo que conhece o nome do meio dele. – Jesse tentou voltar com a postura centrada.
— Um amigo que chupa o outro? – Não pude conter-me, soando alto demais.
Ambos esbugalharam os olhos pela exposição, por sorte a música deveria ter abafado o que eu acabara de dizer.
— O que? Estou mentindo. – Reagi a reação deles.
— Vem aqui. – Senti ambos me puxarem, cada um por um braço até enfrente a porta do armário embaixo da escada, mesmo lugar que beijei Marc.
— Blake! – Jesse chamou minha atenção, pois tinha me distraído por algo insignificante.
— Você não pode contar isso pra ninguém. – Yerik falou apressado, muito nervoso e com o sotaque muito puxado, chegando a suar.
— Por que não? – Adotei a postura defensiva.
— PORQUE EU FALEI NÃO. – Ele gritou em cima de mim.
— Se acalma e não grita com ele. – Jesse conteve o outro, lhe segurando pelo ombro.
— Agressivo, você.
Eu não sabia porque eu fazia aquilo, só entendia que me divertia com a situação. O nervosismo de ambos, me sentia traído por estarem juntos, mas reprimia tal pensamento para não me culpar depois.
— Blake, porque está agindo desse jeito? Está sendo bem deselegante.
— Deselegante é usar o quarto dos outros como motel!
— Está certo, nos desculpe.
— Ainda mais sabendo da tensão que nós temos.
— Que tensão? – Yerik perguntou interessado.
— Nós sabemos que vocês dois gostam de mim e talvez, repetindo, talvez, seja reciproco principalmente para um dos dois, mas não direi qual.
Imediatamente as feições deles se transformaram em misto de choque, vergonha e incredibilidade.
— Blake. – Jesse falou com calma. – Cala boca. – Ele enrugou a testa. – Está muito bêbado e está dizendo coisa que vai se arrepender depois.
— Talvez esteja certo, Jesse. – Um fleche de lucidez passou pela minha mente. – Não deixe que fique perto de vocês ou fale com vocês hoje. – Me afastei deles um pouco confuso.
Os dois fizeram o mesmo, só que Jesse empurrava Yerik que insistia em continuar me encarando. Suspirei irritado. Vi minha irmã se aproximando e prontamente comecei a caminhar para longe dela, percorremos todo o andar inferior como cão e gato.
— Blake! – Ela gritou por mim. A encarei, parando de andar e cansado de fugir dela. – Para de fugir de mim!
— Não estou fugindo, estou te evitando é diferente.
— Está fugindo de qualquer jeito. Eu vi que você e...
— Nos beijamos e daí? – A interrompi.
Minha irmã ficou pálida de forma jamais vista por mim, consegui lhe arrancar o folego e as palavras.
— Vocês o que? – Ela sussurrou tremula.
Olhei fundo nos olhos dela, eles tremiam como o seu corpo, já os meus eram fixos e envolvidos de coragem.
— Nos beijamos, e não foi nada demais. Por favor, não me envolva no drama de vocês dois, pouco me importa isso tudo. Resolva com ele. – Consegui lhe deixar mais pálida e pasma.
Não esperei qualquer outra reação, logo me envolvi na multidão de estranhos para novamente me misturar entre eles e fugir do foco da visão de Vick. Rapidamente algum conhecido me agarrou e me levou para dançar, tomei mais uma dose de tequila. Dancei novamente com as gêmeas, que apareceram do nada e não deveriam saber do estado da minha irmã, porque se não, não estariam dançando comigo naquele momento.
— Você está bem? – Elas me perguntaram.
— Como assim?
— Sua queda. – Mirna respondeu.
— Foi bem feia. – Lucy completou.
— Ah é! Só estou um pouco dolorido e confuso da cabeça.
— Foi engraçado. – Lucy riu.
— Um pouco. – Concordei desconfortável, com a cabeça começando a latejar só com a lembrança recente.
— Eu queria saber uma coisa? – Eu gritei para as duas.
— Diga. – Responderam juntas.
— Por que ficaram com gente do tipo Peter e Steve?
Uma olhou para a outra e riram.
— Cachaça e principalmente tédio. – Mirna respondeu.
— Um pouco de curiosidade e uma meta a ser comprida. – Lucy completou.
— Como assim?
— Eu e minha irmã sabemos que somos razoavelmente bonitas, pegamos na maioria das vezes caras bonitos. Então, ás vezes temos que decair um pouco o nível para não ficar na mesmice.
— Que horrível. – Falei indiferente. Por mais que bloqueasse Vick nos meus pensamentos, ela persistia em voltar.
— Não é horrível. – Lucy se defendeu.
— Garotos fazem o mesmo, aposto que eles iram se gabar depois sobre a ficada, mas como estamos bêbadas demais não nos importamos com isso no momento.
— Eu também estou muito bêbado e não estou ligando para nada.
— Acho que isso merece um brinde. – Lucy falou.
Ela pegou copos e uma bebida de cor azul e gosto muito forte. Perdi um pouco da noção do tempo e só voltei para mim quando escutei a voz do Marc cantar:
I only call you when it's half past, five
The only time that I'll be by, your, side
I only love you when you touch me, not feel me
When I'm fucked up, that's the real me
When I'm fucked up, that's the real me, yeah
I only fuck you when it's half-past, five
The only time I'd ever call you mine
I only love it when you touch me, not feel me
When I'm fucked up, that's the real me
When I'm fucked up, that's the real me, baby
A música tinha uma batida erótica, como se fizesse o nosso corpo pedir pelo de alguém. Olhei para os lados e encontrei olhos conhecidos, Yerik me encarava e eu fiz o mesmo, imediatamente uma tensão se instalou entre nós.
I'ma let you know and keep it simple
Tryna keep it up, don't seem so simple
Cause I just fucked two bitches 'fore I saw you
You gon' have to do it at my time
Meu corpo começou a se embalar pela música, porém sem desviar o olhar do búlgaro, este estava sozinho. Abruptamente, Marc parou de cantar depois de se ouvir um forte estalo, todos os presentes imediatamente olharam para ele.
Vick estava com o cabelo bem armado na frente dele e de costas a mim, ela deveria ter batido nele, pois mesmo pelo tom escuro, ainda era perceptível a vermelhidão na sua face. A conhecia tão bem que poderia até adivinhar sua provável expressão
— Você é ridículo! – Ela gritou para todos ouvirem. – RIDICULO! – Repetiu.
Estava prestes a lhe dar outro tapa, no entanto, foi contida por ele.
— Ridícula é você! – Ele aumentou o tom de voz.
— Preciso dizer para todos o que você fez, o que eu vi você fazendo. – Interpretei o que ela queria dizer e fiquei rubro.
— Preciso também dizer o que você já fez. – Marc rebateu, olhando para o seu ventre.
Era um golpe duro, um chantagear o outro e pior ainda usar a informação de um aborto como moeda de troca. No fundo, bem no fundo, fiquei tão aliviado por ele usar isso e raivoso, pelo truque baixo.
Eles se encararam por um tempo, ninguém no ambiente falava qualquer coisa, até que Camille apareceu do nada e tomou a atitude de afastar minha irmã de Marc.
— Vamos Vick, não vale a pena fazer todo esse escândalo na sua casa para todo mundo ver e comentar depois.
Cami puxava uma Vick muito reluta que voltou com força no ultimo momento.
— Isso vai ter volta, seu babaca. C-O-R-N-O.
— V-A-G-A-B-U-N-D-A. – Ele devolveu. – Vai com sua amiguinha, enquanto ela se fazia de leal a ti, chupava o meu pau depois.
— Igual eu fazia com os dos seus amigos. – Vick rebateu. – Só não vou dizer qual para você desconfiar de todos, porque você sabe... Se ele já pegou sua garota uma vez, não terá medo de pegar de novo.
Marc fez menção de ir para cima dela, meu corpo reagiu de impulso e de outras várias pessoas também. Corri em direção dele, não para segurá-lo, mas para agredi-lo. A função de conte-lo foi feita pelos seus próprios amigos, que não o deixaram dar um passo se quer.
— Para com isso, cara.
— Se controla.
— Não seja cabeça fraca, ela quer isso.
Alguns disseram, eu não conhecia ou lembrava de nenhum deles.
No meu caso, não tinha ninguém inicialmente para me conter, por isso, consegui dar meia dúzia de passos antes de ser impedido por Yerik. Ele me segurou e me empurrou até a parede mais próxima. Ninguém conseguiu ver quase exatamente nada, porque foi muito rápido e a movimentação de pessoas intensa.
Vick foi arrastada pelas garotas e nem se quer viu que eu avançara no Marc.
— EU VOU BATER NESSE IDIOTA. – Eu gritei atraindo a atenção de metade dos presentes, a outra metade estava entretida nos gritos do outro.
— Não vai não. – Yerik sussurrou no meu ouvido. – O máximo que vai acontecer é de você ir para cima dele e apanhar.
— ME SOLTA!
— Para de gritar.
— ALGUÉM TIRA ESSE BABACA DE CIMA DE MIM E ESSE OUTRO DA MINHA CASA. – Dessa vez consegui a atenção de todos, incluindo Marc.
— O que você disse? – Ele gritou para mim.
— Sai da minha casa, agora! – Ordenei.
— Quero ver quem vai ser capaz de me tirar, você?
— Seus próprios amigos! Ou vocês tiram ele daqui ou eu ligo para polícia e acabo com a festa. – Ameacei.
— Não precisa disso. – Yerik continuava a falar no meu ouvido.
— Anda, já avisei. – Voltei a ameaçar já que ninguém se movia.
— Faça isso e sua vida será um inferno. – Marc que me ameaçou.
— Você quer me ameaçar na minha casa?
Senti o celular de Yerik no bolso dele e não hesitei em pegar e começar a discar o número da polícia. Ninguém se mexeu, coloquei do viva voz e só se mexeram após escutarem a voz da atendente policial.
— Vamos, Marc.
— É melhor não arrumar confusão.
Os amigos deles o puxaram.
— Não precisa me arrastar não. – Ele se livrou deles em um movimento só. Caminhou até mim de maneira ameaçadora. – Cuidado, Blake. Eu posso foder com sua vida no St’Agnes.
— Estou morrendo de medo. – Cuspi nele.
O cuspi por sorte não o acertou, porém ele viu e foi o suficiente para me encarar de forma mortífera antes de sair da minha casa.
— Vem aqui. – Yerik pegou no meu braço e me arrastou para fora da sala, enquanto todos nos olhavam.
Eu resmungava e esperneava várias coisas sem sentido até pararmos de andar na frente da porta do meu quarto.
— Cadê a chave dele? – Ele me perguntou sério.
— Com a Sam. – Lhe respondi grosseiro.
— Fica aqui. — Ele ordenou descendo pela escada, porém mantendo a visão em mim até quando fosse possível.
Ninguém estava no andar onde eu estava, estranhei esse fato, até que me lembrei que minha irmã deveria estar chorando ou sendo contida no quarto dela. Fiquei tentado a lhe fazer uma visita no seu quarto, mas os fortes ruídos vindos deles me fizeram desistir.
Pouco a pouco, a festa voltava a sua normalidade. Eu já conseguia ouvir a barulheira das pessoas conversando sobre a confusão, mas se comportando como se ela nunca tivesse existido. Na real, ninguém espantaria a sua felicidade de estar chapado por uma briga de um casal que pouco ou nada se importava, só estavam ali para festejar e mais nada.
Yerik demorava, fiquei cansado e me sentei no chão. A música parou abruptamente por alguns instantes até voltar e ser cantada por alguém do coral.
Do you ever feel
Like a plastic bag
Drifting through the wind
Wanting to start again
Do you ever feel
Feel so paper-thin
Like a house of cards
One blow from caving in
Era a voz de Abigail, ela cantava sozinha, era uma música bonita e inspiradora. O público gosta, pois gritavam e cantavam com ela.
Do you ever feel
Already buried deep
Six feet under
Screams but no one seems to hear a thing
Do you know that there's
Still a chance for you
'Cause there's a spark in you
You just gotta
Ignite the light
And let it shine
Just own the night
Like the Fourth of July
'Cause baby, you're a firework
Come on show 'em what you're worth
Make 'em go, "Aah, aah, aah"
As you shoot across the sky
Baby, you're a firework
Come on let your colors burst
Make 'em go, "Aah, aah, aah"
You're gonna leave them all in awe, awe, awe
Eu olhei para a janela no final do corredor e me deu uma tremenda vontade de pular dela e voar, peguei impulso e corri em sua direção. Tudo ocorreu como em câmera lenta, estava pronto para o impacto seguido da sensação de ar envolvendo o meu corpo, quando fui interceptado por alguém. Caímos no chão, batendo minha cabeça, já não tão boa pela queda mais cedo do lustre.
— Estava tentando se matar? – A pessoa que me segurava perguntou um pouco irritada, sua voz era familiar, mas só conseguia identificar que era um homem.
— Não, só queria voar. – Falei com simplicidade. – A música me inspirou a isso.
Ao fundo Abi cantava os últimos refrãos.
— Não tem asas para voar. – Percebi que ele me abraçava.
— Como sabe? Nem me conhece, posso ter um par escondido em minhas costas. – Fechei os olhos na falha tentativa de clarear a minha visão.
— Como não? Sou eu o Mick, acho que o conheço o suficiente para saber que não tem um par de asas.
Ouvir esse nome, despertou uma ansiedade dentro de mim que foi totalmente frustrada pela minha visão turva e enegrecida.
— Não acredito que é você, deixe-me ver o seu rosto e tocá-lo. – Falei agitado.
— Ohh! Claro.
Nos levantamos e eu imediatamente o abracei, nem me importei de fazer isso em público ou na posição que estávamos antes de nos recompormos.
— Eu estou tão feliz de finalmente conhecê-lo.
— O sentimento é reciproco. – Me abraçou de volta, ele era mais alto.
Ficamos assim por um tempo, até que ele voltou a falar.
— Blake, me solta um pouco. Já não estou respirando direito. – Disse com a voz abafada.
— Eu não estou acreditando nisso. – Falei exaltado o apertando mais forte, antes de soltá-lo, porém mantendo contato ao segurar suas mãos.
— Um pouco de ar. – Respirou profundamente.
— Como ficou sabendo da festa aqui em casa? – Lhe perguntei.
— Já reparou nas proporções que essa festa se tornou?
Balancei a cabeça negativamente, mesmo sabendo sobre o que se referia.
— Pois é, está bem grande. Mas fiquei sabendo por você mesmo, lembra?
— Não. – Ri.
— Ainda foi me atender na porta. – Completou.
— Eu fui?
— Foi.
Uma repentina náusea me atingiu, fazendo-me inclinar para frente e segurar o estomago e boca, evitando regurgitar e consequentemente me sujar e o corredor.
— Você está bem? – Mick perguntou, também se inclinando para ficar na minha atual altura.
Tirei a mão do estômago e fiz negativo com o dedo indicador.
— Por sorte, estou com a chave do seu quarto. – Senti a sua mão acariciando o meu ombro.
Escutei o barulho da tranca se abrindo e corri na sua frente para o meu banheiro, vomitei uma boa quantidade de um líquido viscoso na privada.
— Isso está bem nojento. – Mick deveria ter aparecido na porta do banheiro.
— Eu sei. – Falei, antes de retornar a regurgitar.
— Acho melhor você tomar um banho. – Sugeriu.
— Nem pensar. – Respondi ainda com a cara na privada.
— Sente um pouco do seu próprio cheiro ou se olha um pouco no espelho...
— Você sabe o quanto eu odeio tomar banho. – Sentei no chão do banheiro, sem o enjoou anterior.
— Eu estou com você, nada de ruim pode acontecer. – Se sentou ao meu lado, passando um braço pelos meus ombros.
— Você é alto. – Comentei, impedindo que ficássemos sem assunto.
— Sou normal, você que é baixinho. – Ele esticou as pernas e elas iam para mais longe que as minhas. – Mas realmente você deve tomar um banho, sr. Sujinho.
Senti seus lábios tocarem meu pescoço, na região de intersecção com maxilar, todo meu corpo se arrepiou e minhas orelhas esquentaram.
— Liga o chuveiro, enquanto pego uma roupa nova.
— Ainda está falando sério do banho? Eu não quero tomar banho. – Falei sério.
— Estou. – Agora ele também sova mais sério.
— Vai me dar banho?
— Talvez.
— Isso é assédio. – O acusei ao me arrastar até o box do chuveiro.
Ele saiu rindo. Liguei o chuveiro lentamente, observando as cotas caírem e aumentarem gradativamente, a sua intensidade era proporcional ao desconforto crescente dentro de mim. Do meu quarto veio alguns ruídos, Mick deveria estar tendo dificuldade de achar minhas roupas ou em escolhe-las.
Eu já estava completamente despido, não me importava com minha nudez, quando sentia a presença dele de volta ao banheiro, nesse mesmo momento o chuveiro havia atingido sua total vazão.
— Respira fundo. – Senti se aproximando, meu corpo entrava em conflito não sabia se sentia-me tranquilo ou desesperado.
Fiz o que mandei, enquanto ele se despia. Abaixei a cabeça e observei o movimentar dos seus pés.
— Vamos, Bleika. – Ele me incentivou, a forma que pronunciara o meu nome me vez imediatamente girar meu corpo e observá-lo.
— Yerik!?
— Eu? – O búlgaro soou confuso por minha atitude, ele estava só de cueca branca atrás de mim.
— O que faz aqui?
— Vim te dar um banho.
— Mas quem estava aqui era o Mick!
— Que Mick? Seu amigo online, essa é boa. Vamos Blake, você acabou de vomitar e precisa de um banho. – Se aproximou e empurrou-me para dentro do Box, quase me molhando.
— O que você está fazendo! – Bati no seu ombro, agora eu realmente estava desesperado, podia sentir meus pés molharem com a água que escorria.
— O que você está falando, Blake? Eu estou com você todo esse tempo, para de agir feito louco. – Ele me segurou com força.
Não, eu estava completamente confuso, uma hora era Mick e outra Yerik, como poderia estar havendo essa troca? Não poderia ser o mesmo, minha cabeça alterada que deveria estar me aplicando uma peça. Balancei a cabeça na vã tentativa de normalizá-la.
— Está bem, concordei.
— Se molha um pouco. – Ele fechou o Box atrás de mim.
Não existia um espaço muito grande entre o vidro e a corrente de agua que caía, por isso acabei colando minhas costas no peitoral do Yerik, podia sentir sua respiração e batimento cardíaco acelerado. Pela minha demora e total imobilização, ele voltou a falar.
— Só molha os braços. – Eu fiz isso e todo o meu corpo se arrepiou. – Vai entrando devagarzinho. – Sussurrou no meu ouvido, movimentando o seu corpo e consequentemente o meu.
O grito ficou mudo na minha boca ao sentir a agua batendo no meu corpo e Yerik me abraçando com força por trás. Eu fechei os meus olhos, deixei que ele me lava-se desejando que aquilo terminasse rápido e ao mesmo tempo devagar. Por saber do meu estado em relação ao banho, ele não se demorou, apesar de sentir eu ficar sentindo uma constante pontada rígida na altura da lombar. Logo ouvi o som do registro se fechando e senti a toalha envolvendo o meu corpo, fazendo-me finalmente abrir os olhos e virar o corpo.
Eu tinha esquecido de tirar meus óculos, por tanto, os acabei molhando. Ao ver o acontecido, o búlgaro começou a rir.
— Sua cara está ótima. – Ele continuava a me abraçar, mesmo comigo virado.
— Não me diga, alguém não lembrou de tirar meus óculos. – Os limpei na toalha, deixando com alguns fiapos do tecido.
— Te dei um banho e ainda reclama por eu ter esquecido seus óculos, pelo menos vou te lembrar de escovar os dentes.
Sorri amarelo para ele, lhe entregando a minha toalha e fui escovar os dentes, enquanto fazia isso pude escutar ele tirando a cueca encharcada. Pelo canto do olho o observei, seu corpo era lindo, bronzeado e com marca da sunga bem marcada, indicando que ele era um pouco mais claro do que eu imaginava. Na única nádega que eu consiga ver, por causa da sua posição, tinha uma marca de nascença no formato da Austrália.
— Gostou da marca? – Ele notou que eu o observava, por sorte do modo que se secava cobria sua genitália.
Eu não poderia dizer o mesmo, cuspi a espuma da boca ao lembrar do meu estado nu. Porém, antes que eu pudesse pegar a roupa que ele separa para mim, este chegou até mim despercebido, me desarmando totalmente.
— Eu vi você me olhando. – Ele tinha colocado a toalha em seus ombros, por isso deixei a minha visão limitada a do seu peitoral para cima.
— Igual você fez durante todo o banho. – Rebati.
— Como pode saber? Nem estava com os olhos abertos. – Ele arqueou a sobrancelha presunçoso.
— Porque o conheço bem e sei que não perderia a oportunidade de fazer isso.
— Você está certo. – Ele riu, mostrando as linda fileiras de dentes brancos, o modo que o seu canino pressionava o lábio lhe dava um ar sensual ou até mesmo vampiresco, ainda mais combinado com a boca avermelhada, como no estado que estava naquela hora.
— Eu senti uma coisa durante o banho...
— Não vai nem me agradecer? – Falamos juntos.
— O que? – Voltamos a falar juntos.
— Você primeiro. – Novamente juntos.
— Okay, eu falo primeiro. – Yerik tomou a iniciativa. – Não vai nem me agradecer? Estou com o corpo todo molhado por cuidar de ti. – Ele girou o corpo para evidenciar o que eu já sabia, tive que me conter para manter o olhar no alto.
— Obrigado. – Sorri desconfiado, ele me devolveu um sorriso igual.
— Agora fala você.
— Senti algo atrás de mim, bem rígido o que era? – Perguntei inocente.
Yerik segurou a risada e ficou bem vermelho.
— Sabe o que era? – Ele falava mais manso, se aproximando de mim. Só parou quando estava com a boca colada no meu ouvido e sussurrou. – Olha para baixo agora e vai ver o que era.
Meus olhos esbugalharam e se eu tinha achado que já ficara no meu máximo de vermelhidão antes daquele dia, então acabei me enganando. Por mais que algo dentro de mim gritasse para não olhar, algo também dentro de mim gritava mais forte para fazer e eu o obedeci. Olhei primeiramente para a sua boca e fui descendo para o seu queixo, a linha do maxilar, pescoço, peitoral, o caminho do abdômen definido até que parei na linha da marca da sunga, mesmo que desistisse nessa hora já era possível ver o seu pênis. Ele estava levemente avermelhado e bem ereto.
Yerik foi esperto o suficiente de voltar meu olhar para sua boca, quando levantou o meu queixo e me beijou, extinguindo a nossa distância. Meu corpo se aqueceu com o dele e o contato da sua ereção com a minha pele gerou-me uma própria.
Seu beijo parecia desesperado, tive até um pouco de dificuldade para acompanha-lo, praticamente devorava a minha boca e meu corpo com as mãos. Mal tinha tempo de entender o que exatamente fazia entre as mordidas e as investidas da sua língua, eu sabia que era muito bom e que não queria parar de fazer isso.
Senti meus pés serem levantados do chão e em seguida ser levado para fora do banheiro. Ele me largou em cima da cama, fui para trás o fazendo engatinhar em cima dela para voltar a me beijar, ficando entre as minhas pernas e sobre mim. O retorno do beijo manteve-se com o ritmo anterior, me deixando completamente sem ar. Suas mãos percorriam o meu corpo, parando mais tempo quando chegava na bunda, lugar que ele fazia questão de apertar a quase doer.
— Nós vamos fazer isso? – Ele me perguntou quando largou meus lábios e atacou meu pescoço.
— Fazer o que? – Suspirei com mais vontade quando ele tocou em uma região mais sensível no pescoço com a língua.
— Deixa pra lá. – Ele não respondeu, me dando um rápido selinho.
O senti começar a se movimentar para frente, nossas ereções que antes se tocavam, agora se esfregavam, era uma sensação tão boa que me fazia querer gritar e ao mesmo tempo apertar o corpo de Yerik. Nada me impedia de realizar, por isso apertei suas costas e ombros de modo que ficassem vermelhos, isso lhe transmitiu a minha satisfação e provavelmente também identificou como uma concessão para ir com mais afinco ou fazer algo ainda mais íntimo.
— Eu te desejo tanto. – Ele confessou no meu ouvido.
— O pior que eu também. – Mordi meus lábios após dizer isso.
Escutar tais palavras pareceu acender algo dentro dele que ficou nítido na sua expressão, parecia uma criança que acabara de receber um sorvete em um dia quente de verão. Foi direto para o meu pescoço, chupando-o com força, por reflexo minha mão desceu para a sua bunda, apertando-a na intensidade equivalente ao do chupão e o trazendo para mais junto a mim, se possível aumentando a nossa área de contato.
— Você é fortinho. – Comentou quando parou de me chupar.
Sua mão desceu para os nossos pênis e começou a masturba-los juntos, era tão excitante que eu sentia que iria explodir.
— Me toca, Blake. – Ele puxou a minha mão e a levou ao próprio membro.
O toquei com um leve receio, era mais duro do que eu imaginava que seria e maior que o meu, o qual era o único que já tivera contato. Sua mão me guiava e ensinava o que fazer e com a outra ele continuava a me masturbar. O movimento era bem simples, só descer e subir, o cuidado maior estava na maneira que pegava. Conforme eu me adequava ao movimento seus suspiros se tornavam gemidos, que acompanhavam os meus, que eu nem tinha notado que os estava emitindo.
— Faz comigo o que você fez com Jesse. – Pedi no seu ouvido, com o braço livre eu o prendia e impedia de tirar a cabeça do lado da minha e assim ouvir a sua respiração no meu ouvido.
Yerik acenou positivamente, então o soltei e parei de masturbá-lo. Ele levantou um pouco o corpo e foi dando-me leves beijos pelo corpo até descer para o meu ventre. Quando estava nessa posição não conseguia mais encará-lo, antes sempre mantínhamos o contato visual, seus olhos estavam muito azuis.
— Olhe para mim. – Usou o tom no imperativo.
— Não consigo. – Olhei para o teto.
— Olhe para mim. – Ordenou novamente, sendo dessa vez mais incisivo.
Não o respondi, mantive os olhos pregados no teto. Por minha falta de resposta, ele me mordeu na coxa fazendo-me gritar e olhar imediatamente para ele.
— Isso doeu. – Passei a mão na região úmida e vermelha pela mordida.
— Ótimo, agora preste atenção em mim.
Retornado o contato visual, foi impossível novamente interrompê-lo. O vi segurar o meu pênis, abrir lentamente a boca e olhar intensamente para mim, estava prestes a colocá-lo para dentro quando escutamos uma batida na porta.
— Yerik, você está aqui? – Era Jesse o chamando, por sorte, o búlgaro a havia trancado.
Ficamos sem reação, nossos olhares mudaram para algo mais remetendo ao medo.
— Responde! – Sussurrei para ele.
— Sim, eu estou. – A voz dele saiu embargada e bem nervosa.
— Está tudo bem? – Jesse parecia desconfiado.
— Só estou cuidado do Blake. – A voz já estava pegando mais confiança, apesar dos olhos ainda denunciarem medo.
— Precisa de ajuda?
— Não, já estou saindo. Só joguei ele no banheiro para tomar banho e agora estou arrumando a cama dele.
Eu quase ri com essa desculpa.
— Vou estar lá embaixo quando terminar.
— Okay.
Mal respirávamos e o motivo era uma terceira pessoa. Assim que não ouvi mais o passos de Jesse, me levantei e fui beijar Yerik. Este me deteve, me empurrando de volta para o colchão.
— Podemos voltar... – Tentei agir como se nada tivesse acontecido.
— Não, é melhor eu ir. Jesse está me esperando lá embaixo.
— Ele pode esperar mais um pouco. – Toquei no seu ombro.
— Não dá, bateu a real e não posso fazer isso com ele.
— Então estão namorando? – Perguntei ríspido, começava a ter raiva.
— Não, mas fazer isso não é legal.
— Então volta a me beijar. – Fiz menção de beijá-lo, no entanto, no mesmo instante ele se levantou o que ocasionou na minha queda direta no colchão.
— Não dá, até brochei. – Apontou para o próprio pênis já não tão desperto como antes.
— Tudo bem, então. – Dei-me por vencido, arrumando a minha posição para ficar contemplando o teto. – Vamos repetir isso quando.
A risada dele foi estranha e levemente amarga.
— Nem tão cedo, Bleika. – Ele foi até o banheiro e se vestiu, aparentemente sem cueca, pois como esta deveria estar molhada se a estivesse usando molharia a calça.
— Por que? – Perguntei no seu retorno.
— Porque isso que aconteceu no seu quarto, só aconteceu porque você está chapado e bêbado e provavelmente não vai se lembrar depois. No contrário, estaria se martirizando, por tanto, isso só vai voltar a acontecer depois que você se aceitar pelo menos no armário.
Yerik caminhou até mim e me deu um selinho. Quase imediatamente uma náusea muito forte e repentina me ocorreu, causando uma enxurrada de vomito.
— Ainda bem que te beijei antes que isso acontecesse e depois de você ter escovado os dentes. – Ele saiu rindo pela porta do meu quarto, após destrancá-la.
Só fiz um sinal de positivo, enquanto vomitava no chão ao lado da minha cama. Não demorou três segundo e a porta se abriu novamente.
— Blake, se for sair do quarto espera pelo menos uma meia hora, por favor.
Como resposta mantive o sinal de positivo. A porta voltou a se fechar e continuei regurgitando. Após parar a nojeira, escovei os dentes, por sorte não sujei o meu corpo, por tanto, não precisaria de um novo banho. Esperei os trintas minutos do Yerik até sair do quarto, a festa embaixo parecia muito animada.
— Blake. – Escutei alguém me chamar quando eu estava prestes a descer as escadas.
— Oi. – Lhe respondi. – Quem me chama?
— Sou eu Mick. – Ele respondeu.
Mick estava ao lado da porta do meu quarto e sua face permanecia na mesma forma de quando eu o vira mais cedo, totalmente nebulosa. Se não fosse Yerik, já que não confiava mais no meu discernimento.
— É você mesmo? – Perguntei ao caminhar na sua direção.
— Sou. Por que não seria?
— Não sei, hoje estou um tanto confuso.
— Percebi.
— Você gosta de mim? – Perguntei desmedido.
Isso deve ter lhe causado constrangimento, pois demorou para me responder.
— Gosto, você sabe disso.
Eu não soube interpretar se essa seria uma afirmação referente a um sentimento fraternal ou de algo a mais. Preferi por não explorar esse caminho.
— Falta pouco mais de meia hora para meia noite. – Mudou drasticamente de assunto.
— Pensei que fosse mais tarde.
— Se fosse, já deveria ter acontecido a queima de fogos e nós teríamos escutado.
— Faz sentido. Sabe como está a festa lá embaixo? Faz um tempo que eu não desço.
— Na última vez que estive lá, metade das pessoas estavam bem loucas e a outra metade estava ainda mais louca.
— Ou seja, só tem pessoas lá embaixo, faz sentido.
— Da janela do seu quarto dá para ver a queima?
— Não sei, geralmente passava essa data dormindo. – Ri, coçando a cabeça.
Ele entrou no meu quarto e parou na frente da janela, o segui e ficamos olhando a paisagem. A vista dava para o telhado que cobria o andar inferior e para frente da casa.
— Acho que não dá para ver daqui. – Ele comentou assim que me aproximei.
— Como você sabe aonde acontecerá a queima, em que direção me refiro?
— Simples, será no centro da cidade e pela posição que estamos não poderemos ver.
Olhei para o telhado com a neve completamente intocável, parecia tão fofa.
— Venha. – O chamei. – Vamos deitar um pouco na neve.
— Vamos descer...
— Não, na do telhado. – O interrompi antes de terminar de falar.
— Na do telhado da sua casa?
— Sim, daqui a pouco vai ser Ano-Novo, poderemos admirar os fogos de lá de cima.
Abri a janela e uma lufada de vento frio me arrepiou e trouxe um pouco de neve para dentro do quarto. Fui o primeiro a passar pela janela e pisar na neve intocada e recém caída, com cuidado fui caminhando sobre ela para ajudar Mick a me acompanhar, devia ser delicado pois a neve era bem escorregadia e qualquer deslize acarretaria em uma desastrosa queda de pelo menos quatro metros.
— Ainda acho essa uma péssima ideia. – Mick falou.
— Não é tão ruim.
— Você acabou de tomar banho.
— Estou bem agasalhado.
— Mesmo assim. – Ele retrucou.
Andamos pouco e logo deitamos sobre a neve, pequenos flocos caíam e cobriam pouco a pouco nossos corpos.
— Como está frio aqui fora. – Comentei querendo evitar que um silencio constrangedor se instala-se.
— Por isso, acho melhor voltarmos...
— Ou só ficarmos mais próximos. – Fui para mais junto dele.
— O que você está fazendo? – Ele parecia assustado.
— Só me aproximando.
— Não faça nada que se arrependa depois. – Alertou.
— Infelizmente, já é tarde demais. – Olhei para o céu nebuloso suspirando.
— Nunca é tarde demais...
— Ás vezes é sim. – Olhei para ele, mas a embriaguez me impedia de focá-lo. Eu não entendia como conseguia subir em um detalho com toda uma inclinação e neve para me fazer cair, mas não conseguia enxergar simples traços de um rosto já conhecido.
— Não tem a mínima possibilidade para se concertar isso?
— Não, uma grande besteira. Que afeta a mim e a pessoa que mais amo.
— Sua irmã?
— Sim e um monte de outras coisas que aconteceram nessa noite.
— A noite daqui a pouco acaba, então não poderá fazer mais besteira. – Ele tentou me animar, porém causando o efeito contrário.
— Ótimo. – Suspirei.
— Não pense nisso, pense agora nesse momento que estamos tendo.
— Queria poder enxergar o seu rosto. – Falei aleatoriamente.
— Não está me vendo? – Ele riu.
— Desfocado.
— Mas está de óculos.
— Exatamente, será que é um bloqueio? Por querer muito te ver e ter demorado todo esse tempo.
— Pode ser... Então acho que vou continuar desfrutando do meu anonimato já que não vai se lembrar de mim.
— COMO É?
— Não grite.
— Vai continuar se escondendo de mim?
— Vou.
— Cretino. – O acusei, afundando a cabeça na neve.
— Tire a cabeça daí. – Ele me puxou. – É interessante conversar com você sem o filtro de boas maneiras, me dá uma nova perspectiva sua.
— Todos estão dizendo isso... Estão aproveitando de mim. Gelar a cabeça agora é legal por causa da queda de mais cedo.
— Não deveria deixá-los se aproveitar então.
— Não deixo, mas no fundo eu acho que quero. Sei lá, talvez me livrar de tudo que me prende e fazer o que tenho vontade.
— Igual fez no lustre.
— Nem me fale disso. – Enruguei a testa com a leve dor de cabeça que começava a despertar em mim.
Voltamos a ficar em silencio.
— Acho que você deveria tirar esse ano para ser um pouco egoísta. – Soou sério.
— Como assim? Isso não é algo ruim? – Estranhei tal conselho.
— Nem sempre, no seu caso seria algo bom.
— Só por que sou legal demais?
— Exatamente. – Ele riu.
— Não posso ser egoísta agora, fiz besteira com Vick e ...
— E ela vive fazendo um monte delas com você. – Me interrompeu. — Não se importe com isso e siga em frente. Você faz com que ela se ache o centro do universo, acabe com essa situação e a relação de vocês será bem melhor.
Ele desabou aquilo tudo de uma vez em mim, senti literalmente afundando na neve. Por mais que discordasse da parte em ser egoísta, sabia que o resto estava completamente correto.
— Muita coisa para se pensar, mas não estou no meu pleno estado para isso.
— Faltam poucos minutos para o Ano-Novo.
Dito isso, nos calamos e esperamos a queima de fogos. Estava quase dormindo, já com os olhos semicerrados quando escutei o barulho do primeiro fogos de artificio, ele era dourado.
— Feliz Ano-Novo. – Mick sussurrou no meu ouvido, arrepiando-me.
Tentei olhar para o céu e admirar a queima, mas o corpo dele cobrou toda minha visão, ao se inclinar sobre mim.
— Feliz Ano-Novo. – Sussurrei de volta.
Meus lábios deveriam estar roxos quando foram esquentados com o toque dos seus vermelhos e quentes.
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