Tempestades de Fogo
1 Marc e Axel, os fieis da balança.
Um dia comum no inverno londrino, chove como sempre. Marc deveria chegar à faculdade meia hora mais cedo, mas nada deu certo esta manha. Seu carro quebrou, seu celular esta sem carga, e não passa um maldito carro na estrada que ele sempre utiliza para ir a faculdade. Ele tem que apresentar relatórios sobre suas pesquisas que envolvem relíquias encontradas ao redor do mundo. Como uma espada japonesa (katana) encontrada na Amazônia, um vaso chinês encontrado numa escavação na África entre outras coisas.
Marc começa a andar pela estrada em direção à faculdade após cinco minutos, o som de um carro se aproxima, ao se virar para observar e avista um carro vermelho. Tomado pelo mal humor decide nem pedir carona. Mas o carro para ao seu lado e quando o vidro da porta do carona baixa, ele vê uma linda mulher morena de olhos verdes que parece toda atrapalhada com um mapa nas mãos.
— Por favor, pode me dizer como eu chego ate a faculdade?
— claro que posso. Se você me der uma carona ate lá
— certo, certo, sem problemas senhor, qual seu nome?
— Marc Maxwell Rainbow
— Professor Rainbow?
— sim, a senhorita me conhece?
— nunca tinha visto o senhor pessoalmente, mas já ouvi muito falar sobre seu trabalho, eu deveria esta na sua apresentação agora.
— e eu deveria estar me apresentando, mas hoje nada deu certo.
— eu sou a professora Liandra Larx, prazer.
— prazer em conhecê-la professora
— mas vamos? Estamos atrasados
— ah sim, vamos.
Após dez minutos eles chegam a faculdade e Marc apresenta os resultados das pesquisas ao conselho.
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Nas ruas chuvosas de Londres passa desapercebido por todos uma figura de vestes negras. Conhecido por Axel, mas na verdade ele é alguém que deveria ser notado e cujo nome nunca deveria ser citado. De passadas largas, porem lentas ele continua caminhando sob a chuva. É alto, magro e seu rosto não pode ser visto, pois uma sobra se projeta sobre ele. Ele anda com as costas arqueadas, olhando sempre para o chão como se procurasse algo. Ele para quando vê um par de sapatos.
— Ainda procurando agulhas em um palheiro, Axel?
O dono dos sapatos é um homem totalmente diferente de Axel, baixo e rechonchudo, tem um olhar gentil e um sorriso divertido sob o grosso bigode branco. E sua careca molhada pede um abrigo da chuva.
— Estava procurando por você já que estava demorando a chegar. Venha vamos entrar na loja.
Entram em uma enorme livraria. A fachada é elegante e de bom gosto.
— Tive que fechar a loja para ir te buscar! Então não faça cerimônias e entre.
— Thomas você não deveria – diz friamente.
— Lá vem você de novo – contrariado.
A livraria tem um belo interior, decorada num estilo clássico. Grandes estantes repletas de livros alcançam o teto, decorado com motivos delicadamente pintados a mão, abrigam muitos livros raros. E é em companhia dos livros que eles começam conversar, eles vão ate uma sala reservada com uma enorme mesa lotada de livros e com cadeiras muito confortáveis para leitura, Axel espera ser convidado a sentar-se e um pouco depois Thomas providencia chá e biscoitos
— nenhuma outra pessoa ousaria me oferece chá e biscoitos, e também não diria que minha busca e inútil.
— eu não disse que sua busca é inútil meu bom amigo. Apenas que gastar seu tempo nisso é...
— trocar inútil por um sinônimo é bem o seu estilo. Além disso, deve saber que estar comigo já pode te trazer problemas.
— quanto a isso, não há com o que se preocupar. Sabe que já sou um velho e meus dias estão contados. Ao contrario de você, que ainda pode perder as contas dos dias que ainda vivera. Logo vou morrer meu amigo, mas antes quero fazer algo útil.
Ao dizer isso Thomas entrega a Axel um embrulho, Axel o recebe e ao abri-lo vê que é um livro. É um livro grande e pesado e aparentemente bem antigo. Sua capa e preta e sua paginas amareladas. As letras são de uma cor dourada bem semelhante a ouro e o idioma é estranho.
— já faz alguns anos, um jovem veio aqui e me deu esse livro, disse que alguém viria buscá-lo, mas como pode ver ninguém veio. Como é meu costume, eu não abro coisas que não são minhas, entretanto após tanto anos... Que mal teria? Quando o abri vi que era um exemplar especial, nunca tinha visto ou escutado falar sobre um livro como este ou sobre uma linguagem como a que esta ai, mas outro dia percebi algo interessante, lembro de ter visto um dos símbolos deste livro em uma de suas tatuagens nas costas de suas mãos.
— realmente vocês esta certo
— então pode levá-lo, ele deve ser útil para você de alguma forma, embora eu não saiba realmente o que você busca.
— eu não lhe disse antes para que você não corresse perigo Thomas. E agora julgo que minha decisão foi sabia. Você se mostrou um grande amigo.
E esta foi a ultima coisa que foi dita naquela sala nesta noite.
Quando Marc chegou a sua casa, já havia anoitecido e ele estava exausto. Mas o dia foi bom apesar dos imprevistos que ocorreram pela manha, Liandra se mostrou muito interessada em suas pesquisas e também aos olhos de Marc, ela se mostrou interessante.
Ao abrir a porta, Marc foi recebido calorosamente por seu gato. Que alias estava faminto.
Ele prepara algo para o jantar,e da ração para o gato. Se sua casa estivesse arrumada seria um pouco mais aconchegante. Caixas estavam espalhadas por todos os lados, alem de roupas suja e limpas deixadas em qualquer lugar. Papeis, rascunhos de suas pesquisas, fotos, restos de comida de dias atrás, apesar de ter se mudado para cidade a meses nunca teve tempo de arrumar a casa, muitas coisas ainda nem saíram das caixas.
Do outro lado da cidade Axel lê atenciosamente o livro que lhe foi dado.
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