Notas iniciais
Minha ideia poderia ser considerada no mínimo como genial e suicida.
Green Valle era um vilarejo de tamanho considerável e a maior parte dos seus habitantes era de mineiros que trabalhavam nas montanhas.
Além de minas repletas de cristais, as montanhas de Green Valle também eram conhecidas por terem a prisão mais complexa do reino de Meriva; era praticamente um labirinto e, pra piorar, a maldita prisão tinha oito pavimentos... Subterrâneos.
–Então você está supondo para resgatarmos Nádia... Dos Oito Pilares? – O segundo desconhecido falou em desdém.
–Nem de longe seria tão estúpida. Não temos informação suficiente e, além do mais, seremos facilmente pegos se formos para lá sem um plano.
–A meu ver você parece menos idiota agora. – Dizia o estranho quase rindo.
–Gabriel. Apesar de toda sua experiência, aqui você é um novato. Não arrume brigas desnecessárias. – Cássio interveio num tom que mesclava preocupação e impaciência.
–Pois é novato, comporte-se. – Não engolirei o ‘’idiota’’ tão rápido.
–O que disse também vale para você Elisabeth. – E, como da última vez, suspirou amargamente – De qualquer forma, Nádia tem informações importantes que podem ser de extrema importância para nosso sucesso. Resgatá-la é a única forma, já que inocentá-la será impossível.
–Então o que sugere? – Disse o desconhecido que veio com Gabriel.
–No momento, só podemos mandar Henri e Laila buscarem o máximo de informações que puderem.
Laila, que estava aos fundos do galpão (que não era tão grande) aproximou-se e disse:
–Não tenho qualquer objeção contra seu plano, mas por pura educação, poderia fazer o favor de apresentar os estranhos?
–Me desculpe... Aconteceram tantas coisas que acabei me esquecendo.
–Tudo bem, eu mesmo faço as honras – Disse Gabriel se levantando como se fosse um Rei.
–Laila, correto? Sou Gabriel, subcomandante da Estrela Alva.
–Pensei que estavam todos mortos. –Disse com toda franqueza possível.
–A maior parte – Respondeu com um falso sorriso e completou – Assim como sua amiga, fomos pegos em um golpe, mas ao invés de serem pessoas de grupos distintos, foi toda uma sede. Os que sobreviveram, ou se esconderam em outros reinos ou procuraram outros grupos com ideais semelhantes aos nossos.
–Quantos restaram? – Perguntou Laila.
–Não mais que nove. Isto é, os que continuaram no grupo original.
–Sim, e por ser um grupo com um poderio semelhante ao da Tropa Média, acredito que será bom tê-los como uma ‘’unidade de batalha’’.
–E o esquisitão encapuzado sentado no lugar mais escuro daqui? – Emily estava claramente desconfiada dele.
–Timothy. Ex-comandante da Estrela Alva; atualmente sou só o esquisito-que-se-esconde-nas-sombras. – E abaixou o capuz revelando seu rosto sereno e um meio-sorriso.
–Ele é um perito em ocultação e venenos. – Completou Gabriel, já que aparentemente Timothy não iria falar muito.
–OK. Agora todos se conhecem. O que faremos em relação à Nádia? – Interrompeu Demétrio
–Como falei anteriormente, mandarei Laila e Henri em busca de informações mais precisas sobre a localização de Nádia. Enquanto isso penso em mandar outros dois grupos para Porto Leste e um terceiro para a Feira Sagrada.
Após um silêncio que só era quebrado pelo barulho do mar fora do galpão, Cássio completou:
–Voluntários?
–Posso conseguir os grupos para Porto Leste. – Disse Emily.
–Eu nasci lá, então sou de maior ajuda em Porto Leste do que na Feira Sagrada. – Disse Demétrio de forma nervosa.
–Elisabeth? – Cássio praticamente me esfaqueava com os olhos
–Feira Sagrada. Como no plano original.
–Eu e o Timothy vamos com a ‘’não-sou-tão-idiota-Beth’’. Disfarce era um ponto forte de nosso antigo grupo.
Concordado, Cássio virou-se para o fundo do galpão e começou a andar. Antes de sair, parou e disse:
–Emily, tem três dias para me apresentar um grupo.
–Entendido.
–Por hoje, é isso. – e completou com um sussurro – como se já não fosse o suficiente.
Ao sair do galpão, percebi que a lua já estava bem alta.
Tinha que voltar pra casa logo.
–Lisa... Posso falar com você pela manhã?
Era Emily. Estava claramente receosa... Mas de quê?
–Por que não fala agora?
–Não! Pela manhã... Vai ser melhor.
–Tudo bem.
–Até...
–Até amanhã Emily...
Quando cheguei em casa eram 02h da madrugada. Apenas Cynthia, a principal das aias estava acordada. Quando perguntei por minha tia ela disse animadamente:
–Ah, ela pediu para avisar-te que ‘’vai passar a noite fora’’ – E começou a dar risadinhas.
–Falou quando irá voltar?
–Não, senhorita.
–Tudo bem. Boa noite.
–Boa noite.
E subi as escadas em direção ao meu quarto. Ao entrar, senti algo de diferente... Mas tudo estava em seu lugar, exceto minha caixinha de música.
Levantei-a do meu criado e examinei. Por fora estava normal. Então examinei o compartimento secreto que servia como porta-joias.
Todos os meus exemplares de cristais estavam lá. Nenhum foi roubado ou danificado.
Mas havia um novo. Um que eu não tinha comprado.
Estava cansada demais para analisar, então apenas deitei e dormi.
Notas finais
Alguma sugestão/teoria para os rumos da história?
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