Enquanto estavam todos bêbados, transpirando, gritando e vomitando, Tico estava sentado no sofá, jogando com João em um ps3.

Tico estava sendo massacrado no jogo, mas ele não dava a mínima

Tico nem ao menos sabe que está jogando, ele está tão distraído e com uma vontade enorme de voltar para casa que nem está prestando atenção na tela.

– O que eu fiz para merecer isso? – pensou ele. – Só quero ir para casa, minhas pernas doem, a música tá muito alta, cheiro de mijo e peido por toda a parte, caras mais tarados que eu mexendo no meu HD, argh!

Lívia e Marcos sentam ao lado de Tico e começam a dar uns amassos ali mesmo.

– Puta que pariu, era só o que me faltava. – pensou Tico.

O jogo de Tico e João termina e ele é expulso da rodinha do vídeo game.

– Seu merdinha! Vai aprender a jogar, foi muito fácil, quero jogar com alguém que valha a pena e que realmente seja desafiador. – gritou João enquanto tenta beber um joystick enquanto tenta apertar o botão start na garrafa de cachaça.

– Tanto faz, nem queria jogar essa merda mesmo.

– Mas que papinho de perdedor! Agora sai desse sofá que o Marcos vai jogar comigo.

Tico tenta se levantar e acaba dando uma incrível cotovelada na cara de Marcos.

– Por que fez isso? – gritou Marcos com as mãos na testa

– M-m-me desculpe, meus b-braços são muito longos

– Não quero saber! Vai ter troco, fica de olho aí seu bosta!

– Foi sem querer, porra!

– Não interessa, agora some da minha frente!

– Tchau Lívia, t-tenho que ir pra casa. – disse Tico.

– Okay rsrsrsrs – responde Lívia totalmente chapada.

Tico encontra Pedro sentado e chorando em um canto da casa.

– Vamos pra casa, Pedro, pega alí o meu HD e me encontra no carro.

– T-tudo bem, Tico.

Pedro chama seu amigo que parecia ter 13 anos para dirigir, pega o HD e sai da casa.

Tico chega a sua casa e convida Pedro para jogar em seu PC.

– Tico, não estou com vontade de jogar, preciso falar contigo.

– Pode falar, cara.

– Desde quando nosso grupo se separou, tudo ficou uma grande merda pra mim, não queria ser expulso por uma terceira vez, sabe.

– Ah, sim, pra mim até que ficou tranquilo, encontrei umas pessoas legais na sala de aula.

– Tanto faz, Tico. No meio da festa eu estava filosofando comigo mesmo... Por que eu estava fazendo tudo aquilo?

– Aquilo o que?

– Eu estava totalmente tarado, falando errado na internet, me comportando mal, bebendo e cheirando.

– Acho que o João te influenciou demais.

– Sim, e aquele Marcos também, ele está comendo o cérebro da Lívia.

– E comendo outras coisas também, né.

– Cala a boca, Tico, me deixa continuar, eu sempre fui zoado na escola e eu queria que as coisas fossem diferentes, achei que me juntar com esses caras metidos a valentões seria uma solução, mas percebi que eu estava errado e aquele não era o meu lugar.

– Te entendo completamente.

– Precisamos tirar a Lívia dessa, ela vai se tornar uma vadia crackuda, ela vai ser a nova Miley Cyrus, Tico!

– NÃO! Não vamos deixar isso acontecer, pelo amor de Deus.

– Vamos fazer os não tão bons e velhos tempos voltarem.

– Sim, só não entendo como alguém tão forte e centrada como a Lívia foi se enturmar com esse cara, e a Bruna com o João...

– Isso é realmente um mistério.

– Queria saber o que esses caras têm para atrair tanto essas meninas.

– Esse Marcos deve ser algum bruxo ou algo parecido.

Enquanto isso, o celular de Tico começa a tocar.

– Caralho, é a Lívia.

– Atende aí.

– Alô? – Atende Tico.

– Alô! – Uma voz masculina responde. – Aqui é o Marcos, é o seguinte, tenho um trabalho para tu, a Lívia vai ter uma festa em particular com os familiares dela e ela não vai poder fazer isso, é o seguinte, vai para a casa do João daqui há umas 2 horas, eu vou estar lá para te dar as informações, se você não for, vou mandar alguém aí para a sua casa te dar um trato, não adianta fugir, esteja onde quiser, eu vou te achar e vou fazer você ter se arrependido de ter nascido, seu moleque da gravatinha e do cabelo seboso, não adianta gaguejar aqui no celular, isso só mostra o quão fraco e medroso você é, sua mariquinha de braços longos, beijos, tchau. – Marcos desliga o celular.

Tico fica catatônico por uns 5 minutos, fazendo uma careta impagável, com os olhos mais arregalados do que nunca.

– Que porra foi essa, Tico?

– Acho que ele quer me torturar e depois me matar por ter dado uma cotovelada acidental nele, agora quer que eu vá na casa do João fazer algo pra ele.

– Eu vou junto, cara.

– Tem certeza?

– Ele não disse nada de “venha sozinho” ou algo assim, não?

– É, isso é verdade.

– Então tá combinado, vamos descobrir o que diabos tá acontecendo, eu posso tomar um banho primeiro, Tico? Depois vamos correndo para lá.

– Ok...

– É, Tico, parece que há mais uma tempestade de merda chegando.