Tempestade

3 Me apaixonando pela última vez


Notas iniciais
Obrigada a Michelle R charre, Heloiseh, Clara Faria, DaniDávi, Jussara Rogers, Evelyn Cullen, Raskia, LittleDoll, bela02, ClaudiaMonteiro35, Eclipse She, carla kodel, Anny, RoCullen, Nina, DEA e Marcela, pelos reviews do capítulo anterior. Bjos a todas! -;- Capítulo betado por Eclipse She, obrigadaaaaaaaa! -;- Protejam-se por aqui vem mais raios, trovões e muuuuuita água...

“Um toque, Que provoque...

Uma tempestade... Uma vontade...

Um toque, Mais leve... Uma carícia pede... Um retoque...

Um toque... Um beijo... Um leque...

Um desejo... Que sufoque... Um gracejo...

Outro beijo.. Na pele... Que desejo...

Um riso... Dentro do riso...

Um suspiro... E tudo volta

A ser... Apenas um toque...” Betânia Uchôa

–;-

– Música sugerida (Falling In Love For The Last Time — Lee McDougall) –

–;-

É incrível como existem alguns que convivem com a solidão mesmo estando constantemente cercado por pessoas, e é por sentir-se completamente solitários que ao se encontrarem no outro, sentem a necessidade quase que visceral de estar perto, sentir a presença do outro... O final de tarde demorou a chegar ou seria a ansiedade de Edward e Isabella para se encontrar... A torcida para que a chuva caísse no final da tarde era imensa e os céus colaboraram... Esgueiraram-se pelos grandes arbustos, o capuz escondia os cabelos avermelhados, o moletom surrado não o protegia das geladas gotas, a grande árvore, o ponto de encontro... Os olhos mais uma vez se encontraram e um sorriso fácil surgiu... Curioso, mas Isabella não tinha medo... Impressionante, mas Edward estava de fato interessado na menina que em sua opinião usufruía de luxos que ele jamais imaginou ter, garotas assim eram insuportáveis , sempre pensou o rapaz, mas Isabella... A pequena lhe chamara a atenção desde o primeiro instante...

Oi, Isabella...

– Olá, Edward. – Disse ainda sorrindo. Aproximaram-se, de baixo da árvore, ele olhou para o livro que ela carregava junto com o pequeno mp3...

Pelo visto é um hábito. – Jogou apontando para os objetos e ela ainda sorrindo.

Sim... Sempre gostei de livros e música... Bem, é música... Quem não gosta? – Devolveu acomodando-se ao pé da árvore e ele fazendo o mesmo constatou que a muito tempo não ouvia uma música...

O que gosta de ouvir? O que... O que tem ouvido? – Perguntou. Ela rapidamente analisou a pergunta e em uma atitude tranquila, natural, pegou um dos fones e levantou para ele...

Ouça... – Disse e ele pegando... O outro, ela colocou em seu ouvido... Edward bebeu daquilo com atenção extrema... Era bom de ouvir... A voz masculina não lhe era estranha... – U2. – Informou fazendo-o sorrir... Sim, U2, ele se lembrava da banda... A letra mencionava tempestades elétricas... A frase — Você está na minha mente o tempo todo – foi cantada...

Letra propícia. – Soltou fazendo-a corar de imediato... Ela tirou o fone e ele fez o mesmo.

Você... Não... Ouve? – Questionou insegura e Edward sorrindo.

Já faz um tempo... Lá... No hotel não temos muitas regalias, sabe como é. – Disse bem humorado e ela sem saber o porquê sentiu seu coração apertar-se, algo como pesar... A curiosidade nasceu ali e insegura...

Por que... Bem... Por que você... Você... – Indagava temerosa e ele entendendo...

Por que estou lá? – Completou e ela assentindo. – Simples... – Disse com um sorriso amargo. – O companheiro da minha mãe... Cheguei um dia da escola e... Ele estava batendo nela mais uma vez... – Contava e Isabella piscava em busca de toda a atenção possível em cima de suas palavras. – Foi a primeira vez que presenciei, eu... Eu já tinha visto ela machucada, sabia da fama de Phil, mas... Mas ver mesmo foi a primeira vez... Eu tentei tirá-lo de cima dela e ele... Ele partiu para cima de mim e... Bem eu revidei... Com força. – Explicou fazendo a garota engolir em seco.

Ele... Morreu? – Soltou baixinho e Edward olhando fixo em seus olhos respondeu com a cabeça em negativa.

Ficou muito machucado, alguns dias no hospital... E eu... Bem... Vim parar aqui... Por três anos. – Declarou.

Ele... Ele também foi preso? – Inquiriu e o sorriso debochado de Edward cresceu em seus lábios.

Phil preso? Não... Ele tem o que podemos dizer de ''amigos quentes'', os mesmos que me colocaram aqui. – Afirmou... O clima ficou pesado como a chuva que caia... Edward como sempre desejou melhorar as coisas... — Jane Austen? – Perguntou observando a contracapa do livro que ela segurava... Ela voltou-se para o livro...

Razão e Sensibilidade. – Colocou envergonhada, na certa vai me achar uma boba romântica, pensou na hora e ele franzindo a testa...

Meu avô me apresentou o único livro que li até hoje... Moby Dick... Ismael e suas aventuras... – Colocou fazendo-a sorrir, ele gostava de ler... E conhecia um clássico, uma doce surpresa atingiu seus olhos.

Seu avô vem lhe visitar? – Perguntou e Edward no mesmo instante se mostrou entristecido e saudoso...

O velho Emmett foi embora tem alguns anos, bons anos... Infarto. – Definiu.

Sinto muito. – Devolveu baixinho uma Isabella inconsolável.

Tudo bem. – Afirmou. – Me diga... Do que se trata Razão e Sensibilidade? – Pediu e Isabella voltando os olhos para o livro.

É a história das irmãs Dashwood... Tem um pouco de humor e... E aventura. – Explicou.

Leia um trecho para mim. – Pediu... Como negar um pedido aquela voz doce próxima a seu ouvido, pensou e abrindo onde tinha parado...

“Dependendo das circunstâncias e do momento, uma qualificação pode ser levada muito acima do seu real valor; muitas vezes, ao contrário, pode ser rebaixada pela tendência a se considerar que nascer em berço de ouro é mais importante do que ter bom caráter.” – Leu e Edward soltando o riso...

Jane Austen possui uma forma interessante de pensar. – Declarou fazendo rir a pequena Isabella.

Com certeza sim... – Falou Isabella e a conversa descontraída se seguiu, era fácil, tranquilo... Um usufruindo a companhia do outro... Mas na alma e coração um calor crescia... Ela é tão linda, pensava Edward... Ele tem um sorriso e uns olhos tão marcantes, pensava a doce Isabella.

**

Os finais de tarde ao topo da floresta passaram a ser o momento mais esperado do dia... Comportar-se nos últimos dias estava sendo o objetivo de Edward, assim ninguém da instituição se preocuparia ou lembraria dele durante o dia, fazia as tarefas diárias com dedicação e isso facilitava as coisas, até mesmo as provocações dos mais durões por ali estavam por ele sendo negligenciadas... Isabella por seu lado andava cada dia mais pensativa, ou diríamos, sonhadora, as conversas com Edward povoavam sua mente... A necessidade de estar perto passara a ser constante... Os dias de chuva eram esperados com ansiedade extrema e quando não vinham a tristeza se abatia sob eles...

Faz muito tempo que não como bala... E essa... Está uma delícia. – Colocava Edward com uma carinha de menino travesso fazendo-a sorrir ainda mais, algo tão simples pensou ela... Fazia três dias que não se viam... O inverno estava se aproximando... – Você vai passar os feriados com seus pais? – Perguntou já antecipando a melancolia e solidão que seria não ter ela por perto.

Não... Quer dizer... Minha mãe... Ela já morreu tem oito anos... E meu pai... Bem... Ele trabalha muito e... Vai estar viajando a trabalho... Londres, ele disse. – Explicou fazendo Edward franzir a testa.

Eu sinto muito pela sua mãe Isabella. – Colocou cauteloso e ela apenas lhe sorriu tristemente e em seguida...

Me... Me chame de... Bella... Eu prefiro, Isabella é muito formal... Longo. – Devolveu e ele sorrindo, um triste sorriso.

Bella... Eu acho que seu pai ganharia muito mais passando os feriados com você do que ganhando mais dinheiro. – Declarou fazendo-a fita-lo nos olhos. – Eu não perderia essa oportunidade. – Afirmou fazendo a também sorrir com certa tristeza.

Minha amiga... Victória... Ela quer que eu vá com ela para casa, nos feriados. – Esboçou.

Viu só... Victória é inteligente. – Levantou. – Sabe que ter você por perto é muito melhor. – Afirmou e Isabella ganhou uma coloração carmesim sob as maçãs do delicado rosto... Edward sem conter-se mais, a dias desejava fazer aquilo... Tocou com o indicador uma das bochechas... — É a verdade e ela não deve deixar você envergonhada, por mais que isso seja lindo de se ver. – Destacou fazendo-a engolir em seco e se afastar minimamente... Edward percebendo retirou o dedo de imediato.

Você... Você falou que... Que veio parar aqui por três anos... Faz quanto tempo que está aqui? – Perguntou.

Uma ano, três meses e quatorze dias. – Definiu.

Faz dois anos que estou aqui... Eu, estudava em um colégio na Suíça, mas fiquei doente... Pneumonia e... Meu pai me trouxe de volta... Quando me recuperei... Ele resolveu me colocar em um lugar mais próximo. – Contou e Edward sentiu desconforto por pensar no pai dela... Como alguém poderia em sã consciência deixar uma filha como aquela presa em um internato? Edward não se conformava com aquela realidade e ao mesmo tempo sentia necessidade em protegê-la, cuidar dela e aquilo lhe soava irônico, quem era ele para cuidar dela? Ou poder estar próximo, acarinhar, proteger, estar sempre por perto? Ele não era ninguém e ela era Isabella, uma linda e promissora garota que um dia iria embora, mas enquanto ela não fosse ele poderia beber o quanto pudesse sobre ela e isso aqueceria seu coração...

De onde você é? – Questionou.

Tacoma. – Respondeu.

Eu nasci aqui mesmo em Forks. – Colocou Edward.

O que quer fazer quando... Sair? – Perguntou e Edward sorriu...

Comer um grande e suculento hambúrguer. – Afirmou fazendo-a rir no mesmo instante e ele riu junto. – Sério, eu quero sair de Forks... Ir embora... Para longe... Quem sabe consiga achar meu pai, voltar a estudar de verdade. – Soltou trazendo a ela curiosidade.

Ele... Seu pai... Onde acha que ele está? – Inquiriu.

Não sei... Não sei nada sobre ele. – Contou fazendo-a ainda mais intrigada. – Só sei que era estudante de medicina... Minha mãe nunca me contou, mesmo eu tendo insistido, ela nunca me contou... Ficou grávida e saiu da universidade, voltou para casa e começou a trabalhar... Nasci aqui e fui criado por ela e meu avô... Até ele... Morrer... e aí as coisas ficaram complicadas. – Explicou.

Como ele era? Seu avô... – Perguntou e Edward sorrindo...

Emmett Masen... Sargento da Aeronáutica, aposentado com honras... O velho era uma pessoa fantástica, me ensinou muito sabe? – Dizia e falar de seu avô enchia de alegria o coração saudoso de Edward e Isabella percebendo aquilo sorria... – Ele concertava todo tipo de máquina e me ensinou a fazer muitas coisas... As máquinas gostam de mim, nos damos bem por causa do velho Emm. – Colocou orgulhoso.

Eu não lembro dos meus avós, morreram todos quando eu era muito pequena, deve ser legal ter um avô. – Comentou.

Ele era um grande amigo, Bella, o melhor que já tive. – Definiu.

Você tem amigos na... Instituição? – Perguntou imaginando-o solitário... Edward sorriu...

James Gigandet... – Falou. – Ele é meio maluco, mas gente boa. – Disse lembrando-se do único amigo que tinha por ali e Isabella viu-se intrigada, como alguém que cumpria pena poderia ser uma boa pessoa, mas no mesmo instante voltou seus olhos para o rosto de Edward e a certeza lhe invadiu... Ninguém poderia ter tão bom e ferido coração como ele, sim ali existiam pessoas boas e o tal James deveria também ser... – Eu sei o que está pensando... Ele é um delinquente, eu sou um delinquente...

– Edward...

– Não, tudo bem... – Disse sincero, sabia que essa era a realidade e Isabella não pensaria diferente, ora vamos ,ele era um delinquente, estava cumprindo pena e ela se fosse em outras circunstâncias, jamais olharia para ele, era um falido, em nada próximo a ela, ela não pertencia ao seu meio... Aquilo era triste, mas era a realidade, contudo ainda podia usufruir da doce companhia dela, ao menos por um pouco mais... — Mas sabe, James apenas fez merda para chamar a atenção do pai dele... O senhor Gigandet separou-se da esposa e deixou o filho para trás... James roubou a loja de artigos esportivos da cidade de propósito com a ideia de que assim o pai iria aparecer... E parece que deu certo, a um mês e pouco ele apareceu e está resolvendo as coisas... Ao menos foi o que James falou. – Explicava.

É acho que ele é meio maluco mesmo. – Comentou fazendo Edward rir.

Sim, ele é... Mas é legal. – Argumentou. – Existem delinquentes de verdade lá, muitos... Alguns perigosos até, mas eu... Eu fico longe, sempre mantenho a maior distância possível... Já tive problemas... Muitos. – Tentava explicar e ouvir aquilo deixava Isabella preocupada, a afeição por aquele garoto andava crescendo em seu coração e pensar que ele vivia com pessoas que poderiam machucá-lo a deixava apreensiva Edward não merecia sofrer mais do que já sofrera, pensava...

Edward... Se você tivesse um... Um bom advogado... Ele tiraria você de lá. – Colocou algo que em sua cabeça martelava a dias.

Isso custa dinheiro e eu... Bem, no momento estou desprovido de verbas, sabe? – Devolveu tentando manter o humor intacto e Isabella pensou no pai.

Meu pai tem tantos advogados trabalhando para ele... – Comentou baixinho... Edward como da outra vez colocou seu indicador próximo ao rosto dela, tocando seu queixo e fazendo-a fita-lo.

Eu vou sair, Bella, vou sair daqui, pode apostar. – Disse confiante e ela sorriu com a intensão de lhe dar força, uma esperança crescendo em seu coração... O dedo ainda descansava ali, no queixo de pele macia, branquinha... Ela é perfeita, pensou ele... Os olhos verdes cristalinos... – Você é tão linda. – Destacou e um raio iluminou ao redor fazendo o rosto delicado de Isabella brilhar ainda mais para deleite de Edward... Ele se aproximou um pouco mais, magnetizado pelo encantamento vindo dela... Isabella se manteve estática, ansiosa e ao mesmo tempo temerosa... O hálito de um sentindo pelo outro... Um calor intenso se estabeleceu... Os lábios a milímetros de distância... Tocaram-se, suaves, sublimes... Apenas um roçar de lábios... O primeiro beijo dela e para ele era a primeira vez que um beijo significava tanto... Já havia beijado antes, mas aquele beijo significava muito mais, a certeza crescia, certeza de que aquele beijo personificava um forte sentimento que perduraria pelo resto de sua vida.

Spoiler —

Se eu não convivesse com você esse tempo todo poderia dizer que está com problemas sérios. – Soltou olhando fixamente para a Swan que ainda sorrindo...

Por que diz isso? – Questionou.

Ora por que... Nos últimos dias o sol estava pregado no céu... O ânimo nos aquecia e você cabisbaixa... Vai entender. – Comentava.

Eu gosto da chuva. – Afirmou segura e ainda sorrindo.

Estou vendo.Devolveu. – Não é por nada não, Bella, mas você está estranha e ponto... Só não fica louca tá? Por que aí é que eu não vou conseguir aguentar ficar nesse lugar.

Notas finais
E o amor nasceu, de forma pura e inocente... Mas será que esse mesmo amor será forte o bastante? Vamos, vamos me digam o que pensam... Estou roendo as unhas de curiosidade :) -;- Já sabem, as novidades chegam antes no Facebook - Lu Nandes Fanfic's. -;- Bjos e obrigada, até mais com Tempestade!