Tempestade

Acordei a meio da noite
Embriagado em ideias
Pus-me a pensar
E comecei a divagar

O homem por dentro é
O que sonha ser
E o homem por dentro tem
Tudo aquilo que sonha ter

Palavras de coragem
Ou apenas mais uma estranha miragem
À filosofia que é viver?

Seja como for
Há muito que desapareceu aquele odor
Que traz a mim a saudade…

Perdido em ideias
Naufrago num mar de pensamentos,
Afogo-me com tantos sentimentos

À deriva!
Não encontro salvação!

Procuro a noite toda
Até as ideias se acabarem
Não há salvação…

A tempestade aumenta
As crianças choram
E as sombras devoram
As luzes que as atormentam

Tudo está calado
No mórbido silêncio da tempestade
Onde reina o ruido da idade

As vozes gritam
Por ajuda;
Por socorro;
Por salvação;

Salvação não existe
Pois para a morte
Não há solução

Mais ideias
Mais pensamentos

A forca na oliveira
O descer do caixão
A cruz da morte
Que não nos dá ressurreição

O relógio parado
A badalada do sino
É apenas o passar do que já é passado

Mais ideias
Mais pensamentos

Arco e Flecha na mão
A espada,
Trespassa o coração

Passos correm
No decorrer
Desde que se nasce
Até se morrer

Mas o poeta só morre
Quando a última ideia morrer
O último pensamento se desvanecer
E o caixão descer.

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