Tempestade
1 Tempestade
Tempestade
Acordei a meio da noite
Embriagado em ideias
Pus-me a pensar
E comecei a divagar
O homem por dentro é
O que sonha ser
E o homem por dentro tem
Tudo aquilo que sonha ter
Palavras de coragem
Ou apenas mais uma estranha miragem
À filosofia que é viver?
Seja como for
Há muito que desapareceu aquele odor
Que traz a mim a saudade…
Perdido em ideias
Naufrago num mar de pensamentos,
Afogo-me com tantos sentimentos
À deriva!
Não encontro salvação!
Procuro a noite toda
Até as ideias se acabarem
Não há salvação…
A tempestade aumenta
As crianças choram
E as sombras devoram
As luzes que as atormentam
Tudo está calado
No mórbido silêncio da tempestade
Onde reina o ruido da idade
As vozes gritam
Por ajuda;
Por socorro;
Por salvação;
Salvação não existe
Pois para a morte
Não há solução
Mais ideias
Mais pensamentos
A forca na oliveira
O descer do caixão
A cruz da morte
Que não nos dá ressurreição
O relógio parado
A badalada do sino
É apenas o passar do que já é passado
Mais ideias
Mais pensamentos
Arco e Flecha na mão
A espada,
Trespassa o coração
Passos correm
No decorrer
Desde que se nasce
Até se morrer
Mas o poeta só morre
Quando a última ideia morrer
O último pensamento se desvanecer
E o caixão descer.
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