Tempest
6 Capítulo 06 - "Adeus"
Notas iniciais
Que titulo é esse heim? hmmmm As respostas estarão aqui sobre o beijo ;)
Boa leitura ^^
“A pessoa que quebra a sua palavra quebra também uma esperança.” (Anônimo)
Capítulo 06 – “Adeus"
Acordo novamente num lugar estranhamente aconchegante, e o aroma de camomila e erva-doce ainda está aqui. Posso facilmente me acostumar acordando com isso todas as manhãs. Ouço o som da lareira, e dos grossos pingos de chuva que continuavam a cair, mas felizmente sem trovões.
Abro os olhos lentamente, encontrado o rosto de Natsu dormindo serenamente. O idiota estava usando suas pernas como um confortável travesseiro para mim, enquanto ele estava sentado encostado na parede. Pensando bem ele não dorme há três dias, e além de ficar andando teve que me carregar também. Droga! Eu só sirvo para atrapalhar.
– Vou procurar o Happy. – digo depositando um selinho em sua boca. E juro para mim mesma que nunca mais vou encostar minha boca na dele. Não sei muito bem sobre os segredos que rodeiam meu passado, mas sinto que não é algo bom. Não vou arrastar a única pessoa que me faz ficar envergonhada por algo que eu aprendi a ser normal para dentro de tudo isso. Não seria nem um pouco justo com ele. Além do mais, toda vez que ele se irrita me sinto seriamente incomodada, e ele sempre me salva de tudo. Se algum dia correr um grande risco de vida tem certeza que ele seria capaz de trocar sua vida pela minha, o que seria o mesmo de trocar por nada. Por que é isso que eu sou. Nada.
Coloco nele seu cachecol, e ajeito o colete como travesseiro, o deitando confortavelmente nele. Depois sou eu quem tem sono pesado! Saio correndo na chuva atrás de qualquer rastro deixado pelo gato. Depois de muito tempo de corrida acho um pedaço de tecido, que provavelmente seria de sua trouxa que ele sempre carrega nas costas. Começo a correr mais ainda com esperanças de logo encontra Happy, mas acabo rolando morro abaixo. Legal. Tornozelo torcido, pernas, braços e rosto sujo e arranhado, além de roupas rasgadas e o corpo muito dolorido.
Consigo levantar com dificuldades e vejo uma caverna há uns 10 minutos daqui. Com esforço consigo chegar lá, e como minha sorte tem estado no auge ultimamente, eu encontro Happy! Numa gaiola protegida por um macaco branco, que diria ser a cópia perfeita do pé grande.
– Um macaco do seu tamanho sequestrando gatinhos indefesos? – pergunto ironicamente atraindo a atenção do pé grande que estava pulando por ai.
– L-LUCY! – grita o gato chorando de felicidade.
– M-M-MULHER! – Ótimo, o pé grande é um tarado.
– Sabe macaco... Eu realmente não estou de bom humor! – E quem estaria depois de prometer nunca mais beijar o cara, mas o adeus foi um simples selinho que não durou nem dois segundos? Baka! Baka! Baka! Não é hora para pensar nisso! – Abra a porta para o palácio do Touro dourado: TAURUS!
– É uma honra proteger seu corpão Lucy-san! – Outro tarado...
– Acaba com ele. – digo ameaçadoramente, tanto que até Happy se arrepia de medo. Teria derrotado o macaco eu mesma se não fosse essa porcaria de tornozelo inchado! Taurus pega seu machado do mundo espiritual e começa a lutar contra o Pé grande.
Desculpe-me esqueci de dizer sobre a magia celestial. Sou uma contratante, posso fazer contratos com os doze espíritos do zodíaco, e eles protegem sua “mestra”. Não gosto nem um pouco disso! Gosto de lutar sozinha em minhas batalhas, mas quando a condição é critica... Não tem escolha. No momento meu objetivo é completar as doze chaves, sendo que no momento tenho apenas três chaves: Taurus, Câncer e Aquarius. Um boi um caranguejo e uma sereia. Mas todos, menos a sereia, são boa gente.
– Prontinho Lucy-san. – Quando percebo o macaco está desacordado no chão e a gaiola de Happy esta quebrada, o gato voa rapidamente em minha direção chorando, e eu abro os braços para recebê-lo e conforta-lo.
– Pode me arrumar um sobretudo grande o bastante para me cobrir inteira? – Não quero nem saber qual seria a reação de Natsu a me ver nesse estado.
– Tudo para proteger seu corpo! – Ele some, e depois de alguns segundos volta. – Aqui está.
– Arigatou Taurus. Pode ir agora. – Nisso ele some novamente e eu ponho o, sobretudo, que tampava desde meu pescoço até os pés. – Vamos Happy. Tem um idiota te esperando.
– Aye!
– Mas... Como diabos é que nós vamos subir isso? – Happy abre as asas e começa a voar me levando junto. Eu tenho que me acostumar com isso logo para poder tirar proveito! Depois de vários minutos finalmente chegamos à cabana, e assim que abro a porta encontro um Natsu furioso me encarando.
– O QUE PENSA QUE TA FAZENDO SAINDO SOZINHA NESSA CHUVA? FICOU MALUCA? E O QUE É ISSO NO SEU ROSTO? É SANGUE?! – Ah, droga! Esqueci do rosto...
– Me arranhei num arbusto. – digo dando de ombros, e quando ele ia dar outro surto, dou um passo para o lado para mostra Happy, que vai voando como um foguete para Natsu que apenas o olha boquiaberto com lágrimas nos olhos.
– NATSUUUUUUUUUUUUUUUU! EU FIQUEI COM TANTO MEDO!
– Happy... – diz abraçando fortemente o gatinho, que com toda certeza se sentia seguro e aquecido nos braços do mago. – Como você...
– Lucy me salvou do Balkan! – olha para mim com seus enormes olhos brilhando de orgulho. – ARIGATOU! – se ajoelha chorando novamente.
– De nada... Acho... – Sinto meu tornozelo latejar de dor minhas pernas ficam bambas. – Preciso dormir. Faz a comida Natsu. – digo arrogante, o que surpreende os dois.
– Só porque você salvou o Happy! E... Arigatou! – Sorrio internamente, mas por fora não mostro nenhuma reação. Eu sabia muito bem como fingir emoções, afinal mesmo que sejam estranhas as lembranças, fui criada para agir como um robô.
Minha cabeça está explodindo, estou morrendo de frio, os cortes estão ardendo e parece que quebrei o tornozelo. Não podia ter sorte maior do que ficar doente duas vezes numa mesma semana.
– Aqui está o peixe! – aparece o rosado com um grande sorriso no rosto.
– Demoro. Perdi a fome. Quero dormir. – digo virando o rosto, me sentando e encostando perto da lareira.
– Você mente muito mal sabia Lucy? – diz me surpreendendo, pondo a sua testa na minha. – VOCÊ TA QUEIMANDO DE FEBRE! – surta e quando vai me pegar no colo toca meu braço, me fazendo gemer de dor. Assim ele praticamente arranca o sobretudo do meu corpo e invoca o demônio. – ENLOQUECEU? COMO VOCÊ CONSEGUIU ISSO? LUTANDO CONTRA O MACACO? PORQUE FOI SOZINHA ENTÃO? VOCÊ É ESTUPIDA? E PORQUE DIABOS ESCONDEU ISSO, HEIM?
– Eu cai, e rolei morro abaixo. – dou de ombro e viro novamente meu rosto para encarar a lareira.
– ISSO É TÃO IDIOTA QUE NÃO PARECE SER REAL! O QUE EU FAÇO COM VOCÊ?
– Nada. Não é como seu eu precisasse de ajuda.
– O que deu em você?
– Eu te odeio. – Realmente o que há comigo? Parece que vou morrer de tanta dor no peito, estou com vontade de chorar até não aguentar mais, e... – É isso que aconteceu. Então para de tentar ajudar se eu não pedi sua ajuda. – Uma reação inesperada aconteceu: ele me abraçou ainda mais forte e protetor do que ontem. Mas parecia... Desesperado.
– Já disse que você é uma péssima mentirosa Lucy. Então... Por favor, não diga isso! – O que havia me dedurado? Minha voz não falhou nenhum momento. Não gaguejei. Não chorei. Não desviei meu olhar... E teria sido exatamente isso que me entregou.
– E-eu... – Começo a chorar descontroladamente. – Natsu... Quando chegarmos à guilda... Por favor, não fale mais comigo!
– Eh? Eu fiz alguma coisa de errado? Se sim desculpe...
– NÃO! É só que... É complicado. Desculpa. – minha visão começa a ficar turva por causa da febre, e o que me impede de cair são os protetores e gentis braços de Natsu. – Gomen. – sussurro e ele me beija, me pegando totalmente desprevenida. Começa gentil e carinhoso, mas logo depois ambos disputavam por território, e começou uma guerra silenciosa. Porque ambos também sabiam que aquele provavelmente seria um beijo de adeus.
Notas finais
Kissus :3
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