Temos Que Conversar Sobre O Kevin
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Mas vou tentar atualizar Kevin e Orion na próxima semana. Não garanto muito pq vou viajar amanhã para Brasília para receber meu primeiro prêmio como escritora o/
Sobre a história, espero que não tenha ficado confuso. Vamos saber um pouquinho sobre Katrina e conhecer mais sobre o passado dos Hale. Além disso, vamos finalmente elaborar um plano de ação.
Espero que gostem do desenvolvimento e aguardo os comentários lindos que vcs sempre mandam!
- Katrina? Tipo, o furacão? — Stiles quebrou o silêncio incômodo que pairou entre eles.
- Pior que o furacão, Stiles. — Peter comentou, uma sombra cobrindo seu olhar.
- Não me lembro dela. — Derek resmungou.
- Imaginei mesmo que não se lembraria. Você tinha uns 6 anos apenas quando ela foi banida. — o mais velho dos Hale informou — Uma das épocas mais sombrias que vivemos.
- Mas o que essa Katrina fez, ou faz, de tão terrível?
- "A cada criatura, a sua essência." — Peter citou em resposta a pergunta de Stiles.
- O juramento do rito de passagem. — Deaton acenou com a cabeça, concordando com os dizeres de Peter — Nem sempre os lobisomens viveram cada um por si, cuidando apenas de seus bandos ou suas famílias, Stiles. Já houve uma espécie de ordem entre os bandos.
- Isso soa como clãs de RPG. — Stiles comentou, a testa franzida numa expressão de dúvida.
- E é. — o veterinário continuou — Os livros de RPG sobre lobisomens foram baseados na hierarquia que existiu no mundo inteiro por algum tempo. Para os clãs lupinos, ou seja, famílias como os Hale, composta por lobisomens de sangue e não de mordida, havia uma espécie de rito de passagem, quando o lobo atingisse 16 anos. O jovem lobisomem jurava, na noite que antecedesse a lua cheia do mês de seu aniversário, respeitar o que os anciãos dos clãs achavam sagrado.
- E o que significa essa frase da essência da criatura? — Derek sabia sobre o rito de passagem, mas não chegou a ter o seu. E sentiu um nó se formar em sua garganta pensando que todas as tradições de sua família, de seu clã, havia virado cinzas.
- Significa que nenhum lobisomem pode ser outra coisa além disso. Isso nos proíbe de morder emissários ou qualquer outro tipo de criatura. Apenas aos humanos comuns é permitido a dádiva da licantropia. — Peter explicava, o rosto agora impassível — E Katrina não respeitou isso. Embora ela não tenha mordido ninguém de outra natureza, ela se entregou ao estudo da magia negra.
- Lembro de quando isso aconteceu. — Deaton crispou os lábios, num claro gesto de desagrado — Katrina tentou ser mais do que apenas uma lupina. Ela queria ser uma bruxa. Mais que isso, ela se tornou de fato uma feiticeira.
- Espera, bruxa em qual sentido especificamente? Porque você é meio bruxo, não? E pelo que sempre me diz, eu também tenho qualquer coisa meio mágica em mim. — Stiles balançava a cabeça, tentando entender.
- Não, Stiles. São naturezas diferentes. Eu sou um druida, assim como você vai ser. Quando Scott se tornou um verdadeiro alfa e você se sentiu impelido a se tornar emissário dele, abriu mão de se tornar um lobisomem também. Existem poderes conflitantes nas duas naturezas. E entre a essência lupina e a essência das feiticeiras existe um abismo que deveria ser intransponível.
- Katrina foi banida pelos clãs dominantes no país. E o que deve nos preocupar é o fato de que sua mãe, Derek, foi o voto decisivo para que ela fosse exilada. – Peter ponderou com um tom de voz quase preocupado – Quando soube que ela estava de volta ao país, voltei para cá, na expectativa de evitar qualquer conflito, mas acho que cheguei tarde demais.
- O que quer dizer? – Derek quase rosnou.
- Ser banido, exilado pelos seus companheiros de bando, é a pior punição para um lupino. Significa que você é ruim o bastante para ser morto. Afinal, nenhum de nós quer carregar pela eternidade a marca de seus feitos em sua aura. Então, quando ela foi oficialmente banida da comunidade, ela fez o juramento de sangue.
- Ela se cortou? – Derek não podia acreditar que isso de fato aconteceu alguma vez. Sabia, através dos contos de seus avós, que havia uma prática incomum quando um lobisomem corta a si mesmo e jura sobre o sangue derramado. É um voto perpétuo, incapaz de ser quebrado. Ou o lobisomem faz o que foi dito no prazo de anos equivalente as gotas de sangue derramado, ou ele morre, sentindo seu sangue escorrer por cada poro de seu corpo.
- Sim, na frente dos 51 membros do Conselho. Ela rasgou o pulso com os próprios dentes e derramou seu sangue aos pés de Talia, jurando destruir até o último Hale.
- Quantas gotas ela derramou? – Derek sentiu-se inquieto.
- 21 gotas. – Peter respondeu com a sobrancelha erguida.
Não precisava ser um gênio da matemática para compreender que aquele era o último ano do prazo do juramento de Katrina.
- Mas... o que o Kevin pode ter a ver com isso tudo? – Stiles sentiu o coração apertar pensando no menininho que havia chegado de repente e tomado o coração de cada um ali.
E Deaton parece ter lido seus pensamentos e compreendido suas emoções, quando respondeu:
- Acho que Kevin é a arma, Stiles. Como essa arma funcionaria não faço ideia, mas ela, com certeza, mandou alguém capaz de se infiltrar no bando e ganhar o coração de vocês. Para a magia negra, o amor e confiança estão constantemente acompanhados de fragilidade.
- Não vejo como isso pode acontecer. – Derek murmurou, sem querer aceitar a ideia de que aquele menino pudesse trazer qualquer problema a seu bando.
O som de gargalhadas no quarto de Cora chamou a atenção dos quatro homens e Peter fez um gesto indicando que deveriam seguir até lá. Quando pararam na porta do quarto, eles observaram todos no chão, sorrindo, de um jeito descontraído e despreocupado. Kevin se contorcia rindo das cócegas que Ethan insistia em fazer em sua barriga. Até que Scott notou a presença dos quatro, franziu a testa para a presença de Peter, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, Stiles se adiantou, sentando no chão também e Kevin correu e se jogou no colo dele, com um abraço apertado, ainda com o rosto afogueado por rir das cócegas.
- Mostre o que você aprendeu, Kevin! – Cora pediu, com um sorriso genuíno e orgulhoso.
O menininho se colocou de pé e balançou a cabeça, tampando os olhos com força enquanto os outros mudaram de lugar. Ele se concentrou um pouco, franzindo as sobrancelha como Derek fazia as vezes e depois apontou, ainda de olhos fechados para onde Scott havia parado e disse:
- Toti, alfa! – apontou de novo para onde Cora estava e disse – Coia, linda! – A adolescente sorriu toda convencida e o rapazinho continuou – Bobo 1 e Bobo 2 – apontando para os gêmeos que torceram o nariz, numa falsa expressão de indignação e riram em seguida, até que o menino andou ainda de olhos fechados até onde Isaac estava e abraçou as pernas do lobisomem falando – “Aic” bonzinho!
Isaac pegou Kevin no colo e o jogou para o alto, enquanto o menino ria e depois o abraçou sentindo o menininho enrolar as mãos em seu cabelo cacheado, falando:
- Bom trabalho, campeão. Seu faro é melhor que o nosso!
- Entende, agora, Derek? Como Kevin pode estar envolvido nisso? – Peter perguntou.
- Sim, entendo. – Derek respondeu, sentindo-se desamparado.
Ele via ali como Kevin poderia feri-los. Ele estava de fato no coração de todos, e de um jeito tão inocente que ninguém desconfiaria dele. Ao mesmo tempo em que ele tinha certeza absoluta que qualquer coisa que tentasse se aproximar para machucar a criança seria atacada sem nem mesmo um planejamento para a ação.
- O que ele faz aqui? – Isaac perguntou, assim que colocou Kevin novamente no chão para que corresse de novo para Ethan e pedisse que fizesse mais cócegas.
- Ele veio nos ajudar a lidar com Katrina. – Stiles respondeu, desviando os olhos de Kevin para Derek – A provável “mãe” do Kevin.
Todos ficaram quietos com a afirmação do rapaz. E depois explodiram falando ao mesmo tempo, querendo saber o que estava acontecendo. Stiles ia começar a falar, quando notou o rosto de todos os lobisomens no quarto em uma expressão de desagrado e depois notando Kevin com os lábios franzidos e a carinha de quem estava fazendo um grande esforço. O filho do xerife não conseguiu evitar um riso divertido, quando falou:
- Vão lá pra sala com o Derek que ele explica tudo. Eu vou esperar o Kevin terminar de fazer seu “número 2” e trocar a fralda dele enquanto isso.
- Obrigado! – Ethan e Aiden falaram ao mesmo tempo já fugindo do quarto, seguidos por Isaac e Scott.
Cora ainda teve tempo de falar:
- Por favor, abra a janela. Porque é capaz desse cheiro ruim ficar impregnado nas minhas coisas.
Kevin precisou mais do que uma simples troca de fralda e Stiles acabou levando o menino para o chuveiro, lavando não apenas o necessário, mas dando-lhe um banho completo, com direito a lavar os cabelos e tentar escovar os dentinhos mesmo com a ponta de seu dedo.
Quando chegou com o rapazinho, vestido com um pijama de Star Wars que Derek havia comprado antes, as explicações já tinham sido dadas e o bando agora se concentrava a elaborar um plano para se livrarem da bruxa lupina e salvarem Kevin.
- O que ainda me intriga é o fato de Kevin ter a aparência de Stiles quando criança e um pouco do cheiro do Derek. – Scott lembrou.
- Isso também é uma das coisas que ainda não consegui compreender. – Peter admitiu – Apesar de parecer que ela quis mandar alguém que fosse familiar ao bando, me parece simples demais para uma mente complexa como a dela. E de mentes complexas eu entendo bem.
- O que a gente precisa é de alguém que possa se aproximar dessa bruxa. Encontrá-la e saber de seus planos. – Aiden começou – Alguém que possa ganhar a confiança dela.
- Sim, — Ethan ajuntou – alguém que possa agir como se compartilhasse o ódio pelo sua família, Derek, para conseguir se infiltrar e nos ajudar a salvar o Kevin e o bando.
- Como se fosse fácil. Os únicos lobisomens aqui na cidade são vocês, e se não notaram ainda, o cheiro do bando está impregnado até mesmo em seus pensamentos – Derek rosnou, frustrado.
- E eu tenho a leve impressão de que se ligarmos para qualquer conhecido e falar o nome de Katrina, eles desligam na nossa cara e até mudam o número do telefone para não serem mais encontrados. – Peter concluiu, se jogando no sofá ao lado de Derek.
- A menos que seja alguém que lhe deva algum favor. – Stiles comentou, displicente, ainda brigando com o cabelo de Kevin para tentar fazer um topete – Sabe, alguém ruim o bastante para ser considerado um vilão, mas ferrado o bastante para lhe dever a vida. Conseguem pensar em alguém assim?
Um sorriso discreto se formou nos lábios dos gêmeos e um brilho de esperança atingiu os olhos de Derek. Os três se encararam e disseram ao mesmo tempo, a voz baixa, quase um sussurro:
- Deucalion.
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