Notas iniciais
ME DESCULPEM PELA DEMORA!! Eu tentei de tudo nesse capítulo, reescrevi e corregi milhões de vezes e não ficou do meu agrado. Tentei de tudo para transmitir minha imaginação nas palavras, mesmo assim não consegui gostar do resultado, mas espero que gostem. Vejo vocês nas notas finais ;)

Perturbadoramente não era estranho as vezes ficar debaixo do chuveiro pensando, Iruka sentia a água bater em sua pele enquanto a mente ficava mais leve para refletir. Com certeza o melhor lugar para se pensar era no chuveiro, claro se ele conseguisse tirar algum resultado concreto nisso. Depois que fazia essa ação ele ia para a academia para dar aula, quando terminava ele evitava contato com qualquer um e negava convites de seus amigos e se isolava em sua casa. Passava seu dia sozinho, lendo, comendo e dormindo para no dia seguinte realizar aquele ritual e voltar a sair. Seu peito se apertava ao sentir um misto de sentimentos. Era assim todos os dias, esses sentimentos lhe dominando de manhã e seguindo até o momento que estivesse deitado e fechando os olhos.

Ele tentava não pensar e reviver tudo em sua mente sobre o seu Anbu idiota. Acreditava que se apagasse suas memórias e seus sentimentos ele sofreria menos, evitava dessa vez se afundar em qualquer dor e depressão que pudesse destruir tudo que havia lhe fortalecido durante esses anos.

Contudo, era difícil quando estava com os seus alunos. Ele os observava e instruía na fase tão difícil e complicada na vida, a infância. Querendo ou não, eles eram crianças sendo criadas para o combate e quando as vezes parava para pensar se questionava. Era a vontade da folha, a vontade de aprender, a ensinar e transmitir essa paixão. Transmitir esse sentimento até mesmo para a criança que carregava a raposa dentro de si.

Estava tão dividido sobre o que sentir, o que pensar sobre aquela criança loira chamada Naruto. Dentro dele estava o responsável pela morte dos seus pais, mas não queria pensar sobre perdas, nenhuma delas. Principalmente quando observava Naruto interagir com o ultimo Uchiha, era estranho observar e sentir tantas coisas quando via os dois juntos. Não eram amigos, mais brigavam do que tinham um diálogo e por vezes era atordoante perceber que parte disso parecia mais que o loiro queria chamar atenção do moreno. Os sentimentos que absorvia eram tão sufocantes que por vezes preferia pensar que não percebia nada, que não tinha nada diferente naquela interação. Sua dor não ajudava a enxergar o mundo.

Talvez fosse um covarde por estar fingindo que nenhuma emoção e sentimento existia e um cego por não querer enxergar os sentimentos dos demais, porém ele precisava fazer isso, pensar nos sentimentos dos outros lhe obrigava a pensar nos seus. Precisava se proteger mesmo que seu corpo não lhe obedecesse e lhe fizesse parar e observar o Uchiha e o Uzumaki, sentia-se viciado com a emoção, sentimentos, mesmo que tudo viesse acompanhado de um sentimento de dor e inveja.

Inveja que um poderia observar o outro escondido, se mantendo próximos e ao mesmo tempo distantes com sentimentos confusos de rivalidade e outro sentimento que eles mesmos não entendiam. Iruka preferiu se distanciar, carregando aquela dor indecifrável no peito e preferindo esquecer o que via e se cegar para o mundo.

Nada do que viu lá seria lembrado.

Só achava que talvez não estivesse escondendo direito o buraco em seu peito, pois até o hokage lhe chamou e lhe questionou se estava tudo bem, pois havia reparado que estava distante e calado nos últimos tempos. Lhe questionou se era devido a pressão de ser professor, principalmente do Naruto, mas não conseguia ter respostas.

Iruka mantinha sempre o olhar baixo, sempre se questionando em algo, se perguntando se ele não tivesse fugido junto com os outros durante o ataque da nove caudas seus pais estariam vivos, se tivesse impedido o Anbu de ir, talvez ele... Não, ele não poderia pensar nisso.

— Seus olhos parecem tão mortos, Iruka-sensei. — ao escutar a as palavras do sandaime levantou o olhar encarando o velho homem. — Me preocupa o seu estado. Tem algo lhe afligindo?

Com certeza se ele começasse a falar ele não conseguiria terminar sem chorar. Ele queria muito perguntar para o sandaime sobre o paradeiro do seu Anbu, mas se sentia egoista, pois essa era a vida de um ninja, morrer a qualquer momento. Ou talvez ele fosse um covarde e não quisesse confirmar algo que estava claro, que seu Anbu estava morto.

— Sandaime... — abaixou o olhar e sentiu o vento lhe acariciar e olhou para o memorial hokage. Queria tanto tirar tudo do Anbu de sua cabeça e se preocupar com outras coisas. Afinal, faziam semanas talvez meses, já que tinha parado de contar, que o Anbu não tinha voltado da missão. — Me explique novamente sobre a vontade do fogo, por favor.

O hokage tinha ficado calado, lhe observando, talvez passando por sua mente diversas perguntas, mas respeitando não fazê-las. Sarutobi só sorriu para ele e olhou para a vila, segurando o típico chapéu hokage quando o vento mais forte passou.

— É o pilar da nossa aldeia, que vem senda repassado por gerações, como parte de nossa herança. Todo shinobi deve amar, acreditar, valorizar e lutar por nossa aldeia, como as gerações anteriores tinham feito antes por nós assim como as gerações futuras farão. — ele voltou a olhar para Iruka e sorriu doce. — Isso é o que dá a todo shinobi de Konoha a força para continuar lutando e formando força e caráter, esperanças e sonhos. É algo que vale a pena morrer, lutar pela esperança e um futuro de paz.

Iruka voltou a abaixar o olhar e pensar sobre o que ele estava transmitindo para as crianças, questionava-se ainda mais sobre o que ele estava transmitindo para o Naruto. Seus sentimentos não estavam firmes pra ele transmitir algo tão positivo àquele garoto, ele tinha emoções mistas sobre Naruto e estava completamente confuso. Queria limpar a mente e jogar fora toda aquela angustia para pensar sobre os seus sentimentos e duvidas sobre o garoto, era tão difícil. Sua via pessoal estava atrapalhando a sua tarefa. Não daria certo apagar aquela angustia sobre Naruto se tinha a angustia sobre o Anbu na sua mente atrapalhando.

— Eu não acho que sou capacitado de ensinar Naruto. — confessou esfregando as mãos no rosto. — Talvez fosse melhor outra pessoa no meu lugar.

— Compreendo. — o sandaime também suspirou e olhou para o horizonte. — Indico pensar antes, respirar antes de tomar essa decisão.

A necessidade de respirar para pensar era algo enfadonho na opinião de Iruka, estava claro que ele era incapacitado para aquele tipo de tarefa. Ele não conseguia separar o profissional com o pessoal. Ele sentia raiva, inveja, pena e algo a mais ao olhar Naruto, mas não conseguia pensar direito, pois sentia raiva de si por não conseguir esquecer alguém que nem sabia o nome.

Sua mente gritava que o Anbu estava morto, que ele deveria seguir em frente e parar de estragar o andamento da sua vida tendo esperanças que seu Anbu idiota voltasse e lhe abraçasse daquele jeito característico. Essas lembranças dolorosas traziam um nó para a sua garganta, ao ponto que muitas vezes segurava a dor e a vontade de chorar.

Nunca achou que sofrer por amor fosse assim, tão solitário, escuro e assustador. Por que amar tinha que doer tanto? Se ele soubesse, não teria permitido que aquele idiota do Anbu lhe seguisse e se aproximasse. O desgraçado lhe roubou tudo, sua esperança, seu desejo, seu calor, seu coração e agora a incapacidade de pensar com clareza. Sua vida estava estragada porque ele se permitiu amar e ter algo. Parecia que a dor da perca era maior, pois ele teve o Anbu para si para depois perder tudo.

Nunca tinha notado o tão preso era na solidão só depois que perdeu o Anbu, sentar-se no sofá, olhar para os lados e não poder conversar com ninguém, mesmo que essa pessoa somente lhe escutasse. Era solitário demais preparar um prato se sentar a mesa e ter o silencio como parceiro.

Esse sentimento de solidão também era sentindo por Naruto? Pensava, pois aquela criança parecia tão desesperada por atenção, assim como ele era no passado. Assim como estava sendo agora. Será que por isso permitiu que o Anbu entrasse na sua vida? Por isso que foi tão fácil amá-lo?

Era isso amor mesmo? Não era uma doença? Sim, parecia mais que uma doença estava lhe consumindo e lhe matando devido a dor que lhe dava. Isso não era saudável, amor não tinha que ser assim. Amor tinha que ser algo bonito igual aos contos de fadas, sem dor e sem sofrimento. Isso que é amor, não isso que ele sentia, essa confusão que lhe fazia chorar e sofrer não poderia ser amor. Amor não machucava. Odiava amar, odiava demais essa dor e como um consolo ele buscou a companhia de seus pais.

—*-*-

Fazia um bom tempo que não visitava o túmulo de seus pais. Olhar as pedras que carregavam os nomes deles lhe trazia tristeza, mas ao mesmo tempo conforto. Precisava conversar, por isso conversou com os túmulos, os limpou e deixou flores. Despejando palavras e lágrimas sobre os mesmos.

Depois seu corpo lhe levou para a pedra memorial, para aquela famosa pedra cujo os ninjas mortos em combate e os corpos não puderam ser resgatados tinham os nomes cravados. Foi estranho pensar em ir lá, ler cada nome naquela pedra e cogitar qual nome seria do seu Anbu, mas parou assustado ao ver que tinha alguém em frente ao memorial.

Ele deveria dar alguns passos para trás, ou se retirar para dar privacidade para a pessoa, mas congelou no lugar. Seu coração disparou olhando para a pessoa, era um ninja, com certeza, devido as roupas características, o colete e tudo mais. Fixou os olhos na costa do mesmo e reparou que o homem estava com as mãos no bolso despreocupadamente, mas não era nada disso que fazia seu coração disparar, era o cabelo. Um cabelo repicado e cinza platinado que lhe fazia lembrar dos cabelos do seu Anbu.

Sentiu mistos de sentimentos e se sentiu errado comparar aquele ninja ao seu Anbu só por causa do cabelo, contudo a adrenalina correu por todo o seu corpo pois não conseguiu desviar o olhar dos cabelos, seu corpo se esquentou lembrando-se dos dias cegos que tanto tocou nos cabelos do Anbu quando o mesmo distribuía beijos por seu corpo. Sentiu a circulação do seu sangue mais e mais forte, o calor lhe subindo o corpo, lembrando-se dos lábios e do corpo quente do Anbu.

Foi tão desnorteante que não percebeu que estava encarando demais o ninja a frente, só percebeu que estava passando dos limites quando o homem desconhecido notou sua presença e olhou para trás. Iruka sentia que estava morrendo, seu coração parecia estar na garganta por olhar um olho negro e somente isso. O homem usava uma mascara que ia até a ponte do nariz, no olho esquerdo do mesmo havia a bandana da aldeia cobrindo o globo ocular por algum motivo. O único olho amostra, o direito, estava com a pálpebra baixa mostrando um olhar de tédio. Lembrava-se de tê-lo visto uma vez na missão, mas não lembrava do nome, era uma lembrança vaga e insignificante.

Sentiu a garganta secar e o rosto se esquentar quando o outro lhe encarou ao pegá-lo no flagra lhe observando. Foi quando engoliu seco e desviou o olhar, levando uma mão ao peito para tentar controlar seus batimentos cardíacos. Ele não entendia o que estava havendo, estava confuso e apavorado com os seus pensamentos.

— Veio também visitar? — o desconhecido falou e Iruka voltou a olhá-lo com os olhos um pouco mais abertos, não conseguindo mais controlar os batimentos do seu coração. Ele viu o olho do Anbu fechado em uma linha, provavelmente sorrindo por trás da máscara e a boca do Iruka abriu levemente ao tentar falar algo e não conseguir. — Já estou indo, pode ficar a vontade.

Iruka tentou falar algo quando viu o homem se distanciar com as mãos no bolso distraidamente. Ele queria perguntar seu nome, questionar como não tinha o visto antes, mas não conseguiu, ele simplesmente ficou parado lá olhando o outro sumir de suas vistas enquanto sua pulsação voltava ao normal.

Aquilo não era normal, com certeza não. Aquilo era muito estranho, sua mente ficou tão turva ao ver aquele homem com cabelo cinza que desejou que aquele estranho e seu Anbu fossem a mesma pessoa. Estava com as bochechas tão vermelhas ao lembrar dos momentos pecaminosos que teve com o Anbu ao olhar o estranho e fechou os olhos se controlando. Tinha medo que o seu apego com o Anbu o tenha feito cair em uma armadinha e o esteja fazendo comparar todos os demais.

Muitas vezes Iruka evitou de se apegar. Claro, porque se apegar traria o risco de se machucar.

Uma vez tinha escutado que apego era sofrimento. Afinal, a culpa era totalmente sua por se iludir e tomar "posse" de algo ou de alguém. Ao se pagar você coloca um peso a mais sobre o sentimento que o liga a pessoa e esta não é culpada por seu apego.

Se apegar era perigoso, pois se caso um dia você chegasse a perder aquilo o seu sofrimento te consumiria. Com ele, o sofrimento e solidão quase o consumiram e por sorte ele se manteve na luz. Mas dentro do seu ser ainda corria aquele sentimento de perca e por isso tinha medo do que estava fazendo naquele momento, seu corpo gritando pra se aproximar daquele homem que tanto lembrava o seu Anbu.

—*-*-

Percebeu que estava no fundo do poço quando estava saindo da academia ninja após dar uma aula, carregando os livros consigo e percebeu que ao longe via aquele cabelo cinza. Seu corpo se moveu sozinho e ele correu desviando de algumas pessoas e tomando cuidado para não deixar os livros caírem e parou um pouco distante do ninja e notou que o mesmo andava com as mãos no bolso e ao lado um homem de roupas verdes que gesticulava e falava rapidamente. Ele não conseguia escutar ou pensar o que seria, mas a distancia era razoável para pelo menos vê-los. Achava que já tinha visto aquele homem de roupa verde por aí, talvez seu nome fosse Gai, não tinha certeza, só sabia que era um gênio do Taijutsu.

Seus olhos só estavam fixos nos cabelos cinzas, seus pés seguindo automaticamente e não conseguia piscar. Seu rosto ficou quente novamente em pensar que tinha um sentimento de algo certo e completo em estar seguindo aquele homem e abraçou mais os livros contra o peito. Não achou errado em o seguir, mesmo que isso o levasse para o lado contrário que deveria ir.

Quando aqueles dois pararam de andar ele mesmo parou e ficou encarando e se questionando onde eles iriam, até o momento do homem esverdeado de cabelos negros parar em frente dos de cabelos cinza e o olhou. Iruka ficou com o rosto quente em ser pego e ficou mais atordoado quando percebeu que o cabelo cinza estava se virando para olhar para onde o Gai olhava. O sensei não conseguiu ver, desviou o olhar e ficou tentando focar em alguma direção, mas por falta de algum resultado positivo ele apenas se virou e saiu andando fingindo que simplesmente não estava os seguindo e observando aquele homem.

Lógico que tentou agir normal, porém depois de alguns passos ele não conseguiu não conter o coração disparado, a adrenalina e o sorriso ao correr para casa, jogar os livros sobre o sofá e bater as mãos no rosto controlando o seu corpo. Falavam que a adrenalina era viciante por ser prazerosa, mas não esperava que fosse tanto. Seu corpo quente, o sorriso e o coração demonstravam a satisfação do risco de estar atrás do acinzentado e ser pego por ele.

Ao tomar banho ficou olhando para a porta aberta, habito que tinha adquirido ao esperar o Anbu, questionou-se se o que sentiu foi o mesmo que seu Anbu sentia ao lhe seguir e observar. Olhando para a porta ele lembrava quando o Anbu do nada aparecia e ficava lá lhe olhando se limpar, mesmo que a mascara de lobo não permitisse ver os olhos Iruka lembrava dos sentimentos de desejo que eram transmitidos. Talvez fossem as saudades de seu Anbu que o fizesse seguir o acinzentado, tudo por causa daquele maldito cabelo.

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Aquele maldito cabelo parecia um imã para Iruka, não importasse o que ele estava fazendo, se aquele cabelo entrasse no seu campo de visão seus olhos começavam a seguir até o seu próprio corpo também realizar a mesma ação. Não importava se estava no mercado da vila, ou comendo ramen ou simplesmente andando para respirar, ele saia sem pensar duas vezes para seguir o acinzentado em distancia.

Sentia-se um lunático em pensar seguir aquele homem por simplesmente se sentir perto do seu Anbu. Era um pouco assustador as vezes pular nos telhados, se camuflar, ou até mesmo realizar alguns jutsus de transformação para ainda conseguir seguir o estranho. Quando ele voltava pra casa ele não conseguia parar de rir em pensar que agora ele mesmo era um stalker.

Seu Anbu idiota lhe infectou? E porque ele não conseguia parar de sorrir?

Eram perguntas que passavam por sua cabeça quando estava sentado em sua cama e olhava para a janela. Sentia-se mais leve por algum motivo, talvez fosse porque as pessoas da vila pararam de perguntar o motivo dele não estar mais andando com o Anbu, ou talvez fosse porque ele não carregava mais aquela dúvida de questionar o hokage, mas sua mente ainda não estava completamente limpa por ainda ter dúvidas sobre Naruto.

Dúvidas que carregavam consigo as vezes quando saía das aulas e parava no meio da vila se questionando e não conseguia penar direito devido o sentimento ruim que retornava.

— Olhe! — Iruka tinha parado de andar perdido na vila e olhado para a dupla de mulheres que estava ao lado, achando que as mesmas tinham falado contigo, porém percebeu o olhar das duas para outro lugar e seguiu o olhar delas e acabou arregalando os olhos quando viu o ninja acinzentado acompanhado com aquele Gai e um outro ninja barbado, era Asuma, não era? — Aquele não é o Kakashi? — os olhos do Umino se arregalaram ainda mais ao escutar o nome e voltou a prestar atenção nas moças. — Não é a ele que chamam de sangue frio?

Iruka tentou a todo o custo não seguir Kakashi e continuar no lugar e tentar conversar com as duas mulheres que pareciam conhecer o acinzentado, mas o seu corpo se moveu quando viu o grupo se distanciar. Ele não queria se distanciar ainda mais do Kakashi... Kakashi... Ele seguiu com o sorriso no rosto só por ter descoberto o nome do acinzentado. Será que foi assim que seu Anbu se sentiu quando descobriu o seu nome? Pois nunca havia lhe dito.

E sem perceber, mesmo quando os outros dois ninjas tinham se despedido ele continuou seguindo Kakashi e sentindo a sua barriga se afundar com aquele sentimento estranho quando viu o mesmo entrar em sua habitação. Seus olhos olharam para o bairro e depois voltaram para a janela onde as luzes acabavam de ser acesas seus pensamentos se perderam e teve que sacudir sua cabeça e se retirar para sua própria casa quando percebeu que encarava demais a casa dos outros.

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Estava começando a se considerar cardíaco, jamais achou que seu coração bateria tão forte em seu peito em algum momento. Nesses dias seu coração estava tão disparado seguindo aquele ninja Kakashi por aí que havia começado a se acostumar com isso, mas não agora, não assim. Agora era pior, seu coração parecia querer sair pela garganta e explodir, batia tão rápido e se perguntava se outra pessoa poderia escutar, o sentimento do seu estomago era pior e o zumbido em seu ouvido começava a surgir. Sentado naquele banco e com a cabeça pendida para cima, olhando o Kakashi sentado naquela arvore próxima a si e lendo o livro. Jamais imaginou que isso aconteceria, ele somente tinha se sentado naquele banco para pensar sobre Naruto, ele não imaginou que aquele ninja estaria lá e estaria falando diretamente contigo.

— Não consigo ler com alguém suspirando tão alto perto de mim!

Kakashi estava falando com ele, estava escutando aquela voz novamente desde que o mascarado havia falado com ele na frente da pedra memorial. Ele estava tão deprimido e confuso minutos atrás e agora, mesmo que estivesse quase morrendo com um ataque cardíaco ele estava feliz por ter sido notado, mesmo que por ter sido de forma tão errada. Por mais que ele quisesse falar, escutar mais daquela voz, ele se levantou desculpando-se e se controlando para não levar a mão até a barriga e controlar aquele sentimento de estar tão perto de Kakashi.

Ele realmente era cardíaco, só poderia ser a única resposta.

Seu Anbu e Kakashi tinham o aroma semelhante e ele se sentiu horrível por estar comparando os dois. Foi então que percebeu que talvez tudo que ele estivesse tentando fazer era transferir a imagem de seu Anbu para o Kakashi. Era tão ridículo, porque estava fazendo isso? Já não bastava não estar cumprindo o seu papel de professor e transmitindo a herança do fogo de forma correta, ele estava tentando camuflar a sua perca.

Tudo que conseguiu fazer foi ficar parado vendo Kakashi descer da arvore e parar a sua frente, não conseguiu escutar direito quando o outro falou que estava indo, ele observou o livro na mão do mascarado, lendo o título e abaixou a cabeça quando o acinzentado falou mais alguma coisa e se distanciou. Não conseguiu prestar atenção nas palavras, mesmo que quisesse pois seus pernas amoleceram e ele voltou a cair sentado sobre o banco.

O que ele estava fazendo de sua vida? Estava fazendo tudo errado.

— Parece deprimido. — escutou aquele mascarado dizer à alguns passos de distancia e escutou o mesmo se aproximar e se sentar ao seu lado. — Se quiser falar, eu te escuto! — Iruka sentiu sua barriga mais estranha.

Ele não achou que falaria, não esperou que fosse tão fácil falar assim com um estranho. Porém, quando deu por si ele tinha despejado suas palavras, toda a sua frustação e medos sobre ser sensei e sobre o fato de estar cuidando de Naruto. Só tinha percebido que tinha falado e recebido conselhos de Kakashi — pois tudo que ele fez foi automático — quando já estava em casa tomando banho, lavando os cabelos.

Tinha se assustado tanto que correu pela casa de toalha gritando "Eu falei com ele! Eu falei com ele!" pelos cantos e com o rosto doendo de tanto sorrir.

Ele só não ficou mais assustado ainda porque ele começou a lembrar da voz e se questionar se era impressão dele ou a voz do Kakashi era igual a voz do seu Anbu. Ele só parou de questionar isso, por enquanto, quando no dia seguinte foi a uma livraria para procurar o livro que tinha visto Kakashi ler e se assustado quando viu o conteúdo da obra.

O livro era repleto de contos eróticos!

Kakashi era um pervertido...

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Sua mente estava descansada e ele tinha muito a agradecer, se não fosse pelo conselho do mascarado ele não teria parado para observar de forma correta Naruto, vendo a sua história e ganhado mais vontade ainda de transmitir a herança de fogo. Houve complicações, não poderia negar, muitas vezes tinha que tirar o loiro de alguma enrascada que entrava.

Sentia-se um pai ao se preocupar com a segurança, saúde e bem estar de Naruto e era gratificante esse sentimento, principalmente quando recebia um olhar de gratidão por parte do loiro. Sabia que a criança passaria ainda por provações e teria que aprender bastante ainda para se tornar genin, poderia levar uns dois anos até ganhar a bandana.

Estava radiante com essa evolução de sua relação com Naruto, sua mente estava cada vez mais limpa e seu coração começava a se acostumar com a dor de não ter seu Anbu ao seu lado. Não que não estivesse mais amando o seu Stalker idiota, pelo o que contrário, o amava ainda e passava noites relembrando os tempos juntos. Contudo, dessa vez as lembranças não eram dolorosas, eram tão boas que aqueciam o seu coração. Quando ele parava e olhava para a janela de sua sala se lembrando da mania estranha de seu Anbu entrar por lá e não pela porta. Não chorava mais, ele apenas sorria e as vezes gargalhava ao lembrar dos sustos que levava e dos gritos que dava.

Quando lia algum livro e olhava para algum lugar sorria e fechava os olhos tendo a memória auditiva de quando o Anbu mexia em suas coisas e fazia barulho lhe atrapalhando a leitura. As vezes a noite tocava-se debaixo do chuveiro, aproveitando da mente leve e lembrando das vezes que o Anbu lhe vendava e lhe dava prazer com os lábios e lhe dominava com aquele cheiro.

Aquele cheiro tão característico que também era o mesmo de Kakashi, este que começou a dominar sua cabeça quando apertou mais o próprio membro e fechou os olhos sentindo a agua morna no seu corpo. Os cabelos cinza vindo a sua mente, o cheiro, a altura e a voz que Iruka lembrava que era de seu Anbu, tudo tão igual e sem imperfeição. Ele havia parado de se tocar naquele momento e aberto os olhos de forma assustada ao coração se afundar. Levou sua mão ao cabelo molhado e percebeu que tremia e sentiu um novo sentimento se apossar de si... Raiva. ele realmente estava com raiva de um pensamento que passou por sua cabeça.

A mesma raiva que lhe dominou nos dias seguintes toda vez que via aquele cabelo cinza andar por aí. Dessa vez seu rosto se esquentava não por causa da vergonha ou da adrenalina, mas sim por causa da raiva, pura e simplesmente raiva. Mesmo que não quisesse ele não conseguia parar de seguir Kakashi, lhe observar escondido interagir com os outros ninjas, ou com algum desconhecido, não conseguia parar de observar quando Kakashi parava em algum banco ou arvore para ler, ou quando visitava a pedra memorial, não conseguia se masturbar e não confundir a imagem de seu Anbu com Kakashi. Nessa observação notou que Kakashi parecia meio atordoado e inquieto, coçando várias vezes a nuca, mas Iruka não conseguiu se importar, ele somente conseguiu sentir raiva.

Raiva porque ele tinha certeza que seu Anbu e Kakashi eram a mesma pessoa.

—*-*-

Ele não poderia estar louco.. Ele desejava que não estivesse.

— Kakashi-san e meu Anbu são a mesma pessoa, não é?

A primeira vez que ele questionou isso em voz alta estava em seu banheiro olhando para o espelho, vendo as suas olheiras e seu cabelo solto e bagunçado, seus olhos pareciam tristes e marcados, provavelmente pelas noites sem dormir pensando nessa pergunta. Até seus amigos perguntavam se estava bem.

As semelhanças eram tão grandes que a única resposta era que Kakashi e o Anbu eram a mesma pessoa. Tinham timbres de voz igual, mesmo que a lembrança do Anbu era vaga Iruka tinha certeza que era igual, o cabelo e o corte eram parecidos, o jeito de andar era perfeito e o cheiro... O cheiro era o mesmo.

Só não sabia explicar se estava bem ou não, parte de si não queria acreditar que Kakashi e seu Anbu eram os mesmos, pois corria o risco de estar psicologicamente transferindo a imagem de um para o outro. Contudo, sua mente gritava que as semelhanças eram absurdas e que não tinha como a verdadeira identidade de seu Anbu não ser Kakashi Hatake, o tão famosos ninja que copia. Sim, ele estava tão no fundo do poço que pesquisou tudo sobre o homem, tudo até onde lhe foi permitido pesquisar.

Confessava que não poderia ter chamado o seu Anbu Stalker de idiota quando ele mesmo estava sendo um, porém não conseguia se controlar. Era triste o que ele estava fazendo consigo, ele poderia seguir a vida e imaginar que seu Anbu morreu em batalha salvando a aldeia da folha ao invés de ficar se remoendo em casa acreditando que um homem também mascarado poderia ser ele.

Talvez essa obsessão tenha surgido por causa de sua vaidade. Afinal, com o Anbu ao seu lado ele se sentia desejado, amado e atraente e não se sentia solitário.

— Mas eles parecem tanto a mesma pessoa!

Refletiu novamente ao seguir para o seu quarto, olhando para os seus pés descalços pisando o chão. Ele parou aturdido em meio ao quarto ao se lembrar da primeira vez que o Anbu lhe tocou de forma intima, tocando os seus calcanhares, lhe acariciando e sussurrando para ele que era lindo quando trocavam beijos.

Seu estomago se revirou e seu coração se apertou em desespero e ele começou a chorar no meio do quarto do nada não conseguindo conter as lágrimas, pois desesperou-se.

— Eu não quero que seja ele!

Não que ele desejasse seu amado Anbu idiota morto, ele só não queria acreditar que seu Anbu fingiria que nada entre eles dois tinha acontecido.

—*-*-

— Idiota, idiota, idiota... — Iruka sussurrava para si ao sair da academia ninja franzindo as sobrancelhas. Pelo menos a semana havia terminado e teria seu final de semana de folga, mas o que lhe irritava era o fato que tudo que ele conseguia planejar era ir para perto da casa do Kakashi e tentar observá-lo dentro do seu lar. — Idiota, idiota...

— Iruka-sensei!? — Iruka levou um susto ao olhar para o lado e encontrar Naruto o olhando sorrindo. Ele tinha deixado de lado a raiva e um sentimento de paz lhe tomou o corpo ao olhar o menino e lhe acariciou a cabeça. — Quer ir ao Ramen Ichiraku? Eu pago. — o loiro tinha tirado uma carteira de formato de sapo do bolso e mostrado para ele ao abrir um sorriso enorme.

Naruto tinha criado aquela mania com ele, aquela criança era tão carente que o pouco de atenção e carinho que começou a receber já tinha se tornado um laço. Ele se comparava muito ao Naruto nesse sentido, receber um pouco de atenção, ser notado, ter o carinho de alguém já lhe dava uma satisfação grande. Ele não negaria, assim como nunca negou desde o dia que se aproximaram assim como Naruto nunca negou seu convite, mas sentiu uma sensação estranha.

Um sentimento pesado e estranho lhe tomou o corpo, um sentimento que ele estava acostumado e se lembrava muito bem. Ele se sentia observado, mas olhou para os lados e não encontrou ninguém diferente lhe observando e suas esperanças diminuíram por não encontrar o Anbu em nenhum lugar. Sim, ele teve essa pouca esperança tão remota de que fosse o seu Anbu.

— O que foi? — Naruto tinha questionado e também olhado para os lados procurando o que o Umino procurava.

— Nada... — Iruka sorriu e balançou a cabeça espantando os sentimentos estranho. — Eu achei que tinha alguém nos observando. Deve ser algo da minha cabeça.

— Deve ser aquele ninja estranho... — Naruto o olhou com um dedo no ouvido e fazendo um bico.

— O que? — Iruka se espantou e olhou para Naruto e começou a imaginar um monte de coisas. Não poderia ser seu Anbu, quando começou a dar aulas o seu Anbu já tinha sumido. Não poderia ser o seu Anbu, mas o seu coração transbordou em esperanças.

— Você sabe... — Naruto deu de ombros. — Aquele cara estranho, com um penteado estranho e uma mascara. — Iruka franziu as sobrancelhas em confusão e não entendeu o que estava havendo. — Um grisalho que todos os dias aparece por aqui e fingi não olhar você, mas eu já percebi. — o sorriso do Naruto era enorme. — Ele é estranho.

Vários pensamentos passaram pela cabeça do Iruka e hipóteses e com isso vários sentimentos mistos também lhe dominaram assim como uma certeza.

— Não, Naruto. — acariciou a cabeça do menino. — Ele não é estranho, ele só é idiota.

Um grande idiota, Iruka poderia dizer.

—*-*-

Eram dois idiotas, Kakashi e ele. Ele ainda mais, pois lá estava ele novamente andando furioso pela vila e seguindo Kakashi, dessa vez fazendo questão de não se ocultar e esconder a sua presença e tinha percebido que o mascarado tinha notado isso. O platinado coçava várias vezes a nuca e muitas vezes não permanecia parado no mesmo lugar, sempre andando e parecendo procurar algum lugar calmo, estava muito inquieto.

Iruka sabia que Kakashi sempre procurava lugares calmos pra descansar, pensar e ler aquele livro pervertido, ele tinha o seguido tempo suficiente para descobrir isso. Contudo, hoje Hatake não parecia que não tinha chegado a encontrar a tranquilidade e sempre parecia ansioso e desconfortável. Era lógico que Kakashi tinha notado sua perseguição, Iruka queria que ele notasse isso, mesmo que fosse cara de pau dessa vez e simplesmente o seguisse por aí sem pular em telhados ou se camuflar.

Era isso que Kakashi queria, ser notado e seguido e era isso que Iruka estava dando. Lógico que era isso, depois de sua conversa com Naruto teve certeza que Kakashi queria ser seguido e o idiota o induziu a isso. Fazia sentido, um ninja que nunca tinha "visto" realmente antes de repente aparecia várias vezes a sua frente nesses últimos dias e "não" tinha notado sua presença, apesar dos seus treinamentos. Kakashi queria aquilo, o maldito mascarado lhe fez se tornar um Stalker.

Por isso que não fez questão de esconder a raiva nos olhos e segui-lo de perto, alguns passos de distancia, mesmo quando o estavam sozinhos passando por algum beco. E foi assim durante o final de semana inteiro, não parando em algum lugar e o incomodo de Kakashi somente aumentando, até chegar o momento que o mesmo andou em direção a sua casa e Iruka o seguiu mais perto ainda, com as mãos fechadas em punhos e as sobrancelhas franzidas.

Eles somente pararam de andar quando chegaram em frente ao conjunto onde tinha a habitação de Kakashi, este que tinha parado e continuado de costas para Iruka, que estava uns dez passos de distancia dele. O mascarado deixou os ombros caírem e suspirou de forma tão alta que Iruka escutou, e foi então que ele se virou e o único olho visível estava sobre si.

— Quer entrar? — Kakashi perguntou tão naturalmente com os olhos se fechando ao sorrir e Iruka não conteve fechar mais a cara. — Está começando a escurecer, melhor entrarmos.

E Iruka entrou, ele não foi obrigado e nem nada parecido, ele só seguiu o que seu corpo pedia e quando ele entrou na habitação ele olhou para todos os lugares sem se preocupar se estava sendo mal educado. Um quarto e sala em um mesmo ambiente, provavelmente a cozinha seria em outro. Ele parou olhando para um porta retrato perto da cama percebendo a foto do Yondaime e mais três crianças, um com certeza era o Kakashi, os outros dois ele não se lembrava de ter visto.

— Aceita um chá? — Kakashi perguntou, parecia tranquilo como se nada tivesse acontecido e que Iruka não tivesse o seguido o dia inteiro.

— Então era você? — Iruka se virou ao ser direto na sua pergunta e olhou para Kakashi, dessa vez sem o olhar de raiva. Ele queria muito jogar a ira, mas ao começar a falar uma tristeza tomou o seu ser e se segurou muito para não chorar. — O Anbu idiota que me observava tomar banho era você!? — ele não queria jogar sujo, porém estava tão ferido então queria ferir também. Viu que Kakashi não respondeu, o mascarado somente abaixou o olhar e se virou puxando uma cadeira e se sentando, provavelmente envergonhado pelo o que fez. — Vai começar a palhaçada do silêncio de novo? — sua garganta se fechou enquanto falava. Ele não queria mais aquilo, aquele silencio e aqueles olhos não o olhando, lembrava-se bem que o Anbu fazia isso quando não queria responder suas perguntas. — Não.. Não faça... — começou a chorar. — Silencio de novo não. — enxugou os olhos.

— Iruka... — Kakashi enfim o olhou e se levantou da cadeira.

— Quer saber? Não preciso de suas explicações! Se não voltou antes pra se explicar, não será agora. — Iruka sorriu triste e olhou para Kakashi o cortando de toda e qualquer explicação. — Eu só queria saber se estava bem. — enxugou mais lágrimas que saiam sem sua permissão. — Te esperei durante semanas e você não tinha aparecido. — soluçou. — Fiquei tão preocupado, mas agora que tenho certeza que está bem... — respirou fundo. — Eu não preciso mais me preocupar. — olhou para o chão perdido e com sua visão um pouco embaçada percebeu os pés de Kakashi próximos e se assustou ao sentir dedos gelado tocar seu rosto. Se afastou enxugando as lágrimas. — Eu não vou mais te seguir. — disse firme. — Então não precisa ficar passeando debaixo do meu nariz provocando isso. — pediu e se retirou sem esperar alguma resposta. — Vamos manter distância um do outro! — pediu e bateu a porta.

Era melhor assim, manter distancia. Ele não queria escutar nenhuma explicação, nada justificava aquele abandono.

—*-*-

Tudo bem, talvez Kakashi não saiba o significado da palavra "Distância". O mascarado estava bem ali, parado a sua frente na entrada da academia ninja e lhe acenava feliz. Não conseguiu se mover pasmo e confuso com aquilo e olhou para os lados para ter certeza que era para ele que o mascarado acena, olhou novamente para Kakashi e passou por ele em silêncio, porém um arrepio surgiu em sua espinha quando o maior passou a andar ao seu lado, colocando uma mão na base da sua coluna.

— Irei te acompanhar até sua casa. — Kakashi disse feliz, como se fosse normal a atitude que estava tomando. Iruka só permaneceu olhando para a frente e em choque e sentindo um calor subir ao rosto com os pensamentos que começou a ter só por sentir a mão no mascarado em si.

— Não precisa. — respondeu e passou a dar passos mais rápidos se distanciando daquela mão, porém Kakashi parecia não querer o deixar ir sozinho, pois passou a acompanhar seus passos na mesma velocidade dessa vez sem tocá-lo.

— Você fica mais lindo vermelho assim! — Kakashi disse de repente.

Iruka teve que parar e respirar fundo, controlando o coração disparado com o elogio e tentando controlar mais ainda o calor de seu rosto, provavelmente mais vermelho do que antes. Ele não estava preparando para esse tipo de frase, nunca esteve já que não se considerava atraente.

— Aprendeu essa cantada no seu livro pervertido? — respondeu e percebeu que Kakashi sorria e colocava as mãos nos bolsos.

— Então você o leu? — ele respondeu com uma pergunta e Iruka achava que explodiria de tão quente e envergonhado que ficou. — Mas não se preocupe, isso não tem no livro. Eu realmente te acho mais lindo quando fica vermelho. Tenho uma queda por isso... — e esse foi praticamente o fim para Iruka, sua mente ficou em branco e de repente veio a memória deles dois na cama com Kakashi lhe tocando.

— Por que não volta a ficar mudo e me deixa em paz? — exaltou assustando o outro e saiu correndo, se achando infantil por fazer isso, mas precisava se manter distante.

Kakashi era esperto, ele sabia atingir bem nos seus pontos fracos. O elogiando, o deixando constrangido, independente do que ele fizesse. Ele só não esperava que quando chegasse em casa ele se jogaria na cama e abraçaria o travesseiro sobre o seu rosto e tentasse com todas as forças não sorrir.

Não queria gostar dos elogios e da atenção, queria ficar bravo e esquecer. Foi tão estranho que correu para o banheiro e lavou o rosto para não surtar em meio a felicidade. O que foi aquilo? Alguma piada?

Só que essa dúvida pairou na sua mente, se questionou o motivo de Kakashi fazer aquilo logo depois de ter escutado o seu pedido de se manter distante. E essa dúvida pairou em sua cabeça no dia seguinte quando Kakashi novamente se auto convidou para lhe acompanhar para casa, e no dia seguinte e no outro dia também. Iruka estava tão confuso.

—*-*-

"Quer ir beber algo?"

Foi uma das perguntas de Kakashi quando lhe deixou na área próxima a sua casa, e teve o convite negado.

"Que tal comermos algo?"

Em um outro dia Kakashi perguntou quando tentou lhe tirar os livros da mão para ajudá-lo a carregar e Iruka somente desviou e o chutou para longe.

"Podemos jogar algo, caso queria!"

E no outro dia Kakashi perguntou ao deixá-lo em frente a sua casa e teve como resposta a porta batida bem na sua cara.

Certo, talvez Iruka achasse um pouco fofo o fato de Kakashi sempre coçar a cabeça antes de ter a coragem de lhe convidar para algo. Só um pouco...

—*-*-

— Quer ir para as termas?

A diferença entre o seu Anbu e esse Kakashi é com certeza a fala. Iruka sabia que eram a mesma pessoa, mas era tão estranho agora ter que conviver com um stalker tagarela diferente do que Kakashi demonstrou quando estava com as vestes da Anbu. Já estava começando a se acostumar com esses tipos de perguntas que o mascarado fazia, porém ainda não conseguia controlar a vermelhidão que lhe surgia quando andavam lado a lado. Tinha desistido de fugir, talvez por cansaço ou talvez por querer escutar mais dos elogios que as vezes eram verbalizados. Ou talvez fosse porque quando chegava em casa ele não conseguia para de sorrir pela atenção que estava recebendo. Tanto faz, ele só queria aproveitar mais um pouco da companhia antes da solidão da sua casa. Era egoísmo sabia, mas ele precisava tirar proveito de algo disso.

— Quero, mas não com você. — olhava para o chão e já estava quase chegando em casa. — Você é pervertido. — escutou uma risada.

— Na verdade não sou. — Kakashi lhe respondeu e Iruka parou assustado ao sentir os dedos gelados do mascarado acariciando o seu rosto, bem naquele ponto próximo a sua orelha. — Ou será que sim? A única pessoa que me sinto totalmente atraído é você.

— Eu... — Iruka se afastou com o coração disparado e os olhos arregalados e uma dor aguda lhe surgiu e ele olhou amargurado para o mascarado. — Não brinque comigo, você me abandonou. — balançou varias vezes a cabeça, lembrando do tempo bom que tiveram juntos e depois a solidão. — Você me abandonou, por favor, não brinque comigo. — se distanciou deixando novamente Kakashi para trás.

Aquela dor de perca e lembranças ruins voltavam, lembrava-se o tão tolo foi acreditar nas palavras do Anbu e depois semanas sofrendo. Não queria cair de novo nisso, nessas palavras e nesse carinho. Não queria ser enganado novamente, pois sabia que se perdesse tudo de novo sofreria muito mais, então quando chegou em casa se sentou no sofá esfregou as mãos no rosto desesperado e confuso, mas se assustou ao escutar um som na sua janela e quando olhou para aquela direção se levantou em um pulo.

— Não entre! — mandou desesperado, vendo Kakashi entrar pela janela sem ligar para o seu pedido. — Você nunca me escuta? — gritou. — Eu não deixei você entrar.

— Eu sei, mas precisamos conversar. — Kakashi parecia estranhamente calmo e levantou as mãos pedindo calma.

— Não precisamos, fique mudo e suma novamente! — Iruka continuou gritando e se afastou seguindo para a sua prateleira de livros e ameaçando jogar o conteúdo na direção do mascarado.

— Sei que te magoei, mas quero que entenda o meu lado. — Kakashi ainda tentava conversar e desviou de um livro jogado em sua direção.

— Eu não quero entender. — Iruka jogou mais um livro, e outro e mais outro. — Eu fui lá... Eu... Eu realmente te esperei, dia após dia. — descarregou a sua dor guardada e largou o livro que segurava. — Eu morri de medo, rezava que só fosse um atraso, rezava para que você não tivesse morrido. — respirou profundamente. — Eu não consegui dormir e nem comer de tanto medo e dor que sentia, passava horas do meu dia olhando para a maldita janela pedindo para que você voltasse e invadisse minha casa, mas você não voltava. Achei que estava morto!

— Iruka... — Kakashi se aproximou e o Umino se afastou.

— Mas você está vivo! — Iruka o cortou com mágoas nos olhos. — Está vivo e não me procurou, fingiu que nada aconteceu e fingiu que não me conhecia.

— Eu sei que é difícil de explicar, mas eu quero que entenda. — o mascarado tentou outra aproximação, mas Iruka seguiu para o quarto, mesmo assim parecia que Kakashi não desistia. — Confesso que errei nas minhas escolhas e pensei bastante sobre tudo depois daquela noite que você esteve na minha casa. Eu não consegui dormir pensando em tudo, então deixei de ser covarde. — Kakashi para olhava as suas costas. — A missão realmente se atrasou. — Iruka parou no meio do quarto e olhou por cima do ombro para Kakashi. — Levei mais tempo do que achei que levaria, mas quando voltei eu tive uma surpresa, o massacre do clã Uchiha.

Iruka lembrava-se muito bem do tão grande massacre do clã, foi assustador e todos da vila ficaram espantados, incluindo ele mesmo. A área ficou isolada, a população apavorada e muitos com pena da criança que foi encontrada vida, Uchiha Sasuke. Até chegaram a derrubar toda a área que foi pertencente ao clã para que ninguém tivesse memórias ruins.

— O responsável por aquilo era um colega muito próximo. — Iruka se surpreendeu com as palavras de Kakashi e se virou para olhá-lo melhor. — Eu não esperava que ele tivesse a coragem de fazer algo tão frio, ele era da minha esquipe na Anbu e me senti desolado e culpado pelo o que ele fez. Trabalhamos juntos, fomos colegas e nunca percebi o que ele poderia fazer a própria família. — o mascarado olhou para a janela. — Eu não quis conversar, queria me isolar e focar no meu trabalho, pois foi por minha culpa que perdi meus amigos na infância e e agora fui incapaz de ajudar um amigo a não cair de ódio por seu clã.

— Então você se culpou e se isolou? — Iruka estava mais calmo, triste e com pena daquele que estava a sua frente. Era a primeira vez que via aquele homem tão vulnerável.

— Eu sempre fui isolado, desde mais novo. — Kakashi sorriu por trás da mascara, mesmo que Iruka não conseguisse ver, poderia saber que era um sorriso triste. — Só que estava dessa vez assustado, em um dia estava sozinho e no outro tudo que mais queria era voltar cedo pra casa pra te ver. — Umino desviou o olhar e se sentou na cama. — Nunca achei que me apegaria tanto a alguém, me desesperei depois do que aconteceu ao clã Uchiha. Por que não percebi o que um colega próximo planejava? Ficava me perguntando se caso eu errasse de novo e por esse erro perdesse você o que eu faria? Ou o que aconteceria se eu partisse em alguma missão e me desconcentrasse ao pensar se você estava bem ou não, ou se caso você fosse em alguma missão e se machucasse. Ou se eu não pudesse ser o apoio... Ou tantas coisas! Eu tive uma epifania. Tudo que eu conseguia pensar era somente em você e como eu não poderia te proteger.

— Não sou de porcelana, risco corremos todos os dias. — Iruka respondeu não o olhando e começou a brincar com os próprios dedos pensando no que o outro dizia. Estava certo antes, ambos eram solitários e se apegaram na presença do outro. Porém esse apego lhes machucava e tentava pensar como Kakashi lidou com isso, um parceiro que você conhecia bem foi capaz de fazer algo sangrento, como viveria sabendo que esse mesmo risco poderia ocorrer com qualquer um?

— Eu sei. — Kakashi se aproximou. — Mas me entenda, eu não tinha ninguém, perdi meus amigos aí surgiu você então eu tive um surto depois do massacre do clã Uchiha e comecei a pensar o tão doloroso seria perder você. Achei que estava tão preso que poderia me afundar... — ele se calou por um momento e Iruka mordeu o lábio e esfregou o rosto. Ele entendia bem, pior que entendia. Ele mesmo estava reclamando esses dias por sofrer por se apegar e perder. — Sinto muito. — sentiu Kakashi sentar ao seu lado da cama. — Me desculpe, eu cometi um grande erro. — então sentiu o braço circular a sua cintura. — Eu estava sendo um covarde.

— Eu estou confuso. — Iruka se afastou do calor do corpo do outro e permaneceu de costas. Ele sabia muito bem e compreendia tudo, mas estava tão perdido com aquilo tudo. — Eu realmente achei que você tinha morrido.

— Sinto muito. — escutou Kakashi dizer atrás de si, porém não se virou. Permaneceu de costas de olhos fechados pensando como seria se fosse ele no lugar de Kakashi, o que teria feito? Como teria agido? Ele tem o costume de pegar a culpa de tudo para si, ele também se sentiria culpado. — Por mais que tentei ficar longe, eu simplesmente não consegui. Meu corpo seguia até você, queria ser notado por você! Quando percebi já estava desesperadamente te induzindo a me seguir somente para ficar perto de mim. — o castanho escutou uma risada. — Apesar que as vezes era engraçado sentir sua raiva nas minhas costas.

— Não era engraçado. — Iruka se virou com as sobrancelhas franzidas e deu um cascudo na cabeça do outro e saiu do quarto. — Estava bom demais para ser verdade. — resmungava. — Pela primeira vez estamos tendo um diálogo descente e me vem com piadas.

Se assustou quando teve seu corpo circulado por braços, estes tão conhecidos em sua memória e fechou os olhos perdido no calor e cheiro, ficando com as pernas moles quando o mascarado descansou a testa em seu ombro e apertou mais aquele abraço por trás.

— Fui liberado da Anbu para evitar ficar com um coração sombrio, precisava esvaziar a escuridão do meu peito. Então me afastei de tudo, mas meu corpo ia sempre atrás de você. — Kakashi sussurrou. — Quando você entrou na minha casa e me disse aquelas palavras, eu pensei tanto e desejei tanto estar ao seu lado e recomeçar como eu mesmo, Kakashi Hatake. — ele virou Iruka e o abraçou de frente. — Só preciso de uma chance.

— Eu não sei... — se afastou do abraço e encarou aquele olho negro perdido pensando como seria tudo aquilo. Ele estava acostumado com um Anbu silencioso, embora ele tivesse pedido muitas vezes para falar. Quando iria responder se espantou quando Kakashi lhe sorriu e retirou a bandana que estava sobre o outro olho.

— Se lembra quando perguntou se estávamos namorando? — Kakashi perguntou ao terminar de retirar a bandana, Iruka ficou estático no lugar ao ver o outro olho vermelho. Era diferente de tudo que viu, a pupila era vermelha e em volta pareciam ser tomoe, não sabia explicar somente analisou o olho e a cicatriz que via sobre a pele e começou a surtar quando percebeu que Kakashi levou o dedo para a ponte do Nariz e desceu a mascara revelando um sorriso baixo, um queixo triangular e uma pinta no lado esquerdo do queixo. — Se não estávamos naquele dia, podemos estar agora.

— Eu... — Iruka não sabia o que dizer, somente deu alguns passos para trás e o encarou. O maldito além de ter uma voz bonita, era lindo. Kakashi realmente estava se expondo para ele, lhe falando sobre namoro enquanto mostrava o rosto completo. — Eu não consigo pensar. — estava confuso, ele tinha certeza que amava o seu Anbu, mas agora seria algo tão diferente com alguém que parecia que não teria receio de ter vinculo emocional com ele.

— O que te ajuda a pensar?

— Ham? — Iruka o olhou perdido e ainda não conseguia piscar pra não tirar os olhos sobre aquele rosto. Ajudar a pensar? Essa seria uma das diferenças no relacionamento? Kakashi sempre perguntaria algo dele? — As vezes eu penso no banho.

— Ótimo, eu te aguardo.

Iruka ficou parado pasmo, vendo um homem bonito, sem máscara se sentando na sua cama e o olhando, porque o esperava ir tomar banho. Seria engraçado se não fosse estranho, lentamente ele seguiu para o banheiro olhando várias vezes para trás e quando entrou ficou olhando para o chão se questionando se era verdade. Balançou a cabeça despertando e foi até a portado do banheiro colocando a cabeça para fora e tendo a certeza que Kakashi estava realmente lá.

Voltou de costas para o banheiro ainda perdido e confuso, e realmente pensando no que estava acontecendo quando retirava as suas roupas e entrava debaixo do chuveiro. Fechou os olhos e deixou a água lhe molhar por completo enquanto respirava fundo, depois começando a rir ao achar aquilo tão estanho. Ele realmente estava no banho somente para pensar enquanto Kakashi, o seu Anbu estava sentado na sua cama lhe aguardando. Era diferente, mas ao mesmo tempo tão eles e era o que Iruka queria antes de tudo ocorrer. Aquele momento de normalidade, aquela conversa, aquele estado de tudo estava certo agora.

Ao abrir os olhos olhou para a porta do banheiro aberta e percebeu que não teria mais o seu Anbu invadindo o seu banheiro, porque ele agora realmente faria tudo direito e lhe daria o espaço que fosse preciso.

— Kakashi-san... — chamou em um tom normal olhando para a porta em um momento nostálgico. Agora tinha um nome a qual chamar e quando segundos depois Kakashi parou no batente da porta o olhando, Iruka tinha certeza que a imagem do Anbu no seu banheiro também seria diferente. O Hatake sem a mascara o encarou, Iruka enfim poderia ver suas expressões e eram muitas. Os olhos ficavam maiores ao olhá-lo, descendo lentamente o olhar e a garganta engolindo saliva para depois levantar o olhar e se afundar bem nos fundos dos olhos. Era realmente diferente, Iruka ficou realmente constrangido em poder ver tudo, mas ao mesmo tempo se sentiu bem em não ter aquela marcara impedindo.

Talvez fosse o seu olhar, ou seu corpo se afastando em um pedido mudo para o outro se aproximar, não sabia. Tudo que sabia que ele queria Kakashi próximo e realmente o outro se aproximou como se lesse a sua mente, entrando com roupa e tudo para debaixo do chuveiro com ele, soltando o seu cabelo e lhe tocando a cintura, fazendo-o se arrepiar.

— Eu tenho tantas perguntas. — Iruka confessou, tocando no rosto de Kakashi com ambas as mãos e enfim sentindo e vendo o rosto do outro, tocando na cicatriz, queixo, cabelo, vendo Kakashi fechar os olhos e se aproximar mais de si fazendo se arrepiar mais ainda em ter seu corpo nu em contrato ao corpo vestido do outro. — Se lembra da minha pergunta? Por que me seguir? — desceu a mão pelo pescoço de Kakashi, tocando na gola da camisa e sentindo o colete ninja atrapalhar seu contato.

— De primeiro momento, eu não quis me aproximar. Eu só não sei o que foi... Só estava lá naquela arvore somente para descansar e quando percebi estava te olhando, te achando bonito. — Kakashi não parava de falar, mesmo que ele tivesse sentindo Iruka lhe tirar o colete, ele mesmo não parava de acariciar o rosto do outro. — E achei divertido não te responder e te ver incomodado, você fica fazendo umas expressões interessantes quando nervoso.

— Idiota! — Iruka lhe deu um tapa no braço e o abraçou novamente, dessa vez circulando os braços debaixo da camisa molhada de Kakashi e abaixando o olhar, sentindo a pele quente em suas mãos, enfim tocando. Quando Kakashi ainda era Anbu, nunca o deixa lhe tocar, retribuir o prazer que recebia, entendia que não era para estender os laços, mas agora o jounin estava abertamente deixando os toques, assim como subia as mãos pela coluna de Iruka lhe causando arrepios. — Não achei graça, não é divertido se sentir observado.

— Mas eu não quis te observar! — Kakashi se afastou um pouco para retirar a própria camisa e Iruka agradeceu mentalmente, pois ele mesmo estava prestes a fazer isso, porém só teve tempo de pensar rápido em agarrar os ombros do jounin e circular as pernas na cintura do mesmo quando Kakashi lhe pegou no colo e o prensou contra a parede, recebendo toda a água do chuveiro. Tocou o braço esquerdo de Kakashi, vendo a tatuagem com o símbolo da folha no braço. Uma marca que somente os Anbus tinham. — Quando eu te vi novamente foi por coincidência, você está lá na pedra memorial, fiquei intrigado.

— Fui visitar meus pais.

— Eu descobri isso depois. — Kakashi respondeu beijando o rosto de Iruka e descendo os beijos por seu pescoço assim como descia uma das mãos para a nádega de Iruka e a apertando sutilmente, arrancando um gemido baixo dele. — Sinceramente, Iruka-kun... — chupou um dos lados do pescoço arrancando mais um gemido. — Já gostava dos seus banhos antes, mas agora os adoro. — comentou.

— Então... Eh... — Iruka ignorou o ultimo comentário e fechou os olhos jogando a cabeça para trás ao sentir um dos dedos de Kakashi em sua entrada, acariciando sutilmente. — Em nenhum momento quis me seguir? — realmente estava sendo tudo tão diferente, depois ele brigaria com Kakashi por não ter se permito a aprofundarem isso antes agora ele se preocupava em conhecer Kakashi física e mentalmente.

— Eu não quis, mas naquele dia que você me encontrou ferido eu não pude fugir. Você cuidou de mim e eu quis te agradecer. Quando percebi eu estava completamente fascinado por você e instintivamente eu te procurava. — Kakashi lhe roubou um selinho e aos poucos lhe foi inserindo aquele dedo. — Achava lindo nervoso, com a mania de coçar o nariz quando constrangido. — moveu o dedo lentamente vendo Iruka suspirar e fechar os olhos e abrir a boca levemente por causa da respiração mais rápida. — Suas expressão são lindas demais. — lambeu o pomo de Iruka. — Elas me fascinam, então não consegui parar mais de ir atrás de você, me desculpe! — inseriu mais um dedo e escutou Iruka gemer mais alto. — Estava viciado, quanto mais eu queria estar distante de você, não ter vinculo para não me apegar, mais eu queria estar perto. — beijou os lábios. — Te quero tanto.

O Chunin não achou que se perderia nas sensações abraçando Kakashi e lhe apertando, seu interior se apertou com a invasão e tinha espasmos que provavelmente apertavam mais os dedos. Olhou para os olhos de Kakashi, o seu Anbu, e se perdeu neles novamente ao rebolar no colo do outro para sentir mais os dedos. Suas mãos subiram e acariciaram os cabelos baixos devido a água e fechou os olhos puxando os fios ao soltar outro gemido. Entendia perfeitamente bem o fato de não se apegar, fugir e mesmo assim estar lá em busca da pessoa, com medo de perdê-la, ele sabia de tudo isso e por isso nesse momento ele quis se entregar e possuir. Ele nunca mais queria perder o seu Anbu.

— Quero te tocar também. — seu pedido saiu baixo, mas dessa vez Kakashi parecia ter o escutado, pois o resultado foi retirar os dedos e o colocá-lo em pé no chão. A euforia lhe cresceu, Kakashi como Anbu não deixava tocá-lo, mas lá estava ele totalmente nu e exposto para o maior, que ainda permanecia escondido pela calça. — Nunca mais me deixe. — mandou descendo as mãos dos ombros para o peito e o tórax de Kakashi e percebeu que o acinzentado olhava para o seu corpo com devoção. — Quero... quero saber tudo de você, assim como... — gemeu ao ter as mãos de Kakashi circulando o seu pênis e lhe bombeando. — Assim como me conhece.

Então Iruka percebeu o sorriso de lado de Kakashi, o achando lindo sorrindo daquele jeito. Também estava se viciando pelas expressões do outro e abaixou o olhar quando percebeu que Kakashi abria a própria calça com o sorriso insinuante aumentando. Iruka não deixou de achar sexy aquela cena do cabelo do outro e o corpo molhado e o pênis rígido e pulsante saltar livremente quando as calças foram abaixadas.

— Você está livre pra me conhecer. — Kakashi sussurrou pegando a mão de Iruka e levando para o próprio pênis, sorrindo mais abertamente quando o moreno não pensou duas vezes em lhe segurar e o começar o masturbar. — Sem inibições e barreira dessa vez não é?

O Umino ira responder se sua boca não tivesse sido tomada pelos lábios de Kakashi que espremeu o corpo contra o seu e o fazendo masturbar os dois membros juntos enquanto ambas as línguas provaram o sabor um do outro em desespero. O jounin lhe segurou o rosto, aprofundando o beijo enquanto mexia os quadris simulando o coito nas mãos de Iruka. O moreno estava perdido quando aprofundou o beijo e olhou os dois membros, mais especificamente o do Kakashi, vendo-o cheio de veias, pulsante com a cabeça rosa e já expelindo o pré gozo.

Tomou ar e fechou os olhos masturbando ambos e sorrindo em ter visto e ainda estar vendo muito de Kakashi. Queria conhecê-lo mais, queria ter posse de todo o conhecimento.

— O que mais te define? — perguntou de repente e escutou Kakashi sorrir, abriu os olhos, porém os fechou rapidamente quando o ex-Anbu começou a chupar todo o seu pescoço, descendo até os seus mamilos.

— Trabalho de equipe. — Hatake respondeu com a respiração quente em um dos seus mamilos e o chupou, fazendo Iruka gemer mais alto e ficar vermelho com o barulho erótico de "pop" quando os lábios se soltaram do botão. — Ponto negativo? — Kakashi tirou as mãos de Iruka de seu pênis e o virou, fazendo-o apoiar as mãos na parede. — Sou cuidadoso com tudo que está a minha volta, chegando ao ponto de ser considerado possessivo. — abraçou Iruka, este respirava alto e inclinava mais os quadris, empinando e sentindo o membro de Kakashi se esfregar em sua nádegas.

— Kakashi! — Iruka gemeu e se sentiu satisfeito em dizer o nome, enfim podendo chamar seu Anbu de algo e fechou os olhos sentindo os beijos pela nuca e o membro do outro brincar e pincelar contra a sua entrada. — Não me faça esperar... — choramingou levando uma mão para trás segurando o membro do outro. — Você sempre me deixou esperando!

E parecia que Kakashi percebeu que era verdade, não provocou mais o menor e se posicionou entrando lentamente no corpo de Iruka, fazendo com que este voltasse a apoiar as duas mãos na parede. Sentiu que estavam se tornando um, lentamente entrando e saindo e mesmo que Iruka sentisse dor, ele estava em êxtase por causa das sensações grandes. Sua boca se mantinha levemente aberta para respirar melhor e olhou para trás encontrando Kakashi de olhos fechados, concentrado em não ir rápido demais e o machucar. E Iruka achou linda a cena daquele corpo molhado, as pélvis se movendo para fazer o pênis sumir em seu interior enquanto suas nádegas provocava um som erótico ao bater contra a pele.

Som este que ia se tornando mais alto cada vez que as investidas aumentavam de velocidade e força, fazendo ambos gemerem mais alto ao ponto das pernas de Iruka ficarem moles cada vez que era atingido no seu ponto doce. Ele quase perderia as forças se Kakashi com o braço esquerdo não segurasse o seu corpo ao ponto de seu peito estar totalmente colado nas costas de Iruka. Então a mão direita foi até os lábios do morenos e adentrou a boca, Iruka não conteve em chupar três dedos enquanto a mão esquerda de Kakashi lhe masturbava rápido enquanto ainda estocava forme.

Tinha certeza que explodiria, Iruka sabia disso. Sentia tanto prazer, estava feliz em ser tomado e ver a preocupação de Kakashi lhe dar prazer e não dor. Agora tudo estava certo, ambos estavam dando e recebendo prazer e Iruka tinha certeza que seu coração não aguentaria, sua mente estava nublada e queria olhar para o outro. Suas mãos seguiram para trás dando um toque para Kakashi diminuir o ritmo e foi o que o ex-Anbu fez, parando por completo e retirando os dedos de sua boca. Iruka retirou o penis de si e se virou com as pernas trêmulas percebendo que não era o único vulnerável.

Ele viu a vulnerabilidade de Kakashi, a boca aberta respirando rapidamente, o pênis majestosamente vermelho e inchado, vibrando querendo retornar a penetração, os olhos focados somente em si. E Iruka nunca soube que tinha tamanho poder, realmente Kakashi estava certo sobre estarem perdidos um no outro. Iruka teve certeza disso quando desligou o chuveiro e andou lentamente saindo do banheiro, sendo seguindo por um Kakashi ansioso e atento, este poder essa coisa que não conseguiria decifrar era algo novo. Era por isso que o Anbu fazia tudo que ele pedia sem pestanejar, Kakashi estava totalmente perdido nele, assim como Iruka estava totalmente perdido em Kakashi.

Ele puxou o acinzentado para mais um beijo quando chegaram no quarto e se jogaram na cama sem se importarem de ainda estarem molhados. Tudo o que Iruka queria era ver e sentir Kakashi enquanto se posicionou em cima dele e segurou o pênis voltando a colocá-lo em si.

— Gosto do seu cabelo... — Kakashi soltou de repente acariciando os fios castanhos molhados quanto estava deitado de costas sobre a cama e sentindo Iruka começar a cavalgar sobre si e gemeu ao segurar a cintura do moreno ao começar a mover os quadris para ajudar na penetração.

— Também... Também gosto do seu... — Iruka respondeu gemendo e apoiando as mãos sobre o peito do Jounin e se movimentando mais rápido sentindo o outro mais fundo e os testículos baterem contra a sua bunda. Seu interior se apertava e escutava Kakashi gemer mais também perdido no prazer. Ele segurou as mãos de Kakashi entrelaçando os dedos e cavalgando mais rápido, vendo o seu próprio pênis bater contra o ventre do ex-Anbu. — Qual.. Sua... sua cor preferia? — perguntou entre gemidos olhando para os olhos do outro.

— Cinza? — Kakashi começou a rir entre os gemidos, provavelmente caindo a ficha que eles estavam praticamente se conhecendo na hora de fazer amor. — Gosto de sopa de missô com berinjela e gosto de ler. — completou e se sentou, agarrando Iruka e o fazendo circular a sua cintura com as penas e provocando um barulho alto na cama. — Pergunte o que eu amo! — pediu.

Porém Iruka não perguntou, ele tinha escutado muito bem a pergunta, porém não teve coragem de perguntar. Ele sabia qual era a intensão de Kakashi com essa pergunta, ele sabia a resposta que Kakashi queria dar. Ele fechou os olhos e se agarrou ao corpo de Kakashi, sentindo a construção do seu orgasmo vim e os movimentos de entra e sai ficarem mais e mais erráticos, seu membro estava prensado entre os corpos já jorrando um pouco do liquido branco prestes a se liberar. Seu interior se contraía e sua próstata era totalmente acertada. Estava perdendo a lucides e a compostura ao arranhar as costas de Kakashi e ao morder os lábios evitando a pergunta.

Se ele soubesse, eles não teriam mais volta.

Kakashi segurou a sua nuca e estava gemendo quando o fez olhá-lo, cada vez mais rápido ao entrar e seus olhos não desviavam dos seus. Iruka estava quase e ele sabia que Kakashi também estava, faltava pouco, seu ventre demonstrava isso.

— Te amo! — Kakashi sussurrou contra os seus lábios e Iruka explodiu nos braços do homem, se agarrando ao corpo e gritando quando enfim chegou ao orgasmo, se sujando e sujando ao outro.

Ele sentiu Kakashi continuar o penetrando, mesmo que estivesse letárgico e mole e gemeu um pouco mais quando o jounin também chegou ao orgasmo em seu interior, sentindo o jato quente lhe invadir. Eles respiraram várias vezes, abraçados e perdidos no próprio pensamento. Agora tudo seria diferente, Iruka tinha certeza e mesmo que tudo fosse assustador, ele não conseguia parar de sorrir e se agarrar ainda mais em Kakashi. Os dois estariam juntos, presos na solidão um do outro e tendo a companhia um do outro também. Dessa vez sem perseguições, sem coisas estranhas.

— Então, estamos namorando? — perguntou rindo e sentiu o corpo de Kakashi também vibrar ao rir e voltou a olhar nos olhos de Kakashi ao beijá-lo quando teve a resposta afirmativa do outro. — Não nos apresentamos corretamente. — Iruka continuou rindo e o beijou mais, feliz por não estar vendado ou com os olhos fechados pra fazer isso. — Prazer, sou Umino Iruka.

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— Kakashi Hatake. — Kakashi se apresentou e aproveitou a deixa para sair de dentro do menor, mas não se desprendendo do abraço. Ele não parecia não estar mais receoso com os toques.

— Nunca mais suma! — Iruka pediu encostando a testa no do outro e escutou um sussurro de "pode deixar" e sorriu. — Foi divertido ficar me seguindo e falar nada?

— Bem, foi muito.

— Idiota!

—*-*-

Era tão diferente de tudo que tinha passado antes, não que fosse normal ter um Anbu te seguindo, mas era diferente. As pessoas pararam definitivamente de lhe perguntar sobre o Anbu e as mesmas pareceram se cegar que de repente tinha um outro ninja que o acompanhava e conversava com ele. Não que ele se importasse com isso, era melhor não ser visto do que notado, mas considerou bastante diferente pois outras pessoas começaram a notá-lo e a cumprimentá-lo. Isso aconteceu com Gai, outro dia com Asuma outra hora uns Anbus apareciam e lhe cumprimentava como se o conhecesse.

Ele não queria saber o que Kakashi andava falando para as pessoas. Mas não poderia negar estar feliz, comendo ramen com Naruto e aguardando ansiosamente para chegar em casa, pois dessa vez não seria a solidão que o receberia.

E ao chegar em casa ele arrumou as coisas, se sentando e aguardando ansiosamente. A vida ninja não era fácil, você poderia morrer a qualquer momento, mas não custava nada viver o agora e aguardar que as coisas continuem bem, era isso que desejava e teve que aprender isso com um Anbu idiota. Na verdade ele estava errado, ele tinha que consertar esse termo, não era mais "seu anbu", era o "seu Kakashi". Era engraçado e esperava que o mascarado nunca descobrisse dos seus pensamentos de posse, seria constrangedor. E nesse momento tudo que ele queria fazer era ajudar Kakashi a não entrar na escuridão.

— Cheguei!

Iruka se levantou em um pulo assustado olhando na direção da janela e seguindo para lá, vendo Kakashi entrar por ela. Ele estava zangado, mas queria rir e não sabia o porque. Talvez porque ainda estava confuso com algumas coisas, talvez tivesse dúvidas ainda sobre eles e o futuro de ambos, mas estavam se agarrando em uma esperança mínima, ele não sabia.

Tudo que ele sabia que era bom receber Kakashi com um abraço e se ele pudesse seguir assim para sempre para afastar ambos da solidão ele não se importaria de fazer isso.

— Bem vindo de voltar! — sorriu vendo Kakashi abaixar a mascara. — E eu já falei milhões de vezes, use a porta!

Notas finais
Oie!! Perceberam o capítulo grande? kkkk.... Quis compensar o atraso, aí me empolguei demais e tentei diminuir. Juro que tentei diminuir!! foi bem difícil e trabalhoso, mas espero que tenham gostado, mil desculpas mesmo pelo atraso. Comentem, deixem sua opinião. Devo tentar escrever mais deles com outro plot? A opinião de vocês é importante. Pessoal, sério, comentem as fanfics, não digo isso pela minha, mas pelos ótimo autores que vejo desistindo de continuar escrevendo por causa de retorno. Eu me sinto triste quando eu vejo uma fanfic mal escrita, cheia de erros e pseudo roteiro porno barato ganhar vários favoritos e comentários enquanto os autores que realmente se importam em evoluir, aprender e melhorar e pesquisam para estar melhores a cada dia para os leitores não recebem o mesmo retorno. Deem muito amor para eles ♥ Revisei, mas se encontrarem erros me avisem Bom, esse é o capítulo final postei também no Nyah fanfiction, espero vê-los a próxima, beijos ;* Obrigada
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!