Tem que ser você
5 Arthur
Notas iniciais
“A tempestade lava a alma, mas nunca leva as lágrimas”.
31 de Maio – Sábado
Eu acordei muito ansioso, tomei café da manhã com meu pai, e logo fui para a cozinha dar algumas dicas de comida para Rita, nossa empregada. Hoje tem que ser um dia especial.
O relógio marcava 11:30, e eu andava de um lado para o outro. Meu pai já tinha cansado de me pedir para eu ficar calmo, mas eu estava nervoso.
Resolvi deitar no sofá da sala e tentar relaxar, até que foi bom, senti meu corpo ficar leve e meus olhos estavam se fechando levemente, foi quando dormi.
Quando abri os olhos Rita estava me cutucando.
– Já são 13:30! – disse ela.
Dei um pulo do sofá e fui lavar o rosto e trocar de roupa. Meu pai estava rindo de mim, pelo modo que eu estava agindo. Essas coisas são assim mesmo, não tem como evitar.
A comida já estava pronta, a mesa estava posta, tudo estava em seu devido lugar. Agora sim eu posso ir buscar o Eric, é aqui pertinho mesmo, se o Arthur chegar, meu pai recebe ele.
Tirei o carro da garagem e saí em disparada.
Subi as escadas, e toquei a campainha e logo Eric abriu a porta.
– Oi amor – ele sorriu e me beijou.
– Oi, está pronto?
– Prontinho!
Abri a porta para Eric e depois entrei no carro voltando pra casa.
Eric me esperou enquanto eu estacionava.
Saí do carro e entramos em casa, Eric foi lavar a mão e depois fomos para a mesa.
– Seja bem vindo Eric – disse meu pai.
– Obrigado senhor – ele respondeu educadamente e meio sem graça.
– Deixe o senhor de lado, me chame de Jonas – brincou meu pai.
– Tudo bem, Jonas.
Arthur ainda não tinha chegado, mas já estávamos há uma hora atrasados para almoçar, eu acho que ele não vem mais.
Rita começou a nos servir. O cardápio era bem leve, tinha peixe assado no forno com batatas, uma salada verde, arroz, e purê de abóbora. Eric estava adorando a comida, e tinha de sobremesa sorvete de creme com pedaços de morango e mousse de maracujá.
Estávamos rindo e brincando na mesa até que a campainha toca, Rita foi atender.
Eu ouvia os passos de alguém, e esse alguém era ele, Arthur Falconi.
O jovem de 24 anos, pele branca, cabelo liso penteado com gel para trás estilo John Travolta, 1,80cm, braços fortes e peitoral bem largo.
Do jeito que sempre costumava andar, de tênis preto, calça jeans e jaqueta de couro marrom aberta com uma camisa preta por baixo.
O jovem pelo qual era apaixonado na faculdade e que nunca me deu bola.
Neste exato momento Eric e Arthur se olharam e foi aí que tudo ficou bastante tenso. O Arthur que era namorado e vizinho de Eric era o mesmo Arthur que estudou com Henrique, e que o deixou apaixonado.
Um silêncio absoluto tomou conta da mesa. Ninguém falava nada. Eu não estava entendendo nada, só notava os olhares estranhos de Eric para Arthur e vice versa. Meu pai pediu licença e se retirou, pois já havia acabado e foi descansar. Ficamos nós três ali sozinhos, naquela situação e eu não sabia o porquê.
– Esta acontecendo alguma coisa? – perguntei.
Arthur ficou quieto, mas Eric tomou coragem para falar.
– Henrique, o seu amigo Arthur é o mesmo Arthur que namorou comigo e depois foi pra faculdade e nunca mais deu notícias.
– Eu fiquei muito ocupado, muitas provas, estágios, me desculpe – disse Arthur.
Eu fiquei confuso, minha cabeça estava girando. Como era possível o Arthur pelo qual me apaixonei ser o mesmo cara que namorou meu atual namorado. É muita coincidência.
– Henrique, eu não estou me sentindo bem, quero ir embora! – disse Eric.
– Não Eric, eu não quero que fique bravo comigo, agora vendo você de novo, me dei conta de que realmente te amo, lembra de tudo o que passamos.
Fiquei em estado de fúria ao ouvir Arthur falar isso pro meu Eric. Todos nós estávamos alterados, não tinha como não ficar assim, a situação era bastante delicada.
Eric se levantou e Arthur foi atrás dele.
– Não vá embora assim, por favor, me escuta! – pediu Arthur.
– Preciso de um tempo e não quero nem você nem Henrique me seguindo.
Eric saiu pela porta enxugando suas lágrimas inevitáveis.
Eu olhei para Arthur e só conseguia o odiar por estar fazendo Eric sofrer. Ele me olhava com ódio também.
– Sai da minha casa agora! – eu disse.
– Tudo bem, eu saio, mas saiba que eu não vou desistir do Eric.
– Você é passado Arthur, sou eu quem vai ficar com ele.
Ele saiu disparado pela porta.
Sentei-me novamente e respirei fundo. Fiquei pensando no modo que as coisas mudaram, estava tudo tão tranquilo. Fui para o meu quarto e me deitei.
Eric caminhava para casa até que Arthur parou a moto na frente dele.
– Posso pelo menos te levar em casa?- perguntou ele.
Eric hesitou por um momento, mas depois aceitou o convite. Subiu na garupa da moto e envolveu seus braços em Arthur como fazia antigamente.
Poucos minutos e Arthur já havia chegado à casa de Eric que o convidou para entrar.
– Você ainda me ama? – perguntou Eric.
Arthur sorriu.
– É claro que sim, eu sei que me afastei, mas agora estou aqui. Fica comigo e não com o Henrique.
Eric parou para pensar e se viu num dilema complicado. Arthur era seu antigo amor, mas ainda sentia algo muito forte por ele e já Henrique era alguém novo que havia o conquistado.
Arthur se aproximou de Eric e o abraçou de uma maneira muito delicada e sincera. Os dois se olharam e se beijaram. Todas as lembranças de anos atrás estavam ali na frente de Eric e ele sabia que não tinha como negar esse amor.
– Sua irmã saiu?
– Foi em uma excursão, só chega amanhã de tarde.
Arthur e Eric se envolveram ainda mais, e quando viram já estavam na cama. Eric não podia mais resistir e então cedeu ao jogo de sedução de Arthur.
Os dois transaram como nunca haviam feito antes, dessa vez além do amor, também havia a saudade.
A tarde passou, e a noite foi chegando devagar.
– Henrique, meu filho! Você está bem? – perguntou meu pai.
– Preciso ficar sozinho!
Eu precisava fazer alguma coisa, não podia ficar na cama o dia todo. Se eu amo o Eric tenho que ir atrás dele e mostrar que eu o amo.
Peguei a chave do carro e desci as escadas disparado.
Na estrada saí cortando todos os carros, até que vi a moto de Arthur estacionado em frente a paneteria. Subi as escadas e toquei a campainha e para concluir o que havia visto Arthur abriu a porta.
– Você aqui? – eu disse.
– Aqui é meu lugar! – respondeu Arthur.
– Onde está Eric? – perguntei.
– Está tomando banho, sabia que nós transamos!
Vi as roupas pelo chão e Arthur estava apenas de calça jeans e sem camisa, seu cabelo estava molhado e seu corpo também, tudo indica que estavam no banho juntos e ele apenas vestiu a calça para abrir a porta.
– Já entendi tudo!
– Que bom, agora pode ir embora, quero terminar o banho.
Minha fúria aumentou até que dei um soco na cara dele, e ele veio pra cima de mim. Caímos no chão, e socos e arranhões foram o que sobrou.
Eric apareceu já vestido e tentou separar a briga, por fim ele conseguiu.
– É isso Eric? Você o escolheu? –perguntei.
– Escolhi sim e não é problema seu!
Eric ajudou Arthur a se levantar e ficou do lado dele. Eu não consegui ficar ali pra curtir a cena, e fui embora.
Entrei no carro e deitei minha cabeça no volante, só o que restou foi chorar.
Eric colocou gelo em um pano e deu para Arthur colocar no rosto.
– Obrigado Eric!
– De nada!
Eric ouviu o barulho do carro de Henrique na hora que ele arrancou e uma dor enorme surgiu em seu peito.
Estava em alta velocidade, não queria saber de mais nada. A dor no meu coração era enorme que não tinha como não sentir. Por que ele escolheu Arthur? Por quê?
Já estava muito longe de casa, não tinha um destino certo. A noite estava linda demais, com uma lua cheia brilhante. Acelerei ainda mais de tanto ódio, e não percebi que tinha uma curva e meu carro saiu da pista e caiu ribanceira abaixo.
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