Notas iniciais
fiz essa fic quando o idiota do meu irmão me trancou no quarto e me tirou a internet, e as únicas coisas que tinham no meu quarto para ler era folhetos falando sobre drogas,sexo, depressão infantil e os perigos de se auto medicar.
Também não sei o que eles estavam fazendo lá (provavelmente foi minha mãe, ela acha que eu me drogo, só pode)

Nas paredes da minha casa, um único texto escrito com tinta:

“ A humanidade é uma grande esperança perdida. Cada homem está trancado dentro de si mesmo e sua alma é semelhante a um poço onde só o sofrimento vive e se agita. Solidão, loucura e marginalidade são os destinos das criaturas que se corrompem no dinheiro e no desejo — carcereiros da alma. Não há liberdade fora da morte. A vida é violência e ritual antropofágico. Os únicos companheiros do indivíduo são o medo e a solidão. E, para eles, não há remédio: conseqüentemente não há cura."
(Tenessee Williams)

Ela passa dias e dias sentindo um êxtase no corpo, ela beija bocas, ela dança até o sapato tingir o sapato de negro, ela anoitece e ela sorri. Ela se sente deprimida, cansada, mal-amada, com raiva da vida, ela passa dias e dias no seu quarto, se escondendo atrás de seus cabelos de menina.

Ela sai pra comprar:

- Um pouco de felicidade por favor?

- R$ 250,00. de 3 a 5 gotas debaixo da língua. Pode tomar mais se a angustia não for embora.

- Isso vicia?

- Não são gotinhas para bebe.

- Médicos também servem pra isso! Vou te receitar algo pra dormir, outro para se sentir bem disposta, e vou te dar uma pilula que vai diminuir sua ansiedade, daqui a uma semana não vai sentir mais nada.



Já em casa, ela começa a sentir uma ausência de energia, falta de movimento, um choro agudo desagua nos seus olhos sem ela perceber. A memória começa a falhar. O sexo não é mais o mesmo. Orgasmos faz tempo que não acontece, a vontade e pouca, tenta se toca mas o prazer que sentia antes já se ausentou do seu corpo.

Ela passou a não sentir mais nada, nem angustia, nem tristeza, nem amor, nem desejo, nem nada que um ser humano deve sentir. Por que o mundo de hoje está sendo preparado para sumir com tudo isso. Vamos esconder todas as dores do mundo dentro dessas fabulosas capsulas. Seremos maquinas movidas a clonagem, antidepressivos e ansiolíticos, estimulantes...

O que seria das escritas de Virgínia Woolf, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Baudelaire, se a dor, a solidão e a angustia fossem deletadas de seus celebro?

Nos meus estudos, questões como essas deitavam comigo todos os dias. Por que os que têm tudo não são felizes? Uma autora escreveu: “ Se os ricos não são felizes, é por que a felicidade não existe.”

Esse e um retrato de uma geração, talvez essa em que vivemos, que sabe? Esconder sua angustia para fingir felicidade é constante: consome sua tristeza substituindo por roupas de grife e ansiolíticos. Se eu posso comprar , por que vou conviver com essa dor?

O vazio exitencial é inerente ao passo querer. A beleza do ser humano está nessa constante procura de se encontrar. Sem isso não há vida, não há criação.

Notas finais
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