Telling Lies
5 Persuasão
Notas iniciais
Gaara soube que ela estava de volta quando ouviu o toc-toc-toc ritmado dos saltos dela pela casa. Ouviu o burburinho de vozes no andar de baixo — ela estava dando ordens aos empregados, fazendo-os correr de um lado para o outro como baratas tontas — e um farfalhar de tecido e mais alguma coisa enquanto ela se aproximava pelo corredor.
Sentiu o perfume dela no ar, aquele cheiro doce que o deixava arrepiado.
E ergueu os olhos do pergaminho sobre a mesa para vê-la passar apressada pela porta aberta do escritório em direção ao quarto. Uma coisa loura e estonteante que sabia se equilibrar como ninguém sobre saltos altos e perigosos.
E estava carregada de sacolas.
Gaara levantou-se de sua elegante cadeira de Kazekage e foi atrás dela, imaginando quanto tempo demoraria até que um dos ministros viesse reclamar sobre as novas e caras aquisições de sua mulher.
— Ino?
Ela estava sentada na beira da enorme cama de casal com dossel desprendendo as ligas das meias de náilon 7/8, a saia de chiffon meio erguida na altura das coxas — ah, aquelas pernas longas, pálidas e macias que o deixavam com água na boca — e uma cascata de cabelos dourados caída sobre um dos ombros.
Gaara quase se esqueceu das sacolas de compras que cobriam toda a cama quando ela o olhou com aqueles malditos olhos azuis, os mais azuis que ele já vira na vida e que sempre conseguiam tudo dele.
— Oh, querido! — ela sorriu e foi pendurar-se no pescoço dele. — Parece tenso.
Gaara limitou-se a encará-la em silêncio.
— Você tem trabalhado muito. — disse num murmúrio. — Devia tirar umas férias.
— Férias? — ele ergueu uma sobrancelha desdenhosa. — Do jeito que você anda jogando dinheiro ao vento, vou precisar trabalhar em dobro.
Ela empinou o nariz e saiu desfilando até o banheiro.
— Não jogo dinheiro ao vento. Apenas compro o que preciso.
Ele a ouviu tirando os brincos e as pulseiras e colocando as jóias sobre o balcão da pia, aquele som baixinho e delicado de quando ela se despia das pedrarias caras que ele lhe comprava, anéis de turquesa — para combinar com os olhos dela — sobre o mármore branco do banheiro, e em seguida ouviu o ruído dos potes de cosméticos e vidros de perfume sendo remexidos enquanto ela procurava por alguma coisa.
Gaara quase não tinha espaço naquele banheiro.
Ela parou de pentear o cabelo, a escova ainda no ar, quando o viu refletido no espelho. Virou-se para encontrá-lo recostado à porta do banheiro com um olhar meio sarcástico no rosto e uma calcinha de renda na mão. E ainda estava com a etiqueta da loja.
— Ah, é mesmo? — disse ele.
Ino tomou-lhe a calcinha e voltou a pentear o longo cabelo.
— Uma primeira-dama precisa estar sempre apresentável.
Ele cruzou os braços e continuou a observá-la.
— É claro.
— E além do mais, estava na promoção. — mentiu. — Você sabe que eu...
— Só compra quando tem promoção. — Gaara já havia decorado a desculpa de sempre.
— Isso mesmo.
Ela se virou para o marido outra vez e sorriu aquele “sorriso de enganar homens”, como chamava em segredo, e que sempre funcionava muito bem. Largou a escova de cabelos sobre a pia e foi enroscar-se a ele, sentindo que havia ganhado mais uma vez e que Gaara não mandaria um criado devolver as suas compras, como havia ameaçado em outras ocasiões. Sentiu que ele amolecia com seus olhos, seus beijos e seu cheiro, e quando o marido a segurou pela cintura e a puxou para mais perto, Ino pensou que se lhe pedisse para comprar Suna inteira, ele diria sim.
Ela mordeu-lhe levemente o lábio inferior e ele suspirou, derrotado. No fundo, ele sempre soube que a garota mais bonita de toda Konoha lhe custaria caro.
— Tudo bem. — acabou dizendo. — Não vou discutir com você dessa vez.
— Oh, querido, eu sabia que você...
— Mas... — ele calou-a com o indicador sobre os lábios pintados de batom.
— Mas?
Gaara afastou delicadamente o cabelo dela para trás de um ombro e inclinou-se para falhar-lhe ao ouvido, tão perto que seus lábios roçavam a orelha da mulher enquanto sussurrava a sua condição.
— Terá que vesti-las para mim. — e beijou-lhe o pescoço. — As lingeries que comprou.
— Oh... — ela sorriu em silêncio. — É isso o que você quer?
— Uma a uma.
Ela fincou as unhas bem feitas em seus braços e quis beijá-lo, mas Gaara apenas deu a ordem — “agora” — e deixou-a sozinha no banheiro para acomodar-se confortavelmente na cama e esperar. E enquanto preparava-se para ele, um pecado de pele macia envolto em rendas e luxúria, Ino pensou que melhor do que dobrar um homem, era dobrar um homem e ainda se divertir com isso.
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