Tell Me The True
1 Capítulo 1: Vazio.
Prologo.
Uma verdade imutavel?
Nem sempre as coisas são como queremos. Eu não queria ter perdido meus pais, mas eles morreram. Eu não queria sentir esse tipo de dor insuportável, que te consumia aos poucos, que não tinha fim, que te destroçava de maneira lenta e aguda, que te feria por dentro. O tempo até cicatrizava, mas não curava.
Nunca acreditei em contos de fadas, mitos, lendas ou qualquer coisa fantasiosa. Algumas histórias eram interessantes e agradáveis de se ouvir, outras, no entanto, eram tediosas. Tolice. Eu não tinha tempo, não tinha cabeça para perder com esse tipo de coisa. Só conseguia pensar em meus pais e em uma maneira de suportar a dor que me consumia cada vez mais.
Mas a vida era imprevisível, cheia de ironias. Quando menos me dei conta, estava lendo livros de lendas e mitos; vendo filmes de ficção e acreditando em tudo. Era loucura, impossível, mas eu sabia que era verdade, precisava ser.
...
Capitulo um: Vazio.
Não chorara no enterro de meus pais.
Primeiro vinha a surpresa, depois o inconformismo; e ele ficava; e em seguida vinham a tristeza, dor, amargura e, finalmente, o vazio angustiante.
Eles também ficavam.
Chegava a ser estranho como a morte, algo categoricamente inevitável – nós sabemos que uma hora ela chega, furtiva e frívola –, sempre nos pega desprevenidos.
Eu já havia perdido a conta de quantos olhares de pena e palavras reconfortantes eu já havia recebido. As pessoas ao meu redor eram compreensivas e simpáticas.
“ Sinto muito” diziam, ninguém sentia nada.
Nada mais me importava, nada mais fazia sentido. Era como se parte de mim – uma parte grande e importante – tivesse ido junto com meus pais.
A única certeza de que eu realmente tinha era que iria morar com meu tio Makarov e com sua afilhada, que tinha a mesma idade do que eu, Lucy.
Em outra ocasião eu me recusaria terminantemente a me mudar do Japão para Nova York, mas agora...
Que escolha eu tinha?
Eu não sabia nada sobre eles e elas tampouco sobre mim, eles tentariam se aproximar de mim, mas eu estava tão acabada demais para me aproximar de quem quer que fosse, Seria uma experiência constrangedora e melancólica.
Não conseguira chorar pela morte de meus pais e agora, simplesmente, não conseguia mais sorrir. O pior de tudo não era a perda em si, não era a mudança, não eram os sentimentos amargos e desagradáveis, não eram a incapacidade de chorar ou sorrir....
... Era o vazio.
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